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Quarta-feira, 14/7/2010
O último exagerado
Luiz Rebinski Junior

+ de 3100 Acessos

Não sou tão velho para ter acompanhado o trabalho jornalístico de Ezequiel Neves nos primórdios da crítica de música pop no Brasil, quando ele destilava seu texto ácido e debochado por revistas (Pop e Som Três) e jornais (Jornal da Tarde) do país. Mas sou suficientemente informado para saber que o cara foi o nosso Lester Bangs, o crítico americano da Rolling Stone que enfiou o pé na jaca com Lou Reed. Neves foi uma espécie de Hunter Thompson, um jornalista que não apenas entrevistava a malucada do rock, mas que também participava da festa, experimentando os sabores e dissabores que a vida regada a excessos proporciona.

Afinal, quem hoje teria a coragem de assinar uma resenha musical com um pseudônimo que homenageie uma droga do momento, tipo ecstasy? Bem, em um período de sua carreira, Ezequiel assinava seus textos como Angela Dust, que era o nome de uma poderosa droga sintética dos anos 1970 (angel dust, pó de anjo). Nada indiferente aos seus ídolos e pouco preocupado com a "imparcialidade jornalística", ainda assinou textos como Zeca Jagger e Zeca Zimmerman, em homenagem ao vocalista dos Stones e ao gênio Bob Dylan. Tá certo que a turminha que veio depois dele, bem menos culta, que se entrincheirou na Bizz dos anos 1990, nunca o tomou como mestre. Mas devia.

O envolvimento carnal com o rock o levou, impreterivelmente, para o centro da coisa. Em 1975 Ezequiel estreava como produtor musical da banda paulistana Made in Brazil. Zeca produziu um dos clássicos da banda, chamado Paulicéia Desvairada, uma ode à poesia de Mário de Andrade regada a guitarras sujas.

Mas foi no encarte de um disco posterior da banda, gravado ao vivo no teatro Lira Paulistana, em 1984, que pela primeira vez tive contato com o poderoso texto do jornalista Ezequiel Neves. Mais do que bem escrito, o texto provocador de Ezequiel instigava o leitor a não se contentar com sua condição passiva diante de um texto, ou, no caso, de um disco ― o do Made. Assim, ele avisava:

"O MADE IN BRAZIL não é só a mais perseverante banda de rock do país. Supera isso de forma enlouquecedouramente transcendental. O MADE instala a festa, a transgressão da libido, do nada ou tudo... Pelo amor de todos os deuses, não vamos tentar a sentença de sermos eternos ou imortais. Vamos ser, simplesmente, vapt-vupt. Que tal uma Polaroid? Muito mais imediatista, por que não? E assim é esse CD ao vivo (ou seria em carne viva?) do MADE."

Tentar a sentença de ser eterno ou imortal foi o que Ezequiel Neves não fez, apesar de ter ido mais longe do que muitos esperavam. Viveu plenamente enquanto pôde, levando a sério o modo de vida de sua geração. Inquieto, se aventurou na literatura, escreveu roteiro para televisão e cinema e foi ator ao lado de Cacilda Becker. Com o papa da cultura underground dos anos 1970, Luiz Carlos Maciel, fez a edição pirata da Rolling Stone brasileira, sem o aval da matriz norte-americana. Como Cameron Crowe, o jornalista que ainda adolescente meteu o pé na estrada com o Led Zeppelin, Ezequiel era mais do que um observador atento e um narrador competente. O cara era a inquietação em pessoa e saiu do jornalismo sem aviso prévio. Acho que Ezequiel Neves é daqueles artistas que estão em outro nível de consciência, como Arnaldo Baptista. Isso não quer dizer que sejam seres "mais evoluídos" ou que estejam "à frente de seu tempo", como diz o clichê que costuma ser colado em artistas de vanguarda, mas certamente funcionam em uma rotação diferente daquelas, digamos, pessoas mais ortodoxas.

Produtor da gravadora Som Livre, em 1982 teve a sorte de ouvir, em primeira mão, a fita demo (que ele dizia ser demoníaca) do Barão Vermelho. Mais sorte do que competência, diga-se de passagem, porque dificilmente alguém com o mínimo de conhecimento musical descartaria aquela fita, que continha músicas de alto calibre, como "Down em mim", um blues deprimente e de letra inteligente, "Ponto fraco" (até hoje uma das melhores músicas da banda) e "Todo amor que houver nessa vida", um poema, lindíssimo, sobre o amor. Essas músicas estariam, mais tarde, no primeiro e homônimo disco da banda. Um bom disco que, mesmo com ótimas canções, não emplacou. A banda iria mesmo estourar depois que Ney Matogrosso gravou "Pro dia nascer feliz", hit do segundo disco do Barão. Ney, aliás, foi uma espécie de padrinho da banda e, mais tarde, gravou "Poema", uma das letras mais bonitas saídas da parceria Cazuza/Frejat.

Funcionário do pai de Cazuza na gravadora, Ezequiel foi acusado de ser puxa-saco por ter apostado no filho do patrão. Sensível, o jornalista sabia que dali saía caldo e logo colou em Cazuza, Frejat e companhia. Porque além de produzir os primeiros discos da banda, engatou uma parceira com Cazuza que originou clássicos do nosso cancioneiro, como "Codinome beija-flor". Depois disso Ezequiel se tornou um George Martin que não abandonou a banda depois do sucesso e da dissolução do grupo. Pelo contrário, dividiu-se entre o Barão e Cazuza, que saiu em carreira-solo.

Mas é em "Exagerado" e "Por que a gente é assim?", seus dois maiores clássicos, que o espírito irrequieto e provocador de Ezequiel se revela. Afinal, só um homem que ousou subverter a máxima do "mil anos a dez ou dez anos a mil" poderia escrever esse tipo de canção. Ezequiel viveu sempre a mil ao longo de seus 74 anos, sem concessões. Morreu no dia sete de julho, exatamente como fez o amigo Cazuza, há 20 anos.

Nota do Editor
Leia também "A Rolling Stone brasileira" e "A primeira Rolling Stone".


Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 14/7/2010


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