O poeta da estranheza | Pedro Maciel

busca | avançada
107 mil/dia
2,4 milhões/mês
Mais Recentes
>>> “Sempre mais que um” tem apresentações no Teatro Alfredo Mesquita
>>> Projeto Memória leva legado de Lélia Gonzalez a 7 capitais
>>> '1798 - Revolta dos Búzios' chega ao cinemas
>>> IV Cinefestival International de Ecoperformance divulga sua programação
>>> O Shopping Praça da Moça debuta com show exclusivo da Família Lima
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
>>> Sim, Thomas Bernhard
Colunistas
Últimos Posts
>>> Comfortably Numb por Jéssica di Falchi
>>> Scott Galloway e as Previsões para 2024
>>> O novo GPT-4o
>>> Scott Galloway sobre o futuro dos jovens (2024)
>>> Fernando Ulrich e O Economista Sincero (2024)
>>> The Piper's Call de David Gilmour (2024)
>>> Glenn Greenwald sobre a censura no Brasil de hoje
>>> Fernando Schüler sobre o crime de opinião
>>> Folha:'Censura promovida por Moraes tem de acabar'
>>> Pondé sobre o crime de opinião no Brasil de hoje
Últimos Posts
>>> A insanidade tem regras
>>> Uma coisa não é a outra
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
>>> Guerra. Estupidez e desvario.
>>> Calourada
>>> Apagão
>>> Napoleão, de Ridley de Scott: nem todo poder basta
>>> Sem noção
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A Poética do Extravio, Júlio Castañon Guimarães
>>> Armazém de secos e molhados
>>> Uma nova aurora para os filmes
>>> Jornal da Cultura - 17/11/2014
>>> Páginas e mais páginas da vida
>>> No final do telejornal tinha um poeta...
>>> No final do telejornal tinha um poeta...
>>> Máfia do Dendê
>>> CaKo Machini
>>> Alberto Dines sobre a Copa
Mais Recentes
>>> Circuitos Elétricos - Sexta Ed. de James W. Nilsson; Susan A. Riedel pela Pearson Education Do Brasil (2003)
>>> Inteligência Emocional Na Gestão De Resultados de Lee Gardenswartz; Jorge Cherbosque; Anita Rowe pela Laselva (2012)
>>> Os Rolling Stones No Brasil: Do Descobrimento A Conquista, 1968-1999 de Nelio Rodrigues pela Ampersand (2000)
>>> Nosso Lar de Pelo Espirito Andre Luiz, Francisco Candido Xavier pela Feb (2007)
>>> Sinatra de Richard Harvers pela Dorling Kindersley (2004)
>>> O Brasil Em Sobressalto de Oscar Pilagallo pela Publifolha (2002)
>>> O Exercito Brasileiro E A Amazonia - The Brazilian Army And The Amazon de Exército Brasileiro pela Brasilia: Exercito Brasileiro (2024)
>>> Livro Cidadania E Competitividade: Desafios Educacionais Do Terceiro Milênio de Guiomar Namo De Mello pela Cortez (2000)
>>> Historia das Relações Internacionais do Brasil de Raul Mendes Silva / Clóvis Brigagão pela Cebri (2024)
>>> Agulhas Negras de Ac& m pela Ac&m (1993)
>>> As Aventuras De Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle pela Principis (2019)
>>> Dicionário de Espiritualidade de Edições Paulinas pela Edições Paulinas (1989)
>>> Livro Você Globalizado: Dez Estratégias Para Atuar Como Um Executivo Global de Susan Bloch pela Rai (2011)
>>> Riquezas da Mensagem Cristã de D. Cirilo Folch Gomes pela Lumen Christi (1981)
>>> Sistema De Ensino Positivo, 7º Ano - Língua Inglesa Vol. 1,2,3 e 4 de Kenedy Rufino pela Cia. Bras. de Educação e Sistemas de Ensino (2023)
>>> diarios y Memorias de la Guerra del Pacifico Primer Tomo de Arturo Costa de la Torre pela Pacena (1980)
>>> As Aventuras De Pinóquio de Carlo Collodi pela Martin Claret (2002)
>>> The Warren Court And American Politics de Lucas A. Powe Jr. pela Belknap Press: An Imprint Of Harvard University Press (2002)
>>> Livro Professor de 1º Grau : Identidade em Jogo - Magistério Formação e Trabalho Pedagógico de Ezequiel Theodoro da Silva pela Paparius (1995)
>>> Santos de Cada Dia III de José Leite pela Braga
>>> Brasis, Brasil, Brasília de Gilberto Freyre pela Livros do Brasil
>>> Simbiose e Ambiguidade de José Bleger pela Francisco Alves (1985)
>>> Gossip Girl : Nunca Mais ! - Vol. 8 de Cecily Von Ziegesar pela Galera Record (2007)
>>> Crime e castigo vol 1 e vol. 2 de Dostoievski pela Abril (1979)
>>> A Casa Da Praia (pocket) de Beth Reekles pela Astral Cultural (2019)
ENSAIOS

