As pedras de Estevão Azevedo | Wellington Machado | Digestivo Cultural

busca | avançada
33260 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Brunchinho tem bloco de carnaval infantil e comidinhas saudáveis
>>> O Buraco d'Oráculo encerra residência em Cidade Tiradentes
>>> Musical AVESSO encerra temporada no dia 24 de fevereiro no Teatro Nair Bello
>>> CONGRESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM DAS ARTES NA AMÉRICA LATINA: COLONIALISMO E QUESTÕES DE GÊNERO
>>> FERNANDA CABRAL SE APRESENTA NA CAIXA CULTURAL BRASÍLIA
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Cidadão Samba: Sílvio Pereira da Silva
>>> No palco da vida, o feitiço do escritor
>>> Um olhar sobre Múcio Teixeira
>>> Algo de sublime numa cabeça pendida entre letras
>>> estar onde eu não estou
>>> Nos escuros dos caminhos noturnos
>>> As Lavadeiras, duas pinturas de Elias Layon
>>> T.É.D.I.O. (com um T bem grande pra você)
>>> As palmeiras da Politécnica
>>> Como eu escrevo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Por que ler poesia?
>>> O Livro e o Mercado Editorial
>>> Mon coeur s'ouvre à ta voix
>>> Palestra e lançamento em BH
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
Últimos Posts
>>> É premente reinventar-se
>>> Contraponto
>>> Aparições
>>> Palavra final
>>> Direções da véspera I
>>> Nada de novo no front
>>> A Belém pulp, de Edyr Augusto
>>> Fatos contábeis
>>> Jaula de sombras
>>> Camadas tectônicas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O blog do Fernando Meirelles
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> Mrs. Robinson
>>> A fotografia é a mentira verdadeira
>>> MOMENTOS
>>> Entrevista com José Castello
>>> Roland Barthes e o prazer do texto
>>> Melhores Podcasts
>>> Aqui sempre alguém morou
>>> A imprensa dos ruivos que usam aparelho
Mais Recentes
>>> Espelhos de Joana D' Arc Gouvêa Costa pela Funalfa (2007)
>>> Zen-Budismo e a Literatura - A Poética de Gilberto Gil de Antonio Carlos Rocha pela Madras (2004)
>>> Economia Ambiental de Ronaldo Seroa da Motta pela FGV (2009)
>>> Os Lusíadas edição de luxo com capa dura de Luís de Camões pela Nova Cultural (2002)
>>> Educação Executiva - Curso Estratégia Empresarial de Luiz Alberto N. Campos Filho pela Ibmec (2010)
>>> Educação Executiva - Curso Estratégia Empresarial de Luiz Alberto N. Campos Filho pela Ibmec (2010)
>>> Educação Executiva - Curso Estratégia Empresarial de Luiz Alberto N. Campos Filho pela Ibmec (2010)
>>> São Bernardo - 27ª edição de Graciliano Ramos pela Record (1977)
>>> Death Of a Darklord de Laurell K. Hamilton pela Ravenloft Books (1995)
>>> O Agente Ésse Creto na Selva - 2ª edição de Martin Oliver pela Scipione (1993)
>>> No Alto da Idolatria Sexual de Steve Gallagher pela Graça Editorial (2003)
>>> Leo and Pip de Ron Holt pela Macmillan Children's (1997)
>>> Malraux - Artista e Guerreiro, Filósofo e Estadista de Curtis Cate pela Scritta (1995)
>>> Antologia Poética de Vinícius de Moraes pela Círculo do Livro (1987)
>>> A Física de Jornada nas Estrelas - Star Trek de Lawrence M. Krauss pela Makron Books (1997)
>>> De A a Z Pólvora Pura - Condenado a Falar - 2ª edição de Jorge Kajuru pela Do Autor (2008)
>>> La Femme D'um Autre Et Le Marri Sous Le It de Fédro Dostoievski pela Folio (2009)
>>> Família Periferia Nivelando por Cima de Almério Barbosa pela Um Por Todos (2013)
>>> Os Dez mandamentos - Explicando Para Crianças de Antonio Bueno Lopes pela Ass. N. Senhora das Graças (2017)
>>> Temas do Amor Imortal - 2ª edição de M. B. Tamassía pela Círculo de Claus (1977)
>>> A Semana de 22 - A Aventura Modernista no Brasil de Francisco Alambert pela Scipione (1992)
>>> Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antônio de Almeida pela Objetivo (2000)
>>> Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antônio de Almeida pela Objetivo (2000)
>>> Machado de Assis - Personagens que Marcaram Época de Ana Tereza Clemente pela Globo (2007)
>>> Dom Casmurro de Machado de Assis pela Escala (2008)
>>> Lira dos Vinte Anos - 2ª edição de Álvares de Azevedo pela Escala (2008)
>>> AA Hora e o Tempo que Passa de Vários Autores pela Melhoramentos (1996)
>>> Poesiaterapia de Rosilene Valerio da Silva pela Scortecci (1999)
>>> Mundo Di Versos de Josué Santos pela Do Autor (1966)
>>> A História, o Filme e Você ou o Olhar Mágico de Irene Tavares de Sá pela Paulinas (1984)
>>> Como as Empresas Podem Implementar Programas de Voluntariado de Ruth Goldberg pela Instituto Ethos (2001)
>>> Cruzando o Limiar da Esperança de João Paulo II pela Francisco Alves (1994)
>>> Na Cruz a Salvação - 2ª edição de Enrico Zoffoli pela Padres Passionistas (1975)
>>> Le Rabbin Congelé de Steve Stern pela J'ai Lu (2012)
>>> A Árvore dos Sexos - 4ª edição de Santos Fernando pela Círculo do Livro (1976)
>>> Aline e Seus Dois Namorados de Adão Iturrusgarai pela L & PM Pocket (2001)
>>> Os Canibais Estão na Sala de Jantar - 4ª edição de Arnaldo Jabor pela Siciliano (1993)
>>> Reunião 10 Livros de Poesia - 8ª edição de Carlos Drummond de Andrade pela José Olympio (1977)
>>> A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo pela Editorial Sol90 (2004)
>>> O Ateneu de Raul Pompéia pela Editorial Sol90 (2004)
>>> A Escrava Isaura de Bernardo Guimarães pela Editorial Sol90 (2004)
>>> A Escrava Isaura de Bernardo Guimarães pela Editorial Sol90 (2004)
>>> Bookworms Club Gold - Stories for Reading Circles de Mark Furr pela Oxford (2007)
>>> O Verão do Lobo Vermelho de Morris West pela Círculo do Livro (1971)
>>> Sucesso em Educação Física - Neurolinguística Aplicada de Marcos Tadeu pela Phorte (1998)
>>> Eu te Gosto, Você me Gosta - 15ª edição de Marcia Kupstas pela Atual (1988)
>>> Quem Sou Eu, Meu Deus? de Marjorie Holmes pela Record (1995)
>>> Paixão - Força, Beleza e Perigo de um Sentimento de Maria do Carmo Ferrari Fagundes pela Gente (2000)
>>> AS Aventuras de Tom Sawyer de Mark Twain pela Abril Cultural (1980)
>>> Tanto Faz - 2ª edição de Reinaldo Moraes pela Brasiliense (1982)
COLUNAS

