Guerra é entretenimento | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

busca | avançada
63898 visitas/dia
2,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Yassir Chediak no Sesc Carmo
>>> O CIEE lança a página Minha história com o CIEE
>>> Abertura da 9ª Semana Senac de Leitura reúne rapper Rashid e escritora Esmeralda Ortiz
>>> FILME 'CAMÉLIAS' NO SARAU NA QUEBRADA EM SANTO ANDRÉ
>>> Inscrições | 3ª edição do Festival Vórtice
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
>>> Sim, Thomas Bernhard
Colunistas
Últimos Posts
>>> Glenn Greenwald sobre a censura no Brasil de hoje
>>> Fernando Schüler sobre o crime de opinião
>>> Folha:'Censura promovida por Moraes tem de acabar'
>>> Pondé sobre o crime de opinião no Brasil de hoje
>>> Uma nova forma de Macarthismo?
>>> Metallica homenageando Elton John
>>> Fernando Schüler sobre a liberdade de expressão
>>> Confissões de uma jovem leitora
>>> Ray Kurzweil sobre a singularidade (2024)
>>> O robô da Figure e da OpenAI
Últimos Posts
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
>>> Guerra. Estupidez e desvario.
>>> Calourada
>>> Apagão
>>> Napoleão, de Ridley de Scott: nem todo poder basta
>>> Sem noção
>>> Ícaro e Satã
>>> Ser ou parecer
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Cenas de abril
>>> Por que 1984 não foi como 1984
>>> A dicotomia do pop erudito português
>>> Coisas nossas
>>> Caso Richthofen: uma história de amor
>>> Apresentação autobiográfica muito solene
>>> Nem Aos Domingos
>>> Aprender poesia
>>> São Luiz do Paraitinga
>>> A Barsa versus o Google
Mais Recentes
>>> Dicionário De Espanhol-português de Porto pela French & European Pubns (2015)
>>> Os Fantasmas Da São Paulo Antiga de Miguel Milano pela Unesp (2012)
>>> Direito Civil Brasileiro 3 de Carlos Roberto Gonçalves pela Saraiva (2011)
>>> Um Grito de Socorro de Alcides Goulart pela Jovem (2014)
>>> Medicina de urgência de Elisa Mieko Suemitsu Higa pela Manole (2008)
>>> Expedição aos Martírios 15 edição de Francisco Marins pela Melhoramentos (1978)
>>> Todo Mundo Tem Uma História Para Compartilhar de Karen Worcman pela Museu da Pessoa (2014)
>>> Os Restos Mortais( com encartes 1994 das obras Ática ) de Fernando Sabino pela Ática (1994)
>>> Ana Cecília Carvalho; Robinson Damasceno dos Reis de O Ourives Sapador do Polo Norte: como fazer pesquisas e anotar informações pela Formato (1995)
>>> Livro Seu Zezinho - A Estrela Eterna de Sumaré de Claúdia Sabadini pela Cult (2016)
>>> Livro Alma Gêmea - Você está pronta para ser encontrada? de Rosana Braga pela Escala (2001)
>>> O Mistério da Fábrica de Livros 23 edição. de Pedro Bandeira pela Hamburg (2024)
>>> Panelinha: Receitas Que Funcionam de Rita Lobo pela Senac São Paulo (2012)
>>> A Crítica Da Razão Indolente. Contra O Desperdício Da Experiência de Boaventura De Sousa Santos pela Cortez (2011)
>>> Educação E Crise Do Trabalho: Perspectivas De Final De Século (coleção Estudos Culturais Em Educação) de Gaudêncio Frigotto (org) pela Vozes (2002)
>>> Era Dos Extremos - The Age Of Extremes de Eric Hobsbawm pela Companhia Das Letras (2003)
>>> A Volta dos Pardais do Sobradinho 3 edição. de Herberto Sales pela Melhoramentos (1990)
>>> O Mistério do Esqueleto - coleção veredas 13 edição. de Renata Pallottini pela Moderna (1992)
>>> Livro Na Vida Dez, Na Escola Zero de Terezinha. Carraher pela Cortez (1994)
>>> Livro Voce Verdadeiramente Nasceu De Novo Da Agua E Do Espirito? de Paul C. Jong pela Hephzibá (2002)
>>> Livro Luz no lar de Francisco Cândido Xavier por Diverso Espíritos pela Feb (1968)
>>> Livro As Perspectivas Construtivista e Histórico-cultural na Educação Escola de Tania Stoltz pela Ibpex (2008)
>>> Livro El Desarrollo Del Capitalismo En America Latina. Ensayo De Interpretacion Historica (spanish Edition) de Agustin Cueva pela Siglo Xxi (2002)
>>> O Fantástico Homem do Metrô 8 edição. - coleção veredas de Stella Carr pela Moderna (1993)
>>> Missão Ninok: se tem medo do futuro não abra o livro de Bernardino Monteiro pela Artenova (1980)
COLUNAS >>> Especial Guerra no Iraque

Quinta-feira, 27/3/2003
Guerra é entretenimento
Adriana Baggio
+ de 5000 Acessos

A guerra entre a força de coalizão, composta pelas armas de Estados Unidos e Grã-Bretanha, e o Iraque, é a grande campeã de audiência nas televisões nos últimos dias. Não poderia ser de outra forma. Como nos dias de hoje estamos todos ligados uns aos outros, qualquer espirro lá dá uma convulsãozinha aqui. Por isso a importância de acompanhar de perto este conflito.

