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Segunda-feira, 26/8/2013
Digestivo nº 493
Julio Daio Borges

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Além do Mais >>> O fim da revista Bravo!, na editora Abril
A Bravo! está acabando desde que mudou para a Abril, em 2004. A Luiz Felipe D'Ávila coube o pioneirismo de fundar a revista na editora que levava seu nome. Por outro lado, o autor da coluna Filípicas (na igualmente extinta República) nunca teve a preocupação de "operar no azul". No dizer de um editor de cultura, ex-colaborador da revista, Luiz Felipe D'Ávila, com alguns telefonemas, conseguia financiar a Bravo!. Provavelmente tinha a esperança de que ela se pagasse com o tempo, mas, até onde sabemos, isso nunca aconteceu. Concebida por Wagner Carelli, que jamais teve fama de "econômico", há dez anos se dizia que cada edição da revista custava R$ 250 mil. O arranjo com a Abril ― quase um arranjo em família ―, foi providencial. Garantiu a sobrevivência da Bravo! por quase uma nova década. Nos comunicados recentes da Abril, ficou no ar que a morte de Roberto Civita precipitou a da revista, que, segundo dizem, ele protegia. A Bravo! era de outra época: Paulo Francis, que colaborou com a Repúbica, provavelmente colaboraria com ela. (A Bravo! é de 1998; Francis nos deixou em 1997.) Não custa lembrar que a internet comercial, no Brasil, é de meados da década de 90. Logo, a Bravo! é quase pré-internet... Elitista, com um acabamento digno de "livro-objeto", nunca dialogou com as "massas". Seria que deveria? Ganharia alguma sobrevida com isso? (Ou, se o fizesse, teria deixado de ser a Bravo!?) Além do projeto gráfico que, embora custoso, influenciou outras publicações (como a breve Raiz, outra cria de Wagner Carelli), a Bravo! consagrou o formato "ensaio" na imprensa brasileira. Capitaneada por Sérgio Augusto, a seção rendeu um de seus melhores livros, Lado B (reunindo igualmente crônicas de outra extinta, Bundas). Foi na Bravo! que Daniel Piza publicou alguns de seus melhores escritos sobre artes plásticas, e, num dado período, contava bastante com os "frilas" da revista. Junto com a poeta Flávia Rocha, hoje à frente da Academia Internacional de Cinema (AIC), Michel Laub, hoje escritor requisitado, despontou igualmente na Bravo!. Na venda para a família Civita, diziam que a única mudança seria a inclusão do "logo" da Abril na capa da revista. Mas o apelo ao pop foi inevitável e a Bravo! foi perdendo, gradualmente, as assinaturas que haviam forjado sua identidade. Substituiu os ensaístas por blogueiros, mas não foi feliz na troca. Há anos fechada dentro de um saco plástico, não se sabia mais o que acontecia com ela (tornou-se impossível folheá-la nas bancas). A verdade é que, nos seus melhores anos, a Bravo! teve a relevância de uma Piauí. Abandonada por seu criador, foi definhando lentamente. Sua "morte" é um lembrete de que revistas acabam (sobretudo as culturais). E de que, se um dia João Moreira Salles se cansar, a Piauí pode ter o mesmo fim. (Com a diferença de que não há mais um Roberto Civita para abrigá-la sob o guarda-chuva da Abril...) [Comente esta Nota]
>>> Abril encerra a revista Bravo
 



