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Terça-feira, 10/7/2001
O continente sol
Vera Moreira

+ de 2900 Acessos

A África sempre ocupou meu imaginário existencial, uma busca ao elo perdido, o berço da raça humana. Ficava pensando como o macaco levantara sobre as pernas na floresta, no deserto, às margens do Nilo ou quem sabe em alguma planície costeira... A África também era da leoa Elza (do seriado de TV, lembram?) e de todos os animais selvagens, o continente encantado. Aos 18 anos, já na faculdade e trabalhando de arquivista na Cooperativa dos Jornalistas - editava um jornal sério e engajado, o Coojornal - embarquei num projeto de seguir para Moçambique com um grupo para trabalhar pelo país dos mais pobres do mundo e assolado pela guerra civil. Circunstâncias alheias a mim - inclusive o terror da mãe a imaginar-me cozinhando dentro de um caldeirão, ao som dos tambores e danças tribais - empataram meu ideal e por aqui fiquei, desconcertada, estudando e vegetando. Foi só ano passado, que, muitíssimo emocionada, coloquei meus pés na África, rumo ao outro lado do mundo em uma viagem carregada de significados. A escala foi de apenas um dia em Johannesburg, a principal cidade e metrópole econômica da África do Sul (centro financeiro, comercial, cultural, universitário e industrial), e, portanto, não poderia saciar minha fome ancestral. Mas bastou, respirei o ar da África e tive a certeza do por que ela sempre ocupou meu imaginário.

Só pra explicar um pouco a viagem: depois de anos lutando contra a muderna doença do pânico, que torna a mais idiota das atitudes humanas em um martírio indescritível, resolvi partir para o tudo ou nada e encarar a Austrália. Quem sabe o que é pânico, sabe muito bem que só a ponte aérea Rio-São Paulo já basta pra você sentir o coração saindo pela boca. Quatro anos antes, não sei como o músculo não veio goela afora em uma viagem a Paris, onde tive a nítida impressão de que eu ia morrer. Não consegui visitar um museu, tinha certeza de que seria emoção demais pra mim. Sim, morrer de pânico em Paris! Se não fosse trágico, poderia até ser poético. Obviamente, quando decidi submeter meu coração a prova de fogo australiana, eu já contava com a pílula mágica Seloken. Testada e aprovada em várias situações de risco, tomei por desafio existencial atravessar o mundo, 20 horas de vôo direto, fuso-horário de 13 horas mais (uma cacetada), bumerangues, aborígenes... Meu raciocínio: se eu voltar viva dessa, encaro qualquer outra depois. "Afinal, sou uma mulher ou sou um rato?", pensei e fui, mas ainda devidamente abastecida com Lexotan e Frontal, para o caso de uma emergência - alegria maior, tenho todas as cartelas e cinco meses depois fui, lépida e fagueira, para Atlanta (fichinha, né?), nos EUA.

O vôo era da South African Airlines e aquilo começou a me fazer muito bem de saída: todos os comissários de bordo negros, negros, negros, retintos, lindos. Sabe essa coisa de raça pura? Pois é, raça pura, traços perfeitos, tranças miúdas, sorriso Colgate, a pele tão lisa, chocolate... Um avião lindo, o cardápio impresso em capa dura prateada (já joguei fora, senão reproduzia aqui). Os ótimos vinhos africanos em garrafinhas individuais, taças de vidro, talheres de alumínio - eu sei, é óbvio, vôo internacional, já deveria saber tendo ido a Paris, mas não conta, eu não conseguia enxergar nada e cruzar o Atlântico novamente era recém meu segundo céu fora da América Latina. Uma poltrona dupla, a vizinha desocupada, meus livros espalhados, pernas alongadas, meias e pantufas de vôo - foi um prêmio divino, só pode ter sido!

Internacional Airport Johannesburg (ex-Jan Smuts), nordeste da cidade. Maravilhoso, enorme, ultraprofissional, lojas que põem você maluco, tudo o que os africanos fazem com suas abençoadas mãos você encontra ali (ok, uma amostra, mas está ali): estatuetas, esculturas, máscaras; cerâmicas, tecidos, ossos, bronze, couro... O bom gosto para os adereços, com pinturas ultracoloridas, a precisão das esculturas na madeira e os motivos? Todos os animais selvagens que dividiam a tela com Elza e representações da vida cotidiana. Trouxe vários talheres de madeira esculpidos com girafas, elefantes, zebras, leões, búfalos, absolutamente encantadores. Os artistas africanos gostam muito de esculpir na madeira e predominam obras de tendência geométrica, que privilegiam a forma vertical da árvore original (santuário bambara, ancestrais míticos com braços elevados dos dogon, estátuas-pilones dos senufos) - também trouxe duas dessas estatuetas, que mal param em pé de tão finas e alongadas, bárbaras.

