2006, o ano dos livros | Fabio Silvestre Cardoso | Digestivo Cultural

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Quarta-feira, 13/12/2006
2006, o ano dos livros
Fabio Silvestre Cardoso

+ de 5100 Acessos

Assim como em outro artigo que escrevi para este Digestivo, o presente texto, num primeiro momento, teria como tempo a breviedade do ano de 2006. Minha tese, conforme formulei para outro texto publicado no meu já finado blog, era de que 2006 não existiu. Há, obviamente, uma justaposição de termos que alude a uma certa ironia contraditória, pois foram tantos os eventos "importantes" que, basicamente, ficamos anestesiados e não vimos nada acontecer. Pelo menos não como gostaríamos, em especial porque algumas conquistas e mudanças não se concretizaram - da política às artes, o sistema brasileiro reverbera a frase de um ex-ministro: "o Brasil é um suave fracasso". Apesar da boa intenção de dissertar sobre a referida idéia, não ultrapassei mais que um parágrafo. Sobrou orégano e faltou massa naquela pizza. Optei, portanto, por um prato melhor: os livros. Decididamente, 2006 foi o ano dos eventos ligados ao livro, dos grandes autores e, por que não?, das editoras.

No dia em que finalmente comecei a elaborar este texto, vi que outras publicações, maiores e mais importantes, também fizeram o seu memorial, indicando os melhores livros deste ano. Em O Estado de S.Paulo, um sem número de articulistas, lado a lado, apontaram os grandes sucessos e lançamentos da temporada. Como os "jurados" não queriam fazer oposição, até mesmo um livro lançado em 2005 foi incluído na lista. Qual? O leitor que siga a pista. Se a crítica sedimentada não quis atirar pedra, por que vou eu? No caso da The Economist, o que se lê nesta matéria é uma seleção mais variada e que, veja como é curioso, pouco conhecida dos leitores brasileiros: certamente, os críticos da conceituada revista inglesa ainda não conhecem o nosso valor...

Sarcasmo à parte, pode-se afirmar que 2006 foi o ano dos livros justamente porque, parafraseando um sábio líder, nunca, neste país, houve tantos eventos ligados ao mercado editorial livreiro de maneira tão coordenada e simultânea. Com efeito, sem fazer esforço é possível lembrar-se de eventos e iniciativas que, para os amantes deste interessante objeto de desejo, foram um bálsamo, um alento e uma alegria inconteste no meio de tanta barbaridade. Em janeiro, por exemplo, esteve o colunista Luis Eduardo Matta a lançar seu livro com pompa e circunstância aqui em São Paulo. Teve até debate. Trata-se, que fique claro, de um microcosmo dos tantos encontros, palestras e colóquios que aconteceram nas livrarias, nas casas de cultura, nos restaurantes e até, vejam só, nas favelas, onde, segundo consta, existe agora um movimento que promove um sarau literário. Além destes, há que se mencionar a já célebre Flip, assim como sua prima mais pobre, a Flap, e a rica e grandiosa Bienal do Livro, que mais uma vez atingiu a façanha de arrebatar um grande público para um evento de autores e livros.

Para além dos eventos, como o Corredor Literário da Paulista e a Primavera dos Livros, cabe ressaltar a presença do livro em lugares antes improváveis. Agora mesmo, ao longo do mês de dezembro, acontece em frente à Pinacoteca do Estado a Rua do Livro. Dirão os ortodoxos: "mais um evento". No entanto, deve-se atentar para o fato de que a venda de livros acontece em um lugar literalmente aberto ao público, posto que os livros estão dispostos em barracas, numa região bastante freqüentada por leitores e por não-leitores. E para que os pessimistas não chamem isso de indulto de natal, recordar é viver: em outubro deste ano, o Vale do Anhagabaú, também no centro da cidade, foi palco do "Grande Circo do Livro". Para quem não foi, vale a pena ressaltar que os visitantes, como eu, puderam adquirir a biografia de James Joyce por Richard Ellmann à módica quantia de R$ 10. Ainda sob a lógica de "eventos", quem não quis visitar o Museu da Língua Portuguesa, a nossa Casa das Letras, onde o silêncio inexiste por conta das instalações lúdicas e da árvore das palavras?

