Autistas e que sao eles* | Paulo Polzonoff Jr | Digestivo Cultural

busca | avançada
71136 visitas/dia
2,4 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Oficina de Objetos de Cena nas redes do Sesc 24 de Maio
>>> Lançamento: livro “A Cultura nos Livros Didáticos”, de Lara Marin
>>> Exposição coletiva 'Encorpadas - Grandes, largos, políticos: corpos gordos'
>>> Clássicos da Literatura Unesp ganha mais cinco títulos
>>> Bertolt Brecht inspira ÉPICO
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Pobre rua do Vale Formoso
>>> O que fazer com este corpo?
>>> Jogando com Cortázar
>>> Os defeitos meus
>>> Confissões pandêmicas
>>> Na translucidez à nossa frente
>>> A Velhice
>>> Casa, poemas de Mário Alex Rosa
>>> Doutor Eugênio (1949-2020)
Colunistas
Últimos Posts
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
>>> Metallica tocando Van Halen
>>> Van Halen ao vivo em 2015
>>> Van Halen ao vivo em 1984
>>> Chico Buarque em bate-papo com o MPB4
Últimos Posts
>>> Tonus cristal
>>> Meu avô
>>> Um instante no tempo
>>> Salvem à Família
>>> Jesus de Nazaré
>>> Um ato de amor para quem fica 2020 X 2021
>>> Os preparativos para a popular Festa de Réveillon
>>> Clownstico de Antonio Ginco no YouTube
>>> A Ceia de Natal de Os Doidivanas
>>> Drag Queen Natasha Sahar interpreta Albertina
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Itinerário de leituras on-line
>>> Sobre caramujos e Omolu
>>> Partilha do Enigma: poesia de Rodrigo Garcia Lopes
>>> Comum como uma tela perfeita
>>> Revista Meio Digital
>>> Do jornalismo como performance
>>> A Nova Revista da Cultura
>>> Aos nossos olhos (e aos de Ernesto)
>>> A Teoria Hipodérmica da Mídia
>>> Os prédios mais feios de SP
Mais Recentes
>>> Dicionário Oxford Escolar Para Estudantes Brasileiros de Inglês de Oxford University pela Oxford (2009)
>>> Breve história de sete assassinatos de Marlon James pela Intrínseca (2017)
>>> Carmen Portinho - Coleção Perfis do Rio de Ana Luiz Nobre pela Relume Dumará (1999)
>>> Relações Humanas Interpessoais nas Convivências Grupais e Comunitárias de Silvino José Fritzen pela Vozes (1987)
>>> Perdas Necessárias de Judith Viorst pela Melhoramentos (1988)
>>> Acima de Qualquer Suspeita - Presumed Innocent de Scott Turow pela Record (1987)
>>> Para Gostar de Ler 27 - Histórias Sobre Ética de La Fontaine Machado de Assis e Outros pela Ática (2003)
>>> Dia dos Mortos de Marcelo Ferroni pela Globo (2004)
>>> Kota de Richar Forsithe pela Nova Cultural (1989)
>>> O que é Arte? A polemica visão do Autor de Guerra e Paz de Tolstoi pela Ediouro (2002)
>>> As Cinco Estações do Corpo de João Curvo e Walter Ms. Tuche pela Rocco (2001)
>>> Valsa Negra de Patrícia Melo pela Companhia das Letras (2003)
>>> Um Fio de Esperança de Nancy Guthrie pela Mundo Cristão (2008)
>>> Oblomov de Ivan Alexandrovitch Gotcharov pela Germinal (2001)
>>> O Apanhador no campo de centeio de Jorio Dauster; Antonio Rocha; Alvaro Alencar pela Do Autor (2012)
>>> Auto-sentimento de Norberto R. Keppe pela Proton (1977)
>>> A Nova Dieta Revolucionária do Dr. Atkins de Roberto Atkins pela Círculo do Livro (1972)
