Você viveria sua vida de novo? | Ana Elisa Ribeiro | Digestivo Cultural

busca | avançada
33461 visitas/dia
922 mil/mês
Mais Recentes
>>> Comédia dirigida por Darson Ribeiro, Homens no Divã faz curta temporada no Teatro Alfredo Mesquita
>>> Companhia de Danças de Diadema leva projeto de dança a crianças de escolas públicas da cidade
>>> Cia. de Teatro Heliópolis encerra temporada da montagem (IN)JUSTIÇA no dia 19 de maio
>>> Um passeio imersivo pelos sebos, livrarias e cafés históricos do Rio de Janeiro
>>> Gaitista Jefferson Gonçalves se apresenta em quinteto de blues no Sesc Belenzinho
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Numa casa na rua das Frigideiras
>>> Como medir a pretensão de um livro
>>> Nenhum Mistério, poemas de Paulo Henriques Britto
>>> Nos braços de Tião e de Helena
>>> Era uma casa nada engraçada
>>> K 466
>>> 2 leituras despretensiosas de 2 livros possíveis
>>> Minimundos, exposição de Ronald Polito
>>> Famílias terríveis - um texto talvez indigesto
>>> O Carnaval que passava embaixo da minha janela
Colunistas
Últimos Posts
>>> Dicionário de Imprecisões
>>> Weezer & Tears for Fears
>>> Gryphus Editora
>>> Por que ler poesia?
>>> O Livro e o Mercado Editorial
>>> Mon coeur s'ouvre à ta voix
>>> Palestra e lançamento em BH
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
Últimos Posts
>>> Virtuosismo
>>> Evanescência
>>> Um Certo Olhar de Cinema
>>> PROCURA-SE
>>> Terras da minha terra
>>> A bola da vez
>>> Osmose vital
>>> Direções da véspera V
>>> Sem palavras
>>> Kleber Mendonça volta a Cannes com 'Bacurau'
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Banana Republic
>>> Em terra de cego, quem tem olho é Pelé
>>> O MP3 aconselha
>>> Cultura pop
>>> Monteiro Lobato: fragmentos, opiniões e miscelânea
>>> Super-heróis ou vilões?
>>> Borges: uma vida, por Edwin Williamson
>>> Garanto que você não vai gostar
>>> Stan Lee - o reinventor dos super-heróis
>>> A poética anárquica de Paulo Leminski
Mais Recentes
>>> Amigos Íntimos, Rivais Perigosos de Duane Schultz, Ph.D pela Rocco (1991)
>>> Postais do Abismo - Segredos da droga em Hollywood de Carrie Fisher pela Nova Cultural (1989)
>>> O Apicultor - Um Romance de Mexence Fermine pela Objetiva (2001)
>>> O Bosque das Ilusões Perdidas de Alain-Fournier pela Círculo do Livro (1972)
>>> Thais de Anatole France pela Martin Claret (2006)
>>> A Lua de Mel de Knut Faldbakken pela Nórdica (1990)
>>> O Cerco de Krishnapur de J.G. Farrell pela Record (1973)
>>> Os Diamantes São Eternos de Ian Fleming pela Civilização Brasileira (1965)
>>> Exel 2010 - Avançado de Richard Martelli e Maria Silvia Mendonça Barros pela Senac São Paulo (2013)
>>> Brasil--pais do presente--socialismo cristao brasileiro. de Augusto ariston e jesus chediak. pela Pi (2001)
>>> Shopping centers de Mario cerveira filho pela Saraiva (1999)
>>> Divina comédia (Com Ilustrações de Sandro Boticelli) de Dante Alighieri pela Ateliê/Unicamp (2011)
>>> Dinâmica da Contra-revolução na Europa: 1870-1956 de Arno J. Mayer pela Paz e Terra (1977)
>>> Dialectic For Beginners de Carlos Cirne Lima pela Edipucrs (1997)
>>> Democracia, agência e estado: Teoria com intenção comparativa de Guillermo Alberto O. Donnell pela Paz e Terra (2010)
