Dez Coisas | Guilherme Pontes Coelho | Digestivo Cultural

busca | avançada
44847 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS >>> Especial Quem vale a pena seguir

Quarta-feira, 27/5/2009
Dez Coisas
Guilherme Pontes Coelho

+ de 2900 Acessos
+ 1 Comentário(s)

São dez coisas para seguir, gostar ou apreciar, entre pessoas, ideias e atividades. Seriam muito mais, claro. Mas a escolha delas foi baseada nos tempos frenéticos de internet. Tempos nos quais tudo é muito explícito, e muito do que a gente vê é mediano; nos quais virtualmente tudo é confuso; e a gente precisa de sinalizações para seguir em segurança. Estas escolhas, todas elas, de alguma maneira lidam com nosso Zeitgeist, seja pelo confronto, seja pela conexão. E elas vão aqui aleatoriamente, na sequência que o inconsciente ditou, enquanto eu as rabiscava no papel.

Cartola
Angenor de Oliveira. O tipo de gênio que não existe mais na nossa música. O que é mais impressionante em Cartola é que tudo é de uma simplicidade constrangedora.

A canção "Autonomia", por exemplo, tem 2min48 e já é o suficiente para abalar qualquer um. Simples, curta, sincera. Tudo o que ele canta, mesmo que não seja dele, como a fantástica "Preciso me encontrar", é cantado de um jeito que cada pessoa que o ouça é capaz de acreditar que ele está lhe contando uma história, só pra você, sobre o que viveu ― e o narra com aquela sinceridade de quem sabe do que está falando. Ele viveu o suficiente pra ter certeza do que diz, e não impõe nada a você, não quer o obrigar ao aprendizado, porque sabe que cada um faz seu próprio caminho.

A música dele tem muito espírito. Não só a dele, eu sei. Nelson Cavaquinho também é genial e Clementina de Jesus é apaixonante. Mas há uma assertividade gentil em Cartola que hipnotiza. Até na conquista Cartola é discreto, silencioso e simples. A verdade do amor não precisa de muito teatro. A canção "Nós dois" vale mais que todos os tratados já escritos sobre o amor.

Obs.: Recomendo o ensaio de Nuno Ramos na revista serrote n.º 1. Ótimos paralelos entre Nelson Cavaquinho e Cartola. Texto muito bem escrito.

Bach
É o maior clichê do universo falar de Bach. Dizer que ele é genial, que a música dele é divina, que isso, que aquilo. Eu sempre sinto vergonha alheia quando alguém fala de música clássica citando Bach, Mozart e Beethoven (no caso deste, geralmente confundindo a Nona com a Quinta), porque todos nós nos achamos experts na coisa etc. e tal. Mesmo assim, mesmo com esse discurso arrogante e a vergonha alheia, eu tenho de reconhecer que basta ouvir, por exemplo, o Concerto para Violino e Oboé para se sentir autoridade em Bach, e em música clássica. Quando a gente ouve, passa a fazer parte do nosso universo musical instantaneamente. É belo.

O mais espantoso em Bach é ele ter feito uma obra tão monumental sem ter em mente ser cultuado, como virou prática depois e hoje é praticamente regra, mesmo que a obra não valha nada. Nós somos todos Pedros Cassavas. Queremos ser cineastas geniais, escritores geniais, pintores geniais... mas não queremos escrever, nem filmar, nem pintar nada genial. Queremos definir a obra pelo ego, não o inverso. Mas se a obra é genial, acredite, você não se preocuparia com o ego. Como Bach, por exemplo. Pode ser desleal usar este argumento citando Bach, eu sei. Citar Cartola seria tão desleal quanto. Enfim, ouça Bach.

Obs.: Se quiser conhecer Bach não só ouvindo, recomendo 1) a biografia dele escrita pelo Philipp Spitta. Não existe versão em português, que eu saiba. Indico a tradução em inglês da Dover, em três volumes; e 2) 48 variações sobre Bach, de Franz Rueb. É uma abordagem mais concisa e até corrige algumas coisas que o Spitta escreveu. Sobre a vida religiosa de Bach, por exemplo.

