O direito autoral vai sobreviver à internet? | Marta Barcellos | Digestivo Cultural

busca | avançada
59182 visitas/dia
2,1 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Exuberância - Moisés Patrício
>>> Missão à China
>>> Universidade do Livro desvenda os caminhos da preparação e revisão de texto
>>> Mississippi Delta Blues Festival será On-line
>>> Tykhe realiza encontro com Mauro Mendes Dias sobre O Discurso da Estupidez
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Alameda de água e lava
>>> Entrevista: o músico-compositor Livio Tragtenberg
>>> Cabelo, cabeleira
>>> A redoma de vidro de Sylvia Plath
>>> Mas se não é um coração vivo essa linha
>>> Zuza Homem de Mello (1933-2020)
>>> Eddie Van Halen (1955-2020)
>>> Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - II
>>> Vandalizar e destituir uma imagem de estátua
>>> Partilha do Enigma: poesia de Rodrigo Garcia Lopes
Colunistas
Últimos Posts
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
>>> Metallica tocando Van Halen
>>> Van Halen ao vivo em 2015
>>> Van Halen ao vivo em 1984
>>> Chico Buarque em bate-papo com o MPB4
>>> Como elas publicavam?
>>> Van Halen no Rock 'n' Roll Hall of Fame
>>> A última performance gravada de Jimmi Hendrix
Últimos Posts
>>> Normal!
>>> Os bons companheiros, 30 anos
>>> Briga de foice no escuro
>>> Alma nua
>>> Perplexo!
>>> Orgulho da minha terra
>>> Assim ainda caminha a humanidade
>>> Três tempos
>>> Matéria subtil
>>> Poder & Tensão
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Quem somos nós para julgar Michael Jackson?
>>> Culture to Digest
>>> Os novos filmes de Iñárritu
>>> Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - II
>>> One-man show
>>> A difícil arte de fazer arte
>>> O Exército de Pedro
>>> Doida pra escrever
>>> Alguns momentos com Daniel Piza
>>> Desonra, por J.M. Coetzee
Mais Recentes
>>> O Guardião de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2013)
>>> Um Homem de Sorte de Nicholas Sparks pela Novo Conceito (2011)
>>> Noites de Tormenta de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2010)
>>> O Casamento de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2012)
>>> O Casamento de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2012)
>>> O Milagre de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2010)
>>> O Melhor de Mim de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2012)
>>> A Escolha de Nicholas Sparks pela Novo Conceito (2012)
>>> Um Amor para Recordar de Nicholas Sparks pela Novo Conceito (2011)
>>> A última Música de Nicholas Sparks pela Novo Conceito (2010)
>>> Primeiro Amor de James Patterson pela Novo Conceito (2014)
>>> Pelos Caminhos de Pedras e de Folhas Secas de Maria José Mamede Galvão pela Caravela (2018)
>>> Violetas na Janela de Patrícia Espirita pela Petit (2020)
>>> Divergente Uma Escolha Pode Te Transformar de Verônica Roth pela Rocco (2012)
>>> Traité Clinique Et Pratique des Maladies Puerpérales Suites de Couches de E Hervieux pela Adrien Delahaye Libraire Éditeur (1870)