>>> Crime e Castigo de Fiódor Dostoievski pela 34 (2005)
>>> Conservadorismos, Fascismos e Fundamentalismos: Análises Conjunturais de Ronaldo Almeida e Rodrigo Toniol (Orgs.) pela Unicamp (2018)
>>> Condomínio do Diabo de Alba Zaluar pela Ufrj (1996)
>>> Combate nas Trevas de Jacob Gorender pela Ática (1998)
>>> Coisas da Cosa Nostra: A Máfia Siciliana Vista Por Seu Pior Inimigo de Giovanni Falcone; Marcelle Padovani pela Rocco (2012)
>>> Cidade Aberta de Teju Cole pela Cia. das Letras (2012)
>>> Carta Aberta Aos Gurus Da Economia Que Nos Julgam Imbecis de Bernard Maris pela Bertrand Brasil (2000)
>>> Abismo de Kurt Falkenburger pela Clube do Livro (1980)
>>> Anchieta: A restauração de um Santuário de Org. Carol de Abreu pela Ministério da Cultura - IPHAN (1998)
>>> Cimarron de Edna Ferber pela Abril Cultural (1983)
>>> A Chave de Rebeca de Ken Follett pela Círculo do Livro (1986)
>>> Le Grand Meaulnes de Alin-Fournier pela Livre de Poche (1983)
>>> Harry Potter e o Cálice de Fogo de J. K. Rowling pela Rocco (2000)
>>> Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban de J. K. Rowling pela Rocco (1999)
>>> O Amor Não Term Hora de Cynthia Freeman pela Record (1986)
>>> De Olho em Zumbi dos Palmares - Histórias, símbolos e memória social de Flávio dos Santos Gomes pela Claro Enigma (2011)
>>> Nei Lopes - Retratos do Brasil Negro de Oswaldo Faustino pela Selo Negro (2019)
>>> Cisne de Leonardo de Kren Essex pela Suma (2006)
>>> Diga Espelho Meu de Stanley Ellin pela Record (1972)
>>> Pecar e perdoar: Deus e o Homem na História de Leandro Karnal pela Harper Collins (2014)
>>> Dinastia de Robert S. Elegant pela Círculo do Livro (1977)
>>> The Wicca Handbook de Eileen Holland pela Samuel Weiser (2000)
>>> O Guerrilherio de Baker Street de B. Sweet-Escott pela Bloch (1965)
>>> A Filha do Milionário de Dorothy Eden pela Nova Cultural (1987)
>>> The Wicca Bible - The definitive guide to Magic and The Craft de Ann-Marie Gallagher pela Sterling Publishing - New York (2005)
>>> "Batman: Vigilantes de Gotham - N° 28: Viver e Morrer em Gotham City... de Vários pela Dc Comics: Abril (2000)
>>> Batman: Vigilantes de Gotham - N° 41: Gotham City: Contagem Regressiva para o Fim...! de Dennis Oneil: Argumento pela Dc Comics: Abril (2000)
>>> Batman: Vigilantes de Gotham - N° 26: Mulher Gato Ano Dois de Alan Grant: Argumento pela Dc Comics: Abril (1998)
>>> Batman: Vigilantes de Gotham - N° 23: Batman - Procedimento Padrão de Alan Grant: Argumento pela Dc Comics: Abril (1998)
>>> As Grandes Correntes da Mística Judaica de Gershom Scholem pela Perspectiva (1972)
>>> Batman: Vigilantes de Gotham - N° 19: Justiça Cega! de Jerry Ordway: Argumento pela Dc Comics: Abril (1998)
>>> Batman: Vigilantes de Gotham - N° 16: Azrael - Anjo Em Guerra! de Jerry Ordway: Argumento pela Dc Comics: Abril (1998)
>>> Batman: Vigilantes de Gotham - N°13: Batman Contra o Anjo Vingador de São Dumas! de Dennis Oneil: Roteiro pela Dc Comics: Abril (1997)
>>> Batman: Vigilantes de Gotham (N. 10): Retorno de Alfred: A Conspiração Inglesa de Alan Grant: Roteiro pela Dc Comics: Abril (1997)
>>> Os Quatro Elementos e os Caminhos da Energia de Karen Hamaker-Zondag pela Nova Fronteira (1989)
COLUNAS