Além do Mais >>> A aquisição do Washington Post por Jeff Bezos
O fundador da Amazon.com declarou, no ano passado, que os impressos não iriam durar mais 20 anos. Só que acaba de adquirir um jornal impresso, o Washington Post, e com dinheiro do próprio bolso. Ninguém entendeu, claro. Não é de hoje que o comportamento de jornais e de revistas tem sido errático. No Brasil, além da Gazeta Mercantil, recentemente acabou o Jornal da Tarde e o Estadão "minguou". Nos Estados Unidos, o maior jornal do mundo teve de vender suas instalações, em Nova York, e teve de se associar a um mexicano, Carlos Slim. Lá, as revistas morrem como moscas; aqui, inclusive os donos de revista. Enfim: a crise da imprensa não é um fato novo. Mas a aquisição de jornais, por bilionários, é. Começou a chamar a atenção com Warren Buffett, que se justificou dizendo que, para notícias locais, os jornais seguem imbatíveis. (Parece que, na reunião de seus acionistas, "funcionou".) E Rupert Murdoch, claro, já vinha colecionando impressos... (Mas ele fez isso a vida inteira!) Agora, Jeff Bezos? Vale lembrar que foi o mesmo sujeito que lançou o Kindle, estabelecendo um formato de livro eletrônico antes da Apple e antes de Steve Jobs. O que Bezos ― o mesmo varejista que "espreme" as margens das editoras ― pode querer com um dos títulos mais tradicionais dos EUA? Vale lembrar que o Washington Post derrubou um presidente, Richard Nixon, revelando ao mundo o escândalo de Watergate. É uma instituição da "América", como eles dizem. Mas à venda? Para alguns jornalistas, é como se um dos bilionários do Google tivesse arrematado a Biblioteca do Congresso. Ou como se Mark Zuckerberg, de repente, se tornasse "dono" de Harvard. Brasileiros reclamam das "famílias" que, aparentemente, "controlam" a mídia, mas os americanos já sentem falta das "dinastias" que, até ontem, "governavam" seu jornalismo. Imagine Eike Batista ― antes do estouro da bolha ― arrematando as Organizações Globo? Para alguns, é esse o nível de apreensão. Por outro lado, Jeff Bezos é um gênio. Do comércio eletrônico, ao menos. Tudo o que sabemos de "comprar na internet" foi a Amazon que inventou, ou aperfeiçoou. Jeff Bezos, como Steve Jobs, mudou o mundo. O que uma das mais brilhantes inteligências do século XXI pode fazer com uma indústria que remete ao século XIX? A pergunta volta sem resposta. Bezos, como Buffett, pode ter errado, também. Não há indícios de que os jornais vão se recuperar. E o que inviabiliza o formato é, justamente, haver instalações físicas: redações, impressão, logística... (Sendo que a "versão eletrônica" nunca pagou as contas...) Se Jobs não pôde salvá-los ― com o iPad ―, por que Bezos poderia? [Comente esta Nota]
>>> Why Donald Graham Sold the Washington Post to Jeff Bezos
 



Internet >>> We Are Anonymous, de Parmy Olson
Antes da apoteose do Mídia Ninja, e do escândalo do Fora do Eixo, todo mundo se perguntava quem eram os líderes das manifestações de junho. Como Pablo Capilé não parece satisfazer os jornalistas em suas prestações de contas, e como Bruno Torturra não tem podido iniciar uma rodada de crowdfunding, as especulações, sobre as lideranças nos protestos, voltaram à baila. Depois dos "ninjas" e do "FdE", o noticiário meio que se esqueceu do Anonymous, mas o grupo merece atenção. Nos Estados Unidos, o Anonymous começou num imageboard, uma espécie de fórum só de imagens. Em meio a pequenos trotes, ou "trollagens", o grupo foi se consolidando e promoveu "ataques" que fizeram história, como o direcionado à Cientologia, seita que converteu estrelas de Hollywood, e ao site de pagamentos PayPal (entre outros). De uma dissidência do Anonymous original, surgiu um novo grupo, o LulzSec, que, inclusive, colaborou com o WikiLeaks, chegando a ter contato, pessoal, com Julian Assange. Mas, ao contrário do WikiLeaks, o Anonymous não tem um único líder. E, como próprio nome sugere, seus fundadores, ou suas "lideranças", digamos assim, prezam, acima de tudo, pelo anonimato. Não se trata de covardia ou, mesmo, ausência de coragem. Ocorre que, quando um hacker importante tem sua identidade revelada, a "imunidade" de que ele dispunha, para agir, vira fumaça. No livro de Parmy Olson, que acompanha a trajetória dos fundadores do Anonymous, fica claro que um hacker importante desfruta de grandes poderes, até que é desmascarado. Impressiona que alguns dos mais impactantes "ataques" tenham sido obra de jovens com 20 e poucos anos ou menos. Cultivando uma ideologia que, naturalmente, pega emprestado do anarquismo, e da desobediência civil de Thoreau, os hackers de We Are Anonymous vivem nas franjas do capitalismo, chegando a flertar com a esquerda, mas sempre desligados de partidos e organizações políticas. Contrariando a imagem que deseja aproximar o hacker do "terrorista" padrão, alguns deles têm família, e alguns vivem ainda com os pais. Na história de Olson, o "núcleo duro" que deu origem ao Anonymous nos Estados Unidos acabou tendo de responder por seus "atos", a ponto de nos perguntarmos quem permaneceu "no comando"... até o Anonymous Brasil. No livro, há alguma referência a hackers brasileiros, e a seu inglês precário. No caso de "movimentos" como o Fora do Eixo e de mídias como a dos "ninjas", tem havido críticas recentes a seu modus operandi, ameaçando, inclusive, o futuro de iniciativas oriundas da internet. Os objetivos não são claros, há uma hierarquia difusa, surgem denúncias e suspeitas de malversação de recursos. A expectativa é de que as histórias tanto do Mídia Ninja quanto do Fora do Eixo sejam esclarecidas, e que, se houver culpados, que sejam punidos - a fim de que a internet possa continuar a florescer, no Brasil, como uma ferramenta de apoio à representação política, combatendo o abuso de poder e chamando a atenção para as reais demandas da sociedade. [Comente esta Nota]
>>> We Are Anonymous
 



