Bienal: obras ou arte? | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

busca | avançada
63898 visitas/dia
2,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Documentário inédito sobre Luis Fernando Verissimo estreia em 2 de maio nos cinemas
>>> 3ª Bienal Black abre dia 27 de Abril no Espaço Cultural Correios em Niterói (RJ)
>>> XV Festival de Cinema da Fronteira divulga programação
>>> Yassir Chediak no Sesc Carmo
>>> O CIEE lança a página Minha história com o CIEE
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
>>> Sim, Thomas Bernhard
Colunistas
Últimos Posts
>>> Glenn Greenwald sobre a censura no Brasil de hoje
>>> Fernando Schüler sobre o crime de opinião
>>> Folha:'Censura promovida por Moraes tem de acabar'
>>> Pondé sobre o crime de opinião no Brasil de hoje
>>> Uma nova forma de Macarthismo?
>>> Metallica homenageando Elton John
>>> Fernando Schüler sobre a liberdade de expressão
>>> Confissões de uma jovem leitora
>>> Ray Kurzweil sobre a singularidade (2024)
>>> O robô da Figure e da OpenAI
Últimos Posts
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
>>> Guerra. Estupidez e desvario.
>>> Calourada
>>> Apagão
>>> Napoleão, de Ridley de Scott: nem todo poder basta
>>> Sem noção
>>> Ícaro e Satã
>>> Ser ou parecer
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Linger by IMY2
>>> A hora certa para ser mãe
>>> Cenas de abril
>>> Por que 1984 não foi como 1984
>>> A dicotomia do pop erudito português
>>> Coisas nossas
>>> Caso Richthofen: uma história de amor
>>> Apresentação autobiográfica muito solene
>>> Nem Aos Domingos
>>> Aprender poesia
Mais Recentes
>>> Talvez Uma Historia De Amor de Martin Page pela Rocco (2009)
>>> Por Voce- Vol. 1 de Laurelin Paige pela Fabrica231 (2015)
>>> Sempre Voce - Vol. 3 de Laurelin Paige pela Fabrica 231 (2015)
>>> Livro Os Lugares Mágicos Dos Filmes De Harry Potter de Jody Revenson pela Galera Record (2015)
>>> Com Voce - Vol. 2 de Laurelin Paige pela Fábrica231 (2015)
>>> Istambul: Memoria E Cidade de Orhan Pamuk pela Companhia Das Letras (2007)
>>> Fima de Amos Oz pela Companhia das Letras (1996)
>>> Livro Tokyo Ghoul Illustrations: Zakki de Sui Ishida pela Viz Media Llc (2014)
>>> Com Voce - Vol. 2 de Laurelin Paige pela Fábrica231 (2015)
>>> Livro Os Miseráveis de Victor Hugo pela Martin Claret (2014)
>>> Box O Castelo Animado de Diana Wynne Jones pela Galera (2024)
>>> Box - A Silent Voice Complete Series de Yoshitoki Oima pela Kodansha Comics (2017)
>>> O Enigma Do Quatro de Ian Caldwell & Dustin Thomason pela Planeta (2005)
>>> Box Boa Noite Punpun de Inio Asano pela Jbc (2018)
>>> Ordens Do Executivo de Tom Clancy pela Record (1999)
>>> Tumba Do Imperador de Steve Berry pela Record (2012)
>>> O Enigma De Jefferson de Steve Berry pela Record (2012)
>>> Beneficio Na Morte de Robin pela Record (2015)
>>> Cura de Robin Cook pela Record (2014)
>>> As Sete Irmãs. A História De Maia 1 de Lucinda Riley pela Arqueiro (2016)
>>> Coleção Completa Folha Cozinhas da Itália 20 Livros Toscana Receitas Essenciais + Vêneto + Lombardia + Sicília de Folha de São Paulo pela Folha de São Paulo (2011)
>>> Michelangelo - Uma Vida Épica de Martin Gayford pela Cosac Naify (2015)
>>> A Sutil Arte De Ligar O F*da-Se (ed. Econômica) de Mark Manson pela Intrínseca (2019)
>>> Vocabulário Ortográfico Da Língua Portuguesa 309 de Vocabulário Ortográfico Da Língua Portuguesa pela Global (2009)
>>> Scripta 02 309 de Revista pela Sem (1998)
COLUNAS

Quinta-feira, 11/11/2004
Bienal: obras ou arte?
Adriana Baggio
+ de 7700 Acessos
+ 5 Comentário(s)

Cansada de pegar chuva na praia, aproveitei o feriado de Finados para visitar a 26ª Bienal de Artes de São Paulo. Cheguei cedo ao pavilhão para evitar a provável fila, já que a combinação de dia de folga com entrada gratuita prometia fazer da exposição o programa preferido do paulistano naquela segunda-feira chuvosa.

