Um Elogio à Loucura | Andréa Trompczynski | Digestivo Cultural

busca | avançada
50801 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> A Arte de Amar: curso online desvenda o amor a partir de sua representação na arte e filosofia
>>> Consuelo de Paula e João Arruda lançam o CD Beira de Folha
>>> Festival Folclórico de Etnias realiza sua primeira edição online
>>> Câmara Brasil-Israel realiza live com especialistas sobre “O Mundo da Arte”
>>> Misturando música, filosofia e psicanálise, Poisé lança seu primeiro single
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A desgraça de ser escritor
>>> Um nu “escandaloso” de Eduardo Sívori
>>> Um grande romance para leitores de... poesia
>>> Filmes de guerra, de outro jeito
>>> Meu reino por uma webcam
>>> Quincas Borba: um dia de cão (Fuvest)
>>> Pílulas Poéticas para uma quarentena
>>> Ficção e previsões para um futuro qualquer
>>> Freud explica
>>> Alma indígena minha
Colunistas
Últimos Posts
>>> Uma aula com Thiago Salomão do Stock Pickers
>>> MercadoLivre, a maior empresa da América Latina
>>> Víkingur Ólafsson toca Rameau
>>> Philip Glass tocando Mad Rush
>>> Elena Landau e o liberalismo à brasileira
>>> O autoritarismo de Bolsonaro avança
>>> Prelúdio e Fuga em Mi Menor, BWV 855
>>> Blooks Resiste
>>> Ambulante teve 3 mil livros queimados
>>> Paul Lewis e a Sonata ao Luar
Últimos Posts
>>> Coincidência?
>>> Gabbeh
>>> Dos segredos do pão
>>> Diário de um desenhista
>>> Uma pedra no caminho...
>>> Sustentar-se
>>> Spiritus sanus
>>> Num piscar de olhos
>>> Sexy Shop
>>> Assinatura
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Nelson Freire em DVD e Celso Furtado na Amazônia
>>> Um caos de informações inúteis
>>> Asia de volta ao mapa
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Parei de fumar
>>> Ford e Eastwood: cineastas da (re)conciliação
>>> Amor à segunda vista
>>> O Gmail (e o E-mail)
>>> Diogo Salles no podcast Guide
Mais Recentes
>>> O Maior Sucesso do Mundo de Og Mandino pela Record (1994)
>>> O Céus e o Inferno de Allan Kardec pela Feb (1989)
>>> Amor, medicina e milagres - A Cura espontânea de doentes graves de Bernie S. Siegel pela BestSeller (1989)
>>> Mayombe de Pepetela pela Leya (2019)
>>> Os Segredos Para o Sucesso e a Felicidade de Og Mandino pela Record (1997)
>>> Para Viver Sem Sofrer de Gasparetto pela Vida E Consciencia (2002)
>>> Guía Rápida del Museo Nacional de Bellas Artes de Vários pela Mnba (1996)
>>> A profecia celestina de James Redfield pela Objetiva (2001)
>>> The Forecast Magazine January 2020 - 2020 de Diversos pela Monocle (2020)
>>> O Diário da Princesa de Meg Cabot pela Record (2002)
>>> The Forecast Magazine January 2017 - Time to Talk? de Diversos pela Monocle (2017)
>>> Mojo December 2018 de Led Zeppelin pela Mojo (2018)
>>> Mojo 300 November 2018 The Legends de Diversos pela Mojo (2018)
>>> Mojo 299 October 2018 de Paul McCartney pela Mojo (2018)
>>> Mojo 297 August 2018 de David Bowie pela Mojo (2018)
>>> Mojo 307 June 2019 de Bob Dylan pela Mojo (2019)
>>> Mojo 296 July 2018 de Pink Floyd pela Mojo (2018)
>>> Mojo April 2018 de Arctic Monkeys pela Mojo (2018)
>>> Mojo 294 May 2018 de Roger Daltley pela Mojo (2018)
>>> Mojo 292 April 2018 de Neil Young pela Mojo (2018)
>>> Mojo 292 March 2018 de Nick Drake pela Mojo (2018)
>>> Mojo 291 February 2018 de The Rolling Stones pela Mojo (2018)
>>> Mojo 290 January 2018 de The Jam pela Mojo (2018)
>>> Mojo 289 December 2017 de Bob Dylan pela Mojo (2017)
>>> Mojo 286 September 2017 de Allman Brothers pela Mojo (2017)
>>> Mojo 310 September 2019 de Tom Waits pela Mojo (2019)
>>> Mojo 309 August 2019 de Bruce Springsteen pela Mojo (2019)
>>> Mojo 304 March 2019 de Joni Mitchell pela Mojo (2019)
>>> Como cuidar do seu automóvel de Ruy Geraldo Vaz pela Ediouro (1979)
>>> Mojo 236 July 2013 de The Rolling Stones pela Mojo (2013)
>>> Mojo 250 January 2014 de Crosby, Still, Nash & Young pela Mojo (2014)
>>> Gilets Brodés - Modèles Du XVIII - Musée des Tissus - Lyon de Várioa pela Musee des Tíssus (1993)
>>> Mojo 249 August 2014 de Jack White pela Mojo (2014)
>>> Mojo 252 October 2014 de Siouxsie And The Banshees pela Mojo (2014)
>>> Mojo 251 October 2014 de Kate Bush pela Mojo (2014)
>>> Mojo 302 January 2019 de Kate Bush pela Mojo (2019)
>>> Mojo 274 September 2016 de Bob Marley pela Mojo (2016)
>>> Universo baldio de Nei Duclós pela Francis (2004)
>>> Mojo 245 April 2014 de Prince pela Mojo (2014)
>>> Mojo 256 March 2015 de Madonna pela Mojo (2015)
>>> Musée de La Ceramique - Visit Guide de Vários pela Cidev (1969)
>>> Mojo 159 February 2007 de Joy Division pela Mojo (2007)
>>> Mojo 170 January 2008 de Amy Whinehouse pela Mojo (2008)
>>> Mojo 229 December 2012 de Led Zeppelin pela Mojo (2012)
>>> Retrato do Artista Quando Velho de Joseph Heller pela Cosac & Naify (2002)
>>> No Tempo das Catástrofes de Isabelle Stengers; Eloisa Araújo pela Cosac & Naify (2015)
>>> Manual de esquemas de Klöckner- Moeller pela Do autor (1971)
>>> Inesgotáveis Enigmas do Passado de Vários pela Século Futuro (1987)
>>> Evidências dos Ovnis - As Ciências Proibidas de Vários pela Século Futuro (1987)
>>> Características de Deus que chamam a nossa atenção. de Silas Malafaia pela Central Gospel (2012)
COLUNAS