Além do Mais >>> Vocabulários grego e latino da filosofia
Quantas bobagens proclamadas em nome da filosofia. É verdade que os filósofos são ridicularizados desde os tempos de Sócrates. No Górgias, o mestre de Platão infelizmente gasta tempo ouvindo impropérios. Pois é: se mesmo o filósofo que dividiu a História da Filosofia, tinha de aturar os estultos, ninguém está a salvo. E a filosofia, muito menos. Por essas e por outras, em vez de perder horas com filósofos, e filosofias, de segunda mão, dois livros da editora WMF Martins Fontes vêm em nosso socorro. São o Vocabulário grego da filosofia, de Ivan Gobry, e o Vocabulário latino da filosofia, de Jean-Michel Fontanier. No primeiro, simplesmente a origem de conceitos como o "bem" (agathón), a "virtude" (areté), a "justiça" (dikaiosýne), entre outros, muitos outros. Sendo menos um jeito de aprender grego do que uma maneira de entender por que a história do pensamento tomou o rumo que tomou. Gobry, basicamente, refaz a trajetória de cada palavra importante, desde os pré-socráticos, como Pitágoras, passando, obviamente, por Sócrates, Platão e Aristóteles, chegando até Plotino e, às vezes, Sexto Empírico. São discussões acaloradas sobre, por exemplo, o que cada um considerava "corpo", "alma" e "espírito". Sendo que muitas definições atravessam séculos, outras ficam esquecidas e algumas chegam até nós. Vale lembrar que a linguagem é uma criação humana. E que o nosso pensamento se construiu dentro do edifício da linguagem. Ou seja: nossos modos de pensar são herdados desses pensadores que, ao longo de milênios, consolidaram alguns vocábulos e, não, outros. No Vocabulário latino da filosofia, Fontanier começa evocando a declaração de Heidegger: "Não existe filosofia romana". Lembrando, no parágrafo seguinte, que ― apesar de Heidegger ― "por quase quinze séculos, o latim se converteu no veículo da filosofia ocidental". Desde Cícero até Leibniz, passando por santo Agostinho, santo Tomás, Descartes e Espinosa, o Ocidente pensou em latim. Nesse volume, expressões como aeterna veritas (verdade eterna), affectio, amicitia (amizade), humanitas, individuus, intellectus, entre outras. E já estão disponíveis os "vocabulários" de Pascal e Schopenhauer, entre outros volumes. Afinal, o uso das palavras varia mesmo dentro da obra de um único pensador. São livros de menos de 200 páginas, mas densos como poucos. E se estudar filosofia é, também, estudar o vocabulário filosófico, o leitor brasileiro tem a oportunidade rara de ir direto na fonte. Nem Gobry e nem Fontanier desejam falar da sua filosofia, mas, com a honestidade de dicionaristas, investigam cada termo, e o uso que dele fizeram os mestres, só os mestres. E, para quem acha que não gosta de filosofia, vale repetir que, tirando a parte técnica, filosofia nada mais é que a sabedoria ou o amor a ela. E, num mundo saturado de autoajuda, a filosofia nada mais é que uma fonte de primeira água. [Comente esta Nota]
>>> Vocabulário grego da filosofia | Vocabulário latino da filosofia
 

 
Julio Daio Borges
Editor

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