O centenário de Mario Quintana, o poeta passarinho | Marcelo Spalding | Digestivo Cultural

busca | avançada
51984 visitas/dia
2,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> BELIZARIO 365 e GOROROBAS no aniversário da Belizario Galeria
>>> As Batalhas de Maria Auxiliadora da Silva
>>> Pará recebe projeto itinerante e gratuito que traz cultura a bordo de um caminhão
>>> Condecorada em Paris, brasileira é co-autora da maior coletânea de livros escrita por mulheres
>>> Cirandança tem inspiração na Semana de Arte Moderna e em coleção de Di Cavalcanti
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Home sweet... O retorno, de Dulce Maria Cardoso
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Gal Costa (1945-2022)
>>> O segredo para não brigar por política
>>> Endereços antigos, enganos atuais
>>> Rodolfo Felipe Neder (1935-2022)
>>> A pior crônica do mundo
>>> O que lembro, tenho (Grande sertão: veredas)
>>> Neste Momento, poesia de André Dick
>>> Jô Soares (1938-2022)
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
Últimos Posts
>>> Desapega, só um pouquinho.
>>> Menos, Redentor. Menos
>>> Sou grato a Deus
>>> Água das águas
>>> Súplica
>>> Por que me abandonastes
>>> Política na corda bamba
>>> Aonde anda a liberdade
>>> Calar não é consentir
>>> Eu já morri, de Edyr Augusto
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Cabelo, cabeleira
>>> Viagens e viajantes
>>> Terminar o ano correndo
>>> A imprensa dos ruivos que usam aparelho
>>> O futuro do ritual do cinema
>>> Corpo é matéria, corpo é sociedade, corpo é ideia
>>> Abelhas afogadas em mel
>>> Desconstruindo o Russo
>>> Ode a Pablo Neruda
Mais Recentes
>>> Paixão pelo Rádio de Rodrigo Taves pela Maquinária (2009)
>>> Picnic de Abutres de Greg Palast pela Alta Books (2014)
>>> Terapêutica de Emergência de Divaldo P. Franco pela Alvorada (1983)
>>> Mecânica Geral Cinemática e Dinâmica de Sérgio Sonnino pela Nobel (1982)
>>> Anámnesis 5 O Ano Litúrgico História Teologia e Celebração de M. Augé A. J. Chupungco e Outros pela Paulinas (1991)
>>> Deus um Delírio de Richard Dawkins pela Companhia das Letras (2007)
>>> No Divã de Deus Vol. II de Caio Fábio pela Vinde
>>> Acerte o Seu Alvo de Bob Mumford pela Atos
>>> 90 Km As Lições do Brasileiro Recordista de Nato Amaral pela Select (2018)
>>> Elementos de Ciências do Ambiente de Samuel Murgel Branco e Outro pela Cetesb (1987)
>>> Caderno de Projetos de Telhados em Estruturas de Madeira de Antonio Moliterno pela Edgard Blücher (1981)
>>> A Bíblia na Linguagem de Hoje Novo Testamento de Não Informado pela Sociedade Bíblica (1973)
>>> Curso de Planejamento Municipal Integrado de Célson Ferrari pela Pioneira (1988)
>>> Hinos de Louvores e Súplicas a Deus Nº 4 de Não Informado pela Congregação
>>> Nos Tempos de Agostinho de Chico Lopes pela Sulminas
>>> Zequinha de Abreu Revisitado de Maria Amália Corrêa Giffoni pela Não Informado (1986)
>>> O Que é Amor Exigente de Maria Silvia Carvalho de Menezes pela Loyola (1992)
>>> Rapa do Tacho de Maria Aparecida de Féo pela Sulminas (2011)
>>> Outras Recordações e Algo Mais de Maria Aparecida de Féo pela Sulminas (2009)
>>> Memórias Inacabada de Humberto de Campos pela José Olympio (1935)
>>> 1932 A Guerra Paulista O Ciclo de Vargas Vol. V de Hélio Silva pela Civilização Brasileira (1976)
>>> Os Robôs e o Império de Isaac Asimov pela Record (1985)
>>> O Mundo e Eu de João Mohana pela Agir (1964)
>>> Administração Financeira Corporate Finance de Ross Westerfield Jaffe pela Atlas (2002)
>>> Introdução à Microeconomia de Joseph E. Stiglitz e Outro pela Campus (2003)
COLUNAS

Terça-feira, 8/8/2006
O centenário de Mario Quintana, o poeta passarinho
Marcelo Spalding

+ de 22300 Acessos
+ 7 Comentário(s)

Lembra aquele passarinho que você ouviu assobiar quando acordou anteontem? Era Quintana, Mario Quintana, poeta, tradutor e jornalista nascido no dia 30 de julho de 1906.