>>> Fé e Liberdade - O Pensamento Eco. da Escolástica de Alejandro A. Chafuen pela Lvm (2019)
>>> Serenidade e Paz pela Oração de Rafael Llano Cifuentes pela Do Autor (2002)
>>> Trilogia de Cinquenta tons de cinza. Vol.1 , Vol. 2 e Vol. 3 de E L James; E L James; Maria Carmelita Padua Dias pela Intrinseca (2012)
>>> Quando Tudo Não é o Bastante de Harold S. Kushner pela Nobel (1999)
>>> Febre de Enxofre de Bruno Ribeiro pela Penalux (2016)
>>> Grandes e novas Invenções de Não informado pela Knorr
>>> No Início - Contos de Adriana Griner pela Biblioteca Pública do Paraná (2014)
>>> Parâmetros Curriculares Nacionais - Vol 6 de Não informado pela Arte (1997)
>>> O Alquimista de Paulo Coelho pela Rocco (1988)
>>> Namoro blindado: O Seu Relacionamento à Prova De Coração Parido EAN: 9788578607654 de Renato & Cristiane Cardoso pela Thomas Nelson (2016)
>>> Navegar é preciso de Anaína Amado; Ledonias Franco Garcia pela Atual Didáticos (1989)
>>> Conte-me seus sonhos de Sidney Sheldon pela Record (2000)
>>> Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis pela Globo/Klick (1997)
>>> O poder das afirmações positivas - Coleção Autoestima EAN: 9788575421680 de Louise Hay pela Sextante (2005)
>>> As Melhores Histórias de Princesas de Monica Rodrigues da Costa e Lidia Chaib Adaptação pela Publifolha (2000)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 24. Crônicas 3º Volume (1871 - 1878) de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 23. Crônicas 2º Volume (1864 - 1867) de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> A Viola Enluarada De Zequinha Piriri EAN: 9788526231771 de Rosana Rios pela Scipione (1997)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 22. Crônicas 1º Volume (1859 - 1863) de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 21. Contos Fluminenses II de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 20. Contos Fluminenses I de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 19. Teatro de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 18. Poesias de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 17. Relíquias Da Casa Velha 2º Volume de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 16. Relíquias Da Casa Velha 1º Volume de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 15. Páginas Recolhidas de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> O melhor de Hagar o horrível – vol. 3: 441 EAN: 9788525412195 de Dik Browne pela L&PM Pocket (2007)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 14. Várias Histórias de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa 7 volumes de Antenor Nascentes pela Bloch (1972)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 13. Histórias sem Datas de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 12. Papeis avulsos de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 11. Histórias Românticas de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
>>> Obras Completas De Machado De Assis - Vol 10. Histórias da Meia Noite de Machado de Assis pela W. M. Jackson Inc. (1957)
COLUNAS