A temível fila ainda não se formara. Estava tudo tranqüilo, propício à observação e ao deleite. Da entrada já dava para ver algumas instalações mais espaçosas, que aproveitavam a amplitude do primeiro piso do pavilhão. Além dos visitantes, alguns monitores, operários e funcionários espalhavam-se entre as obras, mexendo aqui e ali. Parecia que a limpeza e a manutenção das instalações não tinha sido feita a tempo.

Dentro desse contexto, a visão de um andaime apoiado em uma das rampas sugeria que algo ali estava sendo construído ou reformado. Uma das pessoas que estava comigo apontou para o andaime e falou qualquer coisa em tom de farsa, usando um dos muitos clichês que os (pretensamente) connaisseurs gostam de verbalizar para mostrar sua intimidade com as manifestações artísticas, por mais estapafúrdias que sejam. Entrando na brincadeira, respondi na mesma linha e comecei a circular pelas obras. Quando cheguei perto do andaime, a explicação ao lado da estrutura indicava que aquilo era, na verdade, uma das obras de arte da Bienal.

Enquanto observava o andaime, ouvia repetidamente um som que parecia o motor de uma britadeira ou qualquer outra máquina que se usa na construção civil. Mesmo já tendo percebido que a estrutura era uma obra de arte, e não uma obra, o significado anterior permanecia e a ele se juntava o som da britadeira. Na verdade, o barulho vinha de outra instalação. Eram galhos secos presos à parede, que por sua vez suportavam motores ligados por pedais colocados no chão, embaixo dos galhos. Cada vez que alguém pisava nos pedais, o motor era acionado e os galhos vibravam, fazendo vibrar também as sementes dentro das vagens secas que pendiam dos galhos. O resultado era um som de chocalho, muito lúdico e engraçadinho.

No extremo desse piso, logo atrás do famoso fusca suspenso por elásticos coloridos, as imensas janelas de vidro do pavilhão abrigavam outra instalação. Era uma cortina de tiras de silicone transparente que desciam até o chão coberto por espelhos. Se estivesse fazendo sol lá fora, a luz refratada pelo vidro e pelas tiras proporcionaria um belo e interessante efeito, conforme explicava a descrição da obra. Mas no lugar do sol, o que se via através da cortina transparente eram operários consertando algo na parede de vidro. Já confusa pelo andaime e pelo barulho de motor que, ao contrário de seus sentidos originais, estavam ali como obras de arte, fiquei me perguntando se os homens faziam parte da instalação de tiras de silicone ou se eram, apenas, meros operários realizando algo útil, e não pretensamente estético.

Em Lingüística, essa transição entre o sentido real e o figurado chama-se denotação/conotação. O sentido denotativo de algo é o real, enquanto que o sentido figurado, metafórico, é o conotativo. Não pude deixar de pensar nisso ao observar o andaime de Thiago Bortolozzo, a Slit Sunny Window de João Paulo Feliciano e outras obras expostas na Bienal. A falta de relevância que se percebe em muitas das manifestações de arte contemporânea faz com que, nessa operação de denotação/conotação, a gente nunca saiba com qual sentido está lidando. Se é impossível distinguir o que é obra de arte daquilo que é simplesmente obra utilitária ou funcional, qual o conceito de arte que faz com que alguns objetos ou manifestações mereçam essa denominação?

A partir do momento em que as obras de arte extrapolam os limites do que pode ser tradicionalmente identificado como arte, é preciso cuidar para que elementos externos não interfiram no significado daquilo que o artista quer passar. Se no mesmo contexto existe um andaime que pode ser considerado obra de arte, sem nada que o diferencie de um andaime de construção civil, é importante que todos os outros elementos igualmente comuns, mas que não são obras de arte, sejam afastados do campo de percepção de uma instalação, para que não pervertam ou confundam a intenção de quem a concebeu. Se a Slit Sunny Window só faz sentido se for observada com a janela de vidro ao fundo, será que a presença de operários não perverte o sentido da obra? Ainda mais se considerarmos que havia um forte campo semântico de construção, obra, reforma, presente naquele ambiente da Bienal, o que já direcionava a percepção do observador. Uma instalação formada por "bacias" de mármore branco, que originalmente continham água quente, estava sendo lavada pelo pessoal da Bienal com singelas esponjas e tubos de Veja, para tirar o limo provocado pela água acumulada. Uma instalação alterada pelos elementos que a compõem ou estando em manutenção pode ser percebida como obra de arte no seu sentido original?