>>> Commentaires Thérapeutiques du Codex medocamentarius de Adolphe Gubler pela J B Bailliére Et Fils (1868)
>>> A Esperança de Suzanne collins pela Rocco (2012)
>>> Dictionnaire de Medicine de Chirurgie, de Pharmacie de E Littrè & Ch Robin pela J B Bailliére Et Fils (1865)
>>> Os Pensadores - Fichte de Johann Gottlieb Fichte pela Nova Cultural (1988)
>>> Os Grandes Profetas de Nova Cultura pela Nova Cultural (1985)
>>> Reflexões Sobre a Historia Moderna de Hans Kohn pela Fundo de Cultura (1965)
>>> História da América Portuguesa de Rocha Pita pela Senado Federal (2011)
>>> Guia de Conversação Langenscheidt Inglês de Vários Autores pela Martins Fontes (1998)
>>> Dicionário Inglês Português / Português Inglês de Amanda Marques & David Draper pela Ática (1988)
>>> Francês Para Viagem e Dicionário de Vários Autores pela Berlitz (1991)
>>> No Giro do Mundo os Periódicos do Real Gabinete Português de Leitura 1 de Eduardo da Cruz ( Org. ) pela Real Gabinete Português de Leitura (2014)
>>> Dicionário Espanhol Português / Português Espanhol de Vários Autores pela Dcl
>>> RL - Uma Autobiografia de Rita Lee pela Globo Livros (2016)
>>> Minidicionário Ruth Rocha de Ruth Rocha & Hindenburg da Silva Pires pela Scipione (2001)
>>> Mecânica Vetorial para Engenheiros - Estática de Ferdinand P. Beer e E. Russell Johnston Jr pela McGraw-Hill (1994)
>>> Dicionário Júnior da Língua Portuguesa de Geraldo Mattos pela Ftd (1996)
>>> Bá, Tchê! – Dicionário Temático de Luis Augusto Fischer pela Artes e Ofícios (2001)
>>> Mecânica Vetorial para Engenheiros 1 - Estática de Ferdinand P. Beer e E. Russell Johnston Jr pela McGraw-Hill (1977)
>>> Dicionário de Porto-Alegrês de Luís Augusto Fischer pela Artes e Ofícios (1999)
>>> Resistência dos Materiais de Ferdinand P. Beer e E. Russell Johnston Jr pela McGraw-Hill (1982)
>>> O Constitucionalismo democrático latino-americano em debate de Leonardo Avritzer/Lilian Cristina Bernardo Gomes (Org) pela Autêntica (2017)
>>> Reiki - Medicina Energética de Libby Barnett e Magie Chambers pela Nova Era (1999)
>>> Revista do Livro Ano V Número 20 Dezembro de 1960 de Lêdo Ivo, Mário de Andrade, Heitor Lyra e outros pela Instituto Nacional do Livro (1960)
>>> The Argumentative Indian - Writings on Indian History, Culture de Amartya Sen pela Picador (2005)
>>> O Encanto da Montanha & Caminho ao Lar de Linda Howard pela Harlequin Books (2010)
>>> Afrodiáspora 6 e 7 - Revista de estudos do mundo negro de Vários Autores pela Ipeafro (1985)
>>> Aventura Ardente de Diana Palmer pela Harlequin Books (2013)
>>> Indiscreta de Candace Camp pela Harlequin Books (2005)
>>> Meu Anjo de Sherryl Woods pela Harlequin Books (2005)
>>> Pido la Paz y la Palabra de Blas de Otero pela Cantalapiedra (1955)
>>> Steve Jobs de Walter Isaacson pela Companhia das Letras (2011)
>>> Sem Perdão de Frederick Forsyth pela Abril Cultural (1985)
>>> Comunidades imaginadas de Benedict Anderson pela Companhia Das Letras (2019)
>>> A Segunda Vitória de Morris West pela Abril Cultural (1985)
>>> Os Insaciáveis de Harold Robbins pela Rio Gráfica (1985)
COLUNAS