Quarta-feira, 28/11/2001
Autistas é que são eles*
Paulo Polzonoff Jr

+ de 4000 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Daniela Mountian

Mais uma vez — para variar — os intelectuais torcem o nariz para o programa Casa dos Artistas, o reality show do SBT, que se firmou como o maior fenômeno da televisão brasileira nos últimos tempos. A idéia vocês já conhecem: artistas de segundo escalão foram colocados numa casa luxuosa, com todo tipo de conforto, e a única obrigação deles é permanecerem juntos durante longos 45 dias. Missão quase impossível e, crêem os psicólogos, muito, mas muito mais difícil mesmo que o global No Limite 3, que agora parece tão-somente um monte de gincanas à moda do Passa & Repassa, que agitava os pré-adolescentes no início da década de 90.

Por mais inteligente que o leitor se julgue, ou seja, por mais que sobre sua cabeceira se acumulem Wittgenstein, Hegel, Kant e outros tantos nomes europeus, de sintaxe quase ininteligível, ainda assim Casa dos Artistas fascina porque mostra algo que os filósofos não conseguiram, com seus supercérebros, compreender: a intrínseca maldade humana.

Em Casa dos Artistas a maldade tem um atrativo que, em tempos de desvalorização do dólar, nem é tão grande assim. Ainda mais se levarmos em conta que os “artistas” em questão, apesar de serem de segundo escalão, não são coitadinhos, que precisam da soma de R$ 300 mil para sobreviver. Aliás, se você já assistiu ao Casa dos Artistas — e você já assistiu, tenho certeza — , deve ter percebido que Supla, o filho da prefeita de São Paulo e do senador Eduardo Suplicy, é constantemente alvejado por seus colegas por ter uma vida supostamente abastada.

Casa dos Artistas está sendo comparada a um zoológico humano. É uma expressão pedante, própria daqueles que nos colocam, seres humanos, como uma espécie imune a comportamentos tipicamente animais. Sem hipocrisia (ou com o menos de hipocrisia possível), pensemos no sexo que, dizem, está sendo feito e refeito sob aqueles pesados edredons, mesmo que as câmeras não cessem de filmar. Zoológico humano, dizem os especialistas em mídia (sic), como se não fosse a coisa mais natural do mundo, nestes tempos de liberação sexual pós-década de 70, homens e mulheres sentindo-se atraídos uns pelos outros e... tchan, tchan, tchan. Aqui outro trunfo deste Casa dos Artistas: jogar na nossa cara aquilo que tentamos esconder a tanto custo: somos, sim, animais, com direito a nome científico e tudo. Que me auxiliem os biólogos, caso esteja enganado.

Dentre estes animais enjaulados, nenhum causa maior comoção não só entre as menininhas aspirantes a herdeira de família quatrocentona paulista, mas também entre marmanjos que admiram o jeito falsamente despojado dele, Supla, agir. Escrevi falsamente despojado mas confesso que não consigo ver muita falsidade nas falas chulas de Supla. Ele, entre todos, parece ser o mais Homo sapiens, não importa de que Era.

Não foi à toa, portanto, que Supla caiu nas graças de Sílvio Santos e do público desde sua primeira aparição na “novela da vida real”, como reza, sabiamente, o slogan. Somente uma zebra pode tirar-lhe os R$ 300 mil em prêmios. Fofocas de dentro da Casa dizem que ele pretende gastar todo este dinheiro em instrumentos musicais — alguém duvida?

Antes de tecer comentários sobre Supla, contudo, vale pensar na atitude de Sílvio Santos, que tem se mostrado, principalmente depois que a tal Marluce Dias assumiu a Rede Globo, ser o maior gênio da televisão brasileira. A maioria das acusações contra o Homem do Baú parte do princípio de que ele não vê a televisão como um meio de educação para o povo, e sim como apenas um entretenimento rentabilíssimo. Esta é uma discussão para os teóricos. Aqui cabe perceber que, como empreendedor (palavrinha cara aos empresários brasileiros), Sílvio Santos é mestre e merece, sim, ser copiado. Até quando percebe já o avanço da idade e a falta de um herdeiro legítimo para capitanear seus negócios quando a derradeira velhice lhe pousar as mãos, mostra-se arrojado como um jovem de 23 anos (ou melhor: mais arrojado que um jovem de 23 anos). Informações dão conta de que Sílvio Santos ofereceu ao Boni, ex-manda-chuva da Globo, nada menos que 30% do SBT, para que ele comande a Organização. Isso, em termos reais, significa uma bolada de R$ 450 milhões.

