Michael Moore e o grande mentecapto | Lucas Rodrigues Pires | Digestivo Cultural

busca | avançada
55740 visitas/dia
1,4 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Projeto “Equilibrando” oferece oficinas e apresentações gratuitas de circo
>>> Namíbia, Não! curtíssima temporada no Sesc Bom Retiro
>>> Ceumar no Sesc Bom Retiro
>>> Mestrinho no Sesc Bom Retiro
>>> Edições Sesc promove bate-papo com Willi Bolle sobre o livro Boca do Amazonas no Sesc Pinheiros
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Modernismo e além
>>> Pelé (1940-2022)
>>> Obra traz autores do século XIX como personagens
>>> As turbulentas memórias de Mark Lanegan
>>> Gatos mudos, dorminhocos ou bisbilhoteiros
>>> Guignard, retratos de Elias Layon
>>> Entre Dois Silêncios, de Adolfo Montejo Navas
>>> Home sweet... O retorno, de Dulce Maria Cardoso
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Gal Costa (1945-2022)
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
Últimos Posts
>>> Assim criamos os nossos dois filhos
>>> Compreender para entender
>>> Para meditar
>>> O que há de errado
>>> A moça do cachorro da casa ao lado
>>> A relação entre Barbie e Stanley Kubrick
>>> Um canhão? Ou é meu coração? Casablanca 80 anos
>>> Saudades, lembranças
>>> Promessa da terra
>>> Atos não necessários
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Surf Hype, o maior blogueiro de São Paulo
>>> Sexta feira, 13
>>> Que seja eterno enquanto dure
>>> The Early Years
>>> Ruy Proença: poesia em zona de confronto
>>> E a Turma da Mônica cresceu
>>> FLIP 2006 III
>>> Franz Kafka, por Louis Begley
>>> Solidariedade é ação social
>>> ¿Cómo sobrevivo?
Mais Recentes
>>> Livro - Piaget-vygotsky - Novas Contribuições para o Debate de José Castorina e Outros pela Atica (1995)
>>> Pro-posições Revista QUadrimestral da faculdade unicamp - nº 3 1990 de Vários Autores pela Cortez (1990)
>>> O caminho quádruplo (como novo) de Angeles Arrien pela Agora (1997)
>>> Doce Cuentos Peregrinos de Gabriel Garcia Marquez pela Editorial Oveja Negra (1992)
>>> Livro - A Poesia Épica de Camões de Rosemeire da Silva pela Policarpo (1996)
>>> Contradições no ensino de português de Rosa Virgínia Mattos e Silva pela Contexto (2002)
>>> Livro - Festa no Mar - Festa no Céu / Livro Vira-vira 2 Em 1 de Lúcia Hiratsuka pela Dcl (2007)
>>> Livro - Robinson Crusoé - Coleção Reencontro de Daniel Defoe pela Scipione (2001)
>>> Ética a Nicômaco de Aristóteles pela Martin Claret (2009)
>>> Pro-posições Revista QUadrimestral da faculdade unicamp - nº 4 1991 de Vários Autorez pela Cortez (1991)
>>> Livro - O Estranho Caso do Cachorro Morto de Mark Haddon pela Record (2013)
>>> Heróis da Fé de Orlando Boyer pela Cpad (2009)
>>> Livro - Alguns Medos e Seus Segredos de Ana Maria Machado pela Global (2023)
>>> Livro - Matemática Mortífera - Saber Horrível de Kjartan Poskitt pela Melhoramentos (2010)
>>> Damas de Honra de Jane Costello pela Record (2012)
>>> Livro de Neemias de Elinaldo Revovato de Lima pela Cpad (2015)
>>> Leilão das Galerias Organização Canvas e E-arte - 2008 de Vários Autores pela Canvas Galeria e-Arte (2008)
>>> Repertório das essências florais - 4ª Ed (raro exemplar) de Patricia Kaminski e Richard Katz pela Aquariana (1992)
>>> Livro - Egito - Arte na Idade Antiga de Sueli Lemos; Edna Ande pela Callis (2011)
>>> O Passe: Seu Estudo, suas Técnicas, sua Prática de Jacob Melo pela Feb (1999)
>>> Livro - A Extraordinária Jornada de Edward Tulane de Kate Dicamillo pela Martins Fontes (2011)
>>> Livro - As Politicas De Igualdade Racial: Reflexões e Perspectivas de Matilde Ribeiro (org.) pela Fundação Perseu Abramo (2012)
>>> Os médicos do espaço de Luiz da Rocha Lima e o Lar de Frei Luiz pela Mauad (2006)
>>> Iniciação à Administração de Recursos Humanos de Idalberto Chiavenato pela Manole
>>> Livro - Caçadas de Pedrinho de Monteiro Lobato pela Globo (2008)
COLUNAS

Segunda-feira, 16/8/2004
Michael Moore e o grande mentecapto
Lucas Rodrigues Pires
+ de 5000 Acessos
+ 5 Comentário(s)

Tem-se um impasse ao ver Fahrenheit 11 de Setembro: acreditamos em Michael Moore, um documentarista oriundo da pequena Flint, Michigan, e chegado numa polêmica ou em George W. Bush, oriundo do Texas e atual presidente dos Estados Unidos da América? Desde já, respondo: fico com o primeiro.

