O curioso caso de Alberto Mussa | Rafael Rodrigues | Digestivo Cultural

busca | avançada
59122 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Ensaios Perversos traz papo cabeça com drag, performances e festa pra dançar
>>> Chega a São Paulo projeto cultural que vai levar teatro a crianças de seis estados
>>> Clube do Disco - Os Saltimbancos
>>> A EDITORA estreia online dia 29 de outubro, de graça
>>> 'O Engenheiro', ópera de Tim Rescala, estreia em Porto Alegre
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Eleições na quinta série
>>> Mãos de veludo: Toda terça, de Carola Saavedra
>>> A ostra, o Algarve e o vento
>>> O abalo sísmico de Luiz Vilela
>>> A poesia com outras palavras, Ana Martins Marques
>>> Lourival, Dorival, assim como você e eu
>>> O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis
>>> LSD 3 - uma entrevista com Bento Araujo
>>> Errando por Nomadland
>>> É um brinquedo inofensivo...
Colunistas
Últimos Posts
>>> Michael Dell on Play Nice But Win
>>> A história de José Galló
>>> Discoteca Básica por Ricardo Alexandre
>>> Marc Andreessen em 1995
>>> Cris Correa, empreendedores e empreendedorismo
>>> Uma história do Mosaic
>>> Uma história da Chilli Beans
>>> Depeche Mode no Kazagastão
>>> Uma história da Sambatech
>>> Uma história da Petz
Últimos Posts
>>> Mundo Brasil
>>> Anônimos
>>> Eu tu eles
>>> Brasileira muda paisagens de Veneza com exposição
>>> Os inocentes do crepúsculo
>>> Inação
>>> Fuga em concerto
>>> Unindo retalhos
>>> Gente sem direção
>>> Além do ontem
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Coetzee, um escritor inventivo
>>> O vampiro de almas
>>> 7º Cordas na Mantiqueira, em São Francisco Xavier
>>> Entrevista com José Castello
>>> Dirty Dancing - Ritmo Quente
>>> Qual é a alma da cidade?
>>> Don’t be evil
>>> Persistente e indignada
>>> Web-based Finance Application
>>> Fernanda Young (1970-2019)
Mais Recentes
>>> Teoria Geral do Processo de Antonio Carlos de Araújo Cintra pela Malheiros (2009)
>>> O Sucesso Não Ocorre por Acaso - Você Pode Mudar Sua Vida de Dr. Lair Ribeiro pela Objetiva (1992)
>>> Ala Dezoito de Wilson Frungilo pela Ide (2014)
>>> A Voz do Mestre de Kahlil Gibran pela Circulo do Livro (1974)
>>> Biologia Educacional de Ary Lex pela Companhia Nacional (1970)
>>> Na era do Espirito de Francisco Candido Xavier pela Geem (2014)
>>> Becky Boom - Delírios de Consumo na 5º Avenida de Sophie Kinsella pela Record (2010)
>>> O Querigma - Anuncio da Palavra no Poder do Espirito de Luiz Santana pela Rccbrasil (2012)
>>> Ribeirão da Ilha Vida e Retratos - Coleção Memoria de Florianópolis 3 de Nereu do Vale Pereira; Francisco do Vale pela Fundação Franklin Cascaes (1991)
>>> Psicoterapia à Luz do Evangelho de Jesus de Alirio de Cerqueira Filho pela Bezerra de Menezes (2010)
>>> Minha Escolha é Viver de Fatima Moura pela Eme (2013)
>>> O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec pela Lake (1994)
>>> Historia Universal 3 Livros - Volumes 3, 4 e 5 de H. G. Wells pela Companhia Nacional (1968)
>>> Guerreiros - Em Ordem de Batalha de João Luis D. Mendes pela Comunidade Anuncia- Me (2004)
>>> As Sete Leis Espirituais do Sucesso de Deepak Chopra pela Best Seller (1994)
>>> A Mediunidade sem Lágrimas - Col. Espirita de Eliseu Rigonatti pela Pensamento (2012)
>>> Soneto de Fidelidade e Outros Poemas- Col. Clássicos de Ouro + Encarte de Vinicius de Moraes pela Ediouro (1996)
>>> Read All About It! de Richard Musman pela Longman (1971)
>>> Keyguide - Guia Paris de Vários autores pela Publifolha (2011)
>>> Guia Visual Folha de S. Paulo - Nova York de Vários autores pela Publifolha (2012)
>>> Guia Visual Folha de S. Paulo - Londres de Vários autores pela Publifolha (2011)
>>> Guia Visual Folha de S. Paulo - Paris de Vários autores pela Publifolha (2011)
>>> Guia de Conversação Frances para Leigos - Dummies de Dodi-Katrin Schmidt e outros pela Alta Books (2011)
>>> Sob as mãos da misericórdia de André Luiz Ruiz pela Ide (2005)
>>> Hinos do povo de Deus 2 de Vários autores pela Sinodal (2007)
COLUNAS

