Millôr Fernandes, o gênio do caos | Diogo Salles | Digestivo Cultural

busca | avançada
28879 visitas/dia
957 mil/mês
Mais Recentes
>>> Tejon e banda Rock For All apresentam hoje (23), em São Paulo,
>>> 'D. Quixote de La Mancha pelas mãos de Canato'
>>> Projeto nacional de educação musical estará em santos no próximo dia 24.10, em Guarujá 25.09 e Santo
>>> Teatro Fase abre palco para comédia
>>> Artistas da 33ª Bienal participam do open studio na Residência Artística da FAAP
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Alice in Chains, Rainier Fog (2018)
>>> Cidades do Algarve
>>> Gosta de escrever? Como não leu este livro ainda?
>>> Assum Preto, Me Responde?
>>> Os olhos de Ingrid Bergman
>>> Não quero ser Capitu
>>> Desdizer: a poética de Antonio Carlos Secchin
>>> Pra que mentir? Vadico, Noel e o samba
>>> De quantos modos um menino queima?
>>> Entrevista com a tradutora Denise Bottmann
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> A dignidade da culpa, em Graciliano Ramos
>>> O conservadorismo e a refrega de símbolos
>>> Ingmar Bergman, cada um tem o seu
>>> Em defesa do preconceito, de Theodore Dalrymple
>>> BRASIL, UM CORPO SEM ALMA E ACÉFALO
>>> Meus encontros com Luiz Melodia
>>> Evasivas admiráveis, de Theodore Dalrymple
>>> O testemunho nos caminhos de Israel
>>> UM OLHAR SOBRE A FILOSOFIA (PARTE FINAL)
>>> Os livros sem nome
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Uma Vaga para o Integral
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> Retrato em branco e preto
>>> Dilma na Copa 2014
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Duas escritoras contemporâneas
>>> Henry Moore: o Rodin do século XX
>>> Entrevista com Antonio Henrique Amaral
>>> O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford
Mais Recentes
>>> The Spectator: O Teatro das Luzes de Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke pela Hucitec (1995)
>>> As Ciências Geológicas no Brasil de Silvia Figueirôa pela Hucitec (1997)
>>> Bons Amigos, Maus Amigos de Jan Yager pela Gente (2007)
>>> Da Luta Pela Terra à Luta Pela Vida de Eliane Brenneisen pela Annablume (2004)
>>> Políticas Sociais e Transição Democrática de Reginaldo Souza Santos pela Mandacaru/ Cetead (2001)
>>> Cidadãos Não Vão ao Paraíso de Alba Zaluar pela Escuta/ Unicamp (1994)
>>> O sofrimento de Deus de Jamê nobre e Christopher walker pela Impacto (2018)
>>> Oração um encontro com Deus de Oswald chambers pela Vida (2009)
>>> Entre Arte e Ciência: Fundamentos Hermenêuticos da Medicina Homeopática de Paulo Rosenbaum pela Hucitec (2006)
>>> Folclore e Cultura Popular Judaicos de Dov Noy pela Associação Universitária de Cultura Judaica
>>> O Meio Ambiente de Jacques Vernier pela Papirus (1994)
>>> Diálogos Interculturais de Pierre Rivas pela Hucitec (2005)
>>> A Santificação do Trabalho de José Luis Illanes pela Quadrante (1982)
>>> Pacto Re-Velado: Psicanálise e Clandestinidade Política de Maria Auxiliadora de Almeida Cunha Arantes pela Escuta (1999)
>>> O Espaço Geográfico: Ensino e Representação de Rosângela D. de Almeida e Elza Y. Passini pela Contexto (1999)
>>> Refrigeração de Ennio Cruz da Costa pela Blucher (2005)
>>> Isaías Melsohn: A Psicanálise e a Vida de Bela M. Sister e Marilsa Taffarel pela Escuta (1996)
>>> A Imagem Rebelde: A Trajetória Libertária de Avelino Fóscolo de Regina Horta Duarte pela Pontes/ Unicamp (1991)
>>> A Noite da Memória de Péricles Eugênio da Silva Ramos pela Art (1988)
>>> A Carga e a Culpa de Fernando Teixeira da Silva pela Hucitec (1995)
>>> Mudança de Harvard Business Review pela Campus (2000)
>>> O Vôo do Cisne: A Revolução dos Diferentes de José Luiz Tejon Megido pela Gente (2004)
>>> Terror e Esperança na Palestina de José Arbex Jr. pela Casa Amarela (2002)
>>> O Doido da Garrafa de Adriana Falcão pela Planeta do Brasil (2003)
>>> El Lazarillo de Tormes de Anónimo Español pela Edelsa (2005)
>>> Mulher Daqui Pra Frente de Marina Colasanti pela Círculo do Livro (1983)
>>> Aspectos Politicos de la Sociedad de Masas de William Kornhauser pela Amorrortu Editores (1969)
>>> Gaúchos: A Fisionomia Social do Rio Grande do Sul de Thales de Azevedo pela Livraria Progresso (1958)
>>> Guerra e anti-guerra de Alvin e heide toffler pela Record
>>> A paz como caminho de Dulce magalhaes pela Qualitymark
>>> Vale tudo--tim maia. de Nelson motta pela Objetiva
>>> Marketing-o que e?--quem faz?--quais as tendencias?. de Carlos frederico de andrade pela Ibpex
>>> Analise de credito e risco de Christian marcelo rodrigues pela Ibpex
>>> Judas--maxi-serie-1-3-4-5-7-9-10-11-12-13-14-16. de Sergio bonelli pela Record
>>> Richard ferber de Bom sono pela Celebris
>>> Ze colmeia--numero 1--raro. de Editora abril pela Abril
>>> Turma da monica-coleçao coca cola de Editora globo pela Globo
>>> Almanaque do popeye--2--raro. de Editora rge pela Rge
>>> Cura pela agua--a nova ciencia de curar. de Louis kuhne pela Hemus
>>> Mandrake--254. de Editora rge pela Rge
>>> Gibi de ouro-os classicos em quadrinhos-mandrake-cavaleiro negro-ferdinando--nick holmes de Editora rge pela Rge
>>> Popeye--13--rge. de Editora rge pela Rge
>>> Maldito-a vida e o cinema de jose mojica marins,o ze do caixao. de Andre barcinski e ivan finotti pela 34
>>> Materiais de construçao de W. j. patton pela E. p. u (1978)
>>> Diferentes formas de amar de Susana balan pela Best seller
>>> O novo paradigma dos negocios de Michael ray e alan rizsler pela Um
>>> Prisma--girando a piramide corporativa. de Werner k. p. kugelmeier pela Publit
>>> A fazenda mal assombrada de Alexandre dias pela Lachatre
>>> Conhecendo e trabalhando com o visual basic 6.0. de Pedro luiz cortes e roberto alessandre scherr. pela Erica
>>> Aguerra se torna mundial de Folha de sao paulo pela Folha de sao paulo
COLUNAS >>> Especial Gênio