Segunda-feira, 31/5/2004
Um Elogio à Loucura
Andréa Trompczynski

+ de 8900 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Emanuelle Crialese nunca leu Guimarães Rosa, mas algumas verdades são eternas e pessoas em diferentes lugares e épocas têm semelhantes impressões. Respiro, segundo filme de Crialese, de 2002, e Sorôco, sua mãe, sua filha, conto do Rosa, dizem exatamente o mesmo. Fazem de tudo para afastar o caos, internar os loucos. E, quando finalmente conseguem, enlouquecem eles. Ou trazem o caos de volta, por não conseguirem viver sem.

Grazia (Valeria Golino) é uma bipolar típica. Com oscilações de humor imensas, da euforia para crises depressivas, dando o quê falar para as mulheres rezadeiras do povoado de pescadores em Lampedusa, sul da Sicília. A família tenta protegê-la até as últimas consequências. A mesma tristeza de Sorôco, empurrado pelo povo a internar na capital a mãe e a única filha. Mas no conto, a loucura volta através do próprio povo, que começa a cantar a música insana e disparatada que as mulheres cantavam antes e que "ninguém não entendia". No filme, é Grazia quem volta depois de fugir para não ir ver o doutor na capital que lhe trataria, e, é acolhida então na cena mais perfeita do filme (só aquele azul inconcebível do Mediterrâneo, nesta cena submersa, nem precisava uma boa história).

Quando o tema é loucura, é impossível eu não me voltar e parar um pouco para ver do que se trata. Estudei enfermagem para trabalhar numa clínica psiquiátrica, há muitos anos. Acabei internada em uma. Sou bipolar. E já vi o Sorôco em meu pai quando precisei de um internamento. Não, um bipolar não precisa de choques, não imaginem isso. As clínicas de hoje são como um Spa mais simples. Você descansa e tenta parar um pouco. Porque a velocidade do pensamento de um bipolar é tão acelerada que às vezes acontecem umas estafas. E é preciso parar um pouco para o motor esfriar. As pessoas um pouco mais velhas devem conhecer a mesma "doença" com outro nome: Psicose Maníaco-Depressiva (que, tenho certeza absoluta só mudou em algum congresso psiquiátrico internacional por unanimidade de votos depois do Norman Bates, que deixou a palavra assustadora). Para quem viu o filme Um Estranho no Ninho (ou o livro de Ken Kesey, sem dúvida, menor que o filme; quando o Kesey disse que nunca veria o filme de Milos Forman, não sabia o que estava perdendo) é a mesma doença do Randle Patrick McMurphy. Mas tem vários estágios, é claro.

