Digestivo nº 490 | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

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>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
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DIGESTIVOS

Quarta-feira, 24/4/2013
Digestivo nº 490
Julio Daio Borges

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Literatura >>> Os Enamoramentos, de Javier Marías
Os Enamoramentos, de Javier Marías, é o livro da estação. Quem gosta de ler, já ouvir falar. Aquele tipo de leitura que, depois de tantos comentários, torna-se inevitável. O título chama a atenção. E a foto ― que poderia ser um achado da Companhia das Letras ― é um acerto já na edição original, da Alfaguara. "Enamoramiento", na língua de Javier Marías, tem o sentido de paixão. Mais especificamente, uma pessoa "enamorada", em espanhol, é uma pessoa apaixonada. Assim, à primeira vista, a capa e o título convidam para um romance sobre "enamoramentos". Mas o grande mérito do livro é que o "enamorar-se" é só parte da história. Os Enamoramentos começa a partir de um luto, por conta de uma morte bárbara e, aparentemente, inexplicável. As cinquenta primeiras páginas tratam do drama da viúva, mesmo numa época como a nossa, em que, a princípio, não há tempo para a "elaboração". (Outro dos méritos da história é ser bastante contemporânea.) Mesmo com dois filhos pequenos, Luiza se sente paralisada sem o marido, assassinado por um indigente em Madri, no dia em que completaria 50 anos. A partir da página cinquenta, mais ou menos, a história sofre a primeira reviravolta. A narradora, María Dolz, que era apenas uma observadora do casal Luiza e Miguel, decide abordá-la, no café em que se avistavam, e acaba passando uma tarde em sua casa. Lá, conhece Javier Díaz-Varela, o melhor amigo de Miguel (apoio constante da viúva), por quem María se sente atraída à primeira vista. Não se torna amiga de Luiza, mas se torna amante de Javier, e se apaixona, "se enamora" por ele. Díaz-Varela porém ― como na "Quadrilha", de Drummond ―, não se apaixona por María, pois já era apaixonado por Luiza (que, por sua vez, segue apaixonada pelo falecido marido). Em meio a considerações psicológicas, María formula a hipótese de Díaz-Varela ter sido apaixonado por Luiza antes da morte de Miguel, e desejar, secretamente, que seu melhor amigo "saísse do caminho". Graças a uma segunda reviravolta da história, essa hipótese torna-se assustadoramente provável ― e, munida de dados mas ainda com dúvidas, María confronta Javier. Numa racionalização digna de Crime e Castigo, de Dostoiévski, ele não só confessa o assassinato (ou a maquinação do mesmo) como se justifica... ― tão habilmente que provoca uma terceira reviravolta na história. María, ainda que horrorizada pelo crime, "aceita" a confissão de Díaz-Varela, embora não aceite totalmente sua justificativa ― mas é impacta de tal forma pelo que ouve... que não consegue perturbar a inocência de Luiza (que de nada desconfia), limitando-se a encerrar seu caso com Javier. O livro termina com o encontro, casual, de María, a narradora, com o novo par que, passado o tempo devido, havia se formado: Luiza e Javier Díaz-Varela. Ele havia vencido. A exemplo de uma história clássica de Machado de Assis, havia vencido a resistência da viúva. María, já com outro par, aborda o casal querendo acabar com o idílio (vingando-se de Javier) ― mas a simpatia de Luiza, ainda insciente, convence María a continuar quieta, e silenciar sobre a morte de seu antigo marido, arquitetada, cinicamente, pelo seu novo marido... Para um volume de menos de 350 páginas, é um feito e tanto. Os elogios da quarta capa, contudo, são exagerados: seria mesmo o caso de Javier Marías ser indicado para o Prêmio Nobel? A nova edição brasileira, possivelmente devido ao sucesso no nosso País, traz a obra numa caixa, com outro livro "de brinde": O Coronel Chabert, de Balzac. Marías dialoga com um dos maiores romancistas da França, quando evoca a história de Chabert, justamente um morto que "voltou" (porque não morreu), e "atrapalhou tudo". À maneira de Woody Allen, no violento Match Point, Javier Marías nos deixa com a incômoda sensação de que há muito mais, entre o céu a terra, do que sonha a nossa vã criminologia... [Comente esta Nota]
>>> Os Enamoramentos
 



