Kurosawa | Maurício Dias | Digestivo Cultural

busca | avançada
37376 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
Colunistas
Últimos Posts
>>> O recente choque do petróleo
>>> Armínio comenta Paulo Guedes
>>> Jesus não era cristão
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
>>> Livro Alma Brasileira
>>> Steve Jobs em 1997
>>> Jeff Bezos em 2003
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A literatura feminina de Adélia Prado
>>> Jorge Caldeira no Supertônica
>>> A insustentável leveza da poesia de Sérgio Alcides
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Millôr e eu
>>> As armas e os barões
>>> Quem é o autor de um filme?
>>> Cyrano de Bergerac
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Marco Lisboa na Globonews
Mais Recentes
>>> Por vocêw por mim no Vietnã de Ferreira Guller pela Sped
>>> Mussolini I Unleahed 1939-1941 de Mac Gregor Knor pela Cambridge (1986)
>>> Itajaí - Imagens e Memórias de Lindinalva Deóla da Silva pela Fundação Genèsio Miranda Li (1995)
>>> Atentados políticos: de César a Kennedy de Paulo Matos Peixoto pela Paumape (1990)
>>> Atentados políticos: de César a Kennedy de Paulo Matos Peixoto pela Paumape (1990)
>>> Atentados políticos: de César a Kennedy de Paulo Matos Peixoto pela Paumape (1990)
>>> Para gostar de Ler - Crônicas vol.1 de Carlos D. de Andrade, Fernando Sabino, Paulo M. Campos e Rubem Braga pela Ática (1999)
>>> Fendas Urbanas de Luiz Antonio de Queiroz pela Ofício das Palavras (2008)
>>> Quatro Mitos Brasileiros de Monica Stahel pela Martins Fontes (2003)
>>> Entretempo de Antonio Fantinato pela Topbooks (2008)
>>> A Casa de Babylônia: Estudo da Habitação Rural no Interior de São P... de Andrea Piccini pela Annablume (1996)
>>> Zupt...o Amigo do Peito de Stella Cobra Muraça pela Edicon (1997)
>>> Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias - Biologia de Escola da Juventude pela FDE
>>> Ciências humanas e suas tecnologias - Geografia de Escola da Juventude pela FDE
>>> A Resistível Ascensão do Boto Tucuxi de Márcio Souza pela Marco Zero (1982)
>>> Beijos Engolidos de Jurandir Pinoti pela Ssua (2007)
>>> Rita Você-é-um-doce de Telma Guimarães Castro Andrade pela Atual (1993)
>>> Grandeur et Servitude Patton de Ladislas Farago pela Stock (1963)
>>> A Ponte para o Passado de Ivan Jaf pela Atual (1993)
>>> Amazônia de Alan Oliveira pela Saraiva (1999)
>>> Auto do Frade: poema para vozes de João Cabral de Melo Neto pela Nova Fronteira (1984)
>>> Armada América: Relatos Sobre a Inquietudo do Império de Fernando Monteiro pela Francis (2003)
>>> A História de Lalo de Júlio Emílio Braz pela Saraiva (2003)
>>> Açúcar Amargo de Luiz Puntel pela Ática (1994)
>>> Malika Oufkir Prisioneira do Rei de Malika Oufkir e Michele Fitoussi pela Companhia das letras (2000)
>>> A Vaca Voadora de Edy Lima pela Global (2002)
>>> A noite da grande magia branca de Simone Sauaressig pela Kuarup (1991)
>>> Sol-solaris de Heloisa Helena Troncarelli pela Edicon (1985)
>>> A Caminho... Apelo À Pesquisa N. 2 - Jan / Dez. 2004 de Diversos Autores pela Ceuclar (2004)
>>> Revista do Centro Universitário Claretiano - N. 3 - Jan / Dez. 2003 de Diversos Autores pela Ceuclar (2003)
>>> A sombra da Águia de Mark Hertsgaard pela Record (2003)
>>> Contos Como Eu Conto de Jurema Waack pela Ônix (2008)
>>> O mistério da Casa Verde de Moacyr Scliar pela Ática (2002)
>>> Contos Escolhidos de I. L. Peretz pela Rampa (1950)
>>> Quero Ternura de Mãos Se Encontrando: de árabes e Judeus, de Branco... de Celso Barroso pela Independente (1978)
>>> Tem Carta pra Mim? de Fanny Abramovich pela Scipione (1994)
>>> Do arquivo e da memória: fatos, personagens e reflexões sobre o sio... de Samuel Malamud pela Bloch (1983)
>>> Qual é o Seu Preconceito Preferido? de Carlos Augusto M. F. da Silva pela Ateniense (1991)
>>> Serões de Dona Benta e História das Invenções de Monteiro Lobato pela Brasiliense (1950)
>>> A Câmara das Pedras Fendidas de J. W. Seixas Santos pela Conan (1994)
>>> A Mesa do Silêncio - Dedicatória e Autógrafo de Armindo Trevisan pela Lpm (1982)
>>> A Cidade Reinventa a Democracia de Ademar José Becker pela Corag (2000)
>>> Quem Nasceu para Cintilante Nunca Chega a Francesinha de Magali Moraes pela Sulina (2002)
>>> Auschwitz Altar do Capitalismo de Cultura Vozes pela Vozes (1995)
>>> Fronteira Inclemente de Brasil Dubal pela Iel (1976)
>>> A represa / Suburbana de Maria Helena Khüner e Celso Antonio da Fonseca pela Funarte (1980)
>>> O Folclore da Caixa: Contos de Antenor Pimenta Madeira e Outros pela Caixa (1984)
>>> Do Simbólico ao Virtual de Jorge Lúcio de Campos pela Perspectiva (1990)
>>> A Linguagem no Pensamento e na Ação de S. I. Hayakawa pela Pioneira (1963)
>>> As Alegres Comadres de Windsor e a Megera Domada de William Shakespeare pela Edições de Ouro (1966)
COLUNAS