Sexta-feira, 18/2/2011
Você viveria sua vida de novo?
Ana Elisa Ribeiro

+ de 6400 Acessos
+ 10 Comentário(s)

Saramago afirma que sim, viveria, repetidamente, ponto a ponto, sua vida de novo, da forma exata como foi. Para ser mais precisa e como dizemos aqui: "sem tirar nem pôr" ou "cuspido e escarrado" (por ora, dispenso os ensinamentos sobre a origem da expressão). E como deve ser bom ouvir isso da boca de alguém. Querido, eu faria tudo de novo. Amor, eu me arriscaria pelas mesmas sendas. Não deve ser fácil ter toda essa disposição. E talvez elas não sejam cem por cento verdade. A vida, como ela é, não passa de ficção, uma narrativa que a gente se conta o tempo todo.

Quantas pessoas diriam "sim" à pergunta? Não sei entre meus parentes e amigos. Talvez meu filho ainda não possa responder. Eu mesma não juntei coragem. O que pensar? Acho que num ponto ou noutro eu remendaria uns espaços em branco. Umas tantas incompreensões ficariam destacadas e eu as reveria. Mania de revisor? O que anda errado aqui? Não sei. Não é que esteja errado. Foi desvio. Onde estava meu caminho que não tive tempo de vê-lo? Nem sempre é questão de enxergar apenas. Vá vivendo, numa levada Lobão: dez anos a mil. Mas ele mesmo já passou dos cinquenta.

Vida de editor. O que a memória faz é editar. O que foi mesmo, nem mesmo a mais fina percepção consegue capturar. Finjo que sei avaliar o que fui e o que sou. Finjo mais ainda saber o que serei. E não consigo responder se faria tudo outra vez. Esta cena antes daquela. O efeito sempre é outro. E se isto? E se deste jeito? "E se" dá sempre em algo irrespondível. Mas dá gosto pensar "e se" de vez em quando. É questão que só incomoda quem não tem certeza de nada. Todo mundo? Dá conforto pensar que se tem qualquer certeza. Por que um caminho está errado? Por que a gente não se sente feliz? Só pode ser. De outro lado, Paulo Leminski, aquele kamiquase curitibano, acertava meus ponteiros: "ninguém nunca chegou atrasado". A frase era algo que o valha, porque minha memória, avessa às decorebas, já editou o texto. Eu estava onde deveria estar, para o que o devir me desse. Assim fica mais fácil viver. Melhor do que pensar de outro jeito.

Não me arrisco a dizer um "sim" muito veemente. Nem sempre. Intermitências. Lembro daqui e dali de uns desassossegos. Uns episódios, esparsos, tudo bem, mas que, provavelmente, teriam mudado tudo, inclusive (e principalmente) o lugar do ápice, a epifania e, mais, a conclusão. The end não seria este. Seria um outro, e termino por julgar: melhor?

O fato é que é linear. Por mais que me deem aulas de física e me jurem que o tempo faz curvas, não enxergo com tanta nitidez o ciclo se fechar. Só depois. E aí, já era. Não adianta, adianta? Quantas vezes quis ver mais adiante para ver se valia a pena? Quantas vezes essa vontade (impossível) me doeu? Quantas vezes tive uma inveja doentia das simulações de computador? Diante de uma tela, posso ver se a disposição dos quartos ficará boa ou se caberão todos os meus móveis. Não, assim não dá. Melhor ficar como estava. Que imenso desejo de que existisse uma tecla "undo", o ctrl+z, desfazer. Se não colou, back.

Inveja do "delete", uma imensa mágoa porque ele não existe entre os escombros da minha memória. Eu apago, mas, em geral, o que minha mente faz é recontar tudo, reelaborar, de modo que nem eu posso mais confiar na narrativa dos "fatos" que penso ter vivido. Quem faria isso melhor do que um ser humano?

Assisto ao Efeito borboleta e quase surto. Mais e melhor do que ele, gasto uma tarde assistindo ao Irreversível e meus dias ficam contados. E agora? Não vou mais sair de casa, pensando na importância (e no impacto) de cada pequena escolha, mesmo quando ela é imperceptível para mim. Mas se eu não sair... também estarei escolhendo um caminho.

E aquela gana irrefreável que dá nas pessoas quando acontece uma tragédia? Logo que o avião cai, o rio transborda, o carro bate, a encosta cede, vêm todos lembrar das últimas palavras, que soam, então, como previsão, profecia e aviso. Bem que ele disse que queria se despedir das plantas. Ela abraçou o cachorro e disse à vizinha que não sabia se iria voltar. Minha mãe me beijou diferente hoje pela manhã. Ctrl+z.

