Carta aos Amigos | Rennata Airoldi | Digestivo Cultural

busca | avançada
46024 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
Colunistas
Últimos Posts
>>> Banco Inter É uma BOLHA???
>>> Não Aguento Mais a Empiricus
>>> Nubank na Hotmart
>>> O recente choque do petróleo
>>> Armínio comenta Paulo Guedes
>>> Jesus não era cristão
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Um ano de reflexões na Big Apple
>>> Steve Jobs apresentando o iPad
>>> De quantos modos um menino queima?
>>> Mastigar minhas relações
>>> Vaguidão específica
>>> As pedras de Estevão Azevedo
>>> Da Poesia Na Música de Vivaldi
>>> Festa na floresta
>>> A crítica musical
>>> 26 de Julho #digestivo10anos
Mais Recentes
>>> Coleção para gostar de ler de Varios pela Atica (1985)
>>> Grande Enciclopédia de Modelismo - Cor e Pintura de Walquir Baptista de Moura - Produção pela Século Futuro
>>> Meu pequeno fim de Fabrício Marques pela Segrac (2002)
>>> Grande Enciclopédia de Modelismo - Materiais e Ferramentas de Walquir Baptista de Moura - Produção pela Século Futuro
>>> Livro Dicionário Enciclopédico Veja Larousse - Volume 1 de Eurípedes Alcântara , Diretor Editorial pela Abril (2006)
>>> O diário de Larissa de Larissa Manoela pela Harper Collins (2016)
>>> Corpo de delito de Patricia Cornwell pela Paralela (2000)
>>> A Arte da guerra de Sun Tzu pela Pé da letra (2016)
>>> O fio do bisturi de Tess Gerritsen pela Harper Collins (2016)
>>> A garota dinamarquesa de Davdid Ebershoff pela Fabrica 231 (2000)
>>> Uma auto biografia de Rita Lee pela Globo livros (2016)
>>> Songbook Caetano Veloso Volume 2 de Almir Chediak pela Lumiar
>>> A Sentinela de Lya Luft pela Record (2005)
>>> O teorema Katherine de John Green pela Intriseca (2006)
>>> Louco por viver de Roberto Shiyashiki pela Gente (2015)
>>> A ilha dos dissidentes de Barbara Morais pela Gutemberg (2013)
>>> Sentido e intertextualidade de Emanuel Cardoso Silva pela Unimarco (1997)
>>> Mistérios do Coração de Roberto Shinyashiki pela Gente (1990)
>>> Interrelacionamento das Ciências da Linguagem de Monica Rector Toledo Silva pela Edições Gernasa (1974)
>>> Sociologia e Desenvolvimento de Costa Pinto pela Civilização Brasileira (1963)
>>> O Coronel Chabert e Um Caso Tenebroso de Honoré de Balzac pela Otto Pierre Editores (1978)
>>> O golpe de 68 no Peru: Do caudilhismo ao nacionalismo? de Major Victor Villanueva pela Civilização Brasileira (1969)
>>> Recordações da casa dos mortos de Fiodor Dostoiévski pela Nova Alexandria (2006)
>>> Elric de Melniboné: a traição ao imperador de Michael Moorcock pela Generale (2015)
>>> O Príncipe de Nicolau Maquiavel pela Vozes de Bolso (2018)
>>> Deuses Americanos de Neil Gaiman pela Conrad (2002)
>>> Deus é inocente – a imprensa, não de Carlos Dorneles pela Globo (2003)
>>> Memórias do subsolo de Fiodor Dostoiévski pela 34 (2000)
>>> Songbook - Tom Jobim, Volume 3 de Almir Chediak pela Lumiar (1990)
>>> Comunicação e contra-hegemonia de Eduardo Granja Coutinho (org.) pela EdUFRJ (2008)
>>> Caetano Veloso Songbook V. 1 de Almir Chediak pela Lumiar
>>> Origami a Milenar Arte das Dobraduras de Carlos Genova pela Escrituras (2004)
>>> O vampiro Lestat de Anne Rice pela Rocco (1999)
>>> Nova enciclopédia ilustrada Folha volume 2 de Folha de São Paulo pela Publifolha (1996)
>>> Esperança para a família de Willie e Elaine Oliver pela Cpb (2018)
>>> Leituras do presente de Valdir Prigol pela Argos (2007)
>>> Insight de Daniel C. Luz pela Dvs (2001)
>>> Política e relações internacionais de Marcus Faro de Castro pela UnB (2005)
>>> Harry Potter e a Pedra Filosofal de J. K. Rowling pela Rocco (2000)
>>> Infinite Jest de David Foster Wallace pela Back Bay Books (1996)
>>> Nine Dragons de Michael Connelly pela Hieronymus (2009)
>>> The Innocent de Taylor Stevens pela Crown Publishers (2011)
>>> The Watchman de Robert Crais pela Simon & Schuster (2007)
>>> The Watchman de Robert Crais pela Simon & Schuster (2007)
>>> Filosofia Para Crianças e Adolescentes de Maria Luiza Silveira Teles pela Vozes (2008)
>>> O Caminho da Perfeição de A. C. Bhaktivedanta Swami pela The Bhaktivedanta (2012)
>>> O Caminho da Perfeição de A. C. Bhaktivedanta Swami pela The Bhaktivedanta (2012)
>>> Vida de São Francisco de Assis de Tomás de Celano pela Vozes (2018)
>>> Apóstolo Paulo de Sarah Ruden pela Benvirá (2013)
>>> Apóstolo Paulo de Sarah Ruden pela Benvirá (2013)
COLUNAS