Sexta-feira, 27/1/2012
O direito autoral vai sobreviver à internet?
Marta Barcellos

+ de 4300 Acessos

Já fui uma defensora veemente do conteúdo aberto na internet. Parecia-me um valor em si, relacionado à democracia: o acesso ilimitado à informação era a volta da utopia, todos iguais, no mundo, com as mesmas oportunidades. Cada vez que uma informação se mostrava bloqueada na internet, me irritava, mesmo que soubesse, como jornalista, que por trás da tal atitude não havia uma conspiração antidemocrática, mas apenas uma tentativa de viabilizar ou proteger o negócio da produção do próprio conteúdo. Ora, o Google nos ensinou que o certo é primeiro mostrarmos o nosso valor, nos popularizarmos, para depois acharmos um jeito de ganhar dinheiro com aquilo (mesmo que fosse fora da internet).

Até hoje, fico chateada quando não consigo compartilhar algo incrível que li no papel - jornal, revista ou livro. Não tenho o hábito de baixar música ou filme, então não posso ir muito além disso em termos de experiência. Já me aconteceu também de usar o meu blog para compartilhar aquilo que me parecia disponível na internet, onde afinal tudo deveria estar disponível, e ser chamada à atenção. Fiquei um bocado sem graça quando um fotógrafo me contatou cheio de ironia, perguntando se eu não tinha tido tempo de fazer a minha própria foto para ilustrar um post antigo. Retirei imediatamente a imagem, mas me senti vítima de falsa acusação. Puxa, nunca ganhei um tostão com o blog, e gastava tanto tempo produzindo meus próprios textos e oferecendo tudo de graça. Não estava me aproveitando do trabalho dele, mas divulgando uma bela imagem no fabuloso mundo em que tudo de bom e útil deve ser compartilhado sem limites, e sem interesses por trás. Mesmo assim, não se justificava o fato de eu não ter dado crédito à foto...

A partir desse episódio tentei estabelecer uma ética própria em relação ao tal direito autoral, já que oficialmente as regras foram embaralhadas pelas novas tecnologias. Ao invés do caminho fácil de pregar o fim da propriedade intelectual (do direito autoral ou seja lá como for conveniente às partes chamar o que se tornou hoje o centro do debate), como algo inerente aos novos tempos que se resolveria depois, adotei o seguinte raciocínio: se alguém se apropria da obra ou do conteúdo feito por outro, sem autorização ou negociação, para claramente ganhar dinheiro às suas custas, não dá para fazer vista grossa. A sensação de roubo parece legítima, e reestabelece-se os velhos padrões de certo e errado. Quem já foi plagiado sabe do que estou falando.

É verdade que os conceitos de obra e de autoria, que encheriam parágrafos aqui, estão em xeque no mundo contemporâneo, já que tudo virou um grande mix. Mas começo a desconfiar que os argumentos a favor da arte remixada ou da democracia da livre circulação de conteúdo possam estar sendo 'compartilhados' com alguma ingenuidade pelas multidões embasbacadas como eu com as possibilidades da internet.

Comecemos pelo exemplo: o Google e o Facebook não compartilham suas próprias informações na internet. Não creio que as empresas de tecnologia façam parte de uma grande conspiração contra nós, mas devemos analisar como elas, que são modelos bem sucedidos do novo capitalismo da sociedade da informação, tratam a sua própria riqueza. Por que o Facebook fechou o seu conteúdo para o Google? O Google divulga, em seu serviço de busca, as mudanças que promove na hierarquia de suas pesquisas, explica seus critérios? Pois é.

Como muitos andam comparando, é verdade que nos primórdios da arte, e das obras de arte, não havia autoria, as histórias apenas eram recontadas, o folclore as propagava. A autoria se impôs a partir, primeiro, da necessidade de controle dos discursos transgressivos. E depois se estabeleceu em função da viabilidade de sua comercialização, por meio dos direitos autorais. Vale lembrar também que a autoria só apareceu no momento da individualização na história das ideias e dos conhecimentos, quando deixamos para trás a Idade das Trevas.

Perceba que, nesse breve retrospecto, foram citados contextos políticos, econômicos e sociais que só foram compreendidos muito tempo depois. Se hoje questionamos o mito da originalidade e da criação, talvez influenciados pelas novas tecnologias de circulação desse conteúdo/arte, podemos estar de fato entrando em uma nova era em relação ao direito autoral e todos esses conceitos. Mas não estamos pensando com profundidade sobre eles. Na discussão polemizada que vem caracterizando a internet, o poderio econômico foi localizado nos velhos estúdios de Hollywood, e o poder político da velha censura foi atribuído aos que defendem os direitos autorais. Tudo muito velho em um mundo muito novo...

