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COLUNAS

Sexta-feira, 24/10/2014
Esquerda x Direita
Marta Barcellos

+ de 4100 Acessos

Em um vídeo que circula com frequência na internet, o filósofo Gilles Deleuze tenta explicar a diferença entre ser de esquerda e ser de direita, utilizando a ideia de um endereçamento postal.

A pessoa de direita parte sempre de si própria. Depois, percebe a rua em que está localizada. Depois, a cidade. Depois, o país, e por aí vai. Na medida em que é privilegiada, por estar em um país rico, por exemplo, ela costuma pensar em como fazer para que aquilo perdure, pois percebe que há muitos perigos ameaçando a sua situação.

Ser de esquerda é o inverso. Ver primeiro a ponta, o contorno, e perceber que a situação de injustiças, de pessoas morrerem de fome, não pode durar. Somente no fim de sua percepção está a rue de Bizerte (de onde Deleuze fala) e si próprio. "Ser de esquerda é saber que os problemas do terceiro mundo estão mais próximos de nós do que os do nosso bairro", diz ele, em seu apartamento em Paris.

O que considero mais interessante no pensamento de Deleuze, e que será aplicável ao que estamos vivendo hoje no Brasil nestas eleições, é a ressalva: não se é de esquerda em nome de uma moral. Não tem nada a ver com ser uma boa alma. Ser de esquerda, ou de direita, está relacionado apenas a uma questão de percepção. Simples assim.

Mas vivemos num país em que a moral (cristã) está sempre em jogo. Então as duas questões se confundem, e as pessoas que têm uma percepção de vida e de mundo tipicamente de direita ficam indignadas com a "acusação": acreditam que estão a lhes apontar uma espécie de torpeza moral, uma insensibilidade não cristã na qual não se reconhecem. É quando afirmam: não existe (mais) direita e esquerda.

No entanto, se a questão moral for afastada, não há problemas em se aceitar a velha e esclarecedora divisão entre esquerda e direita - absolutamente presente neste segundo turno tão polarizado das eleições.

Um amigo meu diz que vai votar no Aécio, e eu respondo: ótimo, seu voto com certeza é consciente e condiz com sua postura política. Sei que ele é de direita, e tento afastar dessa constatação qualquer tipo de julgamento moral. Ele pensa prioritariamente em seus direitos e liberdades individuais; valoriza e quer ver valorizado seu próprio esforço e mérito; é especialmente indignado com o tamanho dos impostos que paga; e sua percepção da questão da violência o leva a defender um policiamento melhor nas ruas e uma pena mais severa para os pivetes que enxerga de forma difusa, por conta do distanciamento que mantém deles a partir de seu "endereço postal".

É uma questão de percepção, simples assim.

Só que Deleuze dá um complicada, e aplica aqui também o seu conceito de devir. Ser de esquerda é devir minoria. Os devires minoritários são aqueles diferentes do padrão majoritário, que no Ocidente é o do homem macho, adulto e cidadão, ele explica. Há o devir-mulher, o devir-animal, o devir-criança, mas o macho adulto cidadão não tem devir. Ele pode devir-mulher, por exemplo, e aí vira minoria (um homem feminista, exemplifico eu).

As pessoas de direita em geral se reconhecem na "imagem sensata" deste padrão majoritário. Só que este padrão, alerta Deleuze, é um padrão vazio: "A esquerda é o conjunto de processos de devir minoria. Eu afirmo: a maioria é ninguém, a minoria é todo mundo. Ser de esquerda é isso: saber que a maioria é todo mundo".

Ao identificar-se inteiramente na imagem sensata do padrão majoritário representado pelo candidato Aécio Neves, muitas pessoas de direita não conseguem compreender o voto "de esquerda". Sem devir minoria e limitadas pela distância de seu endereço postal, ficam sinceramente espantadas, a adotam expressões como "esquerda caviar": como é possível comer caviar e não se identificar com o padrão exclusivo (majoritário e vazio) que ele representa? Pior: como é possível comer caviar e se identificar prioritariamente com minorias que jamais vão saber apreciar a iguaria?

Ora, a explicação só pode ser uma falsidade, um "fazer gênero", a ser combatido com a ironia de expressões como "esquerda caviar".

Se não for com ironia e incredulidade, a pessoa que busca um posicionamento de esquerda, embora não pertença a uma minoria, pode também ser tratada pela direita como alguém que foi enganado ou está equivocado:

"Ora, ela não tem a mesma lógica ou as mesmas informações que eu - pessoa centrada no endereço postal da mim mesmo - não só tenho como domino, graças à minha identificação com o padrão de homem macho, de boa formação, bem sucedido, cidadão de bem que paga seus impostos apesar de toda essa roubalheira."

Para evitar os julgamentos morais a respeito de seu individualismo exacerbado, ou de sua insensibilidade em relação aos mais pobres, a direita brasileira precisa se valer de teorias macroeconômicas e da indignação com escândalos de corrupção para dar ao seu discurso o necessário tom de preocupação social. Dependendo de quem está usando o artifício, porém, o discurso soa extremamente falso, porque rapidamente percebe-se, por trás de dados decorados, a real preocupação com a perda de privilégios - uma ameaça que no caso brasileiro vem se configurando muito mais por uma perda de status social, pela aproximação da minoria representada pelos pobres, do que propriamente por recuos financeiros.

Se ser de esquerda ou de direita é uma questão de percepção e de endereçamento postal, com diz Deleuze, não vai ter como disfarçar: a direita precisa sair do armário.


Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 24/10/2014


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