Segunda-feira, 10/2/2003
O poeta da estranheza
Pedro Maciel
+ de 6600 Acessos

"o pauloleminski/ é um cachorro louco/ que deve ser morto/ a pau a pedra/ a fogo a pique/ senão é bem capaz/ o fdp/ de fazer chover/ em nosso piquenique". Esse texto do poeta curitibano traduz um pouco a vida que levou Leminski (1945-1989). Bebeu em todas as fontes. Escreveu ensaios, letras de música, traduziu Bashô e Homero, exerceu o jornalismo, viveu nos tempos das liberações. Polêmico e inovador. Um autor que se perguntava: para que servem os poetas?

Leminski e Ana Cristina César são os dois mais importantes poetas da geração de 70. Geração marginal. Aliás, a maioria dos poetas da geração 70, descobertos pela ensaísta Heloísa Buarque de Hollanda, não é de bons artesãos, não domina o instrumento e não sabe do que se trata o passado e por isso não levam adiante "o que estava jóia". São apenas ignorantes, pensava Leminski. No artigo "Tudo, de novo", Folha de São Paulo (março de 1983), o poeta anota que "uma das grandes novidades é que o poema ficou portátil. Leve de carregar. Grafitável, numa palavra. Nisso, puxou por vários dos seus avós: Blaise Cendrars, Oswald de Andrade, antropólogos em geral. Ou aquele Drummond angloautomobilístico dos anos 30: Stop./ A vida parou. Ou foi o automóvel?".

Leminski era como o Fausto de Goethe. Preferiu viver como um estranho. O ex-estranho, Editora Iluminuras, é o título da última coletânea de poemas inéditos. Ainda falta publicar contos, ensaios e uma novela. O poeta multimídia era um estranho em sua própria terra. Um estrangeiro. Um homem do mundo morando no interior do Brasil. No poema o ex-estranho um breve auto-retrato: "passageiro solitário/ o coração como alvo/ sempre o mesmo, ora vário/ aponta a seta, Sagitário/ para o centro da galáxia." Leminski esteve no mundo em busca de aventura. O que importava era ter a vida na mão. Saber de cor e salteado os truques pra se levar a vida. Essa vida tão falada e banal. Mas Leminski queria a vida também escrita. Reescritura de vida. Reescreveu as lendas e ecos dos emigrantes poloneses do sul brasileiro. Incorporou a voz sofrida e cantada do povo negro da África. Desta miscigenação nasceu a poesia de Paulo Leminski. Poesia que a gente encontra em toda parte.

Talvez o livro mais impressionante de Leminski seja o Catatau. Texto fragmentado, tendente ao barroco. Fala a língua de James Joyce e Guimarães Rosa. É um rosário de preces contemporâneas do francês René Descartes. O poeta imagina a vinda do filósofo ao Brasil durante o período das invasões holandesas. No livro o filósofo é chamado de Renatus Cartesius e mora na Recife do século XVII. O livro não tem roteiro ou enredo. É uma fábula exemplar. Um livro sem estilo.