No entanto, para os meios de comunicação a guerra é mais do que uma cobertura jornalística obrigatória. Não é de hoje que a mídia procura inovar nas atrações na tentativa de prender a atenção do público. O resultado são produtos televisivos cada vez mais apelativos, para o sexo, para a violência ou para o mau-gosto. Por algum motivo que os psicólogos e os antropólogos devem ter explicação, sentimo-nos atraídos por este tipo de apelo e consumimos avidamente estes programas, independentemente das tragédias reais com as quais precisamos conviver diariamente. Pois bem, a guerra vem alimentar essa tendência de uma maneira mais perniciosa, porque é real, e não uma produção concebida para atrair nossa audiência.

Os conflitos têm sido apresentados de perto. Muita gente já comparou a guerra com o roteiro de um filme hollywoodiano, e realmente as semelhanças estão óbvias demais para negar uma associação. As câmeras de TV estão realmente muito próximas do front, tranqüilas como se estivessem na segurança de um set de filmagem com munição de festim e efeitos especiais. O enredo apresenta aquela famosa trama no qual o mocinho parece não ser tão mocinho assim, e o vilão talvez não seja tão mal. Estamos no meio do filme, e já não temos certeza sobre quem é o bom e quem é o mau, ou para qual devemos torcer.

Para completar, temos também uma cobertura metajornalística da guerra, onde a notícia é sobre como a notícia tem sido divulgada nos diversos cantos do mundo. Ou seja, os bastidores parecem não existir mais. A necessidade de apelo é tão grande que, para chamar atenção em meio à imensa quantidade de estímulos que recebemos todos os dias, é preciso chegar ao âmago e mostrar as coisas na sua forma mais crua.

Fico me perguntando o que vai ser da indústria do entretenimento depois da cobertura desta guerra. O que os filmes vão mostrar, se a gente está vendo tudo de verdade? O que vai ser da ficção se a realidade já alcançou o ponto de principal atração? Que mistérios serão urdidos para capturar a atenção do espectador, se o conhecimento sobre as tramas mais sórdidas está ao nosso alcance?

Deve ser por isso que houve uma leva de filmes com roteiros complicados, daqueles em que a gente pensa que é uma coisa, mas na verdade é totalmente outra, tipo Sexto Sentido, Vanilla Sky, Os Outros, e por aí vai. Ou então, deve ser em reação ao mesmo motivo que um filme bonito e agradável, porém ralo como Chicago, foi o que ganhou mais prêmios neste último Oscar. Já que não podemos competir com eles, vamos inaugurar uma nova fase na indústria do entretenimento. De volta aos roteiros belos, mas ordinários. Gangues de Nova York, feroz e violento, não teve a mesma repercussão. E olhe que as cenas de Gangues são repletas de sangue e brutalidade. No entanto, este representa a guerra, mas uma guerra fictícia, que não tem condições de competir em interesse com a guerra de verdade.

Preocuparam-se tanto com as possíveis armas químicas ou de destruição em massa, mas a força de coalizão não estava preparada para a principal arma dos nossos tempos: a informação. Enquanto as redes norte-americanas e britânicas salientam as vitórias dos aliados, as emissoras do lado de lá mostram que a invasão não tem o sucesso que Estados Unidos e Grã-Bretanha gostariam. Além disso, ainda capitalizam em cima das supostas vítimas dos ataques da coalizão. O resultado é que o mundo todo, que sempre abominou ditadores como Saddam Hussein, passou a quase apoiar as ações do Iraque. A arrogância, a falta de tato, de diplomacia e de sensibilidade fazem com que Bush assuma o papel do mocinho que talvez não seja tão bom assim. E o "mal", de repente, passa a estar com a razão.

Quem vai vencer a guerra? Não importa muito, se formos considerar seu aspecto de reality show. O que a mídia quer mesmo é muita polêmica e confusão. Enquanto houver intriga, mistério, sofrimento e histórias interessantes, a audiência está garantida. Só falta mesmo divulgar um número de telefone para a gente poder votar.


Adriana Baggio
Curitiba, 27/3/2003

Mais Adriana Baggio
Mais Acessadas de Adriana Baggio em 2003
01. Ser bom é ótimo, mas ser mau é muito melhor* - 24/4/2003
02. Aventuras pelo discurso de Foucault - 30/1/2003
03. Carga mais leve para Pedro e Bino - 8/5/2003
04. Apesar da Barra, o Rio continua lindo - 9/1/2003
05. Encontro com o peixe-boi - 16/1/2003


Mais Especial Guerra no Iraque
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Worterbuch Franzosisch Deutsch
Vários Autores
Neuer Honos Verlag



O Que é Política 345
Wolfgang Leo Maar
Brasiliense
(1982)



Bombaim: Cidade Máxima
Suketu Mehta
Companhia das Letras
(2011)



Livro Gibis Wolverine um Demônio Contra os X-men Volume 85 Daken: Wolverine Sombrio
Marvel
Panini Comics
(2011)



O Máscara De Ferro
Alexandre Dumas
Melhoramentos



Senhor dos Anéis mulheres na obra de J.R.R. Tolkien
Rosana Rios
Devir
(2005)



Pluralidade Sindical e Democracia
Rodolfo Pamplona
Ltr
(1997)



Nicarágua Revolução Em Família
Shirley Christian
Record
(1985)



A Cura da Alma
Wagner Fiengo
Era Branca
(2020)



Administração Universitária
Amélia Silveira; Nelson Colossi; Claudia Gonçalves
Insular
(1998)





busca | avançada
63898 visitas/dia
2,0 milhão/mês