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>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
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>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
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DIGESTIVOS

Quarta-feira, 22/12/2010
Digestivo nº 474
Julio Daio Borges

+ de 2700 Acessos




Literatura >>> A História da Inteligência Brasileira, de Wilson Martins, pela UEPG
Ainda existe crítica literária? É uma pergunta que se coloca quase tão frequentemente quanto outra, mais ampla: "Ainda existe jornalismo?". Se a crítica se caracteriza pela periodicidade, talvez ela não mais exista. Numa guinada para o populismo — tentando vender mais exemplares, e sobreviver na era da internet —, os impressos aboliram muitos dos assuntos difíceis. E crítica literária, certamente, está entre eles. Não "lançamento" ou "divulgação" de livros, mas análise e até juízo de valor. Por outro lado, com a explosão das pequenas editoras, e o barateamento dos custos de produção, tornou-se quase antidemocrático criticar um autor que estava, de repente, bancando sua própria edição. "O Brasil tem tão poucos leitores, e escritores... Deixa pra lá". Aliado a tudo isso, conclui-se que a melhor resposta aos maus livros seria a indiferença, o silêncio. Assim, ficamos sem saber se um determinado volume terminou sem resenha porque era ruim mesmo ou porque a crítica literária simplesmente deixou de existir... Pode parecer inimaginável hoje, mas esse panorama já foi diferente. Mesmo o Brasil teve críticos literários com poder de fogo, capazes de consagrar ou enterrar um carreira através de um texto. Wilson Martins foi um deles, e praticou a crítica literária, sistematicamente, como ninguém. Durante décadas, até morrer. E, claro, colecionou desafetos, até o final, igualmente. Dois de seus alvos, contemporâneos, foram a biografia de Machado de Assis, escrita por Daniel Piza, e um dos livros da poesia de Carpinejar (antes de experimentar outros gêneros de escrita). Quando parecia alheio a tudo, Wilson Martins voltava a incomodava o establishment... Mas isso, de certa forma, acabou. Primeiro, porque não há "espaço", ou concentração de mídia suficiente, ou até autoridade tout court. Depois, porque é tempo de "publicar". Mais para frente, será talvez tempo de fazer avaliações. "Agora não dá. Vamos publicar primeiro. O leitor que julgue." Não eram esses os motes da geração precedente? Se tivesse feito só o que fez em matéria de crítica periódica, Wilson Martins já teria feito muito. (Quem duvida, que procure a série Pontos de Vista, nos sebos especializados.) Não contente, porém, Wilson Martins escreveu uma História da Inteligência Brasileira. Um título que gerou reações exaltadas, mas que se referia, sobretudo, à história literária do Brasil. Como se não apenas a nossa história tivesse começado — como a História, com "H" maiúsculo — com a escrita, mas também a história da nossa "inteligência", da nossa intelligentsia, das nossas manifestações intelectuais. E Wilson Martins percorreu as nossas letras, desde Anchieta, nas primeiras décadas do Descobrimento, varrendo cinco séculos, em sete volumes. Em seus últimos anos, Wilson Martins estava, justamente, revisando sua História da Inteligência Brasileira. E, agora, ela sai, atualizada e revista, pela editora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (cujo Pró-reitor de Extensão e Assuntos Culturais é ninguém menos que Miguel Sanches Neto). O estilo de Wilson Martins não é unânime, mas seus achados sempre compensam. Sei que é difícil convencer alguém a lê-lo para aprender como é que se faz crítica (quando a crítica profissional subsiste); mas é fácil vendê-lo como — além de uma das grandes realizações da nossa crítica — uma das grandes realizações da nossa inteligência, até aqui. [Comente esta Nota]
>>> A História da Inteligência Brasileira
 



