O óbvio ululante, de Nelson Rodrigues | Rafael Rodrigues | Digestivo Cultural

busca | avançada
41818 visitas/dia
1,2 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* Histórico & Feeds
TT, FB e Instagram
Últimas Notas
>>> Daily Rituals - How Artists Work, by Mason Currey
>>> Fernando Pessoa, o Livro das Citações, por José Paulo Cavalcanti Filho
>>> A Loja de Tudo - Jeff Bezos e a Era da Amazon, de Brad Stone
>>> Reflexões ou Sentenças e Máximas Morais, de La Rochefoucauld
>>> O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, o livro do ano
>>> Trágico e Cômico, o livro, de Diogo Salles
>>> Blue Jasmine, de Woody Allen, com Cate Blanchett
>>> The Devil Put Dinosaurs Here, do Alice in Chains
Temas
Mais Recentes
>>> O assassinato de Herzog na arte
>>> A vida do livreiro A.J. Fikry, de Gabrielle Zevin
>>> Quando as rodas param
>>> Quando morre uma paixão
>>> O Ouro do Brasil
>>> O pródigo e o consumo
>>> O fim do blog Impedimento
>>> Escritor: jovem, bonito, simpático...
>>> Adolescentes e a publicação prematura
>>> Marcador de página inteligente
Colunistas
Mais Recentes
>>> O Digestivo nas Copas
>>> Idade
>>> Origens
>>> Protestos
>>> Millôr Fernandes
>>> Daniel Piza (1970-2011)
Últimos Posts
>>> Levy Fidelix sobre o LGBT
>>> Palestra: Marco Antônio Villa
>>> Para derrotar o PT
>>> O candidato do 'PSDB' é outro
>>> Não tem em quem votar
>>> Queria entender o voto no PT
>>> Sobre as ciclofaixas
>>> Maria Callas:La divina
>>> Mozart com Martin Fröst
>>> The Cure Hello Goodbye
Mais Recentes
>>> Lembranças de Ariano Suassuna
>>> Harold Ramis (1944-2014)
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
Mais Recentes
>>> Jaime Pinsky
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
Mais Recentes
>>> Digestivo Books
>>> Caixa Postal
>>> Nova Seção Livros
>>> Digestivo no Instagram
>>> 2 Milhões de Pageviews
>>> 40 mil seguidores no Twitter
Mais Recentes
>>> Guia Londres de Bicicleta
>>> O cérebro espiritual, de Mario Beauregard
>>> Manauara ou Manauense
>>> O Ouro do Brasil
>>> Gramática para Todos os Cursos e Concursos
>>> O fim do blog Impedimento
>>> O fim do blog Impedimento
>>> Marília de Dirceu
>>> As Aventurinhas de Penelope Charminho na Cozinha
>>> Um Coração Simples, de Flaubert, por Milton Hatoum
LIVROS
Mais Recentes
>>> Aconteceu Em Veneza
>>> 365 historias da Biblia
>>> 100 Anos de Moda Masculina
>>> Escrevendo a Nova História
>>> O Pagador de Promessas
>>> Mil Vezes Mais Justo
>>> A Cidade Vista - Mercadorias e Cultura Urbana
>>> Asylum
>>> Angry Birds Star Wars II The Pork Side
>>> Angry Birds Star Wars II Brave Birds
>>> Palmeiras, 100 Anos de Academia
>>> 1808 - Edição Revista e Ampliada
>>> As Aventuras do Capitão Pirata da Barba Verde
>>> Avantesmas: 13 Histórias Clássicas de Fantasmas
>>> Assim É Como Termina
>>> Assassinato no Expresso do Oriente
>>> Aniquilação - Volume 1
>>> Amo Você, Papai!
>>> Almanaque Ciência em Show Master Pop
>>> Alimentos para o bem-estar
>>> Aliens Vs. Cientistas Loucos no Fundo do Oceano
>>> Alegria, Culpa, Raiva, Amor
>>> Eduardo Campos - Um Perfil (1965-2014)
>>> O Alienista
>>> Ai, Meus Deuses!
>>> Agente da Polícia Federal - Gabaritado e Aprovado
>>> Adeus, Aposentadoria
>>> O adeus à Europa
>>> 52 Lições de Fotografia Digital
>>> 4 Semanas de Prazer
>>> 4 Ps da Oab 2 Fase - Prática Trabalhista
>>> 4 Ps da Oab 2 Fase - Prática Constitucional
>>> A 25ª Hora
>>> (As) 51 Personalidades (Mais) Marcantes do Brasil
>>> Curso de Direito do Trabalho
>>> Invisível
>>> Infinity Drake - Os filhos da Scarlatti
>>> Hotéis
>>> Um Homem Morto a Pontapés
>>> A História da Culinária em 100 Receitas
>>> Hello Kitty - Minha familia e amigos
>>> Hello Kitty - Quebra-cabeças
>>> O Forte De Nove Torres
>>> A festa da insignificância
>>> Fala, memória
>>> Eu Sou Saint German
>>> Um divã no campo de batalha
>>> A Mente Suja de Robert Crumb
>>> Diários de Adão e Eva
>>> Tudo que eu Pensei mas não Falei na Noite Passada
COLUNAS