Popular especialmente em Porto Alegre, Quintana é estátua de bronze no banco da praça, dá nome à Casa de Cultura mais importante da capital e é aclamado por nove em cada dez poetas gaúchos contemporâneos. Mais do que um escritor, Quintana representa um modo de vida. Para ele "ser poeta não é uma maneira de escrever, é uma maneira de ser", bem disse certa vez em uma entrevista.

Nacionalmente, ainda que tenha recebido elogios e saudações de nomes como Manuel Bandeira, Érico Veríssimo e Cecília Meireles, Quintana nunca foi reconhecido como grande poeta de sua geração. A própria Academia Brasileira de Letras negou Quintana três vezes, e depois de ter perdido a terceira indicação para a Academia, em 1983, ele escreveu o famoso "Poeminha do Contra".

Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho!


Como se realmente tivesse se transformado em passarinho, o tempo soprou a favor de Quintana. Apenas como ilustração, hoje, na plataforma Lattes do CNPQ brasileiro, há pelo menos 254 pesquisadores que de alguma forma estudaram o poeta, gente como a professora Tânia Carvalhal (UFRGS), Maria da Glória Bordini (PUCRS), Simone Pereira Schmidt (UFSC), Sérgio Alves Peixoto (UFMG), Helena Gomes Parente Cunha (UFRJ), o que demonstra a presença de Quintana como objeto de estudo brasileiro, não apenas gaúcho.

É natural, entretanto, que em Porto Alegre o seu centenário seja saudado com entusiasmo comparado ao de Érico Veríssimo - mesmo por aqueles que entendem ser o romancista muito mais representativo para a instituição literatura do que o poeta. E nesse contexto surgem reportagens e biografias que abordam a obra e/ou a vida de Quintana, como Mario Quintana: uma vida para a poesia (WS Editor, 2006, 88 págs.), escrita pelos irmãos Luís Augusto Fischer e Sérgio Luís Fischer e boa porta de entrada para interessados na vida do poeta.

A apresentação da obra começa pela morte impressionante de Ayrton Senna, no dia primeiro de maio de 1994, para chegar ao dia cinco de maio do mesmo ano, quando morria de forma discreta o poeta, às vésperas de completar 88 anos. Àquela altura Quintana já tornara-se símbolo da cidade e havia recebido (quase) todas as honras que merecia, como título de Cidadão de Porto Alegre, Doutor Honoris Causa por diversas universidades, Prêmio Machado de Assis, além de ver, em 1990, o pleno funcionamento da monumental Casa de Cultura Mario Quintana, uma iniciativa do Estado batizada com seu nome.

Sua vida começa como a de tantos artistas: nasceu em 1906 em Alegrete e mudou-se para a capital em 1919 para estudar como interno no Colégio Militar, aos 18 anos começou a trabalhar como "desempacotador de livros estrangeiros" na Livraria e Editora Globo mas acabou voltando para sua cidade onde trabalhou na farmácia da família sob os olhares severos de seu Celso, decepcionado com o fracasso do filho nos estudos. Só em 1929, após a morte dos pais, voltou para Porto Alegre e começou a trabalhar em um jornal, O Estado do Rio Grande. Mas o jornal seria fechado e, pressionado pela necessidade, Quintana traduziu para a já forte Editora Globo o livro de contos Palavras e sangue, de Giovanni Papini. Isso em 1934, e novas traduções - de Virgínia Woolf, Joseph Conrad e outros - viriam antes de seu primeiro livro, em 1940, o Rua dos Cataventos.

Surpreendente reunião de sonetos em tempos de vigor modernista, Rua dos Cataventos é um livro de estréia com "qualidade técnica, vocabulário ao mesmo tempo variado e compreensível, imagens elaboradas e acessíveis e reflexões sobre a vida em geral", escrevem os irmãos Fischer.

Da vez primeira que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha... (...)

