Orgulho e preconceito, de Jane Austen | Fabio Silvestre Cardoso | Digestivo Cultural

busca | avançada
74501 visitas/dia
2,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Péricles Cavalcanti - lançamento de SALTANDO COMPASSOS
>>> Espetáculo “Canções Para Pequenos Ouvidos” chega ao Teatro Clara Nunes, em Diadema
>>> (Abre 11/10) Mostra BAÚ DA DGT_curadores Francisco Gaspar,Tuna Dwek, Donny Correia e Diego da Costa
>>> Escrever outros Corpos - Criar outras Margens || BELIZARIO Galeria
>>> SESC 24 DE MAIO RECEBE EVENTO DE LANÇAMENTO DA COLEÇÃO ARQUITETOS DA CIDADE
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rodolfo Felipe Neder (1935-2022)
>>> A pior crônica do mundo
>>> O que lembro, tenho (Grande sertão: veredas)
>>> Neste Momento, poesia de André Dick
>>> Jô Soares (1938-2022)
>>> Casos de vestidos
>>> Elvis, o genial filme de Baz Luhrmann
>>> As fezes da esperança
>>> Quem vem lá?
>>> 80 anos do Paul McCartney
Colunistas
Últimos Posts
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
>>> Oye Como Va com Carlos e Cindy Blackman Santana
>>> Villa candidato a deputado federal (2022)
>>> A história do Meli, por Stelleo Tolda (2022)
Últimos Posts
>>> Universos paralelos
>>> Deseduquei
>>> Cuidado com a mentira!
>>> E agora? Vai ter pesquisa novamente?
>>> Cabelos brancos
>>> Liberdade
>>> Idênticos
>>> Bizarro ou sem noção
>>> Sete Belo
>>> Baby, a chuva deve cair. Blade Runner, 40 anos
Blogueiros
Mais Recentes
>>> perversão sexual
>>> Trailer do Fim do Mundo
>>> Uísque ruim, degustador incompetente
>>> O bom e velho jornalismo de sempre
>>> Apresentação
>>> Sabemos pensar o diferente?
>>> A fragilidade dos laços humanos
>>> Anomailas, por Gauguin
>>> Felicidade
>>> Ano novo, vida nova.
Mais Recentes
>>> Marketing Médico - Criando Valor ao Paciente de Renato Gregório pela Doc (2009)
>>> Bango, o Vendedor de Maçãs de Woo-Joo Hong (Autor), Jin-Joo Chae (Autor) pela Ftd (2012)
>>> Falando Com as Estrelas de Juan Arias; Mari Ines Piekas pela Paulinas (2011)
>>> O Livro Completo de Etiqueta de Amy Vanderbilt de Nancy Tuckerman & Namcy Dunnan pela Nova Fronteira (2000)
>>> As Pessoas da Idade Média de Robert Fossier pela Vozes (2018)
>>> Os escorpiões contra o círculo de fogo de Ignácio de Loyola Brandão pela Global (2009)
>>> Revelação Em Preto E Branco. A Imagem Com Qualidade de Millar W. L . Schisler pela Marins Fontes (1995)
>>> O Corpo Fala de Pierre Weil evRoland Tompakow pela Vozes (2000)
>>> Vícios privados , Benefícios Públicos de Eduardo Giannetti da Fonseca pela Companhia das Letras (1993)
>>> Sete Cavalos na Berlinda de Sidónio Muralha (Autor) pela Global (1997)
>>> Outra Vez de Ernesto Che Guevara pela Ediouro (2004)
>>> O mque Esperar do Segundo Ano - de 12va 24 meses de Heidi Murkoff ; Sharon Mazel pela Record (2022)
>>> A revolta dos guarda-chuvas de Eva Furnari; Sidónio Muralha pela Global (1998)
>>> Os Caminhos de Mandela : Lições de vida, amor e coragem de Richard Stengel pela Globo (2010)
>>> Do outro lado do espelho de Lewis Carroll; Tony Ross; Ricardo Gouveia pela Martins Fontes (1997)
>>> Puro de Andrew Miller pela Bertrand Brasil (2013)
>>> Educar sem Violência - criando filhos sem palmadas de Ligia Moreiras Sena / Andréiac C. K. Mortensen pela 7 Mares (2014)
>>> Azul Alentejo de Monica Ali pela Rocco (2007)
>>> Legend: A Verdade se Tornará Lenda de Marie Lu pela Prumo (2012)
>>> Os Desafios da Terapia de Irvin D. Yalon pela Ediouro (2006)
>>> Meu primeiro Maluquinho em quadrinhos de Ziraldo (Autor) pela Globo (2011)
>>> Al - Gharb 1146 de Alberto Xavier pela Bertrand (2006)
>>> Histórias Da Velha Totonia de José Lins do Rego pela Jose Olympio (2010)
>>> O Livro das Princesas de Meg Calbot; Paula Pimenta; Lauren kate pela Galera Record (2015)
>>> Como os médicos pemsam de Jeromev Groopman pela Agir (2008)
COLUNAS