Sexta-feira, 2/11/2007
O óbvio ululante, de Nelson Rodrigues
Rafael Rodrigues

+ de 15600 Acessos
+ 2 Comentário(s)

A decisão de escrever uma resenha sobre O óbvio ululante (Agir, 2007, 448 págs.), de Nelson Rodrigues, foi tomada assim que iniciei a leitura do livro. Os textos que o compõem, uma seleção da coluna "Confissões", publicados no jornal O Globo entre 1967 e 1968 (mais duas crônicas publicadas na coluna "Memórias", no Correio da Manhã, em 1967), são exemplos de que um escritor pode, sim, ser engraçado, melancólico, irônico e crítico ao mesmo tempo, em seus textos. A impressão que se tem, ao ler as crônicas de O óbvio ululante, é a de que no mesmo momento em que há esperança, não há por quê lutar. É como se um boxeador pedisse para seu treinador jogar a toalha, mas não a deixasse tocar o chão e voltasse à luta logo em seguida. Simplesmente incrível e inacreditável. Para tanto, é necessário ser gênio. E poucos podem ser considerados gênio. Nelson Rodrigues pode.

Ao avançar a leitura, um problema começou a se desenvolver. Como resenhar um livro que tem parágrafos e mais parágrafos merecedores de citação sem ficar angustiado por não poder citá-los todos? Afinal, é uma resenha, não uma reprodução do livro.

Difícil. Ainda mais quando lemos algo assim:

"O trágico da nossa época ou, melhor dizendo, do Brasil atual, é que o idiota mudou até fisicamente. Não faz apenas o curso primário, como no passado. Estuda, forma-se, lê, sabe. Põe os melhores ternos, as melhores gravatas, os sapatos mais impecáveis. Nas recepções do Itamaraty, as casacas vestem os idiotas. E mais: – eles têm as melhores mulheres e usam mais condecorações do que um arquiduque austríaco."

Isso foi escrito há 39 anos, minhas senhoras e meus senhores. 39 anos! E, nesse caso, Nelson fala do idiota que, segundo o Houaiss: "diz-se de ou pessoa pretensiosa, vaidosa, tola". Ele tinha razão quando escreveu a crônica e continua tendo hoje.

