Um sujeito chamado Graham Norton | Arcano9 | Digestivo Cultural

busca | avançada
37543 visitas/dia
1,2 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Segunda-feira, 4/3/2002
Um sujeito chamado Graham Norton
Arcano9

+ de 3500 Acessos
+ 1 Comentário(s)

(Atenção: este texto contém trechos de conteúdo sexual que podem ser considerados ofensivos para algumas pessoas.)

Não importa que o inverno este ano está decepcionante aqui na Grã Bretanha. Não importa se há manhãs que você não precisa nem de cachecol - a estação é mesmo assim sinônimo de night ins, algo que no Brasil, com todo esse calorzão que exacerba os hormônios da galera, carrega até hoje uma aura de coisa de velho. "Pô, vamos sair!" cansava de dizer eu a um grande amigo meu, em São Paulo, quando sabia que ele ia dizer sempre o mesmo, que preferia ficar em casa brincando com seu computador ou ouvindo Beatles. E eu, meio já prevendo isso, me apresentava à sua porta para desfrutar de sua companhia e depois empurrá-lo para fora, para nem que fosse tomar um milk shake de morango na Bob's do Shopping Morumbi. Precisei me mudar para a Europa para entender que muitas vezes botar seu pijamão e ligar a TV numa sexta à noite vale muito mais a pena do que encarar a aterrorizante confusão dos cinemas, ruas e avenidas entupidos de gente buscando desesperadamente diversão, como se tivessem que descontar no penúltimo dia da semana todo o sofrimento acumulado no escritório durante os dias anteriores. Não, amigo, agora tudo mudou.

Em Londres, é assim. Da mesma forma que em São Paulo você pede uma pizza, aqui o mais comum é pedir uma refeição indiana. Um suculento chicken tikka massala, ou algo mais forte, um madras talvez. Depende de sua resistência às coloridas pimentas. Se você não estiver a fim de um indiano, pode optar por um fish and chips mesmo, ou um kebab, comprados na esquina. Isto é, se você realmente não se importar com a gordura e o óleo pingantes das iguarias. Talvez você também tenha um chinês take away perto de casa, ou mesmo um tailandês. Em último lugar na gama de opções vem a pizza, que é claro que é feita em fornos elétricos, leva invariavelmente pimentão, é pequena e borrachuda e tem o mesmo preço de uma pizza no Brasil, com a diferença de que você deve trocar o R$ pelo símbolo da libra. E levando-se em conta que a libra vale mais ou menos R$ 3,5.... hummm.... melhor comprar um pacotinho de pipocas.

E com a suave fragrância de milho e manteiga enchendo minhas narinas, com meu pijama e minha meia de lã e com as lentes de contato devidamente removidas, ligo a TV. Não, não vou assistir a nenhum vídeo hoje. Sexta-feira nunca vale a pena, tendo o Channel 4 à inteira disposição.

O Channel 4 é um verdadeiro banquete para o viciado em night ins de sexta-feira. Não é possível não encontrar pelo menos uma pessoa na segunda-feira que não esteja comentando com outra, em algum pub, o encontro do doutor Crane com as mulheres de sua vida que, em uma alucinação, abandonam sua mente para atormentá-lo, como fantasmas, numa viagem do psicanalista a uma casa na montanha onde ele pretendia refletir sobre a vida. A última temporada de Frasier está destruidora, como as anteriores. Mas o que me interessa não é o Frasier, é o que vem depois do Frasier. Um talk show. Eu nem sei se o Jô Soares continua na Globo. Não sei se ele e o saxofonista Derico continuam fazendo duetos de piadinhas absolutamente sem graça. Não sei se o Jô continua falando mais que os próprios entrevistados, ou se o Jô se tocou que sua egotrip já havia ido longe demais. Você deve ter gostado do Jô no início - a demonstração de que era possível bater um papo descontraído e inteligente num canal de TV aberto e atrair uma boa audiência no fim de noite era um sinal de que nem tudo estava perdido no Brasil. Mas a fórmula, que já havia nascido chupada do David Letterman, era toda baseada na genialidade e no carisma do Jô, e agora, sei lá quantos anos depois de seu início triunfante, já está prá lá de desgastada.