Mais atraente que isso, só mesmo as bibliotecas do metrô, que em 2006 se consolidaram como um retumbante sucesso. São os números que dizem: até setembro, quando duas das três unidades estavam em pleno funcionamento, eram cerca de 15 mil sócios que tinham acesso às bibliotecas do projeto Embarque na Leitura. Para quem não anda de metrô, aqui vai a tecla SAP. Se você estiver na estação Paraíso, Tatuapé ou Luz, basta ter sua carteirinha em mãos (algo que se resolve com comprovantes de endereço e foto 3x4) e escolher o livro que deseja ler. Dos livros de Paulo Coelho (A Bruxa de Portobello) aos estudos do prof. Ivan Teixeira (Mecenato Pombalino e Poesia Neoclássica), passando pelos Vendilhões do Templo, de Moacyr Scliar, o leitor tem à mão a possibilidade de embarcar literalmente na literatura, sem a necessidade de pagar por isso, sem a necessidade de se deslocar do seu trajeto, com a vantagem de ampliar seu universo cultural e se divertir com boas histórias.

Ainda assim, o ano do livro não se consolidaria sem os autores, os grandes autores. E este ano nós os tivemos em muitas oportunidades, em diversas mídias e, vá lá, formatos. Basta lembrar que o Oscar de Melhor ator de 2006 foi dado a Phillip Seymour Hoffman por sua magistral interpretação de Truman Capote. Este escritor americano, aliás, foi revisitado como nunca pelas editoras brasileiras. Só em 2006, a Cia. das Letras publicou o até então obscuro Música para Camaleões e agora, no final do ano, traz uma seleta de 20 contos do autor. Paralelo a isso, a L&PM editou em formato pocket Os cães ladram, obra que traz alguns perfis elaborado por Capote e o novo selo Alfaguara publicou Travessia de verão, obra que provavelmente é a primeira do autor norte-americano. Os exemplos não páram por aí. Se a lista dos melhores fosse apresentada por completo, este artigo ficaria pesado com tantos nomes graúdos: entre os romancistas, Vargas Llosa (Travessuras da menina má), Coetzee (À espera dos bárbaros), Michel Houellebecq (A possibilidade de uma ilha); entre os autores de não-ficção, Tony Judt (Postwar), Christopher Hitchens (Amor, pobreza e guerra) e Robert Hughes (Things I didn't know - alô, editores, que tal traduzirem este?). Acreditem: esta lista poderia ser bem maior...

Tantos lançamentos fazem a alegria não só dos livreiros, mas também enobrecem os editores e suas respectivas casas de publicação. Em 2006, aliás, comemorou-se os 20 anos daquela editora para a qual todos os escritores, mesmo os marginais, gostariam de escrever (a conclusão é de um escritor amigo meu). Dirá o leitor mais cético que este resenhista e agora colunista bissexto também almeja tal objetivo. A esses, digo que aprecio a ironia, mas não tenho originais prontos aguardando por aprovação. De modo que o aniversário da Cia. das Letras deve ser celebrado, sobretudo, porque ajudou a civilizar o mercado editorial. Quem quiser pode comparar. Uma edição de 20 anos atrás era sofrível; agora, por exigência qualitativa, as obras estão mais caprichadas, ajudando a formar um mercado consistente, a ponto de outra editora de quilate, a Alfaguara, ter estreado por aqui também este ano. Para além dessas duas, cujas obras foram citadas no parágrafo anterior, é fundamental mencionar os 40 anos da Nova Fronteira, que presenteou os leitores com o relançamento de obras preciosíssimas, como O homem sem qualidades, de Robert Musil, e A montanha mágica, de Thomas Mann - isso para não mencionar a edição comemorativa de Grande Sertão: Veredas.

Certamente, houve acontecimentos tão ou mais importantes que os livros em 2006. O julgamento contido neste texto, para o bem e para o mal, é individual e intransferível. Ainda assim, cumpre lembrar que, se não nos tornamos pessoas melhores porque lemos mais, a partir da leitura entendemos o porquê de muitas coisas. Nesse aspecto, este ano foi mais importante do que parece justamente porque, felizmente, os leitores puderam compreender que existem particularidades mais necessárias que a aparência. Que 2007 seja para nós o que 2006 foi para os livros.


Fabio Silvestre Cardoso
São Paulo, 13/12/2006


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