Bem longe | Eduardo Mineo | Digestivo Cultural

busca | avançada
30928 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Ana Marson lança livro de crônicas em São Paulo
>>> Música, dança e boa conversa na "Semana Preta" do Centro de Referência da Dança
>>> Vila Cultural Cora Coralina recebe exposição 'Tempos Líquidos'
>>> DAMA DE COPAS - O LIVRO É LANÇADO PELA SOUL EDITORA
>>> Novo livro do Padre Lício propõe reflexão para prevenção ao suicídio
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A poesia afiada de Thais Guimarães
>>> Manchester à beira-mar, um filme para se guardar
>>> Noel Rosa
>>> Sabemos pensar o diferente?
>>> Notas de leitura sobre Inácio, de Lúcio Cardoso
>>> O jornalismo cultural na era das mídias sociais
>>> Crítica/Cinema: entrevista com José Geraldo Couto
>>> O Wunderteam
>>> Fake news, passado e futuro
>>> Luz sob ossos e sucata: a poesia de Tarso de Melo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
Últimos Posts
>>> Você pertence a um não lugar
>>> Olho d'água
>>> A música da corrida
>>> Retalhos da vida
>>> Limbo
>>> Transmutações invisíveis
>>> Quem te leu, quem te lê
>>> Bom dia e paz
>>> O que sei do tempo II
>>> Quem é quem?
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Caso Richthofen: uma história de amor
>>> Sem lero-lero
>>> A droga da felicidade
>>> Hilda Hilst, o IPTU e a Chave da Cidade
>>> Símbolos e Identidade Nacional
>>> Animismo
>>> Um monstro que ri
>>> Lições literárias
>>> Fahrenheit 451, Oralidade e Memória
>>> História dos Estados Unidos
Mais Recentes
>>> Farra no Formigueiro
>>> Picasso - Coleção Crianças Famosas
>>> Roman Games - 3
>>> Arte para Criança Arcangelo Ianelli no Mundo das Nuvens
>>> O Santinho
>>> Raul da Ferrugem Azul
>>> O Fantástico Mistério de Feiurinha
>>> Meninos, Eu Conto - Contos - Vol. 2
>>> O Porta-lápis Encantado - Col. Biblioteca Marcha Criança
>>> Os Lusíadas - Série Reencontro
>>> Guia do Escoteiro Noviço
>>> The Gospel of the Kingdom
>>> Cartas ao Papa João Paulo II
>>> An Outline Of American Geography
>>> Pinheiros - Estudo Geográfico de Um Bairro Paulistano
>>> Poesia Completa de Alberto Caeiro
>>> A Oração dos Cinco Dedos com o Papa Francisco
>>> Estudo Dirigido de Microsoft Office Excel 2010. Avançado
>>> Estudo Dirigido de Microsoft Office Excel 2010
>>> Teilhard de Chardin. Ensaio de leitura crítica
>>> World Of Warcraft - Crônica - Vol. 1
>>> Reflexões e Orações no Espaço Tempo
>>> Janelas para a Vida
>>> Alimentação Moderna
>>> O Dia em que os Deuses Chegaram - 11 de Agosto de 3114 a.C
>>> Os Doze Trabalhos de Hércules - I
>>> Os Santos Evangelhos
>>> Inculta & Bela - 1
>>> Inculta & Bela - 1
>>> Onde Canta o Sabiá
>>> Onde Canta o Sabiá
>>> Onde Canta o Sabiá
>>> Onde Canta o Sabiá
>>> Onde Canta o Sabiá
>>> Onde Canta o Sabiá
>>> Onde Canta o Sabiá
>>> Onde Canta o Sabiá
>>> Pessoa e Amor segundo Teilhard de Chardin
>>> O Meio Divino
>>> Gramática Resumida
>>> Enfermagem em Centro Cirúrgico: atualidades e perspectivas no ambiente cirúrgico
>>> Guia completo de Procedimentos e Competências de Enfermagem
>>> PRocedimentos especializados de Enfermagem
>>> Hospitalização
>>> A psicanálise, sua imagem e seu público
>>> Estudo Dirigido para Microsoft Office Word 2010
>>> Família contemporânea e saúde: significados, práticas e políticas públicas
>>> Manual de cuidados HIV/AIDS
>>> Novo Manual de Instrumentação Cirúrgica
>>> Estudo Dirigido de Microsoft Office Powerpoint 2010
COLUNAS

Segunda-feira, 4/2/2008
Bem longe
Eduardo Mineo

+ de 4900 Acessos
+ 5 Comentário(s)

Antes de qualquer coisa, devo dizer que nunca, jamais mencionei o nome de Oscar Niemaier na vida. Nem sei como se escreve. Péra. Ah, sim, é Niemeyer, né? Niemeyer. Enfim, dadas as circunstâncias, é alguém por quem nunca consegui nutrir o mínimo de interesse. Mas, como sempre um mas nos tirando do doce refúgio da razão ― ó doce refúgio da razão ―, mas li há pouco tempo uma entrevista na qual o Oscar Niemmaier, quer dizer, Niemeyer, droga, diz que filosofia deveria ser obrigatória em todos os cursos superiores, pois em vez de gente especializada, teríamos profissionais capazes de pelo menos discutir a vida.