Do aeroporto fomos direto para o hotel, tomar banho, descansar um pouco, mas logo saímos para um tour e almoço. Essa coisa de tour sempre me gerou desconfiança, mas devo dizer, nossas guias Daniela e Soraya eram e são (em outubro vão nos acompanhar a San Francisco e Vancouver) fantásticas. Fomos ao bairro Soweto e fiquei emocionada ao visitar a casa de Nelson Mandela, pensar em tudo o que passou este filho de um chefe tribal que chegou à presidência da África do Sul em maio de 94, na primeira eleição multirracial depois de 350 anos de dominação branca. Sua casa simples, pequena, de cômodos até apertados e móveis despojados, revela bem o estilo do Prêmio Nobel da Paz, documentado nas paredes em tantos quadros com fotos da sua vida política frente ao Conselho Nacional Africano. A sua resistência ao apartheid do direitista Partido Nacional Africânder, que levou o país a petição de miséria, a um apartheid econômico no fim tão difícil e demorado de ser eliminado quanto o político. E hoje, mesmo na desenvolvida Johannesburg, as coisas não são nada fáceis. Um só exemplo que presenciamos me impressionou muito, o da máfia das lotações. Não existe transporte coletivo, ônibus de linha como em qualquer lugar. Lá circulam milhares de lotações, cobrando caro de gente que sofre com o desemprego de quase metade da sua população negra e com desigualdades de níveis de vida ainda gritantes. Toda a iniciativa de implantação de transporte coletivo tem sido "desestimulada" violentamente e as ruas são verdadeiras filas indianas de lotações apinhadas de negros, sim, só de negros, pois os brancos andam confortavelmente de carro.

Ainda bem que a visita a Soweto foi depois do almoço, pois, com certeza, eu teria perdido o apetite com a tristeza que senti. Mas não vamos falar disso agora, quero contar ainda desse almoço, o pedaço mais alegre do tour. Paramos em um restaurante típico - famoso, dada à quantidade de assinaturas ilustres nas paredes - numa zona residencial, uma casa pequena, com dois salões, mesas longas, coletivas, e um bufê à beira da cozinha, constante e fartamente reabastecido. Da fila você podia ver a função frenética de duas negras muito gordas frente ao fogão. Panelões fumegantes de uma comida de cor quente, abóbora, vermelho, ferrugem. Ensopados de carne bovina, de king fish (parente do atum, com sabor semelhante ao do frango), de galinha, de carneiro, com um aroma especial de blommetjies, gema de uma planta aquática da região do Cabo. Inhame, batata-doce, banana-da-terra (usam como hortaliça para receitas salgadas), cozidos e transformados numa espécie de purê, onde entrou bastante azeite. Feijão-fradinho, grão-de-bico, favas, pimentões verdes e vermelhos, em saladas ou cozidos e assados. Tudo muito condimentado (coentro, cominho, noz moscada, curry, louro, óleo de amendoim, etc) e muita pimenta, claro, vermelha, verde, dedo-de-moça, do reino, demais! Uma comida forte, substanciosa, que reflete a rudeza da vida dos primeiros colonizadores brancos, os fazendeiros holandeses que chegaram à região no século XVII.

Voltamos ao hotel no meio da tarde para uma pestana, outro banho (somando vôo e fuso, o próximo estaria 20 horas distante) e à noite, Internacional Airport Johannesburg, rumo aos cangurus e coalas - agora já mal podia esperar pra ver esse bicho, ursinho de pelúcia. Mas uma certeza ficou em meu coração: voltarei à África, o continente sol.

Para ir além

Apartheid - (do africâner - palavra que significa separação). Segregação sistemática das populações não brancas na república da África do Sul. Aplicada progressivamente a partir de 1913, ganhou reforço com a subida ao poder do Partido Nacionalista em 1948.

South África Airlines - 0800 118 383

São Paulo - Johannesburg - saídas nas terças-feiras, quintas-feiras e domingos (8 horas de vôo, fuso-horário de 5 horas mais).

US$ 1.329 (alta temporada - julho)

US$ 1.197 (baixa temporada - agosto a novembro)



Vera Moreira
Gramado, 10/7/2001


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