A invenção da imprensa | Gian Danton | Digestivo Cultural

busca | avançada
42918 visitas/dia
1,4 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Projeto “Equilibrando” oferece oficinas e apresentações gratuitas de circo
>>> Namíbia, Não! curtíssima temporada no Sesc Bom Retiro
>>> Ceumar no Sesc Bom Retiro
>>> Mestrinho no Sesc Bom Retiro
>>> Edições Sesc promove bate-papo com Willi Bolle sobre o livro Boca do Amazonas no Sesc Pinheiros
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Modernismo e além
>>> Pelé (1940-2022)
>>> Obra traz autores do século XIX como personagens
>>> As turbulentas memórias de Mark Lanegan
>>> Gatos mudos, dorminhocos ou bisbilhoteiros
>>> Guignard, retratos de Elias Layon
>>> Entre Dois Silêncios, de Adolfo Montejo Navas
>>> Home sweet... O retorno, de Dulce Maria Cardoso
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Gal Costa (1945-2022)
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
Últimos Posts
>>> Assim criamos os nossos dois filhos
>>> Compreender para entender
>>> Para meditar
>>> O que há de errado
>>> A moça do cachorro da casa ao lado
>>> A relação entre Barbie e Stanley Kubrick
>>> Um canhão? Ou é meu coração? Casablanca 80 anos
>>> Saudades, lembranças
>>> Promessa da terra
>>> Atos não necessários
Blogueiros
Mais Recentes
>>> The Early Years
>>> Ruy Proença: poesia em zona de confronto
>>> E a Turma da Mônica cresceu
>>> FLIP 2006 III
>>> Franz Kafka, por Louis Begley
>>> Solidariedade é ação social
>>> ¿Cómo sobrevivo?
>>> Deixa se manifestar
>>> Falta Política
>>> No caminho de Sterne
Mais Recentes
>>> Incidente Em Antares de Érico Veríssimo pela Globo (1994)
>>> O Alfaiate Polonês de Debora Finkielsztejn pela Babilonia (2017)
>>> Aventuras de um Geólogo Pioneiro na Amazônia de Francisco Mota Bezerra da Cunha pela Ibp (2012)
>>> Cavalos da Chuva de Cadão Volpato pela Sesi-SP (2018)
>>> O Alienista Em Cordel de Machado Assis pela Nova Alexandria (2010)
>>> Johnny Vai à Guerra de Dalton Trumbo pela Biblioteca Azul (2017)
>>> Meu anjo da guarda - Novo e completo Manual de piedade para meninos e meninas de Não encontrado pela Oficinas gráficas Aparecida (1944)
>>> The Culture of the Copy de Hillel Schwartz pela Zone Books (1998)
>>> Você, Líder do Seu Sucesso de Inácio Dantas pela Clube de Autores (2018)
>>> As Plantas Mágicas: Botânica Oculta de Paracelso pela Hemus (1976)
>>> O Advogado de Henri Robert pela Martins Fontes (2002)
>>> Como Compreender Símbolos de Clare Gibson pela Senac (2012)
>>> Michaelis Minidicionário Inglês - Português, Português - Inglês de Vários Autores pela Melhoramentos (1989)
>>> Escritos Políticos de Max Weber pela Martins Fontes (2014)
>>> A Imagem do Corpo: As Energias Construtivas da Psique de Paul Schilder pela Martins Fontes (1981)
>>> Michaelis Minidicionário Francês - Português, Português - Francês de Jelssa Ciardi Avolio e Mara Lucia Faury pela Melhoramentos (2007)
>>> Ciência e Comportamento Humano de B. F. Skinner pela Martins Fontes (1978)
>>> Mussolini e a Ascensão do Fascismo de Donald Sassoon pela Agir (2009)
>>> A Presença de Castello de Edilene Matos e Neuma Cavalcante pela Humanitas (2003)
>>> A Tragédia Shakeasperiana de A. C. Bradley pela Martins Fontes (2009)
>>> O Teatro de Shakespeare de Sérgio Viotti pela Martins Fontes (2013)
>>> Gramática Metódica da Língua Portuguesa de Napoleão Mendes de Almeida pela Saraiva (1981)
>>> A Consolação da Filosofia de Boécio pela Martin Fontes (1998)
>>> Mãos Unidas - 22ª ED (Otimo Estado) de Francisco Candido Xavier pela Instituto de Difusão Espírita (2002)
>>> Sonhos de Einstein de Alan Lightman pela Companhia Das Letras (1993)
COLUNAS

