Notas confessionais de um angustiado (I) | Cassionei Niches Petry | Digestivo Cultural

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Quarta-feira, 14/10/2015
Notas confessionais de um angustiado (I)
Cassionei Niches Petry

+ de 1500 Acessos

(Trechos da minha dissertação de mestrado, formada pelas notas sobre o processo de criação do romance Os óculos de Paula e o romance propriamente dito, que foi editado no ano passado.)

(...)
IV.
Entre as angústias do processo de criação, encontra-se a angústia da influência. É o título, aliás, de um livro de Harold Bloom. As influências perseguem o escritor. Às vezes, é o escritor que as persegue. Para Raimundo Carrero, "é sempre necessário falar em influências, de que os artistas se esquivam, embora elas existam sempre: conscientes e inconscientes."

A sombra sobre mim agora é a de Enrique Vila-Matas, sombra que lembra a capa do seu livro de contos Exploradores del abismo, ilustrada com uma foto de André Kertész, tirada em 1972.


Na contracapa do volume editado pela Anagrama, de Barcelona, lê-se que, quando perguntado sobre o que estava escrevendo depois da publicação de Doctor Pasavento, Vila-Matas respondeu: "Escribo el título de un libro". A partir do título, relacionado com a sensação de estar com um abismo a sua frente depois de terminar seu romance, o escritor catalão começou a escrever os relatos, sempre relacionados ao tema.

Meu romance também começou com um título, Os óculos de Paula, citado entre as obras de uma personagem minha que é escritor em um dos contos de um livro ainda inédito. [O livro foi publicado em 2012.] O escritor da minha narrativa escreveu inclusive um livro de contos cujo título é o mesmo do livro que eu escrevi e também o mesmo de um livro infantil cujo título é o mesmo do que eu escrevi. As semelhanças com as obras de Vila-Matas não são um mero acidente de percurso.

Falando em semelhanças e sincronias, a foto de Kertész também foi usada na capa de um livro de outra das minhas influências. Trata-se de Deixe o quarto como está, de Amílcar Bettega, editado pela Companhia das Letras.

Como se pode perceber, a literatura é "um jardim de caminhos que se bifurcam", só para citar outra influência, esta não tão forte assim.

V.
Há uma pilha de livros sobre criação literária ao meu lado, alguns com o forte cheiro de cigarro do orientador, que me emprestou algumas obras. Depois de escrever os dois últimos ensaios para disciplinas do mestrado, agora é mergulhar na dissertação e no romance. Meu estudo sobre o processo de criação da narrativa longa que estou escrevendo envolve a leitura de textos sobre o assunto. Mas como essas notas são, também, sobre o possível fracasso que será meu livro - no que se refere à publicação e número de leitores -, reflito sobre outros dois fracassos anunciados.

Tenho prontos dois livros para serem publicados. Prontos é força de expressão, porque estou sempre tentando melhorar alguma coisa neles. Um é de contos, um projeto antigo, que está nas mãos de uma editora local. Iria ser publicado no início do ano passado, depois passou para o final do ano e agora, talvez, saia em 2012. [Não saiu pela editora local.] Esse já é um fracasso antes de ser publicado. Confesso que, como sempre, as esperanças são poucas, mas é o livro que está mais próximo de sair da gaveta. [Como disse, saiu em 2012 mesmo. Trata-se de Arranhões e outras feridas".]

O outro é uma narrativa infantil, já negado por uma grande editora. Fracasso na primeira tentativa de mandar para uma editora de renome. O projeto surgiu a partir de um conto, que foi ampliado, e que fazia parte do livro anterior. Talvez ainda mande para um concurso recente, que teve as inscrições prorrogadas. O prêmio é a publicação e um adiantamento de 30 mil reais pelos direitos autorais. Aliás, devido à produção dos ensaios, perdi o primeiro prazo. Seria um bom sinal a prorrogação? [O livro não foi encaminhado para o concurso.]

Isso tudo me angustia, mas é a angústia que me move. Como escreveu Raimundo Carrero, "o erro e o fracasso devem funcionar como incentivo. O ato de escrever precisa se tornar algo essencial nas nossas vidas."

VI.
Na minha adolescência, quando já pensava em seguir o caminho da literatura, tinha uma imagem bem romântica sobre o ato de escrever: uma sala repleta de livros, tendo como luminosidade apenas um abajur e em cima da mesa uma máquina Olivetti, a qual era martelada pelos dedos ágeis do escritor. Pensava que bastaria ganhar uma máquina de escrever de presente e pronto, surgiria uma nova revelação nas letras. Já me via escrevendo crônicas diárias para os jornais (como Rubem Braga e Luís Fernando Veríssimo) e publicando um romance a cada ano. O tempo, como diz o ditado, é o senhor da razão. Cronos foi implacável comigo, devorando meus sonhos assim como fazia com seus filhos.

Mais tarde aprendi que não bastava a ferramenta. Eram necessárias, também, boas ideias para pôr no papel. De nada adiantava tê-las, porém, sem ter a técnica para desenvolvê-las. Aí é que entram as oficinas ou livros sobre arte da escrita. São sobre estes livros que estou me debruçando agora para me ajudarem a desenvolver o romance e a dissertação.

(...)
VIII.
Não sabemos se o que escrevemos é bom. Isso é fato. Por mais que o escritor tenha acumulado um número de leituras de outras obras suficiente para poder julgar o trabalho alheio, ele jamais poderá julgar sua própria escrita. Não pode dizer que seu trabalho é bom. Não pode dizer que seu trabalho é ruim. Tanto aquele que se julga o escritor do momento, quanto o que queima seus manuscritos (penso num Ernesto Sabato, por exemplo), estão sendo injustos consigo mesmos. É necessária a leitura de outra pessoa. Outra não, outras, pois apenas um leitor também não nos dá um parecer mais próximo da verdade. Para um leitor a obra pode ser muito boa, enquanto para outro a obra pode ser colocada num patamar tão inferior que nem mesmo servirá para calçar estantes bambas de uma biblioteca.

Também não enxergamos erros gramaticais. Por maior que seja o número de revisões, faz-se necessário o olhar de uma pessoa mais atenta, que leia com distância o texto. Digo isso porque sou professor de língua portuguesa e, mesmo assim, os erros pulam das páginas quando são lidas, por exemplo, pelo orientador da dissertação ou pelo revisor do jornal para o qual escrevo regularmente.


Cassionei Niches Petry
Santa Cruz do Sul, 14/10/2015


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