Terça-feira, 17/2/2009
Millôr Fernandes, o gênio do caos
Diogo Salles

+ de 10300 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Gênio... Como se define um gênio? Quem tem o poder de elevar um ser humano a esse status? Num mundo onde cada um exalta os seus próprios gênios ― que, muitas vezes, se confundem com ídolos ou heróis ―, as discussões parecem sempre cair na vala do relativismo. Claro que existem gênios incontestáveis. Na música, nas artes, na literatura... Mas não é minha intenção aqui suscitar falsas polêmicas, empurrando conceitos de genialidade, nem ficar apontando quem é e quem não é gênio. Como um cartunista metido a escrevinhador que sou, não apenas descrevo minha visão pessoal de quando vi a genialidade se materializar na minha frente, mas também como dela pude usufruir em meu trabalho. Sei que me coloco em situação algo suspeita, ainda mais pela redundância de se sublimar a genialidade de Millôr Fernandes. O que me move aqui é o fato de que as exaltações a gênios sempre são guardadas para a posteridade, quando o tal gênio já não está mais entre nós. Aí, sim, pululam ensaios, artigos, estudos, perfis, biografias, coletâneas e homenagens póstumas, onde viúvas e órfãos jogam flores nos túmulos dos imortais. Mais estranho ainda é quando resolvem celebrar o "aniversário da morte" do sujeito ― como fizeram com Machado de Assis no ano passado. Penso que já passou da hora de romper com essa mórbida tradição.

Quando abrimos um livro de um autor do qual gostamos e admiramos, tal leitura poderá nos causar reações e reflexões das mais variadas. Nelson Rodrigues, por exemplo. Quando o leio, sinto encontrar verdades diferentes das minhas. Sempre que preciso confrontá-las, recorro ao Nelson, que parece chamar a minha atenção o tempo todo. É como se eu estivesse ninando uma úlcera imaginária com um copo de leite, ao mesmo tempo em que assisto, inerte, a uma guerra ideológica babada em pileques no Antonio's. Com George Orwell é diferente, pois entre seus ensaios e metáforas consigo traçar diversos paralelos com minhas visões políticas. Existem vários outros autores, mas, de alguma forma, eu precisava sempre me transportar para uma outra maneira de ver o mundo. Faltava encontrar a leitura onde não seria necessário buscar tais paralelos, a leitura definitiva.