Salmão
Coma salmão. Muito e sempre.

Futebol feminino
Uma vez disse que "futebol é esporte de mulher" e me tomaram por preconceituoso. Mas não é isso. Levando em conta o lugar-comum de que fazem parte do arquétipo da mulher a intuição, a dissimulação, a atração e a flexibilidade (o "jeitinho"), como não enxergar tudo isso no futebol?

Futebol é muito mais a cara de quem mora abaixo da linha do Equador, porque é pura dança. Aquelas coisas que o Denílson fazia quando estava no auge era passos de dança, não esporte. Era fenomenal, claro. Porém, sempre associo ao futebol a dança, de maneira que é impossível separar um do outro. E, por isso, sempre achei o futebol um esporte muito mais feminino que masculino.

Os jogos da seleção do Dunga não me interessam muito, e aposto que nem a você. Aqueles caras não jogam com a paixão da Era Romântica do futebol, quando ainda não havíamos ganhado Copas do Mundo, nem jogam com o profissionalismo que qualquer trabalho exige. Mas os jogos da seleção feminina de futebol são outra história. Aquelas garotas honram o esporte. Por causa das mulheres é que o futebol brasileiro é arte. Ver Cris e Marta jogando é um sonho.

Obs.: É uma vergonha a maioria delas ganhar tão pouco financeiramente.

Rugby
Uma das coisas mais certas que Oscar Wilde já escreveu: "O rugby é um jogo para bárbaros jogado por cavalheiros. Futebol é um jogo para cavalheiros jogado por bárbaros". O melhor esporte coletivo que existe. Ainda somos perebas nele. Mas é só questão de tempo a gente conseguir se classificar para Copa do Mundo de Rugby, talvez muito tempo... O último jogo da nossa seleção, pelas eliminatórias da Copa, foi um vexame. Okay. Somos inexperientes nisso. Apenas. Não foi preguiça ou desdém (como vemos nos boleiros canarinhos). Quem joga rugby no Brasil joga porque gosta, e muito.

Ao contrário do que leigos e neófitos imaginam ao ver uma partida de rugby, não é um esporte violento. É muito cavalheiresco, por sinal. A autoridade do árbitro é respeitada, porque só os capitães dos times podem se dirigir a ele, e nenhum jogador é advertido na ausência do seu capitão. Quando me perguntam "Como é esse jogo?" e eu começo explicando que a bola só pode ser passada pra trás, eu sou capaz de ver o nó mental na cabeça da pessoa. "Mas como assim?". É isso. Cada metro deve ser conquistado beligerantemente ― e isso não é feito sozinho.

A tensão entre brilho individual e eficiência coletiva é muito equilibrada nesse esporte. Johnny Wilkinson fez muito pela Inglaterra na Copa de 2003, aquele drop goal nos últimos instantes de jogo foi lindo, mas ninguém diz que ele ganhou a Copa sozinho.

É um esporte em que nada é de graça, todo mundo depende de todo mundo e, embora haja espaço para o improviso, demanda estratégias quase enxadrísticas. Pratique rugby.

Obs.: A bola só pode ser passada para frente por chutes; os passes com as mãos são para trás ou, no máximo, lateralmente, de acordo com a posição de quem passa a bola.

Revista piauí
Uma revista mensal de textos caudalosos e bem escritos é tudo o que nosso jornalismo cultural precisava. Ela não é mais novidade, mas minha geração esperou tanto por isso que me sinto obrigado a, sempre que posso, manifestar, digamos, contentamento.

Michal Mann
É impressionante como Michael Mann mantém a qualidade nos filmes que faz. De todos eles, o único aquém do esperado pode ter sido O Último dos Moicanos. Acho que por ter sido o único filme não urbano de sua filmografia. Em 1995 começa uma sequência invejável: Fogo contra fogo, O Informante, Ali, Collateral, Miami Vice. Em Fogo... , o equilíbrio entre os dois núcleos narrativos, um centrado em Vincent Hannah (Al Pacino), outro, em Neil McCauley (Robert DeNiro), é tão bom que, de lá pra cá, acho que coisa semelhante só foi alcançada recentemente, com O Gângster de Ridley Scott.