Quinta-feira, 6/2/2003
Kurosawa
Maurício Dias

+ de 2700 Acessos

legenda

Akira Kurosawa nasceu em 1910. Quando jovem desejava ser pintor, mas só conseguiu algum reconhecimento como ilustrador, fazendo anúncios publicitários. Esta prática lhe seria útil mais tarde em sua carreira cinematográfica, pois o próprio Kurosawa se encarregaria de fazer os story-boards de seus filmes - "story-boards" são ilustrações mostrando o ângulo de câmera desejado pelo diretor, assim como a disposição dos atores e dos objetos no cenário em uma cena específica.

Aos 26 anos teve a oportunidade entrar nos estúdios da PCL, associados à famosa produtora Toho. Trabalhou alguns anos como assistente de direção e roteirista.

Durante a Segunda Guerra Mundial dirige seu primeiro filme, "A Vida De Um Lutador De Judô". Em 1949 dirigiu pela primeira vez o - então jovem - ator Toshiro Mifune.

Muitos dos grandes diretores de cinema estabeleceram um ator como sendo seu alter-ego em muitos de seus filmes. São famosas as dobradinhas Billy Wilder/Jack Lemmon, Fellini/Mastroianni, John Ford/John Wayne, mas creio que nenhuma terá sido tão fecunda e produtiva quanto a de Kurosawa com Mifune. Tudo o que se disser de bom sobre as interpretações nestes filmes ainda não será o suficiente para esclarecer o nível de excelência aí alcançado - para isso, só vendo os filmes.

Aos não familiarizados, a interpretação de Mifune poderá causar em alguns momentos uma estranheza, pois muitas vezes são acompanhadas de gritos e gesticulação excessiva, tradições do teatro japonês. Mas do patético Ronin inábil de Os Sete Samurais ao ganancioso e possesso nobre que aspira à coroa em Trono Manchado de Sangue, pode-se notar uma fúria e inquietação artísticas que no cinema ocidental talvez só tenham paralelo nas interpretações de James Cagney em Fúria Sanguinária (White Heat, 1950, de Raoul Walsh) e James Dean em Vidas Amargas (East Of Eden, 1955, de Elia Kazan - de quem ainda iremos falar.).

A parceria se estendeu por dezesseis filmes, tendo sido lamentavelmente encerrada devido a uma cisão pessoal durante a filmagem de Barba Ruiva, em 1965. Por este filme o ator ganhou o prêmio de interpretação em Veneza, como já havia feito em Yojimbo, em 1961.

O sentido pictórico de Kurosawa é inegável. Ao escrever sobre seus filmes, algumas de suas grandes cenas vem à mente: a agonia do nobre cravado por dezenas de flechas - chega a parecer um ouriço - ao final de Trono Manchado de Sangue; a casamata em chamas em Ran, onde o velho senhor feudal enlouquece, e, em meio ao ardor da batalha atravessa as linhas inimigas e vai a um campo colher flores; o menino retardado que acha que é um trem em Dodeskaden, e percorre trilhos imaginários em meio a um cenário miserável e devastado; tudo em seus filmes é grandioso.

O humanismo de Kurosawa transborda na tela, muitas vezes explodindo sob a forma de violência, especialmente nos épicos, seja numa visão mais contemplativa e lírica, em filmes como Dodeskaden e Viver. "Viver" (1952) mostra o tema kafkaniano do indivíduo contra a burocracia do sistema, embora traga-a para uma ambientação muito mais real, ao mostrar um velho funcionário público que, ao descobrir que tem pouco tempo de vida, decide fazer algo pela comunidade e usa de todas as suas forças para tentar construir um parque.