Além do Mais >>> Introdução à história da filosofia, volume II, por Marilena Chaui
Muitos filósofos acharam que tinham de escrever sua própria História da Filosofia. Ou dar sua versão da História. Uma das mais famosas, durante o século XX, foi a de Bertrand Russell. Escrita num inglês com laivos de latim, valorizava os antigos e os modernos, enquanto menosprezava a Idade Média. Russell não considerava filosofia alguém partir para a investigação com os resultados dados de antemão. E ter de conciliar investigação filosófica com verdades reveladas da religião. Aqui no Brasil, Marilena Chaui, nossa maior filósofa, está publicando, também, a sua história, que chega ao segundo volume agora. A filosofia, ao contrário da ciência, não é cumulativa, e sua história pode ser lida de vários pontos. Até porque muitos filósofos pretenderam inaugurar, do zero, uma nova filosofia. Chaui não é especialista em filosofia antiga, seu objeto de estudo, digamos assim, é Spinoza. Mas, neste volume, soube se apoiar sobre os ombros de profundos conhecedores, inclusive brasileiros, e atravessou, de maneira correta, o período que denomina "Escolas Helenísticas". Historicamente, são quase 400 páginas sobre a perda da hegemonia da Grécia, no mundo antigo, a ascensão de Alexandre, sua morte, e seu legado para o Ocidente, o helenismo. Embora considerado bárbaro, o jovem conquistador da Macedônia foi aluno de Aristóteles e fez questão de perpetuar a cultura da Grécia por onde passou. Graças a esse esforço, o Império Romano, e a filosofia que se desenvolveu durante seus séculos de dominação, até praticamente o cristianismo, é tributária do pensamento grego. A ponto de Hegel - Chaui observa - ignorar o período romano, afirmando que havia nele pouca investigação, tendo Roma produzido, no máximo, bons advogados e pensadores morais. Chaui, portanto, constrói a ponte, que vai desde Pirro, passando por Epicuro, pelo estoicismo grego, desembarcando na "filosofia que fala latim", de Cícero, e Lucrécio, até o estoicismo romano, de Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio, terminando com os céticos Enesidemo e Sexto Empírico. O neoplatonismo ensaiaria seus primeiros passos, e a revalorização de Aristóteles, durante a Idade Média, viria na sequência. Pode soar estranho, para nós, um período em que Sócrates era mais lembrado que os dois outros monumentos da filosofia grega. Ocorre que a Academia havia perdido sua força, também o Liceu, e o período de guerras sangrentas, que começou com a do Peloponeso, se alimentou das conquistas romanas e se encerrou apenas com a queda do Império, exigiu um outro tipo de filosofia. Nesse ponto, o estoicismo, a "sabedoria", o equilíbrio (interno, para além do mundo externo, que desmoronava) era a única saída. Numa época de tantos estímulos, tantas possibilidades, tamanhas mudanças, como a nossa, ler os estóicos é uma experiência, no mínimo, interessante. Nossa rotina de incontáveis tarefas, inúmeros compromissos, infinitas "oportunidades" lhes pareceria exasperante. Ou, diante da nossa aparente confusão, lançariam apenas um olhar frio, mantendo-se imperturbáveis e preferindo a indiferença a ter de argumentar com seres tão infelizes. Marilena Chaui nos permite "trocar uma ideia" com pensadores desse calibre, que já conheciam as principais questões da vida, antes de Cristo. [1 Comentário(s)]
>>> Introdução à história da filosofia, volume II
 



Música >>> Beatles por André Mehmari, na série MPBaby
André Mehmari é muito provavelmente o maior pianista da sua geração. Atravessando, como ninguém, as barreiras entre o erudito e o popular. Não apenas "da boca pra fora", mas como alguém que conhece, verdadeiramente, os dois universos. Porque a maioria dos "músicos" que prega essa transposição, mal estudou música, não consegue analisar uma partitura e possivelmente considera que a História da Música é só a das últimas décadas. André Mehmari conta que passou seus anos, na Música da USP, indo diariamente à biblioteca e pegando três ou quatro partituras. Assim, estudou, por exemplo, toda a obra de Stravinski. Agora, se alguém perguntar sobre Stravinski, para os nossos jovens "músicos", a maioria vai responder que se trata de um violino. A formação de Mehmari — que talvez não seja a da ECA (e, sim, a da biblioteca da ECA) — transparece em todos os trabalhos que faz. Sua erudição não é forçada, nem adquirida há pouco, é natural, sedimentada, orgânica. De modo que a sofisticação de sua bagagem está praticamente em tudo, independente de ser uma composição sinfônica — para ser executada na Sala São Paulo — ou de ser uma canção da nossa MPB, para ser arranjada em formato "piano e voz". Essa habilidade, evidentemente, se destaca, também, neste CD, em que, a princípio, adapta canções dos Beatles para o universo infantil. E a vantagem de Mehmari é, justamente, não ter sido forjado na vala comum do pop. A ponto de suas recriações serem as mais originais em cima do repertório dos Beatles há muito. Já nos primeiros acordes de "Hello, Goodbye" (a primeira faixa), no andamento que Mehmari imprime à canção, sente-se que "vem coisa boa". Em "Norwegian Wood" (a segunda), Mehmari acentua o tempero jazzy e parece evocar a "Take Five" de Dave Brubeck (por incrível que pareça). Sua desmontagem prossegue, até que em "Across the Universe" (a quarta) fica sugerido um parentesco com a desconstrução de Brad Mehldau (seu contemporâneo mais próximo nos EUA). Se o jazz e o "jazz contemporâneo" pareciam fáceis até agora, Mehmari então funde — como, aliás, já havia feito — a "Sonata ao Luar", de Beethoven, com "Because". E, em "Ob-La-Di, Ob-La-Da", encantadoramente, funde Beatles com Mozart. "Penny Lane" vira quase um samba de Caymmi ou Ary Barroso. "Yellow Submarine" vira uma marcha infantil e, se Mehmari quisesse, viraria até uma marchinha de carnaval. "Blackbird" parece arranjada mais à direita (na seção mais aguda do piano); e "Get Back", mais à esquerda (na seção grave). "Eleanor Rigby" e "Something", lembrando suas letras melancólicas, ganham nova densidade. John Lennon, aliás, se ouvisse, acusaria Mehmari de atribuir propriedades metafísicas às composições de Harrison e McCartney... Ainda completam a experiência: "The Fool on the Hill", "Here Comes the Sun" e "Let It Be". Esta edição do MPBaby, olhando bem, não parece "para crianças". Talvez não seja integralmente compreendida nem por simples fãs. É o efeito que André Mehmari provoca nos repertórios que, de repente, abraça. Renovando, até, o que parecia engessado pelo costume. [Comente esta Nota]
>>> Beatles por André Mehmari
 