Internet >>> One Click, a História da Amazon, de Richard L. Brandt
Jason Calacanis, o jornalista-empreendedor da internet, uma vez disse que admirava mais Jeff Bezos, da Amazon, do que Steve Jobs, da Apple. Jobs ainda estava vivo, já era uma lenda, mas a declaração, como tantas outras de Calacanis, supreendentemente não causou polêmica. Hoje, depois da morte de Jobs, e do mito criado em torno dele, como alguém poderia admirar outro empresário de tecnologia que não ele? A justificativa de Calacanis era que Jeff Bezos não seria o novo Bill Gates, mas, sim, o novo Sam Walton, e a Amazon não seria a nova Microsoft, mas, sim, o novo Walmart. Será Jeff Bezos, o fundador da Amazon, mais genial que Steve Jobs? A resposta pode estar em One Click, de Richard L. Brandt, uma história da Amazon, e uma biografia discreta de Bezos. À semelhança de Jobs, Bezos não teve uma boa relação com o pai, que se separou da mãe. Adotou o sobrenome do padrasto, que considera seu verdadeiro pai, e por ter uma relação com o México, seu sobrenome aproxima-se de... "beijos" (sim, em espanhol). Ao contrário de Jobs, porém, Bezos não foi um hippie tardio e não sofreu influência da filosofia oriental ― foi uma estrela do mundo corporativo, um executivo brilhante, que largou a carreira para montar uma livraria na internet, em meados da década de 90. Em todos os depoimentos sobre Bezos, no livro, é unânime a sua obstinação e a percepção de que ele iria vencer. Pelo menos, no discurso. Na realidade, a Amazon esteve à beira de não dar certo na época da bolha da internet, início dos anos 2000, quando o que não era sólido se desmanchou no ar. Reza a lenda que Bezos acertou a fórmula quando expandiu seus negócios para além dos livros: para os CDs, para os DVDs... para o maior catálogo de produtos da História, transformando a Amazon... na Earth's Biggest Store. No livro, se o desafio inicial era superar a Barnes & Noble, perto de quem a Amazon se fazia de Davi (na luta contra Golias), o desafio se converteu, atualmente, em superar... o Walmart. No meio do caminho, a criação do serviço de hospedagem da Amazon ― um sucesso indiscutível. E, também, a criação do Kindle e a polêmica investida de Bezos no terreno inexplorado do livro eletrônico. O autor prevê que a tendência do Kindle é ser grátis, porque, ao contrário da Apple, a Amazon não quer ganhar dinheiro com hardware (e, sim, com software). E se o Kindle perdeu para o iPad, em funcionalidade, talvez o seu padrão de livro eletrônico tenha vencido a batalha contra o iBooks. É uma guerra acirrada, com todo o resto do mercado editorial querendo conservar as fatias de mercado da antiga era do livro impresso. E acabou de começar. Brandt, no entanto, ressalta que Jeff Bezos aposta no longo prazo. Assim é, , digamos, com sua empreitada extraterrestre. Como um hobby (em comparação com a Amazon), a Blue Origin, mais uma empresa fundada por ele, deve levar turistas ao espaço (sim, ao contrário de uma "agência espacial" do governo, como a Nasa). No Brasil, as livrarias estavam se preparando para as investidas de Bezos no País. Por enquanto, a Amazon.com.br se concentrou no nicho do livro digital, e, ao contrário do que alguns imaginavam, ainda não reduziu tudo a pó. Talvez a ânsia de Bezos não seja a mesma de antes, agora que o Brasil não é mais a bola da vez... Enfim, One Click é leitura obrigatória para quem deseja conhecer um pouco da história da própria internet e, mais que obrigatória, para quem lida com comércio eletrônico (sendo que a previsão é de que cada vez mais gente lide com e-commerce). [Comente esta Nota]
>>> One Click
 