Leminski à maneira borgiana fez muitas fábulas. Reescreveu o mundo que poderia ter sido e não foi. Reinventou o texto para contextualizar, contestar, protestar. O texto de Leminski é quase sempre um protesto. Um pré-texto. Texto que mais parece uma "proesia" sonora, segundo o poeta Carlos Ávila, "cheia de invenções léxicas trabalhadas artesanalmente no melhor sentido joyceano-macarrônico, procurando dar continuidade às conquistas de Oswald, Rosa e Haroldo de Campos, indo muito além dos contistas e romancistas em cena atualmente no Brasil".

Leminski era um poeta que viveu praticamente à margem em nossos tempos pós-modernos. Poeta de um rigor sintético admirável e ao mesmo tempo caprichoso e relaxado. O poeta que mais se aproxima de Torquato Neto. O Nosferatu. Poeta popular, pop, para tocar no rádio. Leminski homenageou Torquato num belo poema: "Coroas para Torquato/ um dia as fórmulas fracassam/ a atração dos corpos cessou/ as almas não combinam/ esferas se rebelam contra a lei das superfícies/ quadrados se abrem/ dos eixos/ sai a perfeição das coisas feitas nas coxas/ abaixo o senso de proporções/ pertenço ao número/ dos que viveram uma época excessiva".

Romântico e utópico: "Vai vir um dia/ quando tudo o que eu diga/ seja poesia". Leminski era também um poeta com consciência intersemiótica. Vivia com a cabeça ligada no planeta e os pés plantados na terra de nascimento: "Um dia/ a gente ia ser homero/ a obra nada menos que uma iliada/ depois/ a barra pesando/ dava pra ser aí um rimbaud/ um ungaretti um fernando pessoa qualquer/ um lorca um éluard um ginsberg/ por fim/ acabamos o pequeno poeta de província/ que sempre fomos/ por trás de tantas máscaras/ que o tempo tratou como a flores".

Nota do Editor
Ensaio gentilmente cedido pelo autor. Publicado originalmente no Jornal do Brasil, a 7 de dezembro de 1996.


Pedro Maciel
Belo Horizonte, 10/2/2003
Mais Pedro Maciel
Mais Acessados de Pedro Maciel
01. Italo Calvino: descobridor do fantástico no real - 8/9/2003
02. A arte como destino do ser - 20/5/2002
03. Antônio Cícero: música e poesia - 9/2/2004
04. Imagens do Grande Sertão de Guimarães Rosa - 14/7/2003
05. Nadja, o romance onírico surreal - 10/3/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Livro Economia Internacional Teoria e Política
Paul R Krugman; Maurice Obstfeld
Makron Books
(1999)



Nunquam
Lawrence Durrell
Expressão e cultura
(1971)



Divina Flor 409
Marcos Santarrita
Global
(2000)



Livro de Bolso Saúde Como Cuidar da Sua Coluna? Coleção Questões Fundamentais da Saúde
Patrícia Horta Andrade e Ângelo Robert Gonçalves
Paulus
(2004)



Guia Visual: Folha De São Paulo: Europa
Vários Autores
Publifolha
(2011)



Livro de Bolso Religião O Grande Conflito
Ellen G. White
Casa
(1995)



Livro Ciência Política Os Intelectuais e o Poder Dívidas e Opções dos Homens de Cultura na Sociedade Contemporânea (Biblioteca Básica)
Norberto Bobbio
Unesp
(1997)



Livro Turismo Nova York Guia da Cidade
Lonely Planet
Globo
(2011)



Criatividade - Progresso e Potencial
Calvin W. Taylor
Ibrasa
(1964)



Os Segredos da Negociação
Juliet Nierenberg
Publifolha
(2003)





busca | avançada
107 mil/dia
2,4 milhões/mês