Não quero falar aqui sobre a parte triste da loucura e sofrimentos que existem por causa dela, porque a parte triste também está nos não-loucos. Mas sobre a parte mágica. Sobre a capacidade que ela tem de te libertar. Sobre um olhar que uma vez vi numa esquizofrênica no meu estágio de enfermagem num hospital psiquiátrico (hospício, não há palavra melhor), olhar de liberdade. Uma inteligência que assombrou-me. Como aquele olhar do Andy Kaufman que o Jim Carrey conseguiu mediunicamente fazer tão bem no filme do também aficcionado pelos não-normais Milos Formam (afinal ele também fez o filme do louco Larry Flint).

Uma vez um professor emprestou-me O Elogio da Loucura, do Erasmo de Rotterdam com um prefácio dito que apenas fez-me devorá-lo assim que o tive em minhas mãos: "tem certeza que você está preparada para ler isso?", eu disse: "não", e ele: "ótimo, aqui está, nunca sinta-se preparada para nada, é a morte".

Mas não me rendi ao Carbolitium. E não me renderei. Aprendi a aproveitar os momentos de euforia e até mesmo os depressão, e não consigo entender como as pessoas tentam fugir tanto da solitude e da tristeza. É um sentimento que precisa ser vivido e degustado como os outros. Não anestesiado com antidepressivos (ou televisão, comida, compras).

Geralmente é muito engraçado. Como por exemplo olhar para uma parede de azulejos e calcular quantos têm, porque o cerébro precisa estar sempre pensando. Dou muita risada. Meu filho de cinco anos perguntou uma vez o que era que tinha de diferente dentro da minha cabeça, "ah, filho, não é muito não, apenas quando uma pessoa está descascando batata, como eu agora, está pensando em descascar a batata e a mamãe está pensando em distorções no espaço-tempo, ou em como deve ser o cheiro do rio em Pasárgada e se o Bandeira está nadando lá agora com a Mãe D`água e as prostitutas bonitas", e o Juca: "puxa, que legal mãe, acho que você está certa, o rio de Pasárgada é muito mais importante que as batatas, não é?". É sim, filho.

Da Série "Jovens Mentes Ávidas"

A instalação é uma verdadeira praga aqui em Vancouver. É a maneira favorita dos jovens artistas se expressarem. Numa dessas exposições que fui por consideração à uma amiga que estava se graduando no Emile Carr Institute, quase dei um vexame. Depois de tantas instalações entramos num lugar e tinha um balcão de sanduíches e as máquinas de café. Parei alguns segundos em dúvida. Pensei que fosse também uma instalação. Só quando ela pediu o café é que percebi que era de verdade. Mas, juro, a mocinha do café parecia mesmo de papier mâché!

Da Série "Não Perca seu Tempo"

Fui pela primeira vez em uma praia de nudismo, a cool Wreck Beach. Não tirei a roupa e senti-me mal o tempo todo. Nem toda nova experiência é válida. Chegou um casal de velhinhos. Meu Deus, não acredito, será que eles vão tirar a roupa também? Tiraram. Fiquei com vergonha, lembrei da minha avó que apagava a luz para trocar de roupa na minha frente.

No Fundo é Tudo Igual

Quarta-feira o país parou. Era a final do American Idol. Igualzinho ao Show de Calouros, só que trinta vezes vezes maior e super-produzido. E nota: um programa dos monkeys americanos, que é a palavra mais usada aqui para eles. Uma cantora negra de dezenove anos ganhou, Fantasia, o nome dela, não da música. E aqui as soap-operas são como as novelas no Brasil. Pára tudo. E o hóquei. Igualzinho ao futebol. E mais: ontem o George Michael falou para o The Province, jornal daqui, que agora ele vê que os canadenses são melhores que os americanos e que está vindo morar aqui. Em Vancouver. Ai, agora minha gastrite vai piorar (todo casmurro tem que ter uma). À tarde ele estava no programa da Oprah (nota: americana) e todo mundo assistindo e falando do futuro morador ilustre, e agora mais querido porque disse que aqui é melhor que o vizinho de baixo. A rivalidade Canadá versus Estados Unidos é semelhante à nossa com a Argentina, só que de primeiro-mundo e bem mais agressiva. E o ar de desprezo deles é muito mais chic. Afora isso, até esqueço que estou aqui, de tão parecido. Vou até tirar os sapatos de tão em casa que me sinto. Ei, mãe, traz um pedaço daquele bolo de banana que você fez ontem?