A idéia da Casa dos Artistas, plágio ou não, foi uma tacada de mestre de Sílvio Santos porque, mesmo correndo o risco de ter a atração embargada pela justiça, com a exibição dos primeiros capítulos ele simplesmente tirou da Rede Globo, que detém os agora desvalorizados direitos sobre o Big Brother holandês: o fator originalidade. Mesmo que a Globo leve o Big Brother a cabo, ele jamais será novidade. Há ainda outra variante que faz de Casa dos Artistas algo louvável do ponto de vista estratégico: somente mesmo o SBT, com um plantel que deixam os intelectuais corados pelo suposto (?) baixo nível, como Ratinho, Hebe, Carla Perez, Gugu e quetais, poderia ter escalado atores, modelos e gente-famosa-quase-anônima (como Bárbara Paz) para se exporem ao ridículo por 45 dias. Um exercício de imaginação para o leitor dá a dimensão da genialidade da idéia: imagine a mesma atração, sob a batuta Global. Será que Vera Fisher, Taumaturgo Ferreira, Reinaldo Gianechini, Glória Maria e outros astros deste quilate se submeteriam à prova? Possivelmente não. Restaria então à Vênus Platinada a opção de colocar anônimos (e, não se esqueçam: se são anônimos, é por um bom motivo) numa casa. Uma atração como a Casa dos Artistas, nas mãos de Marluce, cheira a fracasso.

Supla — O cantor, compositor, showman, suposto clone de Billy Idol e ainda filho do senador Eduardo Suplicy com a prefeita de São Paulo Marta Suplicy Supla é o queridinho da Casa dos Artistas. Ele já começou o programa causando polêmica. Na primeira semana, ameaçou cair fora, sob alegação alguma. Simplesmente quase se foi. Sabe-se lá por quais motivos esotéricos, ficou. O Ibope do SBT agradeceu, claro.

O que mais agrada aos espectadores quando vêem Supla aparecer na tela, seja acompanhado da namoradinha Bárbara Paz, seja cantando suas horripilantes músicas com o também desafinado Alexandre Frota, é a indecisão que toma conta do moçoilo. Afinal, aos 35 anos, teria Supla finalmente atingido a maturidade que é própria da idade? Provavelmente não.

Uma pesquisa realizada pelo portal da Agência Estado na última semana revelou que Supla é o preferido da Casa dos Artistas. Ele tinha 60% da aprovação popular. A desconhecida Bárbara Paz chegou em segundo lugar, com 14%. As outras “unanimidades” que a pesquisa revelou foram a de que Alexandre Frota é o preferido entre os entrevistados para ser eliminado (53%), seguido pelo chorona Mary Alexandre (aquela do tal do Vavá), com 14%.

Enquanto isso, em outro canal, a Globo também tenta pegar canora em pseudopolêmicas para alavancar seu caidaço No Limite. Semana passada, a dona-de-casa e aspirante a escoteira na Ilha de Marajó, Cláudia Lúcia, cometeu a indelicadeza de, em plena semana em que se comemorava o Dia da Consciência Negra, dizer que não criava suas filhas para casarem com negros, porque não conseguia imaginar seus filhos com cabelos “sarará”. Achar que é uma opinião isolada, a da dona-de-casa e ex-modelo, de abdômen bem definido mas cérebro nem tanto, é tapar o sol com a peneira. Todo tipo de ONG que esteja envolvida com a questão negra sabe que o povo brasileiro é racista, sim. O que chama a atenção, neste caso, é que No Limite é um programa editado semanalmente, e não diariamente, como a Casa dos Artistas. O editor do programa podia muito bem cortar a fala da participante, o que evitaria, para a sempre correta Globo, a polêmica. Assim sem querer (!), a declaração foi ao ar e causou o maior rebuliço. Deputados do PT escreveram uma carta de repúdio. Juízes querem processar a participante que, inclusive, pode ser expulsa, numa atitude de extrema hipocrisia.

Durante toda a semana, a Globo tratou o caso como uma notícia qualquer. Não se preocupou com possíveis ranhuras em sua imagem. Isso leva a crer, para os otimistas, que a emissora está mudando, preocupada em discutir os valores enraizados na sociedade brasileira. Balela. A polêmica renderá (e os números desta semana mostrarão isso), sensível aumento no Ibope do capenga No Limite 3. Eis o xis da questão.