Quarta-feira, 10/10/2018
As pedras de Estevão Azevedo
Wellington Machado

+ de 2900 Acessos

Quem estava a par do que acontecia no Brasil nos anos 1980, mais especificamente na cidade de Curionópolis (PA), pôde acompanhar uma corrida da população para explorar ouro na região. Foram retiradas mais de 30 toneladas do metal, no maior garimpo a céu aberto do mundo. O lugar ficou conhecido como Serra Pelada, uma região desprovida de estrutura, que recebeu mais de 80 mil garimpeiros, anunciando a precaridade da condição humana. Cada garimpeiro buscava na escavação e apuração, no “trabalho fácil”, o sonho de enriquecer para toda a vida. Dali surgiram vilas, lugarejos e palafitas, que abrigavam, com um certo grau de amontoamento, os trabalhadores aventureiros – muitos deles com suas famílias. O movimento e o cotidiano do garimpo foi registrado por Sebastião Salgado.

Um recorte do que poderia acontecer nesses possíveis lugarejos foi imaginado por Estevão Azevedo em Tempo de espalhar pedras (no caso, diamantes), romance relançado pela Record em 2018 - a primeira edição saiu em 2014 pela Cosac Naify, editora extinta na mesma semana do lançamento; o livro venceu o prêmio São Paulo de Literatura de 2015.

O cenário do livro é um distrito pequeno, onde as pessoas, quando não estão no garimpo, estão bebendo na praça, num “não-fazer” eterno, sob o sol escaldante. Uma praça onde os dias se vão sem maiores novidades:
Alguns garimpeiros sem trabalho vagavam de um lado para o outro, movidos pelo tédio e falta de perspectiva. Outros contavam histórias e riam da própria miséria trocavam sopapos amistosos e provocações cordiais que algumas vezes descambavam para a contenda, assobiavam para a rara moças sem doo que por ali passavam, bebiam poucas moedas de que dispunham. Homens embrutecidos pela faina desde sempre, e pela falta dela desde que as pedras haviam rareado.