Segunda-feira, 24/9/2012
A invenção da imprensa
Gian Danton
+ de 12900 Acessos

O filósofo Marshall McLuhan propunha que a forma como nos comunicamos molda a sociedade em que vivemos e a forma como pensamos. A invenção da escrita, por exemplo, permitiu a criação dos grandes impérios, do pensamento linear e da burocracia. Na Idade Média, a invenção do pergaminho abriu caminho para que a escrita fosse vista como algo divino, elitizado, moldando a sociedade do período.

Outra grande mudança ocorre com a invenção da imprensa. McLuhan considera tão importante essa invenção que chama o mundo criado pela imprensa como Galáxia de Gutemberg. Com ela veio a era das revoluções, o nacionalismo e até o sentimento de individualidade e privacidade.

Uma das revoluções causadas pela impressa foi a publicação de livros, em especial a Bíblia em línguas locais. Essas edições deram às pessoas a noção de pátria, unida por uma linguagem. Além disso, com o barateamento do processo de produção, agora era possível ler livros individualmente, ao contrário da Idade Média, em que a leitura era quase sempre coletiva, com uma pessoa lendo para um grupo. Isso deu às pessoas a noção de individualidade e privacidade. Curiosamente, mais ou menos no mesmo período a arquitetura traz uma grande inovação: os corredores, que vão permitir que as pessoas tenham privacidade em seus quartos (antes, mesmo em castelos, era necessário percorrer vários quartos até chegar ao último).

Com o tempo, muitos desses corredores passam a ser ornados por obras de arte, quadros assinados por grandes artistas, mantidos por mecenas, daí surgindo a ideia de direito autoral (na Idade Média os artistas não assinavam seus trabalhos pois se considerava que sua arte era para a glória de deus e não do pintor).

Nas palavras de McLuhan: "A imprensa criou o livro portátil, que os homens podiam ler em particular e isolados dos outros. O homem podia, agora, inspirar - e conspirar. Como a pintura de cavalete, o livro impresso muito contribuiu para o novo culto do individualismo".

A invenção da imprensa vai popularizar o pensamento linear, já que os livros vinham numa sequência lógica que devia ser lida página a página.

A imprensa permitiu também a era das revoluções. O protestantismo surgiu a partir da leitura da Bíblia em línguas nacionais (antes era proibido traduzir a Bíblia e praticamente só os padres as liam e interpretavam para os fieis). Também como consequência do barateamento dos livros, as ideias de filósofos, como Descartes e, posteriormente, os iluministas, como Voltaire e Rousseau, se espalharam pelo mundo.

As ideias revolucionárias se espalhavam não só na forma de livros, mas também através dos jornais. Não é coincidência que os três grandes líderes da revolução francesa (Danton, Marat e Robespiere) eram também jornalistas.

A criação da rotatória e, posteriormente, do rádio e do cinema, iriam de novo provocar grandes mudanças. Nunca antes uma mensagem poderia ser enviada a tantas pessoas ao mesmo tempo. Isso possibilitou o surgimento de ditadores como Hitler e Mussolini, que utilizaram jornais, rádios e filmes para difundir suas ideias e convencer as pessoas a obedecerem. Tratava-se da era das massas em que as pessoas eram tratadas apenas como parte de um todo. Esse período foi sintetizado na teoria hipodérmica, segundo a qual a mídia tem poder absoluto sobre as pessoas.