Mann não faz tantos filmes quanto Martin Scorsese, por exemplo. O que é bom, assim não produz nada descartável.

Ele tem uma preocupação com o espaço (território) quase existencial. Em Mann, os personagens se veem numa situação limite que precisam resolver ou da qual devem se livrar o mais rápido possível. Raramente conhecemos a biografia deles, só os vemos agindo com um fim específico em mente, geralmente ditado pela profissão que exercem. A profissão, que é a maneira como o indivíduo adquire identidade e se afirma na sociedade, é sempre um tema relevante em Mann. O lugar ao qual os personagens pertencem e a maneira como, pela conduta profissional, eles interagem com esse espaço: esse é todo o conflito de Miami Vice, seu filme esteticamente mais virtuoso, até agora.

Obs.: Veja isto.

Michel Leiris
Na lista dos livros que mais nos influenciaram, alguns são bem previsíveis, outros insólitos, e outros inexplicáveis. Sempre terei um lugar guardado para o romance Trevayne, de Robert Ludlum, à época em que li assinado por Jonathan Ryder, um dos seus pen-names. Foi o único livro do Ludlum que li, mas foi meu primeiro romance. Não tem como esquecer. Inesquecível também é Até o fim do mundo, de David Yallop, o primeiro livro comprado com meu próprio dinheirinho. Memórias Póstumas de Brás Cubas foi uma grande revolução. Na época eu senti que havia evoluído intelectualmente, embora, aos 15 anos, o único capítulo do livro que grude na memória seja o VII, "O Delírio". E só.

Aquela sensação de estremecimento, o choque que a leitura causa só veio me acontecer muito tempo depois, aos 22 anos, com Espelho da tauromaquia, de Michel Leiris. Até então ler era um vício sem muito brilho. Mas esse livro foi o primeiro que li em que paixão, raciocínio, entrega, sensualidade, poesia, força e método andavam juntos. O hibridismo intelectual de Leiris foi uma das melhores coisas que conheci. Sobre o quesito forma, é possível ver um certo hibridismo, talvez, n'A escultura de si, do Michel Onfray... mas não, Leiris é incomparável.

A idade viril, também do Leiris, é um esboço autobiográfico poderosíssimo. É intelectualmente rico e honesto, emocionalmente maduro, literariamente sublime. Comece por ele.

Duelo Freud-Jung
Nem Jung, nem Freud, mas a tensão entre um e outro é altamente recomendável para quem quer ficar por dentro de visões de mundo relevantes, mas não quer se comprometer. Quando você tiver tempo, aconselho a diversão nerd de pegar os Fundamentos de Psicologia Analítica, de Jung, e Esboço de Psicanálise, de Freud, e ler capítulos alternados de um e outro. É um jogo interessante. Não é preciso dizer que essa brincadeira só vale com estes dois livros, os introdutórios.

Discípulos de um e outro continuaram a obra de seus mestres e por vezes a contestaram. Embora Melanie Klein e, mais que ela, Wilhelm Reich tenham feito contribuições próprias à psicanálise, ambos fazem parte da mesma família Freud. O mesmo podemos dizer de James Hillman e, numa ótica academicamente mais flexível, Joseph Campbell em relação à família Jung.

Para usar um termo adorado em bancas de doutorado, ambas Weltanschauungen continuam vivas por aí. Apreciar curiosa e ceticamente a ambas é um divertimento erudito que lhe recomendo.

Obs.: Já levei a sério ambas as visões, alternadamente. Hoje, troquei a dúvida pela ironia e pelo prazer de tentar entender uma e outra. Para uma visão menos idólatra de Jung, recomendo um dos livros mais bem escritos que conheço, O Culto de Jung, de Richard Noll.

Samuel Rawet
Só havia três contistas na minha biblioteca: Jorge Luis Borges, Machado de Assis e Guimarães Rosa. Era meio chato ler contos até conhecer Rawet. Ele mudou tudo.