Sexta-feira, 5/5/2006
Orgulho e preconceito, de Jane Austen
Fabio Silvestre Cardoso

+ de 49100 Acessos
+ 10 Comentário(s)

Há alguns anos, foi relançada uma coletânea de obras clássicas da literatura universal. Cada livro da coleção custava exatos R$9,90 e tinha como objetivo difundir e incentivar não só a leitura, mas também a literatura - utilizando, como referência, livros de autores consagrados da literatura nacional e estrangeira. Entre os autores dessa coleção estava a escritora inglesa Jane Austen, com a obra Razão e Sensibilidade. À época, por algum motivo, não me interessei nem pelo livro, nem pela autora. E, apesar de ter um grande apreço pela literatura inglesa (Charles Dickens, P.G. Wodehouse, Jonathan Coe), jamais entrei em contato com a literatura de Jane Austen. O meu tempo de despertar aconteceu enquanto lia Desejo de Status, de Alain de Botton.

Na verdade, Botton mencionou a obra de Austen como exemplo para uma de suas teorias justamente quando tratava da forma em que determinados grupos se relacionam, um procurando ter status mais privilegiado que o outro, sempre de acordo com critérios pernósticos, superficiais e prosaicos. Nesse sentido, a literatura da escritora inglesa não poderia ter sido utilizada como melhor exemplo. Em outras palavras, é correto afirmar que, a despeito de não ter sido compreendida em seu tempo, Jane Austen foi quem mais habilmente soube decifrar os sentimentos, os desejos e as ansiedades dos grupos que viviam às voltas com a fogueira das vaidades e da ambição. Tratado de sociologia? Dissertação de Mestrado? Nada disso. Romance inglês, com ironia e sublime elegância.

Antes dos adjetivos, o substantivo. A história de Orgulho e preconceito (Record, 2006, 430 págs.) se passa no século XVIII, na Inglaterra, e trata da trajetória de uma família, a um só tempo, comum e bastante peculiar. Comum porque na residência dos Bennet havia cinco moças que foram criadas com o único propósito de se casar. Peculiar porque essas cinco moças tinham outros atributos além da beleza, dentre os quais cabe destacar a inteligência e a argúcia para enxergar e compreender o caráter para além das palavras e do rígido código de cordialidade que os bons costumes estimavam na época. Cria-se um certo clima de expectativa quando a família Bennet, encabeçada pela matriarca, descobre que dois ricos e saudáveis rapazes (mr. Bingley e mr. Darcy) aparecem na região de Longburn, onde a família Bennet reside. Uma recepção logo é preparada e todas as irmãs, ávidas por um casamento (algumas mais do que outras, é verdade), comparecem. A intriga acontece justamente porque um dos rapazes, mr. Darcy, se mostra por demais orgulhoso para o gosto da família Bennet. E muito embora mr. Bingley caia nas graças dos Bennet, suas irmãs não apreciam tanto o seu interesse na bela Janet Bennet.

Se o plot é aparentemente banal - afinal, relacionamentos sempre são permeados por intrigas, disputas e ciúmes - o que merece destaque no romance de Jane Austen é o fato de a autora conseguir contar essa história sem jamais descer o degrau da leveza. Há um tom delicado em sua narrativa que, se lido de outra forma, pode ser considerado arrogante e elitista. Trata-se, na verdade, de uma leitura equivocada, visto que a escritora propõe uma narração sóbria e bastante detalhada para que o leitor possa entender com argúcia o que cada trecho, cada gesto das personagens possa ser decifrada.