("Soneto XVII", em Rua dos Cataventos)

Seu segundo livro surge apenas quando o poeta já completava 40 anos e chama-se Canções. Aqui o poeta retoma a ironia e a simplicidade da linguagem mas abandona o soneto. É o começo de uma fase profícua: entre 1947 e 1953, Mario Quintana publica cinco novos livros: Sapato Florido, com poemas em prosa, e O batalhão das letras, poema infantil, em 1947; O aprendiz de feiticeiro, com poemas de forma e verso livres, em 1950; Espelho mágico, com poemas na forma exclusiva do quarteto, em 1951; Inéditos e esparsos, em 1953.

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz!

("Da felicidade", em Espelho Mágico)

Segundo os novos biógrafos já mencionados, "os anos 1960 comportam um paradoxo na vida de Quintana: é a década em que ele menos publica - aliás, não publica nenhum livro, só textos em periódicos - e é a década em que ele ganha consagração nacional. Consagração nacional talvez seja um pouco de exagero, mas é certo que em sua terra ele virou celebridade e no centro do Brasil ele passou a ser visto como um poeta do primeiro time". É nessa época que o poeta vai ao Rio por convite de Manuel Bandeira e é saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer, e é também quando dois grandes nomes da poesia brasileira, Cecília Meireles e o próprio Bandeira, compõem poemas em sua homenagem. Não bastasse toda essa movimentação, em 1967 ele recebe o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre, consagrando definitivamente o poeta na capital gaúcha, onde já era uma pequena celebridade.

O Natal foi diferente
porque o Menino Jesus
disse à Senhora Sant'Ana:
"Vovozinha, eu já não gosto
das canções de antigamente:
cante as do Mario Quintana!"

("Quitanares", de Cecília Meirelles)

Senhora, eu vos amo tanto,
Que até por vosso marido
Me dá um certo quebranto...

(De Quintana para Cecília Meirelles)

Nos anos 70 saem Caderno H, de 1973, Apontamentos de história sobrenatural, de 1976, e Quintanares, também de 1976. Mas são os anos 80 e 90 que reservam ao poeta a verdadeira consagração. A partir de 1982 ele recebe alguns títulos de doutor Honoris Causa de universidades respeitáveis Brasil afora, além de ter seu nome escolhido para batizar a Casa de Cultura planejada pelo Estado. Sua carreira como autor de livros para crianças ganha um impulso extraordinário com as coletâneas Lili inventa o mundo, de 1983, O sapo amarelo, de 1984, e Sapato furado, de 1994, que vieram a se somar com Pé de pilão, clássico infantil publicado nos anos setenta.

"Do ponto de vista da história da literatura brasileira", escrevem os irmãos Fischer, "há uma certa hesitação em enquadrá-lo na chamada segunda geração de poetas modernistas, na companhia que lhe é de direito: Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Jorge de Lima, Murilo Mendes.(...) Não existe régua clara para medir essas coisas da arte, mas há um certo consenso em tomar como o maior dos poetas modernos brasileiros a Drummond, pela profundidade com que tratou os temas de sua época(...) Mas Mario Quintana, não lá nos anos 40 mas a longo prazo, fica bem na companhia de Vinícius de Moraes e Cecília Meireles, com sua fama tendo sido conquistada com muito mais dificuldade".

Capítulo à parte é a vida pessoal de Quintana, atormentada pela bebida - há depoimentos de contemporâneos que falam de situações em que Quintana tinha de ser levado para casa -, solitário e de vida bastante humilde - viveu de 1968 a 1980 no já decadente Hotel Majestic, que seria depois transformado na Casa de Cultura Mário Quintana, uma casa que o poeta jamais teve, tão grande e tão bela, no centro da cidade que ele amou. Mas ainda é um desafio para a crítica estudar como esta "vida de poeta" influencia na poesia em si.

Luís Augusto e Sérgio Luís Fischer, na biografia que orienta esta resenha, concluem a história do poeta lembrando que "em seus últimos anos, figura amplamente consagrada na cidade, grudou-se nele, por obra da mídia e por efeito de sua própria obra, a imagem de um velhinho sábio, espécie de parente mais velho de seu próprio personagem, o anjo Malaquias. Por isso não fica difícil saber por que a imagem que ficou dele, na impressão difusa da chamada opinião pública, foi essa, e não a do atormentado homem, que ele também foi".