Quarta-feira, 2/10/2002
Carta aos Amigos
Rennata Airoldi

+ de 1600 Acessos

Caros Amigos,

(Aqui, tudo que não foi dito sobre a "II Mostra de Teatro 'Cemitério de Automóveis'" e que você não lerá em nenhum outro lugar. Um breve depoimento sobre a arte, o desafio e a loucura...)

Uma convocação! O primeiro encontro, numa sala de cinema, onde todos forneciam dados e assinavam documentos. Parecia um recrutamento, só que mais excitante. Um projeto fenomenal de uma proporção avassaladora e muitos rostos atentos às explicações que eram dadas. Sentados em uma grande platéia, éramos todos ali espectadores de um futuro que se desprenderia de nós mesmos, se desdobrando num presente imediato, semanas depois... Mensagens via Internet, distribuição de personagens, textos, dias da semana. Um grande quebra-cabeça que foi minuciosamente montado e que, aos poucos, se transformaria numa longa e deliciosa rotina. Cheia de surpresas e pequenos obstáculos que o acaso colocaria no caminho durante a jornada. Um ator que não pode comparecer, outro que consegue um trabalho repentino, enfim, substituições imediatas. Mudança em algumas das cartas, mas nada que impossibilitasse que cada uma das peças fosse ganhando vida, pouco a pouco.

Quase três longos meses. Vinte seis peças. Setenta e nove atores. Um desejo indescritível de respirar Teatro vinte quatro horas por dia. Desde o dia 9 de julho, todos foram chegando, unindo-se para a produção da maior Mostra de Teatro da cidade de São Paulo: a "II Mostra de Teatro 'Cemitério de Automóveis'". Como ratos: atores, técnicos, amigos, camaradas, foram se mudando para o Porão. Um lugar úmido, frio, escuro que foi se transformando na nossa casa... Quem diria que abrigaria tantas pessoas durante um tempo tão curto!

Tudo era uma grande novidade. Uma grande festa. Quem já se conhecia se reencontrava para uma nova temporada. Quem não conhecia ninguém tinha a chance de conquistar novas amizades. Conforme os ensaios eram marcados, os atores que contracenariam nas inúmeras cenas de todas as peças, iam se juntando. Perguntas como: "Você faz essa peça?"; "Ah, aquela outra a gente faz junto!"; "Você sabe quem é o fulano que faz esse personagem?" - estavam presentes a todo o momento e, desta forma, o grande quebra-cabeça foi sendo desvendado. Tudo isso aconteceu "meio no susto", durante as duas enlouquecidas semanas em que estrearam a maioria das peças.

Então, como era de se esperar, as afinidades foram surgindo. As noites eram longas no Bar Cultura, onde discutíamos as peças, nos conhecíamos melhor, enquanto tomávamos mais uma cerveja - ou um conhaque com mel e limão! (O drink que foi "hit" da Mostra.) A euforia tomava conta de cada um de nós, e a vontade de estar ali no Porão, por incrível que pareça, era imensa. Sair, voltar, sair de novo. Ansiedade e adrenalina. Quanto mais próximos das estréias, mais novidades iam surgindo. Até que, na véspera, todos haviam chegado. Ufa! Pronto. Era apertar os cintos e começar a viagem, ou ainda: embarcar nessa nau desvairada, comandada por Mário Bortolotto. E lá fomos nós!

Estréia, estréia, estréia. Era peça que não acabava mais. Assim, sem nos darmos conta, já estavam em temporada todos os espetáculos! No susto, na euforia, no momento. Ia como dava para ir. Sem tempo para perguntas cruciais ou dúvidas existenciais. E então, nos apaixonamos profundamente por nossos parceiros de cena, por nossos personagens e pseudo-personagens, por nossas mais breves passagens em cena. Simplesmente o prazer de estar ali, usufruindo de tanto aprendizado. Sendo um pequeno, mas importante, grão de areia que compunha a grande duna! Nos apaixonamos pela idéia de viver ali, só de teatro, e de transformar a vida num universo paralelo. Isso transformou um pobre porão em mil mundos. Ah, se não fosse a necessidade básica de todo o ser humano de comer, beber, morar e pagar as contas...