***

A relação entre Rodrigo e Ximena, mais carnal e sexual do que de afeição, permeia toda a narrativa, que tem parentesco com a forma de narrar de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, João Cabral e Saramago. O leitor vai encontrar no livro toda uma gama de trejeitos nordestinos, lendas, brigas e vingança, que delineiam a imagem do sertão “cabra-macho”, que normalmente nos chega caricaturada pelas séries televisivas.

Os pais de Rodrigo e Ximena são inimigos mortais – há um jogo interminável de vingança entre as famílias. Diogo (pai de Rodrigo) carrega uma aversão quase que espiritual a Gomes (pai de Ximena). Paralelos ao fio narrativo dessas famílias, há personagens bem elaborados, simbolizando a violência, a malandragem ou a loucura. Aureliano, por exemplo, é um coronel autêntico, com autoridade informal, rodeado de capangas a protegê-lo ou para “fazer justiça”. É o comprador oficial de diamantes. Cuida do “câmbio”, do pagamento das pedras, e da inevitável exploração dos garimpeiros.

Silvério é um religioso místico. De tanta fome vai à loucura e começa a ter alucinações. Num dado momento, arrebanha seguidores para uma procissão, tornando-se uma espécie de Antônio Conselheiro da cidade. Bezerra quase não garimpa, mas está sempre com dinheiro para as cachaças. Por sorte, ele descobriu uma passagem secreta que o leva a uma espécie de tesouro particular de diamantes. Quando o dinheiro escasseia, ele entra na mata para tirar uma pedra, garantindo-lhe o sustendo por mais uns dias. Joca, irmão de Rodrigo, é perseguido numa das cenas mais angustiantes do romance, quando é cercado numa tocaia à Lampião. A construção desses personagens tem o mesmo peso dos personagens principais no livro de Estevão.

Como toda riqueza é esgotável, os diamantes começam a rarear. A fome e a miséria definham a vida do lugarejo. Muitos vão à loucura, cavam o quintal das residências em busca de diamantes. No ápice da loucura, perfuram a parte interna das próprias casas. Pessoas mendigam comida, o chão duro e seco não brota planta, mais parece Vidas secas, de Graciliano Ramos. Silvério chega a se humilhar ao pedir comida a Diogo:
Vim para saber se, com todo o respeito e por Deus, o senhor não teria mandioca ou pão ou outro de comer para me vender, a pagamento futuro e garantido, o senhor sabe, acabou-se o que eu tinha, plantação não vingou, foi praga, pois foi, só pode ter sido […] Silvério estava louco. É a fome, disseram alguns, pois não planta, não cria animais, nem mesmo esmola, o infeliz. Se reza enchesse bucho, o padre não cobrava o quinto...

***

O leitor mais atento identificará em Tempo de espalhar pedras algumas formas de narrar de alguns escritores brasileiros. Há ecos de Guimarães Rosa em expressões como:
(...)mastigou o oco da boca; (...)fazer Vitória rezar pra dentro umas imundícias; (...)espairecer, palavra de garimpeiro? Nem não; (...)muito no passado, arriscara consulta a proclamados doutores, quando os havia, e eles tentavam pomada, emplastro, chá, mas, para dor que não existe, o adequado é remédio que não se encontra ou colherada de ar.

E há trechos que lembram Saramago, pela cerzidura das frases picadas na construção de um cenário, situação, estado de espírito ou psicológico:
(...) Em uma única vez, no entanto, e justo naquela, eis a sorte dentro do azar, foi acontecer o improvável: um desacordo entre gatilho, martelo e agulha, talvez pela fadiga dos frequentes e bem prestados serviços, fez a bala, ao contrário das predecessoras, que daquele útero mecânico foram todas expelidas em explosivo nascimento e, uma vez dadas à luz, desconfortáveis no contato com o ar, como se desistissem, em uma espécie de desparto, pode-se dizer, logo encontraram novo corpo em que se aninhar, o desacordo mecânico fez essa bala, a dessa única e precisa vez, não entendendo que deveria deixar o cano e desnascer em outras carnes, incendiar-se ali mesmo, dentro da arma, não vingar e explodir.

