Entrevista com o poeta Régis Bonvicino | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
62333 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Terça-feira, 7/10/2003
Entrevista com o poeta Régis Bonvicino
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 5000 Acessos

Régis Bonvicino, poeta e tradutor, é autor dos seguintes livros de poesia: Bicho Papel (Ed. Greve, 1975), Régis Hotel (Ed. Groove, 1978), Sósia da Cópia (Max Limonada, 1983), Más Companhias (Olavobrás, 1987), 33 Poemas (Iluminuras, 1990), Outros Poemas (Iluminuras, 1993), Ossos de borboleta (Ed. 34, 1996), Céu-Eclipse (Ed. 34, 1999), Remorso do Cosmos (2003). Publicou também o livro de poesia infantil Num Zoológico de Letras (Maltese, 1994). Junto com o poeta americano Michael Palmer publicou Cadenciando-um-Ming, um Samba para o Outro (Ateliê, 2001). Tem se dedicado a traduzir e publicar no Brasil a obra de poetas como Jules Laforgue, Michael Palmer, Robert Creeley, entre outros.

1 – Você é tido como um poeta eminentemente urbano (vários temas de sua poesia são tratados no âmbito das metrópoles). Em termos de resultado da linguagem poética, de que forma o mundo das metrópoles interfere na sua escrita?

R.B. : Nasci em São Paulo, em 1955 e vi esta cidade crescer, crescer, crescer. Digo para mim mesmo que São Paulo é uma espécie de “céu inacabado”. Mas, por outro lado, a natureza está muito presente em minha reflexão poética. Interessa-me o contraste entre natureza e cidade e não a cidade em si ou o tema urbano em si. Aliás, se eu pudesse voltar no tempo, gostaria de ser arquiteto. Então, sou um pouco urbanista e arquiteto em meus poemas. A cidade está muito ligada, popularmente, à idéia de cartaz, neon, letreiros. É o popular-internacional. Há duas décadas que não mais me interesso por este tipo de linguagem da cidade. Oscilo entre a vitalidade e a melancolia.

2 – Como você equilibra na sua poesia o rigor do fazer poético com suas tensões existenciais?

R.B: Não sei se equilibro rigor poético e tensão existencial. Nos últimos anos, escrevo quase que um diário que, de tempos em tempos, transformo num livro. Há um intimismo nas coisas que escrevo. Para mim, rigor poético significa indagar com seriedade e afinco o que é poesia?; o que a faz diferente da prosa?; o que a torna de fato poesia?; que diferença ela faz?. Tensões existenciais? Quando você vai ficando mais velho, elas se traduzem na questão de seu próprio desaparecimento.

3 – Além de poeta você é tradutor. Que relação você vê entre seu trabalho como tradutor e seus procedimentos de criação?

R.B – Em alguns momentos, as traduções que faço influenciam meus próprios poemas. Em outros momentos, não. Gosto de escrever a partir do zero. Mas, não me considero um tradutor ou um transcriador (na acepção de Haroldo de Campos). Não sou um “scholar”. Mas acho saudável que eles existam. Tanto tradução como poesia, para mim, seguem no ritmo do repente ou do cool jazz. Há muito do momento, da improvisão, do diálogo, sem pretensão de verdade ou de paradigma. Quando traduzo, gosto de traduzir “alguém”. Então, cria-se o diálogo.

4 – Pensando no conjunto dos seus livros de poesia, você identifica algum tipo de mudança significativa na sua poesia?

R.B : Acho que sim. Quando eu era muito jovem, senti mais o impacto do concretismo. Ali por volta de 1975/1980. Depois disso, minhas reflexões e ou poemas caminharam para uma inflexão intimista, exclusivamente com a palavra e mesmo dentro deste percurso da palavra há muitas mudanças. Todavia, creio que de 1990 para cá, persisto mais ou menos nos mesmos equívocos.