É retardadice, óbvio, mas não é bonito? Gostei muito, um dos poucos textos com menos de duas laudas que acho valer a pena ser usado como tatuagem, mesmo dando um crédito aos professores de filosofia que eu jamais, jamais, jamais daria um dia e ignorando a fantástica incompatibilidade entre discutir a vida e trabalhar.

Não faz muito tempo, trabalhei num escritório em que o departamento de Recursos Humanos indicava para seus funcionários filmes como Jamaica abaixo de zero. Vocês dão risada, mas é sério. No começo parece até meio ridículo, eu sei, eu concordo, mas conforme você vai pensando no assunto, vai relevando as coisas, o negócio todo vai fazendo muito sentido.

Pensei, por exemplo, em quais filmes eu indicaria para os funcionários de uma empresa. Dois segundos depois já concluía que todos os filmes fariam com que os funcionários pedissem demissão na hora. Todos estes filmes certamente fariam com que eles percebessem que talvez não valesse tanto a pena jogar fora toda sua vida dentro de um escritório, cercado por grampeadores e liquid-papers, onde as pessoas fazem coisas com as quais elas não se importam nem um pouco, trabalhando na medida exata para não serem mandadas embora ou chateadas pelo chefe. E isto seria bem ruim para a empresa, suponho logicamente.

Me ocorreu Office Space, ou na tradução bem sugestiva, Como enlouquecer seu chefe. Não é um filme que eu poderia definir como genial, é só razoável, mas tudo está ali: o trânsito infernal de manhã, a secretária mecânica, os relatórios, a impressora que não funciona, o gerente retardado que tenta convencer seus funcionários da asneira de que o trabalho é algo gratificante, como se produzir mais pasta de dente fosse engrandecer o espírito de alguém, os prazos, cafés com pessoas cujas perspectivas da vida não superam a de uma pia, a auditoria, as demissões, enfim, tudo mesmo. Se você caiu neste papo de RH, assista este filme e get a life.

Quer dizer, não estou falando para você parar de trabalhar, afinal, você tem contas para pagar etc., mas este é o dilema no qual toda pessoa que resolve pensar na vida acaba caindo. Quando digo que meu objetivo de vida é parar de trabalhar, fico abismado quando as pessoas me respondem "e vai fazer o quê?" como se não lhes ocorresse nada, nada melhor para se fazer no mundo a não ser aquelas coisas que disse agora há pouco: trânsito de manhã, relatórios, secretárias etc.

O mote do filme é "trabalhar é um porre" e neste instante não consigo pensar em nada mais essencialmente e belamente verdadeiro. O filme é de Mike Judge, aquele mesmo cara que escreveu Beavis and Butt-Head, mas não nos precipitemos: o filme tem seus méritos.

Peter Gibbons, interpretado por Ron Livingston, é um programador de sistemas numa grande empresa de TI. De saco cheio, resolve se consultar com um psicólogo para tentar relaxar através de hipnose, ou uma destas coisas que fazem a gente pensar em passarinhos. A questão é que, no meio da consulta, o médico sofre um ataque cardíaco e morre, deixando o Peter eternamente relaxado.

A idéia é tentar nos mostrar o que aconteceria caso parássemos de nos importar com coisas que nos aborrecem. Sei de casos extraordinários em que pessoas realmente gostam de trabalhar, pessoas que acharam um motivo que não fosse exclusivamente financeiro para ficar feliz com esta situação. São as pessoas que Beethoven definia como artistas livres, que Mencken lembra através da tradução do Ruy Castro como "o homem que ganha a vida sem nenhum patrão para amolá-lo diretamente, fazendo coisas que o agradam enormemente e que continuaria fazendo com prazer, mesmo que toda a pressão econômica sobre ele desaparecesse". Mas este não é o caso da maioria das pessoas, onde eu me incluo.

Certa vez um velhinho me disse algo sobre realização pessoal no trabalho, como quem usa o trabalho para atingir algum tipo de satisfação social. Acho totalmente válido, mas usar o trabalho, o tipo de trabalho ao qual me referi no começo do texto, para se realizar pessoalmente me soa a tanta falta de imaginação que me desanima só em cogitar esta possibilidade. Sou exatamente aquilo que Mencken define um pouco adiante, o escravo absoluto: alguém que se sujeita ao trabalho como mal necessário. E é muito duro enxergar a si mesmo nesta situação. Por isto quero que os professores de filosofia fiquem bem longe de mim, ouviram? Bem longe! Bem longe!