Millôr era um autor que sempre rondava minhas lembranças mais remotas. Primeiro pelo desenho, que eu considerava muito estranho. Achava que parecia rascunho, achava que os personagens pareciam ogros (santa ingenuidade!). Seus textos eu lia timidamente ― e eram sempre aqueles que vinham atrelados aos desenhos, funcionando como legendas. O formato texto/imagem já me atraía e me intrigava a maneira caótica como ele "diagramava" as duas coisas. Gostava das ironias, das brincadeiras com as palavras, mas talvez eu ainda não estivesse preparado para aquilo.

Só anos depois, quando meu cinismo já parecia ter encontrado um caminho sem volta, resolvi mergulhar de cabeça em todos seus escritos. E minha vida nunca mais seria a mesma. "Sim, é isso!", eu repetia a cada frase lida. Os pensamentos, as metáforas, as ironias que sempre idealizei. Estavam todas ali. De repente, tudo fazia sentido. O que não quer dizer que encontrei respostas às minhas inquietações ― muito pelo contrário, mas voltemos a este assunto mais para frente, pois a demora dessa descoberta, afinal, se mostraria boa. Para entender Millôr em toda a sua complexidade, precisamos estar com o ceticismo e o sarcasmo em dia. A qualquer descuido, perde-se a piada. Se estiver escondida, disfarçada ou cifrada ― e o leitor não se der conta disso ―, a piada perde a cor, perde o viço (isso se não escapar completamente). Descobri também de onde vinha aquele traço, que eu já não achava tão estranho assim: Saul Steinberg (sim, ele também tem suas referências!). Ah, e a razão de seus personagens parecerem ogros era mais simples do que eu pensava: eles eram ogros.

Ler Millôr aguça qualquer senso de humor (ou a falta de). No meu caso, foi a transfusão de sangue definitiva na minha veia cômica. Uma mistura de sensações e sentidos que jamais sonhei experimentar. É realmente difícil mensurar o tamanho do impacto que sua obra teve sobre mim. Talvez eu só consiga dimensionar isso daqui a décadas. Eu poderia ficar divagando aqui e deixá-lo no escuro, mas meu repertório não é tão vasto quanto eu imaginava. Sendo assim, o melhor que posso fazer neste momento é falar sobre algumas das leituras mais marcantes, deixando minhas impressões, sensações e reflexões (não muito profundas) a respeito.

Para traçar a rota inicial dos primeiros anos de sua carreira (iniciada em 1943), Trinta anos de mim mesmo é o mapa que te levará ao destino. Entre textos e desenhos produzidos para publicações como O Cruzeiro, Pif-Paf e, mais tarde, para O Pasquim e Veja, ele já desafiava as leis fonéticas e semânticas e questionava tudo: a sociedade, a imprensa, os comunistas, as feministas e todo aquele pessoalzinho "prafrentex". É certo afirmar que ninguém, até hoje, conseguiu cutucar tantas minorias num único título de texto: "Negros homossexuais mutilados contra índias lésbicas sexagenárias". Em tempos tão politicamente corretos como os de hoje, isso é nitroglicerina pura.

E por falar em Pif-Paf, há também uma edição "remasterizada" das primeiras (e únicas) oito edições da revista. O que começou como uma seção semanal de Emanuel Vão Gogo na revista O Cruzeiro ― e foi interrompida por causa de A verdadeira história do paraíso ―, resultou na publicação de humor mais anárquica, inteligente e independente da imprensa brasileira. Fechada pelos brucutus da ditadura, Pif-Paf não foi apenas a precursora de O Pasquim. Era Millôr no melhor de sua forma, redesenhando a história do humor brasileiro, produzindo impetuosamente e ainda fazendo as vezes de editor.

Que país é este?, originalmente lançado em 1978, ele aproveitava a ditadura militar em frangalhos para fazer um inventário do nosso fracasso através de crônicas e pequenas definições de grandes proporções, como "Brasil, um filme pornô com trilha de bossa nova". Desde as grotescas inversões de valores a todos os absurdos que definiam o Brasil ― e continuam definindo, por isso o livro ainda é tão atual ―, ele recolhia os cacos da política tupiniquim e tirava toda a sujeira que havia sido (e continua a ser) varrida para debaixo do tapete.