Além do Mais >>> A Física do Sucesso, de Natalie Reid
Uma das áreas do conhecimento mais fascinantes durante o século passado foi a física quântica. O absurdo de um universo não-determinista, onde a lógica não reinava e nada mais era certo, tudo era probabilidade, sendo possível até voltar no tempo... A física quântica bagunçou a cabeça de muita gente. E até gênios, como Einstein, morreram sem aceitá-la. Para ele, não poderia reinar o caos, afinal "Deus não jogava dados" - e se a física quântica não seguia nenhuma lei, prevalecendo o indeterminismo, era porque não havíamos descoberto direito seu funcionamento (e, não, porque ela era, simplesmente, assim). O fato é que a física quântica combinou, absurdamente também, com o século XX. Dos relativismos, do "vale-tudo" na arte e até da correção política. Do pós-modernismo, da "salada" entre alta e baixa cultura, do "nobrow". Se a humanidade tinha quase acabado durante a Segunda Guerra, e se estávamos reinventando a sociedade na segunda metade do século, a física quântica vinha a calhar, invalidando todas as leis estabelecidas, transformando até a realidade numa ilusão (persistente, mas uma ilusão). Daí para os charlatanismos seria um passo. Se a Alemanha, um dos ápices da nossa civilização, quase havia nos destruído, a resposta não poderia mais estar na Europa, nem no Ocidente talvez... A verdadeira sabedoria era agora a oriental, quando o homem moderno (ocidental) só corria atrás do próprio rabo, adotava valores que não eram seus, desperdiçava uma vida inteira... (para concluir que não havia valido a pena...) Em resumo, abusaram da física quântica para explicar o inexplicável, aceitar o inaceitável e até justificar o injustificável. Assim: quem havia fracassado, poderia se refugiar num "universo paralelo". Tudo bem: ser um perdedor neste universo, não significava que a pessoa não poderia ser bilionária em outra realidade... Enfim, quem assistiu a Quem Somos Nós? (2005), por exemplo, pode ter saído do cinema com a sensação de que estavam, no mínimo, usurpando a física quântica. (Dizer que ela era probabilística não significava dizer que era milagrosa...) E eis que surge, neste momento, A Física do Sucesso, livro de Natalie Reid (Nova Era, 2010). Que pode, à primeira vista, parecer mais um esforço de vender física quântica como se fosse pãozinho quente, mas não é. Para quem não entendeu patavina de Quem Somos Nós?, o volume de menos de 200 páginas é um achado. Em vez de dizer que "qualquer maneira de amor vale a pena", Reid, doutora em psicologia, usa os conceitos da física quântica para superar traumas, implementar mudanças e seguir adiante. Pois, uma postura conhecida é aquela de desistir de tudo, afinal o universo vai explodir em alguns bilhões de anos... Outra é a de transformar a física quântica, e suas novas possibilidades, em ferramentas para modificar o que, aparentemente, não tem solução óbvia. No mesmo estilo de Laura Day, a especialista em crises, o livro é cheio de exercícios, mas, se alguém quiser se convencer na livraria, basta se embrenhar nos primeiros capítulos. Se a física quântica é uma espécie de rebeldia na Física, revolucionando o mundo como o conhecíamos e instaurando quase uma forma de anarquia, A Física do Sucesso quer ajudar os eternos adolescentes a serem bons moços outra vez ;-) [Comente esta Nota]
>>> A Física do Sucesso
 

 
Julio Daio Borges
Editor

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