Kurosawa | Maurício Dias | Digestivo Cultural

busca | avançada
70522 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Shopping Granja Vianna de portas abertas
>>> Teatro do Incêndio lança Ave, Bixiga! com chamamento público para grupos artistas e crianças
>>> Amantes do vinho celebram o Dia Mundial do Malbec
>>> Guerreiros e Guerreiras do Mundo pelas histórias narradas por Daniela Landin
>>> Conheça Incêndio no Museu. Nova obra infantil da autora Isa Colli fala sobre união e resgate cultura
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> A situação atual da poesia e seu possível futuro
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
Colunistas
Últimos Posts
>>> Hemingway by Ken Burns
>>> Cultura ou culturas brasileiras?
>>> DevOps e o método ágil, por Pedro Doria
>>> Spectreman
>>> Contardo Calligaris e Pedro Herz
>>> Keith Haring em São Paulo
>>> Kevin Rose by Jason Calacanis
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
Últimos Posts
>>> Patrulheiros Campinas recebem a Geração#
>>> Curtíssimas: mostra virtual estreia sexta, 16.
>>> Estreia: Geração# terá sessões virtuais gratuitas
>>> Gota d'agua
>>> Forças idênticas para sentidos opostos
>>> Entristecer
>>> Na pele: relação Brasil e Portugal é tema de obra
>>> Single de Natasha Sahar retrata vida de jovem gay
>>> A melancolia dos dias (uma vida sem cinema)
>>> O zunido
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> Hells Angels
>>> Entre criaturas, amar?
>>> Chris Hedges não acredita nos ateus
>>> Semana de 22 e Modernismo: um fracasso nacional
>>> O cérebro criativo
>>> The Devil Put Dinosaurs Here, do Alice in Chains
>>> Da Teoria para a Práxis
>>> Quem ri por último, ri melhor?
>>> A princesa insípida e o caçador
Mais Recentes
>>> Dominando 3Ds Max 6 de Ted Boardman pela Ciencia Moderna (2004)
>>> Smashing Jquery de Jake Rutter pela Bookman (2012)
>>> Photoshop - Photoshop Para Quem Nao Sabe Nada De Photoshop Vol. 2 de Paula Budris pela Atica (2021)
>>> Vinte Anos e Um Dia de Jorge Semprún pela Companhia das Letras (2004)
>>> O longo amanhecer: reflexões sobre a formação do Brasil de Celso Furtado pela Paz e Terra (1999)
>>> O homem, que é ele? de Battista Mondin pela Paulus (2011)
>>> O Anjo Digital de Joubert Raphaelian pela Mensagem para todos (2004)
>>> Pânico no Pacífico de Pronto pela Autêntica (2014)
>>> História & Fotografia de Maria Eliza Linhares Borges pela Autêntica (2007)
>>> Alfabetizar Letrando na Eja de Telma Ferraz Leal, Artur Gomes de Morais pela Autêntica (2010)
>>> Cronistas Em Viagem e Educação Indígena de Nietta Lindenberg Monte pela Autêntica (2008)
>>> Mil Coisas Podem Acontecer de Jacobo Fernández Serrano pela Autêntica (2012)
>>> Passageiro Clandestino de Leonor Xavier pela Autêntica (2015)
>>> Rua do Odéon de Adrienne Monnier pela Autêntica (2017)
>>> Zz7--48--o ultimo tentaculo-2--394--perto da babilonia--11--os carrascos do vietna--162--operaçao impacto. de Lou carrigan pela Monterrey
>>> Para Todos os Amores Errados de Clarissa Corrêa pela Gutenberg (2012)
>>> A relíquia de Eça de Queirós pela Principis (2019)
>>> Antologia poetica de fernando pessoa de Walmir ayala pela Ediouro
>>> Sermões de Padre Antônio Vieira pela Principis (2019)
>>> Minha Paris de Gail Scott pela Autêntica (2014)
>>> Uma longa Jornada de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2013)
>>> O Ciclista de Walter Moreira Santos pela Autêntica (2008)
>>> Dark Eden de Patrick Carman pela Gutenberg (2012)
>>> A primeira vista de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2012)
>>> Querido John - de Nicholas Sparks pela Novo Conceito (2010)
COLUNAS