5 – Alguns versos de sua poesia nos fazem pensar num projeto poético-filosófico. “um sol vago/ que vai/ como quem/ não veio/ sol de soslaio/ este é o sol/ que leio”. Podemos encontrar na sua poesia uma forma de reflexão sobre sua poética? Você faz uma poesia que reflete sobre si mesma?

R. B : Quem sou eu?. Vim de uma família pobre, de um lado mineira de Uberaba, e de outra caipira do interior de São Paulo. Filosofia? Quem sou eu? Não nasci em Recife ou em Paris! Se há, é por acaso. Mas sim há uma busca de reflexão nos meus poemas, constante. Não há poesia que não reflita sobre si mesma e sobre o mundo etc. Caso haja, não é poesia. Para mim, boa poesia é aquela que deixa claro seu fracasso, que revela seus limites e sua poética.

6 – Que poetas te marcaram mais existencialmente e quais influenciaram mais a sua própria criação poética no começo?

R.B : Carlos Drummond de Andrade, Álvares de Azevedo, os poemas (e não poetas) concretos, as letras de Caetano Veloso, John Lennon. Até hoje acho que os Beatles, que todavia não ouço há muito tempo, não foram superados por nada e ninguém, neste âmbito pop, a arte conceitual do grupo Fluxus. Depois, me desinteressei da questão som & visualidades. Só me interesso na minha agenda de criação por poesia de inovação e, por isso, acho que meus principais interlocutores são, há dez anos ao menos, os language poets, como Michael Palmer, Charles Bernstein, Claude Royet-Journoud, Cecilia Vicuña e outros. Eles trabalham com práticas centrais da poesia e não com práticas alternativas, como a poesia visual. Acho, neste sentido, que já avançamos muito além do concretismo. Leminski e eu e depois outros. A poesia concreta é um tanto limitada em termos de resultados – mesmo inclusive os poemas para computador, que, para mim, partem de questões teóricas já vencidas e não funcionam como, digamos, uma escritura propriamente eletrônica. Mas, estranhamente o concretismo ainda é visto como "vanguarda" ou como a vanguarda que precedeu a tudo. Talvez isso se explique pelo conservadorismo brasileiro ou pelo que a crítica consagra, ou seja, o requentado, o intermediário, o moderado. Há um grande equívoco nisso, de o concretismo ser considerado ainda vanguarda, é muita técnica de controle. Enfim, gosto de desafios e o meu é o de tentar levar a poesia adiante! Jardel, também estou muito ligado a alguns artistas plásticos, como a Regina Silveira e o Guto Lacaz.

7 – Que poetas brasileiros contemporâneos você acha que são realmente relevantes e que poetas contemporâneos brasileiros te são mais caros?

R.B : Sou muito contestado e aprendi ainda mais com as críticas a ressalvar que minha opinião é minha opinião e não a verdade. Fui contemporâneo, embora muito mais jovem, de Drummond, de Cabral, de Vinícius, de Murilo Mendes, que morreu em 1975, etc. Talvez isso baste, não?. Entre os mais velhos, gosto dos poemas de Décio Pignatari, de várias coisas de Ferreira Gullar, de Laís Correia de Araujo, de Affonso Ávila. Do Augusto de Campos, puro, sem suas teorias. Por exemplo, achava o Haroldo de Campos, que acaba de morrer, um poeta bom, mas irregular. Um momento bem alto, embora prolixo: “Galáxias”. Um momento baixo: “Signantia: Quasi Coelum”. Eu gosto de Manoel de Barros – poucas coisas -, da Hild Hist, muitas coisas, de Leminski – mais do lado erudito -, de Claudia Roquette-Pinto, de Duda Machado, do Júlio Castañon Guimarães, de Carlos Ávila, de algumas coisas do Carlito Azevedo, embora eu o considere portador de opiniões muito inconsistentes, de várias coisas do Age de Carvalho, da Ana Cristina Cesar, do Torquato Neto, da Josely Vianna Baptista, do Moacir Amâncio, da Jussara Salazar , do Eucanaã Ferraz, do Ruy Proença, do Chico Alvim em alguns momentos, do Antonio Moura, da Ângela de Campos, do começo dos anos 90 do Horácio Costa, do jovem Nelson Ascher tradutor e de alguns de seus poemas; hoje, no entanto, vejo-o como um homem à extrema direita, com uma cabeça caótica, que elogia Bush, Sharon, Berlusconi.... gosto do livro As Coisas., do Arnaldo Antunes. Entre os novíssimos, acho que o Paulo Ferraz tem talento, que o Matias Mariani tem talento, que o Fabiano Calixto é uma bela promessa, que o Gustavo Arruda tem um caminho . Manoel Ricardo também é um dos jovens talentosos e já com alguns resultados. Gosto muito do Douglas Diegues. Acho que o André Dick é uma bela promessa. Há alguns, razoáveis, que tem mais ambição do que, digamos, trabalho por enquanto; alguns que, aos vinte e tantos anos, perguntam: onde está o meu tradutor para o chinês? São os talentosos ansiosos.

