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Segunda-feira, 3/2/2014
Casamento atrás da porta
Adriane Pasa

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"Prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida". É assim que tudo começa. E como queremos acreditar. E acreditamos. E apostamos. E todo mundo fica feliz.

Não vou ficar aqui falando de sucesso ou fracasso no casamento, até porque tem muito autor de autoajuda fazendo isso. Aliás, nunca vi tanta baboseira sobre o tema no mercado editorial. O que acho curioso é a forma como o casamento virou um objeto de consumo. E também um espetáculo. Eu me casei em uma época que casamento não era algo tão midiático. Bom, também não existia Facebook e outras redes sociais para se exibir e que eu me lembre não tinha tanta parafernália nas festas e igrejas.

Mas quem não se ilude diante do "grande marketing" do casamento e da família? Das campanhas publicitárias cheias de apelos emocionais para termos uma vida de propaganda de margarina com filhos sorridentes de bochechas rosa? E quem não se ilude quando alguém se aproxima e parece ser a pessoa perfeita ou quando se apaixona? Mudam as ideias, mudam as pessoas, as formas de se comunicar, mas o que todo mundo quer mesmo é dormir de conchinha. Hoje em dia, não mais "até que a morte nos separe", como nossos pais e avós, mas até que se consiga manter um sentimento que esquente o coração (e outras partes do corpo).

Uma vez ouvi uma coisa que ilustra bem o conceito e o dilema de um casamento, a de que há sempre três coisas: a gente, o outro e o casamento. E este último, acho que é a "pessoa" mais difícil de lidar. E talvez o que todo mundo mais deseja. Porque é uma ideia muito bem trabalhada e vendida desde que o mundo é mundo. Não adianta fugir, todo mundo vai querer se casar um dia, de formas convencionais ou não, está na cultura mundial intergaláctica. O casamento é uma "entidade" tão elevada e séria, que às vezes se torna o objetivo maior de várias pessoas, tão grande e perseguido, que pode virar uma obsessão.

É o caso da personagem do filme O Casamento de Muriel (roteiro e direção de P. J. Hogan, Austrália, 1994). Muriel (Toni Collette, pra variar, estupenda no papel e foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz), é uma moça desengonçada, acima do peso, fora de moda e fã de ABBA (banda que sempre escuta para aplacar a tristeza), que procura ser feliz em meio a uma família problemática e uma rotina tediosa. Muriel vive em uma pequena cidade da Austrália, tem uma relação conturbada com o pai, que a menospreza, é rejeitada pelas amigas e tem um sonho obsessivo: casar. É o que a faz desviar seus pensamentos e ter um pouco de esperança. Decide então fugir para Sydney com a melhor amiga (Rachel Griffiths, maravilhosa), que também é meio excluída do meio em que vive. Lá, ela encontra o que considera seu príncipe encantado e casa-se com ele, um famoso nadador que se revela um fracasso. E o drama não para por aí. É uma história nada convencional e que também tem momentos engraçados que tratam de amizade, solidão, liberdade e frustração.

Considero um filme triste (e óbvio que foi catalogado como comédia) e um dos mais verdadeiros e tocantes que já vi. Muriel é aquela pessoa ingênua e boa, fora dos padrões que a sociedade impõe e com uma família desestruturada e uma vontade de fugir de tudo o que vive na cidadezinha careta em que nasceu. Muriel é autêntica, espontânea e viva, sem desejos malévolos de vingança. Ela só quer alguém que goste dela.

É também um filme sobre amizade. Uma amizade gigante, divertida, daquelas onde todo mundo deveria buscar refúgio, na qual podemos dizer não às convenções que nos incomodam, daquelas que esperamos ingenuamente encontrar num casamento, que fazem nossas emoções ficar à flor da pele, que nos tiram do tédio e da tristeza, que deixam nossa vidinha mais interessante e rica.

Só que dos amigos a gente sabe bem o que quer e o que vier é lucro. Com os amigos podemos fugir de tudo e se aventurar, como no filme Thelma & Louise. Dos amores, queremos o acordar pela manhã, as mãos dadas na rua, os filhos, a estranha sensação de plenitude, a ilusão de segurança e mais um monte de coisas que nunca ninguém vai conseguir nos dar completamente. E assim segue a vida, porque viver sozinho ninguém quer, por mais que existam um milhão de teorias dizendo que isso não importa. Aliás, daqui a pouco as pessoas vão ficar mais estressadas por tentarem acreditar na ideia de que viver sozinho é bom do que pela pressão de encontrar alguém. O mundo inverteu as cobranças e tudo tá meio confuso mesmo. Porque é difícil conviver com tantos padrões, tantas "teses" sobre felicidade e amor. No fundo eu acho que a melhor tese que já vi sobre o assunto ainda é esta aqui, de Dominguinhos e Gilberto Gil.

E aquela velha brincadeira de infância - que hoje acho que ninguém mais brinca - serve também para ilustrar um pouco a vida a dois e o desejo de se casar: "Você quer esse? Nããããããããão. E Esse? nãããããããããããõ. E Esse? Siiiiiiiiiiiiiiiiiiim. O que você quer dele?". Ai que pergunta difícil!

Deixo vocês com a trilha sonora do filme, em uma das melhores cenas.


Adriane Pasa
Vancouver, 3/2/2014


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