Eduardo Mineo
São Paulo, 4/2/2008


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Depois do chover de Elisa Andrade Buzzo
02. Eleição para boi dormir? de Jardel Dias Cavalcanti
03. Ascese, uma instalação do artista Eduardo Faria de Jardel Dias Cavalcanti
04. Anticristo: sexo como culpa de Wellington Machado
05. A graça da coisa de Pilar Fazito


Mais Eduardo Mineo
Mais Acessadas de Eduardo Mineo em 2008
01. Dê-me liberdade e dê-me morte - 20/10/2008
02. Razoavelmente desinteressante - 18/2/2008
03. Bem longe - 4/2/2008
04. Incoerente - 31/3/2008
05. Não ria! - 21/7/2008


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
28/1/2008
19h07min
Sempre existe a opção de arranjar uma barraca na praia e altenar a vida entre vender umas coisitas pra turistas gostosas e tomar banho de mar. :) Faça como o Calvin, Eduardo: se você não está feliz ainda porque seus padrões de felicidade são altos..., abaixe seus padrões :D
[Leia outros Comentários de Ronie Uliana]
29/1/2008
00h33min
A gente pode tentar a fórmula dos sete anões da Branca de Neve: whistle while you work, todo mundo assoviando, mas acho que só funciona em minas de diamantes, não em escritórios fechados. De qualquer jeito, o trabalho danifica o homem. Digo, dignifica. Ah, nem sei, os filósofos fizeram uma confusão aí. Beleza, Mineo, abraço.
[Leia outros Comentários de Guga Schultze]
6/2/2008
01h18min
Caso não houvesse o trabalho de forma ordinária e apartado do modelo proposto por Mencken, como você desenvolveria suas "habilidades"? O que resultaria do seu tempo livre? Seria talvez um produto ou mesmo um bem cultural que pudesse ser consumido? Qual atividade receberia o impacto de sua personalidade, o convívio social ou alguma coisa que fosse fruto de sua formação mais o segmento social em que você está inserido? Coloco as coisas assim porque me vi diante de uma idéia pronta, com proposições preconcebidas dentro de analogias de uma ferramenta de RH. Acredito que eu, você e as demais pessoas excedemos aos estereótipos esgarçados ao máximo pelo modelo do entretenimento hollywoodiano; decerto haverão excessões, então já não seriam pessoas, e sim padrões de comportamentos comicamente registrados pela própria indústria. Abraços.
[Leia outros Comentários de Carlos E. F. Oliveir]
6/2/2008
23h38min
Certa vez, em uma mesa de bar, ouvi alguém dizer que depois de um tempo, até o paraíso vira uma droga. Todo trabalho possui algo maçante, chato, mas a conquista de espaços, mudar de ambientes em razão de esforço próprio é algo que faz bem ao espiríto, tanto quanto ler um bom livro.
[Leia outros Comentários de Marcelo Souza]
28/7/2008
10h19min
Você é muito bom, quando eu crescer quero ser igualzinha!
[Leia outros Comentários de Arlise Cardoso]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




ECONOMIA E ESPIRITUALIDADE
DR. PE. ARI ANTONIO DA SILVA E PAULO VIERA DE CASTRO
DOAUTOR
(2011)
R$ 20,00



INSURGENTE
VERONICA ROTH
ROCCO
(2013)
R$ 18,00



CIVILIZAÇÃO E TRANSCENDÊNCIA
A.C. BHAKTIVEDANTA SWAMI PRABHPADA
THE BHAKTIVEDANTA BOOK TRUST
(1991)
R$ 5,00



ANGÚSTIA
GRACILIANO RAMOS
RECORD
(1979)
R$ 7,90



SCHELLING - OS PENSADORES
COLEÇÃO OS PENSADORES
ABRIL CULTURAL
(1980)
R$ 9,00



ONDE CANTA O SABIÁ
NADIR BRANDÃO
HD LIVROS
(2000)
R$ 6,00



MÁRIO UNIVERSAL PAULISTA: ALGUMAS POLARIDADES
LÚCIA NEÍZA PEREIRA DA SILVA
SECRETARIA DE CULTURA DE SÃO PAULO
(1997)
R$ 20,00



O MENINO DA ROSA
TONY MONTI
HEDRA
(2008)
R$ 9,00



A COBRA QUE USAVA CHINELO
ADEILSON SALLES
BOA HORA
(2011)
R$ 10,00



QUANDO A VIDA ESCOLHE
ZIBIA GASPARETTO
VIDA E CONSCIÊNCIA
(2015)
R$ 19,99
+ frete grátis





busca | avançada
30928 visitas/dia
1,1 milhão/mês