Cláudia Lúcia, por sinal, poderia muito bem virar tese pelas penas dos chatos intelectuais das universidades, caso os intelectuais tivessem o cuidado de assistir a este tipo de programa televisivo. Na semana retrasada, por exemplo, a eliminada do No Limite foi uma tal de Janaína. Não vai ganhar nada, a não ser a lembrança de quase ter se afogado, de ser pulado de pára-quedas, e de ficar marcada como um verdadeiro zero à esquerda para seu grupelho de gincanas escolares. A eliminação de Janaína, contudo, revela muito, mas muito mas que isso.

Menina pobre, do subúrbio do Rio de Janeiro, Janaína (assim, sem sobrenome, como tantos zé-ninguéns) sempre se mostrou a mais fraca das competidoras. Ela trabalhava oito horas numa faculdade particular para estudar de graça à noite e, nas propagandas que antecederam o programa, dizia que seu sonho era se tornar promotora, ao que acrescentava: “Um sonho bem alto, eu sei”. Era óbvio que logo seria eliminada. Ao contrário de seus companheiros, não estava acostumada com a ambição a qualquer custo, esta filosofia que rege as relações da classe-média. Estava mais preocupada em não atrapalhar do que em ser realmente útil, pois assim lhe fora ensinada. Participou bravamente de várias provas, inclusive comendo macarrão com minhoca. Não sabia nadar e um dia quase se afogou. No dia em que tinha de pegar caranguejos com a mão, fraquejou. Poucos se deram conta de que as lágrimas de Janaína, eliminada, não eram lágrimas de quem perdia os R$ 300 mil em prêmios, o que permitiria a ela realizar o sonho de ser promotora, talvez. Era o choro de alguém acostumado à exclusão, em qualquer grupo que fosse, até mesmo na longínqua Ilha de Marajó, no Pará. Janaína está longe de ser miserável. Há quem diga até que é “elite intelectual do país”, porque cursa uma universidade; mas também está longe de fazer parte desta sociedade que faz qualquer coisa para ganhar seus R$ 300 mil, seja para comprar uma academia de ginástica (destino do dinheiro caso caia nas mãos de Cláudia Lúcia), seja para comprar instrumentos musicais (nas mãos de Supla), seja para comprar uma casa (nas mãos de Bárbara), ou seja até mesmo para ajudar a uma criança hospitalizada (como diz Alexandre Frota). É pena que os intelectuais não se debrucem sobre o caso Janaína/Cláudia Lúcia, mas isso até que é compreensível. Na torre de marfim das universidades, o v-chip bloqueou definitivamente a Globo e o SBT, e os intelectuais estão condenados para sempre a assistir a documentários sobre Schoppenhauer, de onde tiram suas profícuas — e inúteis — teses.



* A palavra autista está sendo usada de modo pejorativo,ao se referir à Casa dos Artistas. É pena, porque se trata de doença psiquiátrica grave. Não é intenção deste colunista denegrir a imagem dos que sofrem de autismo. O título é somente uma brincadeira com o comportamento pouco sociável dos intelectuais com relação ao referido programa.


Paulo Polzonoff Jr
Rio de Janeiro, 28/11/2001


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Com quantos eventos literários se faz uma canoa? de Ana Elisa Ribeiro


Mais Paulo Polzonoff Jr
Mais Acessadas de Paulo Polzonoff Jr em 2001
01. Transei com minha mãe, matei meu pai - 17/10/2001
02. Está Consumado - 14/4/2001
03. A mentira crítica e literária de Umberto Eco - 24/10/2001
04. Reflexões a respeito de uma poça d´água - 19/12/2001
05. Deus - 25/7/2001