Quinta-feira, 6/2/2003
Kurosawa
Maurício Dias

+ de 3000 Acessos

legenda

Akira Kurosawa nasceu em 1910. Quando jovem desejava ser pintor, mas só conseguiu algum reconhecimento como ilustrador, fazendo anúncios publicitários. Esta prática lhe seria útil mais tarde em sua carreira cinematográfica, pois o próprio Kurosawa se encarregaria de fazer os story-boards de seus filmes - "story-boards" são ilustrações mostrando o ângulo de câmera desejado pelo diretor, assim como a disposição dos atores e dos objetos no cenário em uma cena específica.

Aos 26 anos teve a oportunidade entrar nos estúdios da PCL, associados à famosa produtora Toho. Trabalhou alguns anos como assistente de direção e roteirista.

Durante a Segunda Guerra Mundial dirige seu primeiro filme, "A Vida De Um Lutador De Judô". Em 1949 dirigiu pela primeira vez o - então jovem - ator Toshiro Mifune.

Muitos dos grandes diretores de cinema estabeleceram um ator como sendo seu alter-ego em muitos de seus filmes. São famosas as dobradinhas Billy Wilder/Jack Lemmon, Fellini/Mastroianni, John Ford/John Wayne, mas creio que nenhuma terá sido tão fecunda e produtiva quanto a de Kurosawa com Mifune. Tudo o que se disser de bom sobre as interpretações nestes filmes ainda não será o suficiente para esclarecer o nível de excelência aí alcançado - para isso, só vendo os filmes.

Aos não familiarizados, a interpretação de Mifune poderá causar em alguns momentos uma estranheza, pois muitas vezes são acompanhadas de gritos e gesticulação excessiva, tradições do teatro japonês. Mas do patético Ronin inábil de Os Sete Samurais ao ganancioso e possesso nobre que aspira à coroa em Trono Manchado de Sangue, pode-se notar uma fúria e inquietação artísticas que no cinema ocidental talvez só tenham paralelo nas interpretações de James Cagney em Fúria Sanguinária (White Heat, 1950, de Raoul Walsh) e James Dean em Vidas Amargas (East Of Eden, 1955, de Elia Kazan - de quem ainda iremos falar.).

A parceria se estendeu por dezesseis filmes, tendo sido lamentavelmente encerrada devido a uma cisão pessoal durante a filmagem de Barba Ruiva, em 1965. Por este filme o ator ganhou o prêmio de interpretação em Veneza, como já havia feito em Yojimbo, em 1961.

O sentido pictórico de Kurosawa é inegável. Ao escrever sobre seus filmes, algumas de suas grandes cenas vem à mente: a agonia do nobre cravado por dezenas de flechas - chega a parecer um ouriço - ao final de Trono Manchado de Sangue; a casamata em chamas em Ran, onde o velho senhor feudal enlouquece, e, em meio ao ardor da batalha atravessa as linhas inimigas e vai a um campo colher flores; o menino retardado que acha que é um trem em Dodeskaden, e percorre trilhos imaginários em meio a um cenário miserável e devastado; tudo em seus filmes é grandioso.

O humanismo de Kurosawa transborda na tela, muitas vezes explodindo sob a forma de violência, especialmente nos épicos, seja numa visão mais contemplativa e lírica, em filmes como Dodeskaden e Viver. "Viver" (1952) mostra o tema kafkaniano do indivíduo contra a burocracia do sistema, embora traga-a para uma ambientação muito mais real, ao mostrar um velho funcionário público que, ao descobrir que tem pouco tempo de vida, decide fazer algo pela comunidade e usa de todas as suas forças para tentar construir um parque.

Nestes filmes, vemos uma grande compaixão e identificação com o sofrimento humano, mas em nenhum momento se faz pieguice ou exploração da miséria. Fica a sensação de como o homem é pequeno perante o mundo e seus desígnios, maravilhosamente expressa numa cena de um de seus últimos filmes, "Rapsódia em Agosto": um velhinho tenta caminhar em meio à uma tempestade, e o vento quebra as hastes de seu guarda-chuva, deixando-o sem nenhum abrigo. Para Kurosawa, o homem está só e desamparado em sua jornada, e é digno de compaixão. Como o cego na maravilhosa cena final de Ran - feito quando o diretor já tinha mais de 70 anos -, que tateia com sua bengala à beira de um abismo.