8 - Você acredita que exista alguma característica que marca de forma visível a poesia brasileira contemporânea?

R.B: Sim.... uma hesitação entre Drummond, Cabral e o concretismo (risos). O que eu mais valorizo é a busca de uma linguagem inovadora e esta questão não está muito presente, de um modo geral. Há também um amadorismo muito grande. Um poesia prosaica. Prosa cortada como se fosse poesia, sem nenhuma sofisticação poética. Enfim, esse é um papo-cabeça demais. À poesia brasileira atual falta quase tudo, de rigor a amor e também humor. Há muitos poetas que ainda acreditam na ingênua teoria da antropofagia de Oswald de Andrade! Olha, quase ninguém por aqui estuda. Quem sabe o im(pós)sibilismo renovará morna poesia brasileira.

9 – Você lê poesia contemporânea de outros países? Que poetas você indica aos leitores brasileiros?

R.B: Sim... há mais de uma década, ao menos. A lista seria imensa. Acho que a leitura de outras línguas e outros poetas de outros línguas é fundamental, para romper o círculo vicioso de Cabral-Drummond- concretos. E trazer novos horizontes, alargar a mente, pressionada sempre pela mediocridade.

10 - No seu novo livro Remorso do Cosmos, algumas metáforas indicam uma tensão que o faz “querer algo além dos cômoros”, numa espécie de desconcerto existencial. É esse desconcerto que o faz poeta?

R. B: Cômoros são dunas, aquelas dunas da praia. Quero ver além dos cômoros ou quero algo além destas visões quase que pedrestes, confortáveis, suaves. Sem esse desejo, bastariam os jornais ou a poesia que temos hoje. A arte seria desnecessária. Arte é reflexão e inovação e o mundo precisam disso! Precisamos todos ver além dos cômoros.

11- Para você existe diferença entre se criar poemas tradicionais e poemas em prosa (estes aparecem de forma marcante no seu novo livro)?

R. B: Jardel, só escrevo reflexões inabituais, digamos. Às vezes, preciso da linha da prosa e às vezes preciso do corte do poesia. Escrever em prosa é uma forma de tentar alongar os poemas. Há muito tempo que eu hesito entre a poesia e prosa curta. O Remorso do Cosmos é um livro sutil, que vai exigir do leitor leitura. Eu busquei complexidades. Então, a questão central para mim, neste livro, é política e não formal, entre prosa e poesia. Os poemas são vazados por um desalento, digamos assim, com o mundo. Espero que o leiam! Mas, acho que não será muito entendido.