***

Cachaça, assassinatos, facadas… O estereótipo do sertanejo cabra-maracado-pra-morrrer dão o tom de humor em Tempo de Espalhar pedras. As situações dramáticas têm sempre um chiste narrativo intercalado. Há expressões características da idiossincrasia nordestina, que se aproximam do anedotário de Ariano Suassuna do Auto da Compadecida. Azevedo é hábil na criação de frases de efeito (não raro elas são epígrafes dos capítulos):

Quem rasga um ventre não tem medo de intestino.
Quem tem sobrenome não aperta o gatilho
Devaneava. Mulher era lá opção? Tivesse dois braços lisos ao seu lado naquele escondido em que descobrira o garimpo, dava-lhe enxada? Dava-lhe beijos...
Rosário não decidiu sujar a lâmina, afiada e lavada havia pouco na água corrente (…) e por isso elegeu um tiro como forma de liquidar o assunto
Dissesse o homem meia palavra ao coronel, estava Bezerra pobre e, pior, morto, que é um modo de estar pobre, só que de vida.
(…) Rodrigo via quando queria aqueles pedaços de pele de Simena que o sol não costumava iluminar
(…) manteve no coldre o parabélum e serviu-se do facão para extrair das tripas do ladrão o sopro que animava suas furiosas imprecações...
Vingança iminente fede mais que cadáver, daí a vila desgostar que ela tarde;

Em alguns trechos, Estevão Azevedo cria também metáforas bem humoradas: Roubo? O coronel mandava cortar o dedo como castigo; a mão se fosse necessário [...]diziam tudo isso mas até hoje não tinham visto ninguém que cumprimentasse incompleto ou desse meio aceno de longe; ou valendo-se de jogos de palavras: os diamantes ou não existiam mais ou haviam aprendido a se disfarçar de granito; matar era do costume, judiar não, isso era modo de quem tinha índole perversa, de quem não valia a arma que empunhava...

***

À primeira vista poderíamos cogitar que Estevão Azevedo tivesse realizado inúmeras pesquisas de campo, visitado cidades do interior nordestino tomando notas etc. para escrever o livro. Mas não. O autor valeu-se apenas de pesquisa bibliográfica para compor sua história. De uma frase do Eclesiastes tirou o nome do livro; do Cascalho (Herberto Sales) tirou informações sobre o garimpo; do livro Fome (Knut Hamsun) captou os delírios de fome dos personagens; e do Abril Despedaçado (Ismail Kadaré) pesquisou sobre vingança. Há de se destacar a honestidade intelectual do autor ao citar todos os livros e todo o percurso da criação do romance. O maior mérito foi ter criado um história densa, com personagens carregados de exotismo.

O livro tem capítulos bem delineados, que evidenciam ao leitor toda a estrutura esboçada por Estevão na construção do romance. Em tempos de predominância da autoficção há de se ressaltar a capacidade imaginativa do autor, com extremo domínio narrativo. Estevão Azevedo arrancou pedras do chão para construir uma história carregada de verossimilhança em Tempo de espalhar pedras.


Wellington Machado
Belo Horizonte, 10/10/2018


Mais Wellington Machado
Mais Acessadas de Wellington Machado
01. O poeta, a pedra e o caminho - 5/8/2015
02. A ilusão da alma, de Eduardo Giannetti - 31/8/2010
03. Enquanto agonizo, de William Faulkner - 18/1/2010
04. Meu cinema em 2010 ― 1/2 - 28/12/2010
05. Meu cinema em 2010 ― 2/2 - 4/1/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




AMERICA - LITERATURA BRASILEIRA
MONTEIRO LOBATO
BRASILIENSE
(1951)
R$ 5,00



DIÁRIOS DE JACK KEROUAC: 1947-1954
JACK KEROUAC
L&PM
(2006)
R$ 38,00



ESPIRITUALIDADE E TRANSCENDÊNCIA
C. G. JUNG
VOZES
(2018)
R$ 58,38



O QUINZE - RACHEL DE QUEIRÓZ (LITERATURA BRASILEIRA)
RACHEL DE QUEIRÓZ
JOSÉ OLYMPIO
(1987)
R$ 8,00



SOCIEDADES CAMPONESAS
HENRI MENDRAS
ZAHAR
(1978)
R$ 125,00
+ frete grátis



SAMUEL KLEIN E CASAS BAHIA - UMA TRAJETÓRIA DE SUCESSO
ELIAS AWAD
NOVO SÉCULO
(2013)
R$ 25,00



SOBRE A VIDA FELIZ
SANTO AGOSTINHO
VOZES
(2014)
R$ 7,00



VOCÊ PODE CURAR SUA VIDA
LOUISE L. HAY
BEST SELLER
(1984)
R$ 24,00



VAMOS FAZER BARULHO! - UMA RADIOGRAFIA DE MARCELO D2
BRUNO LEVINSON
EDIOURO
(2007)
R$ 31,47



BAUHAUS
VÁRIOS
SCALA
(2011)
R$ 150,00





busca | avançada
33260 visitas/dia
1,0 milhão/mês