Eu não sei se viveria tudo de novo, deste jeitinho. Provavelmente quereria fazer o caminho que aparecia logo ao lado, para ver onde iria dar. E se pudesse concluir algo, faria ao gênio da lâmpada aquele terceiro pedido.

Eu compraria aquela passagem? Naquele dia? Para aquele lugar? Eu diria aquele sim ou aceitaria aquele convite? Eu daria ou não daria as mãos? Recusaria aquele beijo? Leria aquele capítulo? Furaria o sinal? Beberia mais aquele gole? Deixaria de sair? Eu acho, no final, que não saberia mesmo me repetir.


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 18/2/2011


Quem leu este, também leu esse(s):
01. De volta à antiga roda rosa de Elisa Andrade Buzzo
02. A falta que Tom Wolfe fará de Rafael Lima
03. Precisamos falar sobre Kevin de Renato Alessandro dos Santos
04. Os Doze Trabalhos de Mónika. 12. Rumo ao Planalto de Heloisa Pait
05. Os Doze Trabalhos de Mónika. 8.Heroes of the World de Heloisa Pait


Mais Ana Elisa Ribeiro
Mais Acessadas de Ana Elisa Ribeiro em 2011
01. É possível conquistar alguém pela escrita? - 21/1/2011
02. Meus livros, meus tablets e eu - 15/4/2011
03. Você viveria sua vida de novo? - 18/2/2011
04. Pressione desfazer para viver - 17/6/2011
05. Bibliotecas públicas, escolares e particulares - 20/5/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
18/2/2011
09h46min
Ana, faço minhas as palavras de Mario Quintana: "Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio...", eu viveria muita coisa diferente do que vivi, faria outra vida, afinal, essa eu já experimentei, então por que não consertar o que não foi assim tão bom?
[Leia outros Comentários de Dayse Vilas Boas]
20/2/2011
08h35min
Como não somos "dupla", apesar do subconsciente viver eternamente, fica difícil repetir o que consideramos "erros". Uma simples "falha" do tempo que vivemos e como somos. Portanto, repetir é ruim. Cansa. Desgasta. Sim, eu viveria outra vida. Qual? Outra somente. Apesar de "ter" que aceitar a que vivi até agora. Assim, um misto de aceitação, resignação e melhor, a de submeter a inteligência a outra formulação de viver. Essa é a verdadeira vontade. Pena que não possamos. Estamos atados a uma, de cada vez. Feliz ou infelizmente!
[Leia outros Comentários de Cilas Medi]
20/2/2011
10h42min
Mil vezes, tivesse poder. Com certeza faria os reparos que se fizessem necessários, e deixaria de casar com meu ex-marido, para evitar as horríveis ofensas advindas. A cada passo, o cuidado de praticá-lo com amor, e assim jamais se arrepender de uma vida que gostaria não findasse, inevitavel que é, e mil vezes a retomaria.
[Leia outros Comentários de Maria Anna Machado]
20/2/2011
13h35min
Viver é como subir na escadinha repetindo John Lennon ao encontrar Yoko, e lá em cima deparar com a frase: "Respire". E respirar é compartilhar de esperança para um mundo melhor, é construir com o próximo uma plantação de sonhos, é navegar num lago eterno de peixes, é contar estrelas no céu e amar intensamente, até entender que eternizar também é viver.
[Leia outros Comentários de Manoel Messias Perei]
21/2/2011
16h54min
Acho que o Saramago estava fazendo tipo. Ninguém gostaria de passar novamente pelos momentos ruins da sua vida, conhecendo-os previamente, a não ser os masoquistas. Como comentou a Maria Anna, por que encarar o ex-marido novamente, sabendo do fracasso futuro? Está certo que evitar alguns dissabores passados não garantiria uma vida bela, pois novos desafios surgirão e com eles poderão vir muitas situações e/ou pessoas desagradáveis. Pelo menos, seriam novas experiências, que poderiam resultar em outra literatura, até com ponto parágrafo.
[Leia outros Comentários de José Frid]
23/2/2011
17h52min
Eu viveria tudo de novo! O que recebi e recebo de melhor e mais bonito supera as incertezas, as incoerências, os sofrimentos, os tombos, as cabeçadas... Até porque as perdas que sofri são inerentes ao viver! Se a possibilidade trouxer opções para que a minha repetida vida seja melhor, tentarei julgar menos, amar mais, fugir do cigarro e levar a sério (ou à loucura) algumas vivências - nadar mais, viajar mais, aprender outras línguas para ler originais da literatura estrangeira, adotar uma criança... Como ainda aqui estou e não sei o porvir "o acaso vai me convencer...!"
[Leia outros Comentários de Ana M M Pereira]
27/2/2011
18h01min
Aha... Outro dia meu marido veio com um papo estranho: "Apesar de tudo, eu me casaria com você de novo!" Como assim? - Perguntei, intrigada. "Porque, apesar de tudo, valeu a pena eu ter me casado com você, então se eu tivesse que escolher de novo, ou voltar atrás, eu me casaria com você outra vez". O que será que ele realmente quer dizer com isso?, pensei. Daí me perguntou se eu me casaria com ele de novo. Fiquei muda. E ele: "Seu silêncio já respondeu. Você não se casaria comigo de novo. Tudo bem. Eu posso conviver com isso. Mas se não fosse comigo, seria com quem?" - Até ler esse texto eu estava intrigada com a tal conversa do meu marido. Agora posso dormir em paz. Rs...
[Leia outros Comentários de Débora Carvalho]
8/3/2011
14h43min
Mais difícil responder o que poderíamos ser do que perguntarmo-nos a respeito, já que somos também "em potência" (mas atualizada apenas com indagação mesma)!
[Leia outros Comentários de FELLIPE KNOPP]
10/3/2011
20h31min
Contudo, a maior parte da vida não vivemos de certezas, mas de estimativas e projeções. Ao se pegar num revólver e disparar contra a cabeça de um adolescente e o matar, por exemplo, não se sabe quanto mais ele viveria se não recebesse aquele tiro. Talvez morresse entalado por uma ervilha no almoço; mas quem comete o ato, se responsabiliza pela série de estimativas e expectativas, em pormenor, que circundavam aquela vida... Nossa indeterminação quanto ao futuro está imbricada com a irreversibilidade do passado - só é certo o que é irreversível! Mas cada qual tem o direito de pagar pra ver o que será de sua própria vida, e nenhum outro! Só é vida porque é apenas uma, se houvesse duas eu já seria um outro. Fazer uma tal pergunta, se viveria novamente a mesma vida, é já, aí mesmo, potencialmente, fazer de si mesmo um outro, um outro feito de si mesmo.
[Leia outros Comentários de FELLIPE KNOPP]
26/6/2011
20h44min
Ando num momento tão cansada da vida, que acho que não viveria não. Preferia viver outra vida.
[Leia outros Comentários de Rebeca]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