É interessante observar, aliás, como esse viés de leitura em muito se assemelha com a história de Orgulho e Preconceito. Isso porque, assim como uma interpretação do estilo de Jane Austen pode fazer com que alguém pense ser arrogância a simples utilização de um estilo mais refinado, no romance, as personagens também se impressionam com a aparência e com o gênio aparentemente indomável de determinadas personas naquele círculo social. É o que acontece, por exemplo, com mr. Darcy, cujas atitudes fazem com que Elizabeth Bennet crie uma espécie de redoma sempre que tem de se dirigir a ele. Do mesmo modo, o próprio mr. Darcy começa a se sentir atraído pelo comportamento espirituoso e não menos contundente dessa Elizabeth. E o que era rejeição, pouco a pouco, passa a ser atração.

Certamente, alguém dirá que é mais uma prova de que os opostos se atraem. Ou de que ninguém comanda o coração, nem mesmo a razão. Frases que se possuem algum sentido também são eivadas de um embasamento raso e mundano, o que definitivamente é rejeitado e criticado na obra de Jane Austen. Basta ver como a autora, a partir de suas personagens, ironiza a frivolidade e a fraqueza de caráter das pessoas. Nesse ponto, também é correto afirmar que o romance é uma crítica de costumes do seu tempo, uma vez que, pela imitação, chega a satirizar determinados tipos, como o do mr. Collins. Uma pessoa cujo único fim é atingir um status elevado na sociedade, descartando a importância de ter uma opinião mais profunda acerca do mundo que o cerca. Para Collins, o que vale são as aparências e a todo o momento ele quer aparecer como algo que, de fato, não é.

Nesse embate constante entre ver e ser visto, a autora resolve com propriedade a relação existente entre o orgulho e o preconceito. É o que se lê no trecho a seguir: "A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós". Não consigo imaginar explicação tão sucinta ou mais exata.

O relançamento de Orgulho e Preconceito aconteceu, coincidentemente ou não, no mesmo ano em que um filme baseado no romance de Jane Austen ganhou as telas do mundo todo, chegando até mesmo a concorrer a algumas estatuetas do Oscar. Não cabe aqui desmerecer o filme, dizendo que o livro é "certamente melhor do que sua adaptação". Entretanto, não há dúvidas de que a obra da escritora inglesa possui refinamento e que proporciona um raro deleite aos amantes da literatura. Um livro para quem deseja ir além da aparência, dos clichês, sem qualquer preconceito.

Para ir além






Fabio Silvestre Cardoso
São Paulo, 5/5/2006


Quem leu este, também leu esse(s):
01. É um brinquedo inofensivo... de Cassionei Niches Petry
02. Poética e política no Pântano de Dolhnikoff de Jardel Dias Cavalcanti
03. Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão de Elisa Andrade Buzzo
04. Os Doze Trabalhos de Mónika. 12. Rumo ao Planalto de Heloisa Pait
05. Aquarius, quebrando as expectativas de Guilherme Carvalhal


Mais Fabio Silvestre Cardoso
Mais Acessadas de Fabio Silvestre Cardoso em 2006
01. Orgulho e preconceito, de Jane Austen - 5/5/2006
02. Por que quero sair do Orkut (mas não consigo) - 2/2/2006
03. Desejo de Status - 21/4/2006
04. As crônicas de Ivan Lessa - 30/3/2006
05. Google: aprecie com moderação - 2/3/2006