Mentiroso, tendencioso, manipulativo. Adjetivos dirigidos ao filme, até certo ponto com alguma razão. Moore é exagerado, manipula imagens e sons para fazer crer sua tese de que o presidente Bush venceu fraudando uma eleição e que é um tremendo idiota a conduzir a maior nação do mundo. Mas, pelo que se viu e ainda se vê, ele tem razão.

Após Tiros em Columbine, que levou o Oscar de melhor documentário no ano passado e rendeu a Michael Moore um tremendo discurso anti-bush para milhões de espectadores, esse gordinho simpático - o protótipo do looser e nerd, que os americanos adoram definir, rotulando aqueles que não se encaixam entre os medíocres - o diretor resolveu pegar pesado em sua empreitada contra Bush e seus capangas ultraconservadores. Se neste ele usava o massacre na escola de Columbine (dois garotos entraram na escola com armas e metralharam alunos e professores) para denunciar a criação de um estado permanente de pânico e medo por parte da mídia e governo, o que justificaria a excessiva taxa de portes de armas dos civis americanos e o imenso lucro da indústria bélica, em Fahrenheit 11 de Setembro Moore denuncia explicitamente o presidente Bush e suas relações promíscuas com empresas petrolíferas e a família Bin Laden, além de sua incapacidade intelectual de governar um país. Seu ponto é claro: Bush causou a catástrofe de 11 de setembro, mentiu quando da invasão do Iraque e é incapaz de defender o povo americano.

O maior mérito de Moore num país como os Estados Unidos, pregadores da liberdade e da democracia pelo viés da violência e dominação, é exatamente romper com a autocensura e com o ufanismo cego e irracional que tomou conta de todos. Fahrenheit prova que os Estados Unidos é um país de idiotas governado por um idiota-mor que tem todo o aparato da mídia (e do Congresso e da população amedrontada) para fazer de todos full-time idiotas. Moore é o cavaleiro errante solitário que corre rumo ao inimigo. Sabe que sua vitória seria a de todo o país, mas faz de sua busca um tanto quixotesca seu próprio meio e estilo de vida. No fundo, é como a citação de George Orwell lembrada no filme, na guerra não é possível haver vitória, apenas derrotas. Com Bush, a derrota é certa. Perdem todos, Estados Unidos e todo o mundo. Ganham Bush, sua trupe petroleira e os terroristas, que conquistam cada vez mais motivos para atacar o país.

Michael Moore é genial como um ser midiático e em Fahrenheit 11 de Setembro ele dá uma aula do que é cinema. Cinema é a arte da manipulação, tornar crível uma história através de imagens e sons. Ele sabe manipular com primor as emoções e o raciocínio de quem vê seu filme. Une diversas cenas, recorta outras, faz trucagens nelas, insere uma trilha sonora cabível com seu interesse (geralmente músicas que refletem seu ponto de vista ou uma trilha instrumental que cria a atmosfera do suspense ou da comédia) e nos entrega um material rico em informação de conteúdo e de linguagem. Um Bush absolutamente imbecil nasce de suas colagens: um ser humano desprezível, babaca ao extremo, aproveitador e irresponsável filhinho de papai que recebeu do céu a presidência da república.

A montagem é o grande lance de Fahrenheit 11 de Setembro depois de sua extensiva pesquisa. É através dela (como tudo no cinema) que o efeito de sentido é percebido no espectador, é ela que constrói o sentido que seu autor quer dar ao que fez. Não há edição imparcial, assim como não há jornalismo totalmente imparcial. Esse dogma já é logo de cara desconstruído e assumido por Michael Moore, que explicita sua aversão e condenação a George W. Bush e sua política. Essa tomada de posição, fácil em se tratando de Bush (podem ver que aqui, neste texto, eu também tomo desde o início uma posição contrária a Bush), pode gerar dois sentimentos: maior aproximação do espectador e conseqüente simpatia por sua postura, ou sua execração pela distância ideológica. E, dentro disso, deve-se ter dois cuidados: no primeiro caso, não crer em tudo que se é dito e confirmado para não cair no mero assentimento acrítico, no segundo para não fechar os olhos - por questões de orgulho, antipatia pessoal (sim, Michael Moore tem milhares de detratores), de partido ou patriotismo idiota - para uma realidade que se torna nociva a todo o mundo e beira o autoritarismo fascista.

Há cenas excepcionais em Fahrenheit 11 de Setembro - umas esclarecedoras, outras ingênuas e manipulativas ao extremo. Vemos diversas vezes Bush fazer comentários diante das câmeras, sempre com uma piadinha infame para fazer rir jornalistas e convidados de plantão; pela repetição, Moore coloca Bush como um grande mentiroso (as razões pra invasão ao território de Saddam Hussein - iminente ameaça e posse de armas de destruição em massa - não existem) ao invadir o Iraque, mas erra ao contextualizar o Iraque como uma nação em paz e inofensiva (a união de uma narração em off sobre um Estado perigoso, repleto de armas e às vésperas de atacar os EUA contrastam com imagens de civis iraquianos brincando, soltando pipa e festejando um casamento); as ligações da família Bush e o vice-presidente com o petróleo e os árabes parecem incontestáveis, e é sensacional a montagem da invasão do Iraque com Bush e sua turma caracterizados num filme de faroeste. Mas duvidosas são as informações de que Bush passou quase metade de seus primeiros meses de mandato de férias...