As crônicas reunidas no livro não se limitam à crítica social. Nelson Rodrigues faz comentários sobre amigos (Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, Vinicius de Moraes, entre outros), literatura, política, futebol e, é claro, sobre si mesmo. Aliás, dizer que Nelson escrevia "sobre si mesmo" é uma redundância, pois ele consegue, como ninguém, colocar-se inteiro em tudo que escreve, mesmo que aparentemente não esteja lá, no texto. Nelson Rodrigues não escrevia por escrever, ou para ganhar dinheiro (ele ganhava dinheiro com o que escrevia, o que é totalmente difentente de escrever para ganhar dinheiro). Nelson Rodrigues escrevia porque tinha de escrever. Porque precisava disso para manter-se vivo.

É mesmo impressionante como ele conseguia, em uma única crônica, falar sobre tantos assuntos. Em "Na escola pública, minha merenda foi uma só, imutável: – banana", Nelson começa falando sobre um amigo erudito: "E eu fico a resmungar, na irritação da minha impotência: 'Como sabe, como lê, como cita!'" Em seguida, faz uma crítica a essa obsessão do amigo pelo conhecimento ou pela quantidade de saberes: "Por tudo que sei da vida, dos homens, deve-se ler pouco e reler muito. A arte da leitura é a releitura." Depois, faz piada: "Certa vez, um erudito resolveu fazer ironia comigo: perguntou-me: 'O que é que você leu?' Respondi: 'Dostoievski.' Ele queria me atirar na cara os seus quarenta mil volumes. Insistiu: 'Que mais?' E eu: 'Dostoievski.' Teimou: 'Só?' Repeti: 'Dostoievski.' O sujeito, aturdido pelos seus quarenta mil volumes, não entendeu nada." E ensina: "Mas eis o que eu queria dizer: pode-se viver para um único livro de Dostoievski".

Linhas depois, Nelson lembra da infância, tema recorrente em suas "Confissões". É quando ele fala da banana que levava todos os dias para a escola, como merenda. E de quando ele teve vergonha da merenda. "No terceiro dia [de aula], comecei a ter vergonha da banana. (...) Ao mesmo tempo que me envergonhava da banana, tinha-lhe pena. Pena da banana. De vez em quando, faltava dinheiro em casa. Banana custava um vintém. E eu ia para a escola sem merenda. Na hora do recreio, rodava pelo pátio, errante e perdido de fome."

O tempo de escola não traz muitas boas lembranças a Nelson Rodrigues. E, arrisco dizer, talvez venha daí, desse tempo, a crueldade de boa parte de suas narrativas. Sua professora era terrível, uma megera que o fazia passar as mais variadas humilhações na frente de todos os colegas. Como no dia em que grita, diante de toda a classe: "Eu sabia! Eu sabia! Tem piolhos, lêndeas!"

Mais conhecido pelas peças e contos polêmicos (alguns ainda chamam seus textos de "amorais"), Nelson Rodrigues era, no fundo, um romântico: "Tudo é falta de amor. O câncer no seio ou qualquer outra forma de câncer. É falta de amor. As lesões do sentimento. A crueldade. Tudo, tudo falta de amor." Um homem que não tinha vergonha de sua sinceridade nem de sua própria história. Nelson não deixava de falar o que quer que fosse, de quem quer que fosse. Criticava e elogiava, sem demagogia, sem troca de favores.

Considerado por muitos como o maior dramaturgo da história do teatro brasileiro, Nelson Rodrigues é exímio prosador. Suas memórias em forma de crônicas em O óbvio ululante são prova cabal disso. Suas peças têm maior destaque por serem, até hoje, alvo de polêmicas. Mas sua prosa (mais especificamente suas crônicas e romances, já que os contos são bastante populares, justamente por também serem polêmicos) certamente terá o destaque merecido, cedo ou tarde. Nelson Rodrigues é um escritor completo, poderíamos dizer. Afinal, foi crítico, dramaturgo, cronista (social e esportivo), contista e romancista. E foi, no mínimo, bom em todas as vertentes. Não são muitos os escritores que podem se vangloriar de tal pluraridade.

Nelson Rodrigues pode.

