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Quarta-feira, 25/9/2002
Enfim: Mário Bortolotto!
Rennata Airoldi

+ de 6000 Acessos

Porão do Centro Cultural São Paulo. Lugar bem provável... Ao fundo, uma mesa de Sinuca. Mário Bortolotto vs. Joeli Pimentel. (Amarelas vs. Vermelhas). Chego devagar, afinal de contas, longe de mim atrapalhar a concentração dos jogadores que disputam a milésima partida do campeonato de sinuca, que corre paralelo à Mostra de Teatro. Pergunto timidamente:

- E aí, Mário? Rola fazer a entrevista?

- Oh, claro! Chega aí.

(De qualquer forma, a partida continua!)

Mário, como é para você escrever um texto ou adaptar a partir de um original? Qual a diferença?

Eu acho que escrever é muito mais difícil porque você tem que criar tudo, inventar tudo. Agora, adaptar é um prazer, é muito fácil. A história tá pronta e é só transformar aquilo em teatro. E transformar em teatro é uma coisa muito fácil, não vejo nenhum problema nisso. Pra mim é muito gostoso adaptar, escrever já é mais "estação do inferno", complicado.

O que dá mais trabalho para adaptar? Que tipo de texto? Ter mais de um narrador? Ou não faz diferença?

Faz. O Marcelo Mirisola foi o que deu mais trabalho. Ele não tem uma escrita linear. Ele mesmo diz que "enredo é coisa de criança". Então quando não tem um enredo é muito mais difícil adaptar. "O Herói Devolvido" foi muito difícil. Os outros foram fáceis porque quando tem uma historinha fica fácil. (Vira para Joeli e diz:)

- Peraí, tô matando Joeli! (A interferência do jogo que segue enquanto conversamos.)

- Depois vai entrar na entrevista! (Ameaço com o gravador na mão!)

E depois de adaptar, qual a expectativa em relação ao autor da obra?


Toda a expectativa possível. É, eu faço em primeiro lugar para o autor gostar. Se ele não gostar não tem a menor graça! O público todo pode gostar e se o autor não gostar eu acho que errei. Aí eu me ferrei.

Seria uma responsabilidade em relação a obra original...


É. Eu não estou nem aí se o público está gostando ou não. O importante para mim é que o autor tenha gostado, isso é fundamental.

Das três adaptações: "Faroestes", "Tanto Faz" e "O Herói devolvido", qual você acha que conseguiu atingir melhor a essência da obra?

Pô, não sei, eu acho que cheguei bem perto em todas. Eu me sinto bastante satisfeito com o resultado de todas as adaptações e pelo que eu senti os autores gostaram muito também. Então eu me sinto satisfeito com todas, não tem uma preferida.

Você prefere adaptar uma obra mais próxima ou distante do seu estilo? Uma linguagem que você já utiliza ou um desafio?

Não eu não sou chegado a desafio não. Desafio é coisa para lutador... Só faço coisa que me dá prazer. Para eu adaptar tenho que gostar do escritor, do estilo, senão não adapto. Não vou perder meu tempo com uma coisa de que eu não gosto.

Qual autor ou obra que você gostaria muito de adaptar e ainda não fez?

Eu gostaria... Bukowski, fatalmente. Quadrinhos também. Tem um cara chamado Luiz Gustavo que faz tempo que eu quero adaptar. Tem bastante coisa.

(Chega mais um ator, Fábio Espósito, com um pacote de bolachas ou biscoitos, para os cariocas, e junta-se a nós.) Mário, como foi para você fazer esta Mostra? Faça um balanço...

Eu tô contente pra caramba com o resultado... Balanço? (pausa). Ah, não tem muito balanço. Estou satisfeito com o resultado. Os autores adaptados gostaram, eu gostei, os atores gostaram de fazer, o público parece que gostou de assistir com exceção de algumas senhoras... Então eu acho que o resultado, o balanço, é positivo.

O Cemitério de Automóveis conseguiu uma verba através da lei do Fomento ao Teatro, já que vocês estão procurando um espaço para montar a sede. O que se pode esperar daqui para frente? Novas produções? Alguma peça da mostra entra em cartaz?