Porém, tentando esquecer tudo que nos prende ao chão, nos desdobramos em mil. E nisso, haja paixão! Haja coração! Muitos espectadores se tornaram freqüentadores assíduos, como o Tom Capri, que comparecia a todas as sessões com toda a família! Nos acostumamos a nos encontrar todos os dias para viver mais uma breve história. E assim aprendemos a respeitar o trabalho de muitos e admirar o imenso talento de outros. Um grande encontro de almas. Todos no mesmo barco.

Claro que o tempo e a convivência trazem à tona o stress, os desentendimentos, o cansaço, as desavenças. Como em qualquer lugar onde há muitas pessoas reunidas o tempo todo. Diferenças que, por um breve momento, tornam-se insuportáveis, ou afinidades que se tornaram grandes paixões... É assim que somos, todos nós, seres humanos, independentemente de profissão, raça, idade, crença. Apesar de nem tudo ser um "mar de rosas", o importante era não deixar a peteca cair pois show tem sempre de continuar!

(Acredito que esse depoimento pode soar estranho para aqueles que não conhecem o ofício do ator. Tentarei assim, tornar mais lúcida a nossa sutil loucura...) Nós atores, entregamos nossas almas, trocamos confidências, somos amigos inseparáveis durante a temporada de uma peça. Ainda que surjam problemas, alguns desencantos... Uns amadurecem e outros se desinteressam. A vida é assim mesmo. Mas, quero chegar na questão fundamental que é: continuamos sendo sempre mambembes, nômades, errantes. Estamos sempre buscando um novo lar. Uma nova margem de rio para plantar, semear e, depois da chuva, colher. Esta é a nossa verdade.

Assim, aquilo que parecia não ter fim... acabou. Então, sem que pudéssemos evitar, fomos nos despedindo, pouco a pouco. Peça por peça. Aplauso por aplauso. Até o último suspiro. Até silenciar o eco de todas as almas que pairaram ali no porão, tornando esta Mostra a maior do ano. Depois de tudo isso, depois das últimas palmas, apagaram-se as luzes. Fechou-se a porta. E o lugar mágico que abrigou tantas histórias e personagens, voltou a ser um simples porão: frio, úmido e escuro. Apenas ratos felizes, voltaram a circular em paz.

Quanto a nós, a última cerveja, os últimos abraços apertados e "TCHAU, a gente se vê!". Muitos de nós não se encontrarão por um bom tempo. Alguns se tornarão grandes amigos, outros estarão juntos numa nova casa, com uma nova história para contar. É assim mesmo. Apagam-se as luzes aqui, para que um outro foco possa iluminar o porvir, a próxima cena!

A todos vocês, caros amigos, muita "merda"!


Rennata Airoldi
São Paulo, 2/10/2002


Quem leu este, também leu esse(s):
01. O Natal de Charles Dickens de Celso A. Uequed Pitol
02. A Imagem do Som de Fabio Gomes
03. Terna e assustadora realidade de Elisa Andrade Buzzo
04. Fotonovela: Sociedade/ Classes/ Fotografia de Duanne Ribeiro
05. E a lei cedeu diante dos costumes de Vicente Escudero


Mais Rennata Airoldi
Mais Acessadas de Rennata Airoldi em 2002
01. Cartas que mudaram a História! - 10/4/2002
02. Do primeiro dia ao dia D - 13/3/2002
03. Enfim: Mário Bortolotto! - 25/9/2002
04. A Nova Hora, A Hora da Estrela! - 6/3/2002
05. Uma conversa com Reinaldo Moraes - 18/9/2002


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




SUCESSO NA PERSPECTIVA DE DEUS
WILDO DOS ANJOS
ANGELS
(2017)
R$ 17,00



IMPERIAL WOMAN (CAPA DURA)
PEARL S. BUCK
THE JOHN DAY COMPANY
(1956)
R$ 8,28



NEFROLOGIA UMA ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR
WILLIAM MALAGUTTI
RUBIO
(2012)
R$ 113,77



BOLETIM DE PSIQUIATRIA VOL. VI - Nº 1 DE 1973
DARCY DE MENDONÇA UCHÔA (RESPONSÁVEL)
DEPTO PSIQUIATRIA E PSICOLOGIA
(1973)
R$ 22,28



SUPERINTERESSANTE MÁFIA Nº 262
VARIOS AUTORES
ABRIL
(2009)
R$ 5,99



OS POEMAS SUSPENSOS
ALBERTO MUSSA
RECORD
(2006)
R$ 33,00
+ frete grátis



ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS - EDIÇÃO COMPACTA
MARCO AURÉLIO P. DIAS
ATLAS
(1995)
R$ 15,00



SEBASTIANA QUEBRA-GALHO
NENZINHA MACHADO SALLES
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
(1995)
R$ 7,00



IRACEMA
JOSÉ DE ALENCAR
IMPRENSA UNIVERSITÁRIA CEARÁ
(1965)
R$ 40,00



TRANSCENDENTAL MAGIC
ELIPHAS LEVI
SAMUEL WEISER
(1986)
R$ 150,00





busca | avançada
46024 visitas/dia
1,1 milhão/mês