Na Grã-Bretanha, um irlandês gay chamado Graham Norton (foto acima) apresenta seu programa de entrevistas desde 1998 e, até agora, parece estar se dando muito bem. Não é que o programa não seja também baseado na sua graça e personalidade - é sim. É bastante. Imagina um gay que faz piadas o tempo todo usando como tema de fundo a sexualidade. Captou alguma semelhança com A Praça é Nossa ou a Escolinha do Professor Raimundo? Pois é. Então, você deve estar se perguntando porque eu gosto tanto desse gay irlandês ególatra e decidi escrever sobre ele para vocês. A resposta é que eu mesmo não entendo como, contrariando tudo o que se espera, o sujeito faz um programa debochado, colorido-berrante e às vezes de mal gosto, mas sempre incrivelmente, terrivelmente, asfixiantemente engraçado, e que não parece estar perdendo em nada seu encanto, mesmo estando no ar há tanto tempo. Acho que o programa, chamado So Graham Norton, se beneficia de várias coisas de que o Jô Soares não se beneficiou. O Jô é diário - o Graham Norton é só às sextas-feiras, às 22h30, e como todos os programas de comédia semanais aqui da Inglaterra, funciona no esquema de temporadas (periodicamente sai do ar para, daí a alguns meses, voltar a ser transmitido). O formato do Programa do Jô é muito fixo - são as entrevistinhas e as piadas de sempre do Jô. O Graham tem um formato fixo, mas nem tanto, e dentro das estruturas do programa sempre há um elemento importante de surpresa, às vezes mesclado com um pouco de "constrangimento vergonhoso palpável", da parte dos entrevistados, da platéia e dos telespectadores. "Constrangimento vergonhoso palpável" é algo mais raro no Jô... que bate que bate na tecla do Jazz requintado e da alta cultura esnobe de quem passa os feriados em Manhattan.

Você vai entender. A melhor parte do So Graham Norton, que tem cerca de 50 minutos de duração, é a primeira, antes do primeiro intervalo. Dura cerca de 20 minutos. O apresentador, que deve ter uns 35 anos, é magrinho e baixinho, surge no palco usando sempre alguma roupa extravagante, como um terno de vinil vermelho ou de pele de onça. Depois dos aplausos, ele faz a seguinte proposta para a platéia: "Todos se levantem. Agora, quero que só permaneçam de pé as pessoas que viveram um episódio engraçado envolvendo sexo em condições perigosas..." (Essa condição para que as pessoas fiquem de pé ou sentadas muda a cada semana, mas geralmente tem um conteúdo picante. Uma outra semana foi "que fiquem de pé apenas as pessoas que viveram uma situação difícil envolvendo máquinas" ou "as pessoas que viveram uma situação engraçada envolvendo animais"). Entre as pessoas que ficaram de pé, Graham Norton escolhe duas ou três aleatoriamente e vai até elas, com um microfone portátil, e pede para elas descreverem o que aconteceu. São geralmente histórias muito, muito insólitas, com detalhes pornográficos, mas as reações faciais de Norton e seus comentários após cada detalhe do causo são impagáveis - e valorizam a própria narrativa. Gostaria que vocês tivessem visto o dia em que uma mulher falou que estava fazendo sexo oral no marido e que, quando ele foi gozar, ela se afastou e uma gota de esperma acabou voando no olho dela. A platéia riu tanto que o resto do programa inteiro a infeliz da mulher ficou recebendo closes da câmera, e todo mundo voltava a rir automaticamente.

Foi um programa especialmente bom, aliás, porque a segunda parte dele, ainda antes do primeiro intervalo, também foi impagável. A seguir, Norton apresenta o seu primeiro convidado, dos três que ele traz toda noite ao programa. Geralmente, o primeiro convidado é alguém de peso, bastante conhecido em todo o mundo, e os outros dois são figuras mais conhecidas apenas na Grã-Bretanha. Naquela noite, o convidado principal foi o ator francês Gerard Depardieu - de Cyrano e Green Card - Passaporte para o Amor -, conhecido pela seu vasto e batatudo nariz. Os convidados geralmente conversam primeiro com Graham sobre assuntos banais, nada muito inteligente. Depois, Graham gosta de pegar algumas fotos do convidado e perguntar para ele o que ele estava fazendo em cada uma delas. São, obviamente, fotos constrangedoras, e a manifestação de "fragilidade" dos entrevistados sempre encanta a platéia, que rola de rir. Por fim, chega o momento mais aguardado. Depois dessa introdução de cinco minutos, toda orlada por piadas improvisadas de Norton, o apresentador convida o entrevistado a passear com ele pela Internet.