Para ir além:

http://sites.uol.com.br/regis

Sem título (2)

Na virtude dos músculos, dias diamantinos, no frêmito de ser & quando efetivo, na força das vigas, no ânimo de paredes, erguidas, gerânios no canteiro, tijolo, um a um, firmes, fio avariado, pupilo de um suicídio, alento de silhueta, na derrocada da cor, estilhas de vidro, aranhas na cama, sol em surdina, persistindo, no tumulto de pancadas, cúpulas, ópio hipnótico, clemência dos meses, brio de ladrilhos, lâmpadas sob o teto, o alento em si do vento no flagelo da janela e demais utensílios, déspota de portas, escombros do cômodo, caliça, verdugo de seu próprio muro, maciço.

A nuvem

A nuvem é um espaço
abrupto. Um céu brusco
É um espaço muito
pouco firme e úmido

quando chove
É um espaço acústico
espaço que se funde
(um abutre atravessa uma nuvem)
o raio rompe, ignívomo,
vômito de fogo,
o céu nublado da janela
do edifício no crepúsculo fulvo

um céu de rosas adunco
o vento traga as nuvens
êxtase
É um espaço vizinho

pó de meteoros e abismo
não está ao alcance do úmero
ou das mãos
É um espaço aflito

apátrida
para a chuva, as cifras e o cacto
lua ao meio-dia
É um espaço inútil

do ponto de vista de um número
É o espaço último
quando um míssil
noctilucente triste lúgubre
para a Vera Barro

Sexto poema

Sob a ira das víboras
na agonia das cortinas
onde atiravam pedras
no aterro de mim mesmo
meses a fio
o veneno de acônitos

no atear-se fogo
no açular o nervo do açúcar
querer algo além dos cômoros


Jardel Dias Cavalcanti
Campinas, 7/10/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. As Esquetes de Nova Orleans, de Willian Faulkner de Ricardo de Mattos


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2003
01. Felicidade: reflexões de Eduardo Giannetti - 3/2/2003
02. Entrevista com o poeta Augusto de Campos - 24/3/2003
03. John Fante: literatura como heroína e jazz - 21/7/2003
04. Os Dez Grandes Livros - 15/10/2003
05. O Fel da Caricatura: André de Pádua - 3/3/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




HISTOIRE DE L ÉGLISE
A. BOULENGER
EMMANUEL VITTE
(1928)
R$ 90,88



ABSURDISTÃO
GARY SHTCYNGART
ROCCO
(2008)
R$ 12,00



RESPONSABILIDADE SOCIAL E ETICA EM ORGANIZAÇOES DE
ITAMAR MOREIRA
FGV
(2011)
R$ 29,90



ESTAÇÃO PRIMEIRA - SÉRIE DIÁLOGO (COM COMPLEMENTO DE LEITURA)
RICARDO RAMOS
SCIPIONE
(1994)
R$ 9,00



DECISÕES INTELIGENTES
JOHN S.HAMMOND / RALPH L. KEENEY / HOWARD RAIFFA
CAMPUS
(2004)
R$ 18,00



SOZINHO NO PÓLO NORTE
THOMAZ BRANDOLIN
L&PM
(1997)
R$ 13,00



TIANFENICOL BASES EXPERIMENTALES Y CLÍNICAS DE UN NUEVO ANTIBIÓTICO
LABORATÓRIOS DE INVESTIGACION ZAMBON
LABORATÓRIOS DE INVESTIGACI
(1968)
R$ 17,77



AUTOCURA COMO UTILIZAR A ENERGIA PSITRÔNICA - 6586
PIER CAMPADELLO
ROCA
(1993)
R$ 12,00



FILOLOGIA BARRANQUENHA - APONTAMENTOS PARA SEU ESTUDO
J. LEITE DE VASCONCELLOS
IMPRENSA NACIONAL
(1955)
R$ 28,00



CORRUPÇÃO: FATOR DE PROGRESSO? :
ANTENOR BATISTA
JUAREZ DE OLIVEIRA
(2007)
R$ 8,87





busca | avançada
62333 visitas/dia
2,6 milhões/mês