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Segunda-feira, 5/3/2001
Duas formas de perder a virgindade no West End
Arcano9

+ de 7000 Acessos

Foi engraçado quando eu fiz meu début no West End, no ano passado. Confesso que fiquei impressionado, quando cheguei aqui, com essa propaganda de alguns dos espetáculos, que atropela a gente em cada canto de Londres. Acho que todo mundo fica um pouco intoxicado com todo esse glamour de Cats, O Fantasma da Ópera, esses musicais Lloydwebberianos para você ver e babar. É uma verdadeira indústria para atrair os turistas, para convencê-los de que ir a Londres sem vem um musical do West End é um sacrilégio.

Pelo menos por aqui temos uma coisa legitimamente boa, que não tem nada a ver com os milhões de dólares e libras investidos em cenário e pirotecnia, e essa coisa é a qualidade dos atores. Certamente você não vai ver tão cedo em nenhum teatro de São Paulo uma atriz hollywoodiana. Talvez, só no teatro municipal, se você der sorte, uma vez na vida... Bom, minha estréia em teatros por aqui foi motivada pela curiosidade em ver uma dessas estrelas hollywoodianas de pertinho. Foi Kathleen Turner (Guerra dos Roses, Tudo por uma Esmeralda), que havia acabado de começar a se despir no Gielgud Theatre, numa versão do clássico cinematográfico de 1967 A Primeira Noite de um Homem. Peladinha por 26 segundos, uma Mrs. Robinson fatal, gelada, provocante. Uma peeeeeeeena que o porra do ator que fazia o Benjamin ficou bem na frente na hora que caiu o vestido dela. De qualquer modo, pensando bem, só 34 segundos, mesmo se eu tivesse visto um pouquinho dos peitos, bah, seria frustrante do mesmo jeito. Mas os reis do marketing vendem a peça assim - como se fosse o espetáculo mais quente do West End. Uma peça que não me disse nada, para ser sincero. Mesmo se fosse só de nudez, teria preferido ver uma boa Oh, Calcutá no Maria Della Costa. Se é para chutar o balde...

O tempo passou desde que eu fui ver A Primeira Noite de Um Homem e a peça se transformou num espetáculo folclórico em Londres por causa de seu elenco mutante. Foi-se Kathleen Turner e sua voz de Jessica Rabbit, veio Jerry Hall, ex-senhora Mick Jagger, uma modelo loira alta e sem sal com ínfima esperiência de palco. E ainda por cima sem peito (quem foi lá para ver nudez, coitado...) Agora, neste mês de fevereiro, Mrs. Robinson mudou de novo. Assumiu o leme outra hollywoodiana, uma atriz para mim desconhecida chamada Amanda Donohoe, conhece? Dizem que ela fez A Loucura do Rei George e O Mentiroso, com Jim Carrey. Será que é boa o bastante? (Entenda esta frase com o sentido que quiser).

Todavia, falando de peças sobre iniciações sexuais de jovens adolescentes, eu estou feliz. Maravilhado. Há, sim, colega, uma opção melhor nesta cidade. Irene Jacob NÃO se despe em Madame Melville, em temporada desde 18 de outubro no teatro Vaudeville, na Strand. A estrela cult de Krystof Kielowsky (A Dupla Vida de Veronique, Três Cores: Vermelho) interpreta uma radiante professora de literatura que "pega para criar" o ator... Macaulay Culkin. Você conseguiria pensar em um casal mais esdrúxulo que esse? Eu também achei incrível que o loirinho com cara de sapo (Esqueceram de Mim 1 e 2) fosse escalado para fugir de casa e fazer sua estréia nos palcos londrinos. Tinha que conferir.

A peça é curta, tem um cenário com o estritamente necessário e um roteiro sentimental sem cair no piegas, doce, até um pouco melancólico. Culkin faz o jovem Carl, de 15 anos, que conta sua aventura amorosa na Paris de 1966 em forma de flashback, quando já é adulto com filhos e se vê imaginando formas de resgatar a magia da sua vida. Achei uma boa idéia o espetáculo usar esse fundo histórico (quando a capital francesa começava aquele processo de fermentação que iria eclodir nos protestos estudantis). Ainda mais porque Culkin, elogiado pela crítica, faz o papel de um estudante completamente alienado, que se sente distante daquele mundo que discute arte, revolução sexual, jazz. Jacob, por sua vez, encarna a professora de trinta e poucos anos que vive uma fase difícil, em que sente que está ficando velha e encara o fracasso da relação na qual apostava singrar o oceano da velhice. Solitária, realiza reuniões no seu elegante apartamento para discutir literatura, ouvir música e ver filmes e é em uma delas que Carl, o estudante alienado, mostra ser mais do que um caipira de Ohio deslocado de sua realidade. Ele pode não conhecer arte ou autores, mas sua sede de conhecimento tocam a professora numa longa noite, em que ela luta para trazer o menino para sua cama e ele luta contra sua própria travação. Excitação e comédia no ar, risadinhas nervosas na platéia.

Ok, ok, nada muito original. Mas amei o tom despretencioso da peça (ao contrário de A Primeira Noite de um Homem, que promete demais e frustra por isso) E nesse contexto, Irene Jacob é uma grata surpresa. Ela interpreta tão bem, com seu inglês carregado de sotaque, que você não consegue imaginar outra pessoa na pele dela. Ela é um espetáculo por si só. Na verdade, ela ofusca todo mundo. E seduz, seduz demais com toda a sua roupa, vai por mim. Um crítico de um jornal disse que Madame Melville é um A Primeira Noite de um Homem para adultos. Se você passar por aqui, veja. Ou pelo menos tente (porque, se eu te conheço, você vai querer ver O Fantasma da Ópera, não é? Se prepara para a fila...)


Arcano9
Londres, 5/3/2001


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