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Quarta-feira, 13/3/2002
Do primeiro dia ao dia D
Rennata Airoldi
+ de 6900 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Não sou capaz de precisar com quantos anos (se com três ou se com quatro), mas com essa tenra idade lá ia eu para a escola, assim como meus coleguinhas de primeira viagem. Primeiro Dia de Aula de toda uma vida de estudante. Boa, muito boa a vida de estudante! Mas, voltando ao meu “flashback”... Para dizer a verdade, não sei se este início foi muito estimulante. Acho que não, pois nada tenho a resgatar em minha memória.

Vamos dar um salto da pré-escola para o primário. Sim, aqui começam as lições propriamente ditas. Ler e escrever, pelo menos no meu tempo, era algo que se aprendia na primeira série do primário. Estabelecia-se uma rotina. Todos os dias, acordar as seis e meia - isso era e continua sendo muito cruel para uma criança -, passar a manhã toda numa sala com mais trinta pestinhas. A melhor hora: a hora do recreio.

Engraçado, revendo de maneira distanciada o nosso “sistema escolar”, me ocorre uma comparação com o “sistema penitenciário”. É, nós aguardávamos a maravilhosa hora do intervalo como os presos aguardam a hora do banho de sol! Desculpem-me se soou meio chocante; nada contra a escola, mas é que foi inevitável descrever a cena que se fez em minha mente.

Embora todo o dia eu esperasse pelas maravilhosas férias, a fim de sair dessa rotina escolar, um dos dias mais esperados e eufóricos era o Primeiro Dia de Aula. Passar de uma série para a outra, mudar de classe, mudar de professores, ter um novo material escolar, novas paqueras, novos amigos... ufa! haja, coração!

O Primeiro Dia de Aula era aquele único dia do ano em que eu acordava antes do despertador (isso quando conseguia dormir), tamanha a minha euforia. O coração disparava e as mãos transpiravam de nervosismo. Além disso, era preciso me arrumar: pensar na cor do batom, no tênis, no detestável uniforme (sempre havia um jeitinho de disfarçá-lo e torná-lo mais pessoal como, por exemplo, cortar as mangas, fazer da bermuda um shortinho mais ousado).

O caminho até a escola é imenso no Primeiro Dia de Aula. A confusão na porta é enorme. Olhares atentos ao redor. Quem é novo, quem é conhecido, quem cortou o cabelo, quem cresceu, engordou, emagreceu. Aí vem a tarefa de descobrir qual é a sala de aula, quem estudará lá. Então vem as alegrias e decepções. Sempre tem aquele que ficou insatisfeito e que quer mudar de classe.

Os professores se apresentam. As fofocas e as novidades são colocadas em dia. Logo de cara, estabelecem-se todas as relações que se manterão até o fim do ano letivo. E este dia será sempre assim, ano após ano. O início de um novo ciclo. Cada um com a sua individualidade. Claro que há os pontos altos, como o primeiro dia da quinta série do ginásio, da oitava série, do primeiro e do terceiro colegial. São, na verdade, mudanças de estágio e de “status” dentro de qualquer escola.

Passado o período escolar, vem a universidade. Ainda continuamos estudantes, só que com uma diferença: a tão sonhada liberdade. A escolha profissional foi feita, algumas vezes induzida, mas, de qualquer forma, muitas coisas chatas da doutrina escolar foram deixadas de lado. Além do que, já há uma independência que possibilita uma nova relação com o aprendizado, e com as pessoas ao redor.

O melhor ano na vida de qualquer estudante é sem dúvida o primeiro ano da faculdade! Há coisa melhor do que ser bicho? Tudo é lindo, o mundo é cor de rosa, a faculdade é um parque de diversões. Muitas festas, muita “azaração”, muitas descobertas... Um novo universo a ser desvendado. Pessoas vêm de todas as partes do país, de todas as classes sociais (dependendo da universidade), de todas as cores, crenças.

Não existe melhor Primeiro Dia de Aula do que o primeiro dia numa faculdade! Até os famosos trotes são bem-vindos, fazem parte do ritual de passagem. Também, depois de praticamente catorze anos dentro de uma escola, ainda temos que passar pela maratona do vestibular e só então começar a estudar o que realmente gostamos. (Abro parênteses para protestar contra aqueles que, por inúmeras razões, deixam de fazer o curso que realmente gostam; seja para agradar alguém, ou mesmo a “sociedade”. Aos futuros bichos: CORAGEM!)

Segundo ano na universidade: o ano da vingança. Deixamos de ser bichos para termos nossos próprios bichos, e assim poder descontar todos os micos vividos no ano anterior. Ter poder sobre os novatos e decidir por eles. Por fim, temos o que eu chamo de "prévia do dia D": o início do último ano de faculdade. Depois da euforia, das críticas e decepções do terceiro ano, vem um misto de conquista e de frustração: o ano de formatura. O medo, a ansiedade, a cobrança, o resultado, o fim. Um ano muito difícil e de muita mudança que nos coloca no “primeiro ano do resto de nossas vidas”.

O dia D. Após a formatura, diploma na mão e... Pausa. O que fazer? Só depois de praticamente vinte anos estudando nos deparamos com o nada. Sem chão, sem um abrigo para todos os dias. Não é preciso acordar e ir até alguma sala e aprender. Chega ao fim sua vida de estudante! Bem vindo a realidade. Agora, cada um por si e Deus contra todos. Talvez virá logo o primeiro dia de trabalho, mas nunca será igual ao Primeiro Dia de Aula.


Rennata Airoldi
São Paulo, 13/3/2002

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
6/12/2008
08h01min
Nossa, vi a minha vida passar nessa linhas tão bem escritas. Caramba, passou rápido! Esse texto é uma reflexão de nossa juventude e a esperança de um futuro que realmente venha a valer a pena.
[Leia outros Comentários de Renata Olimpia]
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