Ah, a gente nada de acordo com a maré. Entendeu? Vamos ver o que pinta a partir daí. Se pinta um teatro legal, para levar determinada peça, a gente leva, se não, vamos fazer outra coisa. Eu não consigo fazer muito plano não. Tenho vontade de fazer um monte de coisa...

(Neste momento chega o Régis, o "mil e uma utilidades" da Mostra, com a notícia de que a cozinha do Bar Cultura, do qual somos assíduos freqüentadores, havia fechado. Assim, o Mário ficou sem o seu marmitex.)

- E caramba... E sanduíche tem?

- Tem.

- Ah, faz um churrasco com queijo então...

- Tem o Limoeiro... (bar concorrente)

- Então leva um dinheiro lá e compra pra mim no Limoeiro.

(Eu e Fábio ficamos rindo pois o gravador continua ligado. Aí faço um comentário:)

- Essa é a melhor parte da entrevista!

Agora, eu queria aquele célebre pensamento final, saber qual a sua relação com os adaptados, com os autores...

Não tenho nenhuma relação com eles não, bicho! (risos)

Em relação a obra deles! (Todos riem e fazem comentários diversos)

Fala vai, a gente que avacalhou!

O que chamou a sua atenção na obra deles para que você tivesse vontade de adaptar?

Uma coisa, assim, não é uma coisa só, entendeu? Você pega um livro, lê e gosta, fica com vontade de adaptar. Não tem uma coisa só na literatura deles que eu gosto. Eu gosto da literatura deles. Gostaria de fazer muito mais coisa. O Marçal Aquino por exemplo, é um cara que dá pra fazer mais umas vinte peças. É bem difícil falar numa coisa só.

Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a mostra, adaptação?

Nada. Eu estou satisfeito. Espero que os atores tenham gostado de fazer, isso é o que mais me interessa. Que os autores tenham gostado da experiência de ver suas obras adaptadas e que os atores tenham se divertido. Para mim isso basta, o resto que se dane.

A Mostra foi um grande sucesso. Vocês estarão em breve com um espaço, a partir daí, como será a produção? Tudo continua igual?

(Alguém tenha furar sua vez no jogo...)

- Oh, espera aí! Deixa eu terminar de responder aqui, olha a falta de respeito com a jornalista!

- Ela tá registrando tudo! (risos)

Então, muda a maneira de produção?

Não, tudo é a mesma coisa. Não muda nada não. Aliás eu tô a fim de dar um tempo, sumir um pouco, acho que estão me entrevistando muito, falando muito de mim. Eu quero desaparecer um pouco, entende? Se eu pudesse ficar uns seis meses sem fazer nada, eu ficava... sumido. É que não dá porque eu vivo disso. Eu queria ficar um tempo fora, dar uma sumida. Tô meio de saco cheio.

É isso, segue o jogo. Conversas à toa. Pergunto à todos: Algo mais?

- É isso, quer dizer, se ele disse, deve ser isso - diz João Fábio, outro ator do grupo.

E quanto está o jogo?

- Eu ganhei, claro!

- Não, ainda não ganhou, está ganhando. (Retruca Joeli. Risos finais.)

E assim, termino a prometida série de entrevistas. Devo dizer que o Mário Bortolotto adaptou ainda "Dentes Guardados", de Daniel Galera, e "Ovelhas que voam e se perdem no céu", de Daniel Pellizzari, que também estão em cartaz na Mostra. Apesar de não tê-los entrevistado, são obras igualmente ricas e cujas adaptações foram muito elogiadas durante a temporada. É, estamos chegando ao fim. São só mais alguns dias... Quem não assistiu a nenhuma peça da "II Mostra de Teatro 'Cemitério de Automóveis'" - o que é uma vergonha! - tem até Domingo, ainda há tempo.

Para saber a programação destes últimos dias, acesse o site www.cemiteriodeautomoveis.hpg.ig.com.br


Rennata Airoldi
São Paulo, 25/9/2002


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