Ran tem as mais belas cenas de batalha de todos os tempos, a coreografia e a cenografia - são fundamentais as bandeiras e estandartes que tremulam ao vento, carregados pelas tropas de cavaleiros que se chocam em ondas contínuas - se combinam, produzindo um conjunto de beleza e movimento assombrosos, para depois nos mostrar o horror que há em toda aquela ação, cujo único objetivo é eliminar o adversário.

Como muitos grandes artistas, Kurosawa é melhor apreciado fora de sua terra natal. No Japão, seus gostos pela literatura ocidental - Shakespeare, Dostoievski, Gorki, todos adaptados por ele para o cinema - sempre foram contrários ao forte ideal nacionalista nipônico. Problemas pessoais e dificuldades econômicas da indústria de cinema japonesa levaram o diretor à uma tentativa - felizmente frustrada - de suicídio em 1970.

No final da década de 70, alguns cineastas ocidentais, fãs confessos, como Coppola e George Lucas, reuniram-se para viabilizar um filme do mestre, o belo Kagemusha (1980), que trata dos temas do duplo e da inversão de papéis ao mostrar um pobre coitado que, devido à semelhança física é escolhido para substituir o rei recém falecido. A dobradinha com os ocidentais continuaria pelo filme seguinte, o soberbo Ran (co-produção nipo-francesa), adaptação do Rei Lear de Shakespeare.

Aqui, vou entrar numa área meramente especulativa. Motivos menos nobres que a admiração artística pode ter levado o cinema americano a financiar os projetos de Kurosawa. Seu filme anterior a Kagemusha, Dersu Uzala (1975), foi uma co-produção russo-japonesa. Talvez autoridades americanas temessem a aproximação de um cineasta extremamente talentoso das forças do inimigo - ainda estávamos na Guerra Fria; em 1980 os EUA liderariam o boicote internacional às Olimpíadas de Moscou.

O governo americano tem plena consciência da poderosa arma de propaganda que é o cinema. Através dele venderam ao mundo todo os conceitos de calça jeans e hamburgueres, e mais que isso, o ideal do american way of life. Embora Kurosawa não tenha nunca sido um artista de temas politizados, exemplos anteriores, como o do cineasta russo Sergei Eisenstein e a alemã Leni Riefenstahl, mostram o poder desta mídia nas mãos de alguém com talento.

Kurosawa morreu em 1998. Foi o maior pintor e poeta que o cinema já teve.

legenda



Maurício Dias
Rio de Janeiro, 6/2/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Wikipedia e a informação livre de Gian Danton


Mais Maurício Dias
Mais Acessadas de Maurício Dias em 2003
01. A obra-prima de Raymond Chandler - 21/1/2003
02. Picasso e Matisse: documentos - 10/6/2003
03. Quentin Tarantino: violência e humor - 29/7/2003
04. Uma teoria equivocada - 14/10/2003
05. Por onde anda a MPB atualmente? - 20/5/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Moctezuma: El Semidios Destronado
Jose Miguel Carrillo de Albornoz
Espasa Calpe Mexicana
(2004)



1ª Macli – Mostra de Arte Contemporânea Em Literatura Infantil
Favish Tubenchlak e Outros
Caixa Cultural



La Seduction
Elaine Sciolino
Beatiful
(2011)



Sociologia e Sociologia do Direito
Domício P. Mattos
Do Autor



A Fé Como Reinterpretação Crer - Amar - Louvar
Anselm Grun
Loyola
(2008)



Situation Awareness Analysis and Measurement
Daniel J. Garland
Taylor & Francis Pod
(2000)



Rumo à Liberdade (autografado)
Giselda Laporta Nicolelis
Moderna
(1991)



Escola Meu Mundo Adorável
Yoyo
Yoyo



Lágrimas de um Louco
Agnaldo Cardoso
Mundo Maior
(2005)



Enigma do Quatro
Ian Caldwell e Dustin Thomason
Planeta do Brasil
(2005)





busca | avançada
70522 visitas/dia
2,6 milhões/mês