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
28/11/2001
13h11min
Prezado Paulo Polzonoff Jr, sou de seus poucos leitores que ainda não assistiram a "Casa dos Artistas" (e não assisti pelo fato de não ver televisão em casa; trata-se de uma opção exótica, reconheço, mas cuja discussão me afastaria do tema deste e-mail). Mesmo não tendo visto o programa, sei muito bem de sua existência através da imprensa escrita. Devo, a propósito, estar na contramão do gosto majoritário dos telespectadores, pois não simpatizo com o atual campeão de popularidade, Supla, e tenho uma afinidade meio pueril com a imagem pública de rebeldia do Frota, campeão de impopularidade, conforme assinalado. Agora, e finalmente, quanto a seu artigo, gostaria de ressaltar, em primeiro lugar, que está escrito com muita clareza. Em segundo lugar, acho apropriado o contra-ponto que você tece entre o arrojo do SBT e o burocratismo da Globo, rainha suprema do politicamente na moda. Em terceiro e último lugar, adorei o sarro que vc tira da "classe" intelectual. Quem já dissecou bem esse pessoal foi o Paul Johnson, num livro justamente intitulado "Intellectuals". Um abraço.
[Leia outros Comentários de toni]
30/11/2001
17h30min
A mudança que ocorre na midia no momento atual, é que no passado homem queria construir um novo mundo fazendo uso dos signos de sua produção cultural,no momento atual o homem constroi e é construido pelo proprio mundo simbolico, seria o que podemos chamar de "AUTISMO COLETIVO". Neste mundo onde ocorre uma avalanche de informações, o "olhar superficial" esta presente na obsorção dos conteúdos produzidos tanto na maneira que a classe proletária os absorve, e igualmente superficial tambem a maneira que a elite intelectual os analisa. É neste contexto que esta inserida a "casa dos artistas".
[Leia outros Comentários de Francis Alves]
6/12/2001
18h36min
Parabéns, Paulo: brilhante. Um abraço, a um jovem, imagino, inteligente. Sergio Storti,jornalista, Mestre em Ciências da Comunicação pela USP,onde os documentários idiotas são, pelo menos eram -acho que não isso não muda aqui no .. do mundo- sobre Grammci,Marx,Engels, Escola de Frankfurt, você sabe, os de sempre.
[Leia outros Comentários de Sergio Storti]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




ANÁLISE MARXISTA - ARRAIGADOS E FIRMADOS NA CARIDADE - 2379
PEDRO ARRUPE
LOYOLA
(1980)
R$ 10,00



OUTRA AMAZÔNIA HISTÓRICA DA BIBLIOTECA NACIONAL - 9357
DIVERSOS
N/D
(2009)
R$ 10,00



RIR AINDA É O MELHOR REMÉDIO
ROBERT HOLDEN
BUTTERFLY
(2005)
R$ 10,00



PEDAÇOS DE VIDA
OTÁVIO BRAGA
BELO HORIZONTE
R$ 10,00



HISTÓRIAS E FRASES DE EFEITO (PARA APRESENTAÇÃO EM PÚBLICO) - 9660
ACÁCIO MORAES GARCIA (AUTOGRAFADO)
DO AUTOR
(2010)
R$ 10,00



CEM PEQUENAS POESIAS DO DIA A DIA
ANDRE KONDO
TELUCAZU EDIÇÕES
(2016)
R$ 10,00



XAVIERA - A RAINHA DAS ALICIADORAS
XAVIERA HOLLANDER
RECORD
(1973)
R$ 10,00



LENDAS E MITOS DO BRASIL
THEOBALDO MIRANDA SANTOS
CIA EDIT NACIONAL
(2004)
R$ 10,00



COMO TRABALHAR PARA UM IDIOTA
JOHN HOOVER
FUTURA
(2005)
R$ 10,00



O VALOR DA AMIZADE
ATILANO ALAIZ
PAULINAS
(1986)
R$ 10,00





busca | avançada
71136 visitas/dia
2,4 milhões/mês