Artes >>> Amores & Arte de Amar, de Ovídio
Num mundo que supostamete caminha para a igualdade entre os sexos, o dom-juanismo está fora de moda. Mulheres querem ser conquistadas tanto quanto querem, agora, tomar a iniciativa? Quem paga a conta? Quem quer casar e quem quer ter filhos? No meio da confusão de papéis desde a revolução sexual proporcionada pela pílula, são editados, em nosso País, Amores e Arte de Amar, de Ovídio. Mais conhecido como o poeta das Metamorfoses, Ovídio era um especialista em amor, tanto que isso serviu de motivo para que fosse banido de Roma, por decreto do próprio imperator e princepsAugusto, quem mais? Ovídio tentou se redimir, mas nunca voltou do exílio. Se não fosse um grande poeta, estaria condenado, como se diz no Brasil, à lata de lixo da História. Mas a verdade é que quem já ouviu falar de Ovídio, geralmente, não sabe do seu desterro... São dois poemas na atual edição da Penguin Companhia. Amores foi composto durante a juventude de Ovídio. Provavelmente sob a inspiração de sua primeira esposa. Não é tão divertido, para nós, como Arte de Amar. (Este composto na maturidade.) Alguns consideram que retrata a liberação de costumes na época de Augusto. Que, aliás, tentou coibir o adultério por decreto. Seja como for, Ovídio se transformou num praeceptor amoris ou "no flagelo dos cornudos" ― na expressão de Peter Green, que escreve um prefácio magistral. Ovídio admirava quem se dedicava às artes do amor e queria elevar essa categoria a um outro status. Segundo Green: "(...) na sua escala de valores, o amante não leva uma vida menos dura que a do soldado e não merece menos que este a estima da sociedade". Ao mesmo tempo, logo na abertura, Ovídio declara suas intenções: "Quanto mais o Amor me atingiu, quanto mais na sua violência me abrasou, tanto melhor vingador hei de ser dos golpes que sofri". Arte de Amar seria, portanto, um acerto de contas? (E, sim, Ovídio sempre grafa "amor" com "a" maísculo, como se este fosse um deus da mitologia...) Um verdadeiro manual da conquista, Arte de Amar inclui um passo a passo desde a "escolha do alvo" até a aproximação, até a conquista propriamente dita, não deixando passar nada. Diz, por exemplo: "Pequenos gestos cativam corações delicados". Ou então: "O vinho põe o coração a jeito e torna-o pronto para a fogueira". Inclusive, dá alertas como: "[a paixão da mulher] é mais intensa que a nossa e possui fúria bem maior". Ou: "Uma beleza desarranjada é o que fica bem aos homens". Ovídio é, no dizer de hoje, um otimista. Não acredita que haja conquista impossível. Sobre as mulheres, em geral, afirma: "Até mesmo aquela que podes supor que não quer... quer". Ou, ainda: "Enquanto resiste, porém, o que ela quer é ser vencida". Não significa, contudo, que seja fácil a missão do "amante" (apesar da suave recompensa): "A noite e o Inverno e jornadas sem fim e dores terríveis e toda a sorte de padecimentos, eis o que nos espera nos campos da doçura". Ovído, apesar de parecer, não é nada machista e dedica uma parte especial de Arte de Amar a aconselhar... as mulheres. Diz, por exemplo, sobre a passagem do tempo: "Com passo rápido se escapa a idade, e não é tão boa a que vem depois, quão boa foi a que veio antes". A seção "as artes do prazer", na página 363, é quase impublicável ― e merece, ao menos, uma discreta folheada na livraria. O pudor é do próprio Ovídio: "Tenho vergonha de ir mais além nos conselhos", anuncia. Mas, para o deleite de seus leitores, prossegue... Conquanto, em nossa época, homens e mulheres, aparentemente, não saibam mais seu lugar, o amor, apesar dos pesares, continua no ar... E Ovídio ainda tem muito o que nos ensinar. [Comente esta Nota]
>>> Amores & Arte de Amar
 