Terça-feira, 21/4/2009
O curioso caso de Alberto Mussa
Rafael Rodrigues

+ de 8100 Acessos

Fosse feito um levantamento sobre qual o perfil dos personagens mais presentes na literatura brasileira contemporânea, certamente seria constatado que eles são homens, com idade entre 25 a 50 anos, geralmente escritores (ou aspirantes a), professores ou homens de negócios; são também, em sua maioria, solteiros e quase sempre estão atravessando uma crise existencial. Isso se analisarmos somente obras de autores do sexo masculino. Entre as escritoras, o caso é um pouco mais simples: as personagens são mulheres em alguma crise de idade (dos 20, 30, 40 ou 50), (mal) casadas ou à procura de um relacionamento estável (geralmente estão envolvidas com algum homem muito instável); no quesito profissão, ou elas são profissionais bem-sucedidas ou são donas de casa amarguradas.

Não obstante os pseudoescritores, herdeiros de Charles Bukowski, John Fante, Allen Ginsberg e companhia (estes, sim, escritores de verdade, não seus imitadores) e pseudoescritoras netas de Clarice Lispector, Florbela Espanca e Virginia Woolf (estas, sim, escritoras de verdade, não suas imitadoras), sem dúvida existem livros de qualidade contendo personagens tão comuns. Mas só aparentemente comuns.

Alguns escritores e escritoras conseguem tirar das influências mais batidas (Rosa, Lispector, Cortázar, Borges, Kafka) algo novo, original. Conseguem fazer de uma história aparentemente simples uma bela e tocante obra ― por vezes perturbadora ―, como fazem, por exemplo, Menalton Braff, Mayrant Gallo, Ronaldo Correia de Brito, Ruy Espinheira Filho e outros tantos. Mas isso porque esses autores não beberam apenas em fontes "batidas". A qualidade de todos vem também das suas vivências pessoais e da convivência (real ou apenas "literal", no sentido de que apenas através dos livros) com autores menos explorados pela maioria dos contemporâneos, ou seja, os clássicos, dos quais geralmente os "novos" escrevinhadores tomam distância ― talvez por preguiça de lê-los.

É por isso que casos curiosos como o de Alberto Mussa, que está alheio a tudo isso, devem ser alardeados.

Seu mais novo livro, Meu destino é ser onça (Record, 2009, 272 págs.), é tão original quanto os anteriores (Elegbara, O Enigma de Qaf, O movimento pendular e O trono da rainha Jinga) ― se não mais. No limiar entre o ensaio e a ficção, Meu destino é ser onça valeria a pena somente pelo Mito Tupinambá que é recriado por Mussa, digno de ser relido diversas vezes, tamanha sua fluidez (é quase hipnótico) e sua aura de mistério. Mas, além disso, o autor reproduziu trechos dos escritos de historiadores que documentaram suas passagens pelo Brasil na época do "Descobrimento", como André Thevet, Padre Manuel da Nóbrega, Gabriel Soares de Sousa e outros, sobre os índios. Esses trechos são um capítulo à parte, por serem relatos feitos no calor ― em ambos os sentidos ― e na urgência da hora. O conjunto da obra culmina num fundamental documento sobre a História do Brasil, imprescindível para estudiosos e também para os leigos. A todos os brasileiros, Mussa deixa um recado: "Há 15 mil anos somos brasileiros; e não sabemos nada do Brasil". Na entrevista abaixo, concedida por e-mail, o autor fala sobre sua carreira e, claro, sobre seu mais novo livro.

Uma obra singular como a sua não deve ter encontrado editores ávidos para publicá-la. Como foi o início da sua carreira, as primeiras tentativas de publicação? Você precisou bancar seus primeiros livros ou encontrou editores dispostos a apostar neles? E agora, que você é publicado pela maior casa editorial do país (Record)? A cobrança é maior ou a liberdade é maior (porque você está mais tranquilo, já que "tem uma editora")?

Minha história deve ser parecida com a de muita gente. Meu primeiro livro, Elegbara, foi edição paga. Depois, ganhei uma bolsa da Biblioteca Nacional para escrever O trono da rainha Jinga. E o livro foi aceito pela Nova Fronteira, que na época andou publicando autores que ganharam esse prêmio. Mas o livro não "aconteceu", teve só uma resenha, na época do lançamento, e a editora não estava animada a publicar o terceiro livro, O Enigma de Qaf. Foi aí que a Ana Maria Santeiro, que até hoje é a minha agente, me apresentou à Luciana Villas-Boas, e em menos de um mês eu tinha o contrato nas mãos. Foi meu primeiro sucesso (é claro, dentro das minhas circunstâncias) literário. Ganhei prêmios, tive matéria em vários jornais e revistas. Depois disso, as coisas ficaram mais fáceis. Minha relação com a Luciana, e com toda a equipe da editora, é a melhor possível. Sou amigo de todos. Hoje, todos os meus livros são publicados pela Record, que inclusive reeditou os dois primeiros. Sinto que ali é a minha casa, estou plenamente realizado.