Aí entre a parte admirável de boa produção do programa, e que explica por que foi Gerard Depardieu o convidado da noite. Norton gosta de mostrar o lado mais bizarro da rede mundial de computadores. Sites que não estão no Google nem no Yahoo, páginas obscuríssimas de pessoas com obsessões tão doentias que passam a ser cômicas. Você sabia, por exemplo, que há um site pago de uma mulher de um país do leste da Europa que, caso você queira ver, se propõe a tocar flauta para você? Sim, ela toca flauta pelada em frente a uma webcam. Mas ela não toca a flauta com a boca... mas sim com seu órgão sexual. Um dia, Norton ligou ao vivo para a mulher e pediu para ela fazer uma demonstração - que obviamente não foi mostrada sem que antes a imagem fosse disfarçada para cobrir suas partes íntimas. Um outro site, mostrado há algumas semanas, era o de um sujeito nos Estados Unidos que tinha um serviço de limousine. Você pode alugar a limousine, diz o site, e o motorista canta para você. Sim, uma limousine "show", e o motorista garante que conhece todos os sucessos de Lisa Minelli, inclusive "Cabare" (o motorista, aliás, foi mostrado no programa em que Lisa em pessoa era a convidada, e ela acabou conversando com o motorista, que obviamente não acreditou que era ela mesmo). Mas, voltando ao Gerard Depardieu, nesse dia Norton mostrou um site de um americano que tem fetiche por narizes. Sim, um que considera narizes órgãos profundamente eróticos. O site mostra uma seleção de fotos que o sujeito considera "quentes", com focinhos diversos, uns mais finos e longos, outros mais grossos e curtos. Uns sendo apresentados em fotos tiradas de baixo para cima - detalhando bem o interior das narinas - e outros em poses mais comportadas. Em dado momento, você lê um texto em que o expert em narizes compara o assoar de um nariz a uma "boa carícia preliminar" e o espirro "a um orgasmo". E você vai descendo a página e no final você encontra uma foto de quem? Do Gerard Depardieu, é claro, considerado pelo dono do site o ícone máximo do prazer.

Então o apresentador fala a Depardieu que a produção já havia entrado em contato com o dono do site e pedido para entrevistá-lo ao vivo (na presença do ator), mas o fetichista disse que só topava participar se Depardieu conversasse com ele e fizesse "uma coisinha". Norton conta ao francês o que é a "coisinha", sem deixar a platéia nem os telespectadores saberem o que é. Então, eles ligam para o pervertido. O sujeito atende, Graham Nortom se identifica. "Sim, sim, estava esperando a chamada", diz o dono do site. "O senhor Depardieu está aí?" "Sim", responde Norton.

"- Mas me diga, por que você gosta tanto de narizes?
- O nariz é o órgão mais erótico do corpo. Sua forma, sua protuberância...
- Mas como você prefere um nariz?
- Depende... há dias que eu prefiro mais pontudos, outros dias mais grossos...
- E você gosta de ver pessoas assoando o nariz?
- Eu.... hummmm... isso é muito excitante... Mas o que eu gosto mesmo é de um bom espirro, bem molhado... Mas posso falar com o senhor Depardieu?"
Com a platéia já se esbaldando de rir com o caráter surreal da entrevista, Depardieu fala oi.
- "Senhor Depardieu", diz o fetichista, "C-como vai? Sempre foi meu sonho falar com o senhor..."

Então, depois de um minutinho em que o sujeito elogia Depardieu e lhe fala mais sobre como admira (seu nariz), Graham Norton intervém, dizendo que vai dar ao fetichista o presentinho "que ele havia pedido". Isso mesmo, você adivinhou! Norton dá a Depardieu três lenços de papel e pede que ele dê uma bela, sonora, gostosa assoada de nariz.