Em O livro vermelho dos pensamentos de Millôr a premissa é uma só: demolir todos os conceitos, crenças e verdades consumadas pelo establishment, reexaminando o pensamento ocidental (e oriental), num irresistível convite ao niilismo. É a prova cabal de que as certezas absolutas são apenas para alienados e idiotas. Mas atenção: leitura não recomendada aos adeptos das cartilhas, da obediência, da subserviência e do pensamento de manada.

Uma leitura rápida (e engraçadíssima) é Crítica da razão impura ou O primado da ignorância, onde Millôr reduz a pó as obras mais famosas de dois ex-presidentes brasileiros: Dependência e desenvolvimento da América Latina, de Fernando Henrique Cardoso e Brejal dos guajás, de José Sarney. Derrubar o tesão (grande tese, segundo ele) de FhC ("superlativo de PhD") era quase uma necessidade, diante da linguagem empolada, pretensiosa e pseudointelequitual do nosso ociólogo-mor. Já sobre Brejal dos guajás, ícone máximo do embuste literário, pude finalmente entender porque Sir Ney é a antimatéria da literatura nacional. Sempre o desprezei como político, mas depois de ler essa "crítica" (um eufemismo) de sua "obra-prima" (uma hipérbole), confesso que deu até pena do pobre Ribamar... Depois recobrei os sentidos e o desprezo voltou.

Há também obras menores ― talvez em tamanho, mas não em importância ―, onde se encontra um Millôr em facetas diversas. O teatrólogo que enfrentou a censura em Um elefante no caos, o despretensioso de Hai-Kais, o minimalista de O livro branco do humor, o contista de Novas fábulas & Contos fabulosos e o autoindulgente, que passeia em cores e aventuras gráficas de Um nome a zelar. Tem para todos os gostos.

Aos que olharem para o conjunto da obra e não souberem por onde começar, aqui vai a minha sugestão: comece pela Bíblia. Não aquela, que muitos chamam de "sagrada". Refiro-me à Bíblia do caos ― Millôr definitivo (L&PM, 2002, 624 págs.), um compêndio de tudo o que melhor define o pensamento millôriano em forma de aforismos. Garanto que, para ler esta Bíblia, você não precisará ajoelhar no milho. Para onde vou, carrego a minha junto comigo. É o meu oráculo. Frases como "A proximidade é conivente. A distância é crítica." me guiam sempre que vou fazer uma charge. Assim, posso olhar para todos os políticos, caciques, partidos, minorias, bandeiras, facções e ideologias com a mesma distância e desconfiança. Da extrema esquerda à extrema direita (passando pelo extremo centro), vejo-os todos lá, equidistantes. Millôr é tão genial que pode nos fazer enxergar a política em forma de mosaico. Penso que é assim que ele vê as coisas: como um enorme mosaico (está lá, em Trinta anos de mim mesmo). Não, não é apenas o "Guru do Méier", como muitos o chamam. É gênio. Gênio do humor, gênio da contestação, gênio do livre pensamento... Gênio do caos.

Ao contrário do que você possa pensar, toda essa bem humorada jornada literária não te faz encontrar respostas às suas perguntas. Ler Millôr te faz perguntar respostas ― como sugere o Ministério das perguntas cretinas. Com isso, pude dizer adeus às verdades absolutas e aos cômodos deslumbramentos da vida. No aconchegante castelo das certezas, aquele espaço era alugado ― e eu não podia pagar por ele. Aqui, no desconfortável cafofo da contestação e dos questionamentos, o espaço é pouco, sim ― mas é meu.

Bom, agora deixe-me voltar ao cafofo. Está na hora de procurar perguntas para as respostas do dia.

Nota do Editor
Leia também "Lições que aprendi com o Millôr".