Muitos se perguntam como um filme desses venceu o Festival de Cannes e usam tal premiação para atacar o próprio festival (tornou-se anti-americano, uma richa França versus EUA, dizem). A resposta é simples: há a urgência para se detonar Bush da Casa Branca. Há tempos o cinema não era tão político como foi agora. Colocar Fahrenheit 11 de Setembro nos holofotes era o meio de se protestar contra um governo autoritário fantasiado de libertário. E a França é o espaço do cinema político em que nasceram as vanguardas dessa arte e influenciaram diversos cinemas em todo o mundo. É o cinema francês que faz frente ao hollywoodiano, ícone do imperialismo americano.

Afinal, o que pensar após assistir a Fahrenheit 11 de Setembro? É Bush tudo aquilo que Michael Moore diz? É George W. Bush o grande mentecapto pintado pelo filme? Não sei quanto a vocês, mas, antes e depois de ver Fahrenheit, tenho a nítida impressão de que Moore mente menos que Bush... Muito menos...


Lucas Rodrigues Pires
São Paulo, 16/8/2004

Mais Lucas Rodrigues Pires
Mais Acessadas de Lucas Rodrigues Pires em 2004
01. Olga e a história que não deve ser esquecida - 30/8/2004
02. Os narradores de Eliane Caffé - 5/2/2004
03. Quem tem medo de Glauber Rocha? - 19/7/2004
04. As garotas do Carlão - 13/9/2004
05. Cazuza e o retrato do artista quando jovem - 5/7/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/8/2004
14h08min
Bem, que o filme é exagerado e até certo ponto manipulador é fato inconteste. Porém acredito que cumprindo o papel de resistência o filme se faz claro, pois o exagero e os grandes acentos são necessários para dizer o elementar. É um grito que não se ecoa em vão.
[Leia outros Comentários de Martinho Junior]
1/9/2004
17h33min
Vc leu o Stupid White Men? O livro conta com detalhes a manipulação das eleições nos EUA e dá mtas outras informações. No final tem a lista de reportagens (que é imensa) onde o Moore se baseou p/ criar sua teoria. Ele não podia colocar tudo isso no filme, mas era necessário atingir as pessoas que não leram o livro e fazê-las acreditar no q ele disse.
[Leia outros Comentários de Karen Rodrigues]
3/9/2004
03h24min
A frase "detonar Bush da Casa Branca" é por demais bondosa. Preferiria "detonar Bush e sua quadrilha", literalmente. Moore praticou uma indiscutível boa ação, merecendo assim ser absolvido por qualquer eventual exagero. O que está em jogo é "apenas" o triunfo do fascismo ou, se preferirem dramatizar, a sobrevivência da civilização.
[Leia outros Comentários de Walter Del Picchia]
6/9/2004
14h09min
Moore não se deu conta de que o seu porcumentário só fez bem ao Bush: exatamente 11 pontos acima de Kerry. O hipopótamo de estimação dos democratas parece um elefante - onde pisa f*** tudo... O nosso stupid fat man acha que ganhar em Cannes é prova de inteligência.
[Leia outros Comentários de LuísAfonsoAssumpção]
13/9/2004
13h19min
Moore se superou neste documentário. Fico feliz por existir pessoas como Moore, que diante de toda essa conturbação não se cala e abaixa a cabeça, ele mostra toda sua indignção, e por um acaso o faz bem!
[Leia outros Comentários de Lorena]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Asp: o Guia Essencial - Segunda Edição
A. Keyton Weissinger
Campus
(2000)



Brincando Com Colagens, Recortes e Dobraduras
Rosangela P. Nascimento
Global
(2002)



O Cálculo Em Prática Trabalhista (1996)
Antônio Gomes das Neves
Ltr
(1996)



Ser Protagonista Geografia - Livro Aluno Completo
Fernando dos Santos Sampaio
Sm Didático
(2014)



Britain Today
Richard Musman
Prentice Hall Press
(1977)



Livro - Revista de Microbiologia - Vol. 20 Nº4 - Confira!
Sociedade Brasileira de Microbiologia
São Paulo
(1988)



Conecte Biologia - Volume 1 (2011)
Editora Saraiva
Saraiva
(2011)



Segredos Revelados
Fern Michaels, Anderson Alexandre da Silva
Novo Conceito
(2012)



O Livro das Magicas, Truques e Codigos Secretos (1960)
Stella Leonardos
Ediouro
(1960)



Nos Caminhos da Vida
Guiomar de Oliveira Albanesi
Moderna
(2012)





busca | avançada
55740 visitas/dia
1,4 milhão/mês