O sujeito do outro lado da linha dá um berro de prazer, e eu caiu do sofá, com o Tikka Massala vivendo um terremoto dentro do meu estômago. Juro, nunca dei tanta risada assim. E é mais ou menos dessa forma, toda semana.

Eu fiquei - e fico - impressionado com Graham Norton, porque eu tento imaginar como seria um programa de entrevistas apresentado por um gay brasileiro. Não consigo pensar em nenhum desses gays famosos daí apresentando um programa bom e criativo. Clodovil? Vera Verão? Você deve estar brincando. A Inglaterra tem uma certa tradição de parir gays geniais, e você não precisa ir muito longe na história para encontrar exemplos. O Elton John é um tremendo compositor, embora geralmente insuportável de tão afetado. O Boy George acabou de lançar aqui em Londres o seu musical no West End, o Taboo, muito elogiado, todo com músicas do Culture Club. No Brasil, gay ainda é sinônimo de plumas e paetês e batonzinho purpurina e desmunhecar e tudo mais o que é superficialidade. E isso, por mais que pareçamos liberais. Eu até costumo dizer que só aqui realmente encontrei pela primeira vez gays legais, pessoas com que dá para conversar sem ter que acabar caindo em discussões sobre sexualidade. Pessoas que não ficam te falando o tempo todo que estão ou são... você já deve ter cruzado com um desses por aí. Que bom que as coisas estão mudando. Talvez, o que basta para que o gay seja mais aceito no Brasil seja alguém bem respeitado assumir sua homossexualidade e passar a apresentar algum programa na Globo. Pode ser um programa de entrevistas. Pode até ser um programa de entrevistas para substituir o do Jô. Bom, a não ser que o próprio Jô seja gay e decida se revelar...


Arcano9
Londres, 4/3/2002


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Revolusséries de Luís Fernando Amâncio
02. A Coreia do Norte contra o sarcasmo de Celso A. Uequed Pitol
03. Radiohead e sua piscina em forma de lua de Luís Fernando Amâncio
04. Você sabe quem escreveu seu show preferido? de Fabio Gomes
05. Ao Abrigo, poemas de Ronald Polito de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Arcano9
Mais Acessadas de Arcano9 em 2002
01. It’s my shout - 18/3/2002
02. Bom esse negócio de Hit Parade - 7/1/2002
03. Sua empresa faz festa de Natal? - 27/12/2002
04. Quatro nomes para o êxtase britânico - 10/6/2002
05. Ganha-pão - 29/4/2002


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/3/2002
17h31min
Bom, por aqui temos o David Brasil fazendo entrevistas para o programa da Xuxa, mas por pior que o programa do Jô tenha se tornado, acho que ainda não dá para substitui-lo.
[Leia outros Comentários de luiz fernando]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




FREDDIE S WAR LEVEL 6 - ANO
JANE ROLLASON
CAMBRIDGE
(2010)
R$ 19,90



MONSTRO DO PÂNTANO - RAÍZES DO MAL - VOLUME 1
GRANT MORRISON; MARK MILLAR; PHIL HESTER
PANINI
(2017)
R$ 24,90



O ESPECTADOR NOTURNO
JERÔME PRIEUR
NOVA FRONTEIRA
(1995)
R$ 13,39



EXPOSIÇÃO COMEMORATIVA DOS 70 ANOS DO UNIBANCO
INSTITUTO MOREIRA SALLES
IMS
(1994)
R$ 20,00
+ frete grátis



GRANDE SOL DE MERCÚRIO
ISAAC ASIMOV
HEMUS
R$ 10,00



SUJEITO DAGOBERTO
ALBERTO ALECRIM
ROCCO
(2006)
R$ 4,90



BIOLOGIA REVISADA - 1ª EDIÇÃO
WILLIS HARMAN
CULTRIX
(2013)
R$ 37,95



ANATOMIA DA CRÍTICA
NORTHROP FRYE
CULTRIX
(1973)
R$ 60,00



CONDUTA ESPIRITA
WALDO VIEIRA ANDRE LUIZ
FEB
(1995)
R$ 9,00



DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO ILUSTRADO VEJA LAROUSSE 22
ABRIL
ABRIL
(2006)
R$ 5,50





busca | avançada
37543 visitas/dia
1,2 milhão/mês