Já ouvi muitas queixas contra o mercado editorial brasileiro, mas graças à maneira como ele é hoje, competitivo, é que podemos conhecer a obra de Samuel Rawet, um errante judeu antissemita, nascido na Polônia, engenheiro calculista na construção de Brasília e, no final da vida, solitário, publisher de seus próprios livros artesanais, caçador de judeus (Rawet, já mentalmente comprometido, andava pela capital federal carregando uma gaiola fedida, e quando lhe perguntavam pra que ela servia, respondia: "Pra prender judeu!"). A Civilização Brasileira, aos cuidados de André Seffrin, publicou dois volumes seus, um de contos e novelas, outro de ensaios que são, como dizem, must-have books.

Um judeu errante, estranho a si mesmo, literariamente destemido, como provam seus contos. Um escritor espetacular.

Obs.: Nós, leitores, não fomos só beneficiados com Rawet, mas com Dyonélio Machado, Lucio Cardoso, Pedro Nava e outros recentemente republicados. Mal vejo a hora em que alguma editora criará vergonha na cara e republicará Otávio de Faria, completo.


Guilherme Pontes Coelho
Brasília, 27/5/2009


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Lola de Elisa Andrade Buzzo
02. Abdominal terceirizado - a fronteira de Marta Barcellos
03. A sedução da narrativa de Marta Barcellos
04. Dicas para a criação de personagens na ficção de Marcelo Spalding
05. Guimarães Rosa: um baiano de sangue de Ivan Bilheiro


Mais Guilherme Pontes Coelho
Mais Acessadas de Guilherme Pontes Coelho em 2009
01. A morte de Michael Jackson, um depoimento - 5/8/2009
02. Exógeno & Endógeno - 4/11/2009
03. Entre a simulação e a brincadeira - 11/3/2009
04. Meu assassino - 10/6/2009
05. Sobre escrever a História - 17/6/2009


Mais Especial Quem vale a pena seguir
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
2/6/2009
18h13min
Bom mesmo é lembrar Cartola, e sua "As rosas não falam". Recordo-me que, na minha juventude, um cidadão foi até a escola em que eu estudava e disse que o que mais encantou-o no exterior foi ouvir as músicas deste mestre sendo executadas por orquestras no mundo, inclusive na Itália. E que era uma pena que, enquanto a música de Cartola encantava gringos, aqui o artista não passava de lavador de carro, sorveteiro, servente de pedreiro, além de um homem sensível e que sabia fazer boa música, como, aliás, conhecemos.
[Leia outros Comentários de Manoel Messias Perei]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




SOCIOLOGIA DA ARTE
GILBERTO VELHO, ERNEST FISHER, JEAN DUVIGNAUD, ARNOLD HAUSER, GYORGY LUKACS, LUCIEN GOLDMANN, ALAIN ROBBE-GRILLET
ZAHAR
(2019)
R$ 10,00



EMPRESAS MULTINACIONAIS: A INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL
STEPHEN HYMER
GRAAL
(1983)
R$ 18,00



A PRINCESA A ESPERA
MEG CABOT
RECORD
(2003)
R$ 8,00



GALILEU GALILEI EM 90 MINUTOS
JOHN E MARY GRIBBIN
INQUÉRITO
(1997)
R$ 21,70



A "BOÇOROCA"
MACHADO FLORENCE (AUTOGRAFADO)
EDART
(1966)
R$ 10,00



O MAIOR MILAGRE DO MUNDO
OG MANDINO
RECORD
(1979)
R$ 5,50



10 DIAS QUE ABALARAM O MUNDO
JOHN REED
GLOBAL
R$ 10,00



ALTER EGO NIVEAU 2 A2 - LIVRE ELEVE +CD!
COLLECTIF
HACHETTE FRANCE
(2006)
R$ 25,00



OSCARITO O RISO E O SISO
FLÁVIO MARINHO
RECORD
(2007)
R$ 39,00
+ frete grátis



VIVEMOS LIVRES NUMA PRISÃO
DANIEL SAMPAIO
EDITORIAL CAMINHO
(1998)
R$ 15,95





busca | avançada
44847 visitas/dia
1,1 milhão/mês