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COLUNAS

Segunda-feira, 15/2/2010
Iniciantes, de Raymond Carver
Alysson Oliveira

+ de 8000 Acessos

"Eu gosto quando há algum sentimento ou sensação de ameaça num conto. Acredito que é bom ter um pouco de ameaça. Por exemplo, é bom para o fluxo. Deve haver tensão, um sentimento de que algo iminente, de que algumas coisas estão incansavelmente em movimento, ou então, o que é mais comum, simplesmente não é uma história", escreveu o norte-americano Raymond Carver num ensaio publicado no New York Times Book Review, em 1981.

As ideias expressas nesse texto vão exatamente ao encontro da obra composta apenas de contos, publicada em uma carreira precocemente encerrada com sua morte aos 50 anos, em 1988. Em torno de duas décadas, Carver se tornou um mestre do conto norte-americano. Suas narrativas, personagens e paisagens se confundem com a cultura norte-americana herdeira da geração de 1968. Suas influências vão desde o escritor russo Anton Tchekhov ― tanto na forma como no conteúdo, abordando a vida das pessoas comuns ― passando pelos poetas Wordsworth e Colleridge ― que pregavam o uso da linguagem cotidiana ― até o pintor Edward Hopper e seus retratos pictóricos da desolação.

Carver não experimentou a fama, que veio apenas após sua morte. Em vida, ficou conhecido como o escritor de textos curtos, histórias simples, protagonizadas por pessoas à margem da sociedade, enfrentando problemas como alcoolismo, falta de trabalho e de perspectivas ― tudo embalado pela melancolia. O rótulo de minimalista, no entanto, ele abominava.

A publicação de Iniciantes (Companhia das Letras, 2009, 304 págs.) ― que já chegou ao Brasil, Inglaterra, entre outros, mas ainda inédito nos EUA, por questões legais ― joga uma luz diferente sobre a obra de Carver. O livro é resultado do esforço de sua viúva, a poeta Tess Gallagher, e do casal de acadêmicos William L. Stull e Maureen P. Carroll, que há anos estudam os originais de um dos livros mais famosos do contista, What we talk about when we talk about love, publicado em 1981, depois de uma revisão de seu editor, o renomado Gordon Lish.

O que vem à tona nas novas ― na verdade velhas ― versões dos contos é um trabalho assustador. Alguns dos textos sofreram perda de mais de 75% nas mãos do editor, como "Cadê todo mundo?" e "Uma coisinha muito boa". Na essência, todas as versões parecem manter a marca de Carver, mas a questão é: até que ponto essa tal marca seria realmente dele?

O conto que intitula as duas coletâneas ― o título What we talk about when we talk about love foi mudança de Lish ― pode ser visto com outras alterações no site da revista norte-americana New Yorker. São as mais variadas mudanças, desde léxicas até no desfecho das narrativas, e no nome dos personagens. A posição de Carver também é controversa. Em cartas examinadas pelos pesquisadores, com alguns trechos também disponíveis no site da revista, o escritor aprovava com entusiasmo as mudanças do editor para, mais tarde, pedir a suspensão da publicação do livro. Conforme ele explica, o motivo é que muitas pessoas ― inclusive escritores renomados e amigos seus, como Tobias Wolff, Richard Ford e sua mulher ― viram os originais e sabem que aqueles contos não foram escritos daquela forma. E isso parecia o envergonhar.

Lish ignorou o pedido e transformou Carver numa celebridade literária. Depois vieram outras coletâneas ― Cathedral é a mais famosa delas ― e um livro de contos selecionados pelo próprio autor e seu editor na época, Gary Fisketjon, no mesmo ano da morte do escritor. Essa seleção inédita no Brasil, chamada Where i'm calling from, traz alguns textos na versão editada por Lish ― ou seja, com a benção de Carver.

Apenas o início
Iniciantes é uma obra singular na literatura de Carver. Nela, enfim, encontramos o verdadeiro escritor, com suas qualidades e defeitos ― pois as de What we talk about when we talk about love são compartilhadas com Lish. É prazeroso e frustrante, ao mesmo tempo. Em "Uma coisinha muito boa", um dos contos mais celebrados do autor, há originalmente um flashback de quatro páginas no meio da história que quebra, desnecessariamente, o fluxo da narrativa. A versão do livro de 1981, porém, é 78% mais curta do que a planejada pelo autor ― que acabou publicada em uma revista em 1982, e um ano mais tarde na coletânea Catedral. Essa nova/velha versão, no entanto, não trazia o flashback.

Em Iniciantes há o mesmo Carver que busca exatamente "a tensão, um sentimento de que algo iminente, de que algumas coisas estão incansavelmente em movimento". Seus contos são habitados por personagens no limite de seus momentos. Um jovem casal encontra móveis e objetos espalhados por um jardim. Acreditam ser uma venda, testam algumas coisas ― como a cama ― e, por fim, depois de passarem um tempo com o dono da casa, compram algumas coisas. Mas nunca fica claro se ele realmente estava vendendo tudo aquilo, ou se, simplesmente, depois de ter sido abandonado pela esposa e filhos colocou, literalmente, a casa ao avesso, vivendo do lado de fora.

O final original de "Uma coisinha muito boa", tão redentor quanto doloroso e poético, acabou ficando de fora da primeira versão do conto, que é muitas páginas mais curto. É preciso muita coragem para chegar aonde ele chega com esse texto, sem cair na pieguice ou no grotesco.

Se a mão de Lish pesou nesse caso, em outros trouxe a leveza e a contenção que transformou Carver praticamente numa marca literária. A publicação de Iniciantes é, para o bem e para o mal, um evento literário. Carver sempre falou das pequenas coisas, da vida simples. Seu estilo não era tão minimalista quanto se passou a acreditar. Mas as pessoas de vida instável e ameaçada sempre estiveram lá ― tal qual seu criador gostava.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na Revista Paradoxo. Alysson Oliveira mantém o blog Letras e fotogramas.

Para ir além






Alysson Oliveira
São Paulo, 15/2/2010


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