Para ir além






Rafael Rodrigues
Feira de Santana, 2/11/2007

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Bonecas russas, de Eliana Cardoso de Eugenia Zerbini
02. O Subjuntivo Subiu no Telhado de Marilia Mota Silva
03. Essa tal de Dança Contemporânea de Airton Tomazzoni
04. Jackie O., editora de Eugenia Zerbini
05. Educação divertida e diversão educativa de Carla Ceres


Mais Rafael Rodrigues
Mais Acessadas de Rafael Rodrigues em 2007
01. O óbvio ululante, de Nelson Rodrigues - 2/11/2007
02. Os dois lados da cerca - 7/12/2007
03. O nome da morte - 16/2/2007
04. História dos Estados Unidos - 29/6/2007
05. O homem que não gostava de beijos - 9/3/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
3/11/2007
15h49min
Também adoro esse livro, de um jeito esquisito, que não sei definir. Nelson é um "pulha" na maior parte das crônicas, pra usar uma expressão dele, mas é um amor, desperta encanto apesar de tudo de ruim que destila. Só mesmo ele pra ter coragem de escrever, numa das histórias que você cita, que sentia inveja do pão com ovo que escorria gema pela boca do colega. Um idiota jamais diria isso. Nelson é principalmente inteligente em seu "óbvio ululante" e a inteligência fascina. Apaixonante! Mas paixão não é muito racional, talvez por isso seja difícil falar sobre o livro, que expõe as confissões e invenções bastante humanas desse grande, corajoso escritor, retratista da vida como ela é...
[Leia outros Comentários de Cristina Sampaio]
5/11/2007
11h12min
Oi Rafa, compartilho com você a experiência de ter lido esta nova edição do livro, que, arrisco dizer, é uma das melhores coisas que já li. Sempre admirei Nelson Rodrigues, não apenas como dramaturgo, mas principalmente como cronista. E no universo das cronicas, O Obvio Ululante é uma obra singular.
[Leia outros Comentários de Diogo Salles]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




>>> Estudo sobre concreto armado ganha versão atualizada
>>> Espaço Público recebe Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular
>>> Observatório da Imprensa analisa a campanha eleitoral na mídia
>>> Teatro da Vertigem em A Última Palavra é a Penúltima - 2.0
>>> Obscura Fuga da Menina Apertando Sobre o Peito Um Lenço de Renda
>>> Armazém Cultural SP inaugura programação teatral no dia 3 de outubro
* clique para encaminhar

Editora Conteúdo
Best Seller
Editora Perspectiva
Primavera Editorial
Busca Sebos
Bertrand Brasil
Nova Fronteira
Intrínseca
Arquipélago Editorial
Cortez Editora
Civilização Brasileira
WMF Martins Fontes
Globo Livros
Editora Record
Hedra
José Olympio
Companhia das Letras
LIVROS


100 ANOS DE MODA MASCULINA
Por R$ 58,95
+ frete grátis



DIREITO TRIBUTÁRIO
Por R$ 54,95
+ frete grátis



O CAVALEIRO NA ENCRUZILHADA
Por R$ 26,95
+ frete grátis



O GUIA DO HERÓI PARA INVADIR O CASTELO
De R$ 48,00
Por R$ 41,95
Economize R$ 6,05



A DIETA PARISIENSE
Por R$ 53,95
+ frete grátis



DIREITO DO TRABALHO
Por R$ 59,85
+ frete grátis



ENFRENTANDO O CÂNCER - CUIDADOS COM A IMAGEM PESSOAL
Por R$ 43,95
+ frete grátis



OPERAÇÃO SATIAGRAHA
Por R$ 29,85
+ frete grátis



MEDICINA INTENSIVA - BASEADA EM EVIDÊNCIAS
Por R$ 316,95
+ frete grátis



O MARTELO DAS FEITICEIRAS
Por R$ 139,95
+ frete grátis



busca | avançada
41818 visitas/dia
1,2 milhão/mês