Resposta

O tempo todo me perguntam se falo bem do Brasil. Não falo. Aprendi a ser sádica com o Henfil. Agora tenho um passatempo. Nos jantares me perguntam do Brasil, sorridentes. Quando chego na parte em que existem famílias inteiras morando em caixas de papelão, já não estão tão sorridentes. E quando falei, esses dias, na casa de uma família italiana, das meninas de dez anos se prostituindo na Bahia e da rota turística do sexo infantil, as senhoras coraram. Vou dizer o quê? Mentir? Ontem um cliente do Café onde trabalho tentava argumentar comigo que o Brasil era especial. Claro que ele não é brasileiro. No final, ele estava cansando e disse que talvez é a beleza das praias. E eu: as praias aqui são lindas também. Não consigo entender essa adoração mística pelo Brasil. Tá, é bonito. Mas tudo isso, não.


Andréa Trompczynski
São Mateus do Sul, 31/5/2004


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Famílias terríveis - um texto talvez indigesto de Ana Elisa Ribeiro
02. Um Furto de Ricardo de Mattos
03. A confissão de Lúcio: as noites cariocas de Rangel de Renato Alessandro dos Santos
04. A literatura em transe de Marta Barcellos
05. Os 60 de Eugenia Zerbini


Mais Andréa Trompczynski
Mais Acessadas de Andréa Trompczynski em 2004
01. Um conselho: não leia Germinal - 8/11/2004
02. Gênios e seus Amores Loucos - 26/7/2004
03. Em defesa da Crítica - 25/10/2004
04. Escrever para não morrer - 3/5/2004
05. Um Elogio à Loucura - 31/5/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
31/5/2004
10h13min
a Clarice Lispector escreveu uma vez que "a loucura era uma doçura de deus". custei a ver com olhos menos duros a loucura.
[Leia outros Comentários de Cristiana Brandão]
2/6/2004
01h14min
Déa? Estou morrendo de saudade, e adorei o texto
[Leia outros Comentários de michelle pinto]
5/6/2004
15h02min
Excelente o artigo da Andréa: Um elogio à Loucura. Também muito legais o Escrever pra não morrer e Porque me ufano... Meus parabéns e sucesso!
[Leia outros Comentários de Gisele Lemper]
16/5/2009
20h28min
Adoraria ler um livro de crônicas seu! Você escreveria um livro de crônicas pra mim, Andréa? Mas tem que ser bem grosso e falar sobre todos os assuntos presentes no Houaiss!
[Leia outros Comentários de Thomas]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




ACT MATH FOR DUMMIES
MARK ZEGARELLI
FOR DUMMIES
(2011)
R$ 17,50



PERSPEKTIVLEHRE
ERHARD GULL
ND
R$ 58,36



GÊMEOS NÃO SE AMAM
ROBERT LUDLUM
RECORD
(1976)
R$ 5,00



A REPÚBLICA BRASILEIRA 1964- 1984
EVALDO VIEIRA
MODERNA
R$ 5,00



SERESTA MINEIRA
LAR DE PAULA
LAR DE PAULA
R$ 40,00



É PROIBIDO CHORAR
J. M. SIMMEL
NOVA FRONTEIRA
R$ 5,00



REUNIAO DE PAIS: SOFRIMENTO OU PRAZER? - 2ª ED.
BEATE G. ALTHUON / CORINNA H. ESSLE / ISA S. STOEB
CASA DO PSICÓLOGO
R$ 11,00



VALA CLANDESTINA DE PERUS
VARIOS AUTORES
INSTITUTO MACUCO
(2012)
R$ 5,12



AÇÕES INSTITUCIONAIS DE AVALIAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DE TECNOLOGIAS EDUCAC
RICARDO AZAMBUJA SILVEIRA
DO AUTOR
R$ 5,00



O CARNÊ DOURADO
DORIS LESSING (A MAIOR ESCRITORA VIVA DE LÍNGUA INGLESA)
CÍRCULO DO LIVRO
(1985)
R$ 25,00
+ frete grátis





busca | avançada
50801 visitas/dia
2,6 milhões/mês