A História do Brasil não está muito presente nos livros de autores brasileiros, você concorda? Exceto os anos de chumbo (a Ditadura), poucas são as épocas históricas que servem de "pano de fundo" para romances e contos brasileiros. Por que isso acontece? Você tem alguma teoria a respeito?

Não sei se chega a ser uma teoria, mas acho que nós vivemos um momento em que a cultura do imediato é quase uma obsessão. São transmissões em tempo real, é a virtualidade, o celular, o GPS, o MSN, a ideia do agora, do instantâneo, do contemporâneo. Um mundo assim não dá espaço para a reflexão, as pessoas ficam grudadas no computador obcecadas pelo seu próprio tempo, assistindo em tempo real as coisas que acontecem. Há um sentimento geral de que vivemos um período de revolução histórica, a revolução informática (similar em termos de impacto à revolução industrial ou à revolução neolítica). E estão deslumbrados consigo mesmos. Eu acho esse excesso de autorreferência uma coisa muito perigosa.

Fale um pouco sobre seu novo livro, Meu destino é ser onça. Como (e quando) surgiu a ideia de escrevê-lo? Quanto tempo levou para concluí-lo? Você diria que é seu livro mais ambicioso (até agora)? Foi o mais difícil de escrever (por causa das pesquisas que precisou fazer)?

Meu destino é ser onça é uma tentativa literária de reconstituir uma possível narrativa mítica tupinambá, que nunca deve ter existido. Nisso reside a literariedade do livro, é o mito do mito, o mito que poderia ter sido. Mas não consigo classificá-lo como um livro de estrita ficção, porque eu respeitei as fontes ao máximo.

Pensei em escrever logo depois que entreguei o O movimento pendular para a Record, no início de 2006, ou seja, levei cerca de dois anos e meio para escrever Meu destino é ser onça. Só consegui fazer nesse tempo tão curto porque tinha já muitas coisas anotadas, de leituras passadas, sobre o assunto, desde 1990, quando pensei em fazer um doutorado em línguas tupi-guarani.

Mas meu livro mais ambicioso, pretensioso mesmo, continua sendo, para mim, O movimento pendular. Nesse eu acho que fiz e disse as coisas mais importantes, mais originais. E foi esse também o mais difícil. Meu destino é ser onça foi mais cansativo, mas não o mais difícil, porque menos pretensioso.

Meu destino é ser onça está catalogado como "Ensaio brasileiro". Mas, como você deixa claro no início dele, você quis também fazer literatura, e não ficar preso ao Ensaio. Então, o que é Ensaio e o que é Ficção? O Mito é a Ficção e os capítulos sobre as fontes seriam o Ensaio (ou, se você preferir, "Não-Ficção")?

O problema da catalogação e das catalogações em geral é não prever as formas híbridas. Acabamos decidindo por classificar o livro como ensaio porque ficava mais estranho dizer que era romance, por exemplo. Mas só por isso. O que existe de ficcional no livro, de literário, é o propósito: a vontade de restaurar uma coisa que nunca existiu. Isso é a ficção. O resto é um trabalho, digamos, racional, que parte de um pressuposto absurdo.

Nota do autor
Mais perguntas a Alberto Mussa e mais sobre Meu destino é ser onça na matéria "Somos todos índios", publicada na revista Brasileiros.

Para ir além






Rafael Rodrigues
Feira de Santana, 21/4/2009


Mais Rafael Rodrigues
Mais Acessadas de Rafael Rodrigues em 2009
01. Meus melhores livros de 2008 - 6/1/2009
02. Sociedade dos Poetas Mortos - 10/11/2009
03. Indignação, de Philip Roth - 27/10/2009
04. A resistência, de Ernesto Sabato - 15/9/2009
05. No line on the horizon, do U2 - 24/2/2009


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




At the Zoo
Theodore Clymer
Ginn



A Psicologia Será uma Ciência?
Alain Lieury
Instituto Piaget
(2002)



Os 11 Maiores Volantes do Futebol Brasileiro - Autografado
Sidney Garambone
Contexto
(2010)



Coleção Educação Infantil Educativa
Vários
Minuano Cultural
(2020)



Curso De Direito Do Trabalho
Gustavo Filipe Barbosa Garcia
Método
(2007)



Relações de Troca Ou Relações de Poder? Supervisão Em Fonoaudiologia
Ivone Carmen Dias Gomes
Summus Editorial
(1991)



Democracia, Direito e Política...
Paulo Antonio de Menezes Albuquerque
Conceito Editorial
(2006)



Em Busca de Chico Xavier
Claudinei Lopes
Intelitera
(2014)



O Primo Basílio
Eça de Queirós
Novo Século
(2002)



Os Delírios de Consumo de Bechy Bloom
Sophie Kinsella
Record
(2011)





busca | avançada
59122 visitas/dia
1,8 milhão/mês