Cinema >>> Gonzaga - De Pai pra Filho, de Breno Silveira
Nem todos os grandes artistas são grandes pais. Luiz Gonzaga foi um grande artista. Um revolucionário da música do Brasil. Colocou os ritmos do Nordeste na Rádio Nacional, durante a Era Vargas. Se formos considerar que, entre idas e vindas, Getúlio Vargas liderou o Brasil da Época de Ouro do samba (anos 30) até a ascensão de Carmen Miranda em Hollywood (anos 40), Luiz Gonzaga quebrou um paradigma. Chegou no Rio de Janeiro pré-bossa nova e ― antes que João Gilberto cantasse "Chega de Saudade" e Bôscoli & Menescal compusessem versos como "Dia de luz, festa de sol" ― atacou de xotes, baiões e xaxados. Dominguinhos conta que o Rei do Baião não tinha medo de voar, assim justificando: "O avião não vai cair, estamos levando alegria pro povo". Mas Luiz Gonzaga não foi um pai exemplar. Perdeu a mãe de Gonzaguinha para a tuberculose e deixou o menino oscilando entre a madrastra, com quem não se dava bem, e a madrinha, a quem recorria quando, justamente, rompia com o pai. Luiz Gonzaga desbravou o Brasil em turnês antes do advento do rock'n'roll. Mas ― como artista que ascendeu sob o guarda-chuva da Rádio Nacional (e, portanto, sob os auspícios do governo) ― quando em dificuldade nos anos 60, não se recusou a tocar para os militares. Gonzaguinha, um rebelde por formação, criticaria e romperia com o pai radicalmente. Por ironia do destino, enquanto o pai decaía, Gonzaguinha alcançava o sucesso, pelo seu próprio mérito. Uma noite, num longíquo camarim, receberia a vista da velha madrasta, que fazia as vezes de secretária e empresária de Gonzagão. Num rasgo de humildade, ela vinha pedir a Gonzaguinha que salvasse o pai. Relutante, o filho se dirigiria para o Exu, reduto de Gonzagão. Nesse reencontro ― do filho bem sucedido com o pai à beira da falência ―, os dois Gonzagas, finalmente, viriam a se conhecer e, quem diria, se reconciliar. Dessa união, inclusive, nasceria a turnê de pai e filho, ao mesmo tempo redentora e emocionante... Eis o pano de fundo do longa Gonzaga ― De Pai pra Filho, baseado no livro de Regina Echeverria. Na realidade, o filme foi, originalmente, uma série, na TV Globo, daquele tipo que ninguém acredita que passou na televisão. Mais ou menos no estilo Auto da Compadecida. A divulgação procurou explorar o fato de ser o mesmo diretor de 2 Filhos de Francisco. Duas histórias, inicialmente, trágicas, mas que terminam bem. Ou, menos mal (dependendo do ângulo ou da interpretação). Nivaldo Expedito de Carvalho, como Luiz Gonzaga, está OK. Mas quem arrasa mesmo é Júlio Andrade, como Gonzaguinha. Além da semelhança física, a entrega do ator nos sugere que pode ter vivido um problema de relacionamento semelhante. Se nem assim interessar, ao espectador, o drama humano, a música de Luiz Gonzaga compensa tudo. Flertando com o documentário, os realizadores alternaram cenas do longa, ou da série, com clipes, e áudios, originais ― de pai e filho. Gozaguinha adotou esse nome artístico por ser filho de Luiz Gonzaga. Mas Gonzagão adotou essa apelido por ser pai... de Gonzaguinha. Sua história se revela tão rica quanto seus talentos. [Comente esta Nota]
>>> Gonzaga ― De Pai pra Filho (Trailer)
 

 
Julio Daio Borges
Editor

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