Para ir além






Diogo Salles
São Paulo, 17/2/2009


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Crítica/Cinema: entrevista com José Geraldo Couto de Jardel Dias Cavalcanti
02. Fake news, passado e futuro de Luís Fernando Amâncio
03. Meu pé quebrado de Luís Fernando Amâncio
04. A noite do meu bem, de Ruy Castro de Julio Daio Borges
05. Livrarias de Ricardo de Mattos


Mais Diogo Salles
Mais Acessadas de Diogo Salles em 2009
01. Millôr Fernandes, o gênio do caos - 17/2/2009
02. Michael Jackson e a Geração Thriller - 21/7/2009
03. 10 palavrões 1 livro didático e ninguém no governo - 2/6/2009
04. O fundamentalismo headbanger - 10/3/2009
05. PMDB: o retrato de um Brasil atrasado - 17/11/2009


Mais Especial Gênio
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
16/2/2009
16h21min
Acompanho o Millôr há muito tempo, desde quando o tempo era mais dilatado, passava mais devagar. Isso era bom porque a gente tinha mais tempo de apreciar textos e desenhos e passava as páginas das revistas e jornais mais vagarosamente. Mas acompanhar o Millôr é só maneira de dizer. Ninguém acompanha o Millôr, porque ele se mantém permanentemente à frente e costuma dispensar seguidores. Dá uma colher de chá, aqui e ali, para os mais atrasadinhos, mas o homem é um corisco. Num meio cultural cada vez mais juvenil e, por isso mesmo, cada vez mais pueril, Millôr representa, talvez, aquele tipo de sabedoria que civilizações um pouco mais dignas que a nossa cultivaram ou apreciaram, num grau que, hoje, é quase incompreensível. Talvez essa seja sua maior piada. Millôr tem a idade que quiser e poderia (metaforicamente, metaforicamente!) ser pai de todo mundo. Mas a maioria não tem sequer pré-requisitos para ser seu filho, neto ou bisneto, sei lá. É isso aí, Diogo.
[Leia outros Comentários de Guga Schultze]
16/2/2009
20h21min
Sempre admirei Millôr. Era a primeira página a ser lida, na revista que ele escrevia. Muito bom ter uma indicação de quem o acompanha. Obrigada pelo mapa do tesouro.
[Leia outros Comentários de Anna (Anny)]
17/2/2009
11h15min
Sim, sim, ele é uma das pessoas que podemos nos orgulhar por ser brasileiro. O cara é o rei das tiradas, dos pensamentos duvidosos, do não-usual, do não convencional. Millôr dá de mil em muitos por aí que se arvoram em ser geniais. O Guga tem razão.
[Leia outros Comentários de Adriana Godoy]
25/2/2009
19h55min
Confesso ainda ser raso o meu conhecimento sobre Millôr, embora admire sua inesgotável disposição em ridicularizar dogmas e ideologias. Agora, com este verdadeiro mapa do tesouro, vou corrigir o lapso. Obrigado, Diogo.
[Leia outros Comentários de Luiz Augusto Lima]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




ESTADOS UNIDOS - COLEÇÃO VIAGEM PELA GEOGRAFIA
FERNANDO PORTELA / JOÃO RUA
ÁTICA
(2011)
R$ 13,90



ZÉ PREQUETÉ - COLEÇÃO TABA - COM VINIL / MILTON NASCIMENTO
MIRNA PINSKY
ABRIL CULTURAL
(1982)
R$ 50,00



O PENSAMENTO POLÍTICO CLÁSSICO: MAQUIÁVEL, HOBBES, LOCKE, MONTESQUIEU, ROSSEAU.
CÉLIA GALVÃO QUIRINO E MARIA TERESA SADEK R. DE SOUZA.
T.A. QUEIROZ
(1980)
R$ 35,00



A ORGANIZAÇÃO MUNICIPAL E A POLÍTICA URBANA
JORGE BERNARDI
IBPEX
(2009)
R$ 5,00



A ÚLTIMA MORTE
RICARDO LAURINO
INVERSO
(2018)
R$ 48,00



ELOGIO DA MADRASTA
MARIO VARGAS LLOSA
ALFAGUARA
(2009)
R$ 29,90



DE FRUTO ONDE DEUS SEMEAR VOCÊ
CAIO FÁBIO
SEPAL
(1995)
R$ 19,00



O LIVRO DOS MILAGRES
ZSOLT ARADI
IBRASA
(1967)
R$ 13,68



CONFIANÇA: A ARTE DE SE ENTREGAR A VIDA E CONFIAR EM SI MESMO - 1ª EDIÇÃO
OSHO
CULTRIX
(2016)
R$ 28,95



ATRÁS DA VITÓRIA - ERLON JOSÉ PACHOAL E MARGARETE GALVÃO (TEATRO BRASILEIRO)
ERLON JOSÉ PACHOAL E MARGARETE GALVÃO
STUDIO ARTE
(1992)
R$ 8,00





busca | avançada
28879 visitas/dia
957 mil/mês