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
22/6/2006
13h19min
Tive a oportunidade de ver o trailler do filme Orgulho e Preconceito em outubro de 2005 e, sinceramente, fiquei "enlouquecida" para assisti-lo, já que conhecia outras obras de Jane Austen, como "Razão e Sentimento/ Sensibilidade" (maravilha!). Sem conhecer a obra literária propriamente dita, apaixonei-me pelo trailler, fui "laçada", contudo tive que esperar alguns meses até a estréia. Um filme lindo que, na minha opinião, não perde em nada para o livro (tanto que comprei-o depois só para relembrar as cenas do filme...). Eu, particularmente, aprecio muito a comunicação não-verbal: sabe aqueles lances de olhar, meneios de cabeça e toda a movimentação que o nosso corpo faz quando estamos nos comunicando com alguém? Isso é bárbaro! E uma obra de Jane Austen faz muita diferença. E é a isto que me refiro quando digo que o filme conseguiu pegar-me pelo "laço". Os diálogos entre Darcy e Elizabeth Bennet são recheados de um movimento respiratório e de um "quê" no olhar que não podem passar desapercebidos!
[Leia outros Comentários de Milena Froes ]
8/7/2006
03h08min
Tambem gostei do filme Orgulho e Preconceito, embora considere que não tenha ficado à altura do livro, que é genial. Existe uma série inglesa da BBC (1995), a que ainda não assisti, mas que é considerada por muitos como a melhor adaptação do livro.
[Leia outros Comentários de Irene Soares]
22/8/2006
16h42min
Já tinha assitido ao filme Orgulho e Preconceito de 1996 e, neste mês, assiti à versão nova. Simplesmente maravilhoso: o Sr. Darcy é mesmo um príncipe, belo e único. Como eu gostaria de encontrar um Sr. Darcy por aí. Ai Ai...
[Leia outros Comentários de vera lucia zittel]
4/10/2006
15h27min
Adorei o filme... mas só agora fiquei a saber da existência do livro, quero muito lê-lo...
[Leia outros Comentários de Ana]
25/4/2007
15h42min
Não sei se alguém, até eu que o li quinze vezes, poderia descrevê-lo melhor, a não ser a Jane.
[Leia outros Comentários de Raisa Leon]
15/1/2008
18h03min
Amei este lindo romance... E quem não amaria? Ele é simplesmente fantástico. Um cenário rico que nos leva a desejar ter vivido naquela época. Atores maravilhosos... Nossa! Como o Mr. Darcy é lindo! É o sonho de consumo de qualquer mulher... Sem contar com o fato de que o filme não foge aos padrões da moral e dos bons costumes, garantindo sua qualidade sem precisar de pornografia.
[Leia outros Comentários de eliane cristina]
9/6/2008
16h11min
Já li o livro, assisti ao seriado da BBC e assisti ao filme. Seria inútil dizer como gostei do filme. Jane Austen é única na arte de escrever... O livro consegue nos levar realmente para Longbum; é linda a maneira como ela descreve os cenários, as roupas e as casas... E, no filme, quando Elizabeth esta à beira do penhasco... O prazer que eu sinto em ver essa cena... é indescritível. A sensibildade... Maravilhoso!
[Leia outros Comentários de Janaína de Queiroz ]
3/8/2008
10h45min
Não me lembro de ter visto um filme com uma fotografia tão rica e maravilhosa como a de "Orgulho e Preconceito". O diálogo, o movimento dos atores, as casas, músicas... é uma obra muito especial!
[Leia outros Comentários de João Freire]
1/4/2009
23h22min
A obra mais linda que já vi e li, amei tanto que tenho o filme e o livro. Um romance que faz nos a imaginar e acreditar em um amor puro e verdadeiro. Lindo o cenário, as vestimentas, as paisagens, os belos palácios e principalmente os personagens.
[Leia outros Comentários de layla]
29/1/2010
10h48min
Estou louca para ler livros dela. Vi um filme sobre ela. "O clube do livro de Jane Austen". É perfeito. Acho que vou começar com "Razão e Sensibilidade". ;*
[Leia outros Comentários de Thaís]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde
Mário de Carvalho
Companhia das Letras
(2006)



Gestos de Equilíbrio
Tarthang Tulku
pensamento
(1997)



Enciclopédia Olímpica Brasileira
Varios Autores
Mp
(2015)



Goosebumps - Acampamento Fantasma
R. L. Stine
Fundamento
(2006)



The Third Man and the Fallen Idol
Graham Greene
Penguin Books
(1977)



Os Sujeitos no Universo da Escola -
Verónica Edwards
Ática
(1997)



O Anel de Policrates e Outras Historias (favor Ler a Descrição)
Vários Autores
Cered Objetivo
(2014)



O Efeito Vinculante na Jurisdição Constitucional - Confira!
Roger Stiefelmann Leal
Saraiva
(2006)



Real Talk Series
Wise Up
Wise Up
(2015)



Bertolt Brecht - Teatro Hoje
Paolo Chiarini
Civilização Brasileira
(1967)





busca | avançada
74501 visitas/dia
2,0 milhão/mês