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Sexta-feira, 7/11/2014
Portas se abrindo
Marta Barcellos

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Inteligência, todo mundo sabe, deixou de ser atributo humano para qualificar coisas que agora você compra mais caro. Do telefone celular ao prédio que economiza energia, passando pela pulseira que registra todas as suas atividades, a vida agora é smart. Dessa forma, pessoas atribuladas como nós não precisam se esforçar tanto. Nada mais natural, portanto, que o QI dos elevadores também subisse às alturas, junto com os espigões recordistas de andares na Ásia.

Mesmo do outro lado do planeta, em balneários que se prestam menos às novidades tecnológicas, como o Rio de Janeiro, o elevador inteligente já chegou. Se o seu destino for um prédio de escritórios no centro da cidade, tudo é possível: encarar uma longa fila para o único elevador funcionando, com porta pantográfica e ascensorista uniformizado (os outros dois estão "em manutenção"), ou dar num mezanino metalizado sem vivalma, com meia dúzia de catracas separando-o de um rol de elevadores sem botões por dentro. E você rezando para saber o que fazer com o cartão que a mocinha da recepção lhe deu lá embaixo sem maiores explicações.

Cartões magnéticos, botões fora do lugar, elevadores que falam. Se os primeiros sistemas com fama de inteligente apenas escolhiam o elevador mais próximo ao andar, agora eles podem incluir orientações de voz para o passageiro e restringir seu acesso ao andar autorizado.

O problema é que, para as gerações mais velhas, lidar com novas tecnologias nem sempre é fácil. No caso do elevador, onde o sujeito fica confinado num espaço nada amigável, a situação pode se radicalizar.

O aposentado cede aos apelos de sua senhora, e afinal vão passar as férias naquele belo hotel recomendado pela amiga dela que sempre viaja e por isso é tão feliz. De repente, se vê trancado no elevador, que não responde aos seus comandos:

-Aperta o botão direito, Inácio.

-Não adianta, querida. Acho que tem que enfiar o cartão do quarto nesse buraco. Viu? A luzinha ficou verde. Agora é só...

-Rápido, a luz ficou vermelha! Vamos ficar presos aqui dentro para sempre!

Não por acaso, além dos hotéis, são os prédios corporativos os que mais investem em elevadores vigilantes e inteligentes. Como frequento edifícios assim, dei a sorte de ser apresentada aos poucos às novidades, com a ajuda ocasional de alguém mais familiarizado do que eu por perto. Mesmo assim, lembro do incômodo na primeira vez em que precisei entrar em um deles.

No saguão, imitei os outros que digitaram no painel externo o seu andar de destino, e fui informada digitalmente que o meu seria diferente do deles. O E4, de forma muito perspicaz, percebeu que eu estava com pressa, e me ofereceu seus serviços exclusivos, longe do grupo de funcionários barulhentos que pingaria de andar em andar dentro do E2. Já bastava a minha experiência semanal de gastar uns cinco minutos dentro de um desses elevadores pinga-pinga, em Ipanema, e chegar devidamente estressada na terapia.

O saguão esvaziou, o E4 abriu suas portas e embarquei sozinha. Eu iria direto ao 12º andar, sem escalas. Mas, e se algo desse errado? Não que eu tenha claustrofobia ou algum trauma, mas a experiência inédita me causou algum desconforto. Um elevador burro mas cheio de botões parece oferecer mais possibilidades de escape.

Tudo deu certo, na ida e na volta, aumentando a minha sensação de produtividade total. A experiência teria sido perfeita não fosse, já na portaria, a catraca travar, apesar de eu ter colocado o cartão de visitante no compartimento adequado. A entrevista se prolongara e o expediente estava encerrado há tempos. Olhei para os lados, atrás da tal vivalma, quando finalmente surgiu um segurança. Levantei as mãos para cima, tentando explicar que já estava sem o cartão que provaria minha inocência de visitante, quando ele disse:

-É, está dando defeito mesmo - e aproximou o crachá pendurado no pescoço, liberando a minha passagem.

Viu como a tecnologia falha?, eu resmungava enquanto descia as escadas para a estação do metrô. E se o defeito fosse no tal elevador inteligente, e não na catraca, que pelo menos poderia ser pulada emergencialmente?

Coincidentemente, lá estava eu diante de outra catraca. Tirei da bolsa o cartão do metrô e... surpresa. Ele havia se transmutado no cartão do edifício de onde eu acabara de sair. Foi assim, de forma preguiçosa, que meus neurônios poupados pela tecnologia se reconectaram e concluíram que eu jogara o cartão magnético do metrô na catraca do prédio.

Não, a tecnologia não falhara.

E ela ainda vai evoluir muito.

Um dia, quem sabe, irá além de seu interesse em segurança, vigilância e produtividade, e enfim compreenderá a alma humana. Começando pelo pobre cidadão que não está up to date com tecnologias urbanas, porque já é idoso, ou porque resolveu viver no meio do mato, graças à conexão com a internet. Mesmo assim, numa eventualidade, ele precisará resolver problemas burocráticos em um novíssimo prédio comercial, e terá de se submeter ao novíssimo sistema de catracas e elevadores, sistema este chamado agora de "mobilidade interna". Na recepção, a mocinha escaneia sua íris e garante que o novíssimo sistema de mobilidade interna o levará automaticamente ao andar desejado.

Nosso personagem, digamos, é um poeta, embora ganhe a vida fazendo traduções de documentos jurídicos. Por isso precisava se cadastrar como prestador de serviços em um grande escritório de advocacia ali localizado, mais precisamente no vigésimo terceiro andar. Portas fechando, portas se abrindo, informa o elevador em inglês, até que nosso personagem finalmente se vê parado no andar. No andar errado. Está defronte a uma editora especializada em novos autores. "Publique aqui a sua poesia", diz a placa. Ainda tenta retornar, quando ouve: "mind the gap". E o elevador fecha a porta, com uma piscadela.



Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 7/11/2014


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