FITA AZUL DE MARIA ANO V MAIO E JUNHO Nº60 - 61
FEDERAÇÃO MARIANAS
FEDERAÇÃO MARIANAS
(1958)
R$ 12,00



APONTAMENTOS PARA FUTURO
NELSON MANDELA , DESMOND TUTU
RAACO
(2018)
R$ 15,00



REDAÇÃO -PARA CONCURSOS
MARCELO PORTELLA
VESTCON
(2007)
R$ 9,70



A LISTA NEGRA
JENNIFER BROWN
GUTENBERG
(2012)
R$ 32,00



ESCOLAS INCLUSIVAS
ELISANGELA DA SILVA BERNARDO, HELENICE MAIA
MARSUPIAL
(2016)
R$ 40,00



ANTARCTICA COM A FOLHA ARTES
VARIOS AUTORES
COSAC NAIFY
(1998)
R$ 150,00



CARTAS A CHE GUEVARA - O MUNDO, TRINTA ANOS DEPOIS
EMIR SADER
PAZ / TERRA
(2003)
R$ 16,80



RETRATO DO BRASIL - ENSAIO SOBRE A TRISTEZA BRASILEIRA
PAULO PRADO
JOSÉ OLYMPIO
(1962)
R$ 50,00
+ frete grátis



FATORES DE RISCO PARA O BAIXO PESO AO NASCER
RAFAELLA MARIA MONTEIRO SAMPAIO UND FRANCISCO JOSÉ MAIA
NOVAS EDIÇÕES ACADÊMICAS
R$ 230,00



EM MEIA HORA... A MORTE
FRANCISCO MARTÍN MORENO
PLANETA
(2014)
R$ 18,28





busca | avançada
33461 visitas/dia
922 mil/mês