Em meados do século XX surge a televisão e com ela a era do audiovisual. Embora fosse um meio de massa, McLuhan enxergava nela uma possibilidade de maior participação. A baixa resolução da telinha levaria o expectador a interagir com o conteúdo, não se tornando o apático receptor da era das massas. Apesar dessa visão ser otimista e um pouco ingênua, há de se destacar o fato de que a transmissão da guerra do Vietnã fez com que pela primeira vez a juventude americana se pronunciasse contra uma guerra. Provavelmente a familiaridade com imagens de vietnamitas, como a da menininha correndo nua, atingida por napalm, tenham possibilitado uma maior aproximação com o fato. A TV tornou possível ver que o inimigo também era um ser humano.

Embora estivesse escrevendo muito antes da internet, McLuhan parecia antecipar a sociedade da informação: "As informações despencam sobre nós, instantaneamente e continuamente. Tão pronto se adquire um novo conhecimento, este é rapidamente substituído por uma informação ainda mais recente. Nosso mundo eletricamente configurado forçou-nos a abandonar o hábito de dados classificados para usar o sistema de identificação de padrões. Não podemos mais construir em série, bloco por bloco, passo a passo, porque a comunicação instantânea garante que todos os fatores ambientais e de experiência coexistem num estado de ativa interação".

Nesse mundo de informação contínua, a comunicação se transforma num fluxo caótico em que a mídia oferece cada vez mais dados e o cérebro humano é obrigado a se adaptar a receber. Na medida em que a mente humana se acostuma com esse fluxo, passa a pedir mais e mais e o processo se amplia mais ainda, como uma bola de neve. As novas gerações lidam com informação como se fosse um vício: é a novidade que virá a qualquer momento no Facebook ou no Twitter, é o e-mail essencial que surgirá na caixa de entrada a qualquer momento e que exige constante vigilância.

As mensagens não são mais procuradas e recebidas de maneira linear, como na galáxia de Gutemberg, em que as informações vinham na mesma sequência das páginas dos livros. Nesse novo mundo, a informação passa a ser relacional. A leitura de um texto leva a outro texto, que leva a outro texto, que leva a outro texto e que muitas vezes leva ao primeiro texto.


Gian Danton
Macapá, 24/9/2012

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Gatos mudos, dorminhocos ou bisbilhoteiros de Elisa Andrade Buzzo
02. O mundo é pequeno demais para nós dois de Renato Alessandro dos Santos
03. Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão de Elisa Andrade Buzzo
04. Jogando com Cortázar de Cassionei Niches Petry
05. Cabelo, cabeleira de Luís Fernando Amâncio


Mais Gian Danton
Mais Acessadas de Gian Danton em 2012
01. Por que os livros paradidáticos hoje são assim? - 13/2/2012
02. O desenvolvimento dos meios de comunicação - 27/8/2012
03. A invenção da imprensa - 24/9/2012
04. Contos fantásticos no labirinto de Borges - 26/3/2012
05. Um conto de duas cidades - 7/5/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Colcha de Leitura
Jonas Ribeiro
Elementar
(2002)



Livro - Depois de Você
Jojo Moyes
Intrínseca
(2016)



Filtro Solar
Mary Schmich
Sextante
(2004)



Dom Casmurro - Classicos Saraiva
Machado de Assis
Saraiva
(2009)



Mana Maria - Aventura do Clássico
Alcântara Machado
Nova Alexandria
(2001)



Cordel Em Arte e Versos
Moreira da Acopiara
Duna Dueto
(2009)



Homem Manual da Proprietaria
Carlos Queiroz Telles
Best Seller



Festas e Datas Comemorativas Brincando Com Dobradura (1997)
Gláucia Lombardi
Paulus
(1997)



David Strauss sectário e escritor
Nietzsche
Escala
(2008)



Livro - Minhas Orações: Livro de Bolso
Masaharu Taniguchi
Seicho-no-ie
(2014)





busca | avançada
42918 visitas/dia
1,4 milhão/mês