Será o fim do direito autoral? Essa é a disputa que se dá hoje, dentro de um novo contexto econômico que não pode ser desprezado. Vivemos um capitalismo baseado na riqueza da informação e do conhecimento. As disputas para mudar leis e estabelecer novas regras se dão em um ambiente de competição no qual o objetivo é sempre o lucro. Todos buscam a sobrevivência e o sucesso futuro de seus negócios. Quem baseou a sua rentabilidade a partir dos dados gerados pela livre circulação de conteúdo defende o seu modelo, quem baseou a sua rentabilidade a partir da cobrança do direito autoral defende outro modelo.

Pessoalmente, acredito que, passado um momento de confusão gerado pela velocidade frenética das mudanças, algum tipo de equilíbrio será encontrado. Quem sabe produzir conteúdo não domina as novas formas de circulação digitais, e quem detém esse domínio sequer tentou produzir conteúdo, talvez porque apostava em sua utilização sem pagar direitos autorais. É provável que o exemplo da busca de equilíbrio seja a negociação que ocorre hoje entre editoras, bibliotecas e empresa de tecnologia em torno do acesso a obras literárias.

Mas esse é apenas um cenário possível, e otimista, porque o equilíbrio também pode acontecer com a mudança de comportamento do próprio ser humano, que - agora em um cenário pessimista - passará a se contentar com as "histórias" do Facebook, deixando de lado as pouco acessíveis obras literárias.

No calor deste momento, porém, o que não dá é para defender a não tecnologia, o cheirinho do papel, como se fosse possível voltar atrás na circulação digital de conteúdo. O que não dá é para, ingenuamente, adotar o discurso das empresas de tecnologia em prol da "democratização" da informação, sem perceber que a coisa não é bem assim, que elas hoje estão acumulando uma riqueza e um poder sem precedentes em seus bancos de dados, e que os impactos disso tudo deveriam ser mais estudados - talvez pelas produtoras de conteúdo com seus interesses contrariados, que gastaram munição demais atacando as novas tecnologias. Como se fosse possível voltar atrás...



Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 27/1/2012


Quem leu este, também leu esse(s):
01. As palmeiras da Politécnica de Elisa Andrade Buzzo
02. A Fera na Selva, filme de Paulo Betti de Jardel Dias Cavalcanti
03. Como Passar Um Ano Sem Facebook de Dani Arrais
04. Um software em crise existencial de Wellington Machado
05. Hells Angels de Gian Danton


Mais Marta Barcellos
Mais Acessadas de Marta Barcellos em 2012
01. A Paris de Chico Buarque - 19/10/2012
02. O fim do livro, não do mundo - 20/4/2012
03. O Facebook e a Alta Cultura - 17/8/2012
04. Esquecendo de mim - 25/5/2012
05. O direito autoral vai sobreviver à internet? - 27/1/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




SOCIEDADE PÓS-CAPITALISTA
PETER DRUCKER
PIONEIRA
(1999)
R$ 13,00



HUMOR 100% SEXUAL
NANI
DESIDERATA
(2007)
R$ 12,00



NINTENDO WORLD--6--NOS TEMOS A FORÇA!
CONRAD
CONRAD
R$ 18,00



ENFIM SÓS!...
MÁRCIA LEITE
SCIPIONE
(1991)
R$ 5,00



NEOCONSUMIDOR DIGITAL, MULTICANAL & GLOBAL
MARCOS GOUVEA DE SOUZA
GS & MD
(2009)
R$ 20,00



CHICO XAVIER E NOSSO LAR EM CORDEL F. A. LISBOA
F. A. LISBOA
CLARIM
(1994)
R$ 5,00



A SOLUÇÃO VIAGRA A CURA DA IMPOTÊNCIA
DR. STEVEN LAMM
RECORD
(1998)
R$ 26,91



GRANDE ENCICLOPÉDIA LAROUSSE CULTURAL 18
VÁRIOS AUTORES
NOVA CULTURAL
(1998)
R$ 6,90



SENTIDO DINÂMICO DA DEMOCRACIA
ELIAS CHAVES NETO
BRASILIENSE
(1982)
R$ 25,00



O OBSCENO PÁSSARO DA NOITE
JOSÉ DONOSO
CÍRCULO DO LIVRO
(1990)
R$ 21,00





busca | avançada
59182 visitas/dia
2,1 milhões/mês