Assim Mario Quintana permanece, mesmo doze anos depois de sua morte, mais imortal do que se a ele fosse permitido usar o fardão bordado a ouro da Academia Brasileira de Letras. Permanece como poeta, como personagem, nas prateleiras e bibliotecas, nos bancos acadêmicos e nas agendas de frases.

Enquanto nós passamos, ele passarinho.


Marcelo Spalding
Porto Alegre, 8/8/2006


Mais Marcelo Spalding
Mais Acessadas de Marcelo Spalding em 2006
01. O centenário de Mario Quintana, o poeta passarinho - 8/8/2006
02. Romanceiro da Inconfidência - 10/1/2006
03. Um defeito de cor, um acerto de contas - 31/10/2006
04. As cicatrizes da África na Moçambique de Mia Couto - 5/12/2006
05. A literatura feminina de Adélia Prado - 25/7/2006


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
7/8/2006
21h50min
Bom texto, Spalding. Melhor ainda por conta da informação que você nos dá, de que o Quintana era um homem atormentado, e não esse "velhinho sábio", como eu mesmo pensava que fosse. Não que isso vá aumentar ou diminuir a importância dele em nossa literatura. Mas acho que pode dar um novo olhar à sua poesia.
[Leia outros Comentários de Rafael Rodrigues]
10/8/2006
08h33min
Bom dia Marcelo. Bom texto mesmo, e, realmente, eu também não tinha essa noção de que Quintana era um homem atormentado... Vivendo e aprendendo!... O centenário dessa figura da literatura me fez ler ainda mais trechos e trechos deste homem sábio... Afinal, todos nós temos mistérios... como ele mesmo disse em seus "degraus"... "O mistério está é na tua vida! E é um sonho louco este nosso mundo..." (Mario Quintana, Baú de Espantos)
[Leia outros Comentários de Cíntia Caldas]
10/8/2006
21h47min
Eu achei que o texto é muito importante por que Mario Quintana é um exemplo de pessoa para todos ...
[Leia outros Comentários de João Vittor D. M.]
2/9/2006
17h58min
Sim, os poetas são sempre muito mais do que imaginamos. Muito doce e verdadeiro o seu artigo, que já repassei para a turma. Um abraço da leitora do DF.
[Leia outros Comentários de Gisele Lemper]
22/9/2006
12h46min
Quintana é o brasileiro de que não podemos nos esquecer. As Bibliotecas são enriquecidas com sua poesia, poemas e romances.
[Leia outros Comentários de Ercila Fernandes ]
13/1/2007
22h01min
Com suas cores, sabores e perfumes poéticos, Mario Quintana é o maior poeta da literatura brasileira. Me emociono todas as vezes que leio e releio sua obra. Simplesmente ele é maravilhoso!!!!
[Leia outros Comentários de iracema queiroz]
17/6/2009
13h02min
Quase todos os poetas que conheço sofrem de algum tipo de, digamos assim, incômodo existencial. Penso que são as sutilesas da vida que tornam essas pessoas fazedouras de poesia e, na minha opinião, a tristeza, melancolia e amargura são o combustível que alimentam o dom desses seres divinos. Para onde vão as palavras depois que são ditas? A dos simples mortais desaparecem no vento, mas nunca desaparecem quando ditas por esses poetas, porque ficam para sempre registradas em nossas almas...
[Leia outros Comentários de Silvia Lima]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Energia - Coleção Viva Ioga
Peter Falloon-goodhew
Publifolha
(2003)



Bello and Bolívar - Poetry and Politics in the Spanish American Revolu
Antonio Cussen
Cambridge University Press
(2009)



Ornamento e Modernismo
Marcos Moraes de Sá
rocco
(2005)



Lila e o Segredo da Chuva
David Conway
Biruta
(2010)



Como Nascem as Florestas
Eliana Mariz Câmara Santanna
Miguilim
(1999)



O Caminho da Habilidade
Tarthang Tulku
cultrix
(1978)



É Fácil Fotografar Em Cores Com Agfacolor
João Koranui
Iris
(1960)



Revista Seleções Março de 2003
Readers Digest
Readers Digest
(2003)



Almas Em Redenção
Alexandre Luiz Rampin
Ide
(1998)



Mistério na Morada do Sol - 12° Edição
Isa Silveira Leal
Moderna
(1983)





busca | avançada
51984 visitas/dia
2,0 milhão/mês