Nestes filmes, vemos uma grande compaixão e identificação com o sofrimento humano, mas em nenhum momento se faz pieguice ou exploração da miséria. Fica a sensação de como o homem é pequeno perante o mundo e seus desígnios, maravilhosamente expressa numa cena de um de seus últimos filmes, "Rapsódia em Agosto": um velhinho tenta caminhar em meio à uma tempestade, e o vento quebra as hastes de seu guarda-chuva, deixando-o sem nenhum abrigo. Para Kurosawa, o homem está só e desamparado em sua jornada, e é digno de compaixão. Como o cego na maravilhosa cena final de Ran - feito quando o diretor já tinha mais de 70 anos -, que tateia com sua bengala à beira de um abismo.

Ran tem as mais belas cenas de batalha de todos os tempos, a coreografia e a cenografia - são fundamentais as bandeiras e estandartes que tremulam ao vento, carregados pelas tropas de cavaleiros que se chocam em ondas contínuas - se combinam, produzindo um conjunto de beleza e movimento assombrosos, para depois nos mostrar o horror que há em toda aquela ação, cujo único objetivo é eliminar o adversário.

Como muitos grandes artistas, Kurosawa é melhor apreciado fora de sua terra natal. No Japão, seus gostos pela literatura ocidental - Shakespeare, Dostoievski, Gorki, todos adaptados por ele para o cinema - sempre foram contrários ao forte ideal nacionalista nipônico. Problemas pessoais e dificuldades econômicas da indústria de cinema japonesa levaram o diretor à uma tentativa - felizmente frustrada - de suicídio em 1970.

No final da década de 70, alguns cineastas ocidentais, fãs confessos, como Coppola e George Lucas, reuniram-se para viabilizar um filme do mestre, o belo Kagemusha (1980), que trata dos temas do duplo e da inversão de papéis ao mostrar um pobre coitado que, devido à semelhança física é escolhido para substituir o rei recém falecido. A dobradinha com os ocidentais continuaria pelo filme seguinte, o soberbo Ran (co-produção nipo-francesa), adaptação do Rei Lear de Shakespeare.

Aqui, vou entrar numa área meramente especulativa. Motivos menos nobres que a admiração artística pode ter levado o cinema americano a financiar os projetos de Kurosawa. Seu filme anterior a Kagemusha, Dersu Uzala (1975), foi uma co-produção russo-japonesa. Talvez autoridades americanas temessem a aproximação de um cineasta extremamente talentoso das forças do inimigo - ainda estávamos na Guerra Fria; em 1980 os EUA liderariam o boicote internacional às Olimpíadas de Moscou.

O governo americano tem plena consciência da poderosa arma de propaganda que é o cinema. Através dele venderam ao mundo todo os conceitos de calça jeans e hamburgueres, e mais que isso, o ideal do american way of life. Embora Kurosawa não tenha nunca sido um artista de temas politizados, exemplos anteriores, como o do cineasta russo Sergei Eisenstein e a alemã Leni Riefenstahl, mostram o poder desta mídia nas mãos de alguém com talento.

Kurosawa morreu em 1998. Foi o maior pintor e poeta que o cinema já teve.

legenda



Maurício Dias
Rio de Janeiro, 6/2/2003


Mais Maurício Dias
Mais Acessadas de Maurício Dias em 2003
01. A obra-prima de Raymond Chandler - 21/1/2003
02. Picasso e Matisse: documentos - 10/6/2003
03. Uma teoria equivocada - 14/10/2003
04. Quentin Tarantino: violência e humor - 29/7/2003
05. Por onde anda a MPB atualmente? - 20/5/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




3° FESTIVAL DE CINEMA LATINO AMERICANO DE SP 2008
VÁRIOS
MEMORIAL
(2008)
R$ 5,00



O QUE A BIBLIA REALMENTE ENSINA ?
ASSOCIAÇÃO TORRE DE VIGIA
ASSOCIAÇÃO TORRE DE VIGIA
(2015)
R$ 6,00



OS LUSÍADAS
LUÍS DE CAMÕES
ABRIL CULTURAL
(1980)
R$ 15,00



DESENVOLVIMENTO E CRISE NO BRASIL - EDIÇÃO ESPECIAL
LUIZ CARLOS BRESSER PEREIRA (CAPA DURA)
BRASILIENSE
(1987)
R$ 26,82



TRAPAÇA
JAMES SIEGEL
RECORD
(2011)
R$ 18,00



VOCE PRECISA SER DETERMINADO
SILAS MALAFAIA
CENTRAL GOSPEL
R$ 8,00



ESAÚ E JACÓ
MACHADO DE ASSIS
GLOBO
(1997)
R$ 18,00



BOLETIM OFICIAL GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO
CLÁUDIO ROQUE BUONO FERREIRA
DO AUTOR
R$ 9,00



CONTOS BRASILEIROS - ANTOLOGIA ESCOLAR DE OURO
IVO BARBIERI MARIA MECLER KAMPELL

R$ 5,00



VIDA NAS CIDADES - EXPECTATIVAS URBANAS NO NOVO MUNDO
WITOLD RYBCZYNSKI
RECORD
(1996)
R$ 15,00





busca | avançada
37376 visitas/dia
1,1 milhão/mês