Além das "bacias" de Laura Vinci, outras obras da Bienal não funcionavam ou estavam simplesmente desligadas. A expansão dos limites técnicos da arte provocou uma enxurrada de obras realizadas em vídeo, som, com elementos elétricos e mecânicos, etc. Coisas que falham, estragam deixam de ser ligadas. Qual o sentido de uma instalação que não pode ser observada da maneira como foi criada pelo artista? Se não funciona, se não pode ser compreendida em seu todo, o que era obra de arte retorna ao seu sentido denotativo, voltando a ser apenas uma obra. Não serve para fruição e nem para o entretenimento.

É claro que não é a função de entreter que determina o caráter artístico de uma obra. No entanto, esse parece ter sido o objetivo de muitas manifestações da Bienal. Nesse ponto, acredito que a exposição acaba se confundindo com um espetáculo, no sentido explorado pelo filósofo Guy Debord. A espetacularização é um procedimento típico dos nossos dias, usado para tornar os produtos culturais mais palatáveis e com mais chances de sucesso quando concorrem com outros produtos culturais. Abandona-se o conteúdo em detrimento da forma para que sejam consumidos mais facilmente e em maior quantidade, encaixando-se, portanto, nos procedimentos da indústria capitalista. O jornalismo é um exemplo de produto cultural espetacularizado, onde o princípio da verdade e da realidade deu lugar à notícia divulgada não pela sua relevância, mas por seu potencial de show. Da mesma forma, acredito que muitas manifestações artísticas são espetacularizadas, validadas pelos conceitos da contemporaneidade, mas esvaziadas de sua essência artística. E isso é fácil de perceber quando uma dessas instalações-espetáculo deixa de funcionar por algum motivo. O disfarce artístico cai, revelando o caráter (in)útil daquele objeto/máquina.

Essa discussão não é nova e sempre aparece em volta das manifestações artísticas experimentais, que não se encaixam no conceito tradicional de arte. Discussões como esta envolveram os movimentos artísticos do final do século XIX e começo do século XX, que abandonaram o figurativismo nas artes plásticas. São escolas, obras e artistas de talento inquestionável hoje, mas que foram incompreendidos em sua época. Pode ser que, daqui a algumas décadas, as manifestações que hoje parecem oportunistas tenham seu caráter de arte reconhecido. No entanto, discordo dessa classificação para muitas das obras expostas e badaladas por aí.

Tomando o conceito de arte de Antonio F. Costella, autor de um interessante livro chamado Para apreciar a arte, o que caracteriza a arte é a estética, o conjunto de aspectos que faz uma obra ser agradável, que emocione as pessoas, que possa ser considerada bela além da subjetividade desse conceito, que exista não por utilidade, mas para a fruição e o prazer. Pode ser que a definição de arte varie um pouco para mais ou para menos a partir desse centro, mas não acredito que vá muito longe disso. Nesse contexto, portanto, pode-se considerar como arte uma das obras da Bienal, formada pela projeção em sala escura de dois vídeos que mostram a circuncisão do artista?

Por mais que haja um conceito que justifique essa manifestação, não vejo como encaixá-la na categoria de obra de arte. A não ser, é claro, que se tome a definição de Dino Formaggio, citada no mesmo livro: "arte é tudo aquilo que os homens denominam arte". Uma definição que deixa o território tão livre quanto a temática na qual se encaixam as obras desta edição da Bienal. Ninguém questiona a importância e o valor da liberdade. Mas não se pode deixar de perceber que é essa mesma liberdade que nos dá margem para perceber como arte dois diligentes operários consertando a parede de vidro do pavilhão da Bienal.


Adriana Baggio
Curitiba, 11/11/2004

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Educação de Verdade de Daniel Bushatsky
02. Eu não me importo com a Copa de Marcelo Miranda
03. Por que se lê e por que se escreve? de Marcelo Maroldi


Mais Adriana Baggio
Mais Acessadas de Adriana Baggio em 2004
01. Maria Antonieta, a última rainha da França - 16/9/2004
02. Do que as mulheres não gostam - 14/10/2004
03. O pagode das cervejas - 18/3/2004
04. ¡Qué mala es la gente! - 27/5/2004
05. Detefon, almofada e trato - 29/4/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
11/11/2004
22h18min
Concordo plenamente quando Adriana Baggio critica o reparo das obras de arte durante o horário em que a Bienal está aberta ao público, mas a questão mais importante é o porque isso acontece. A Bienal abre de segunda a segunda das 9 às 22 hrs., os organizadores deveriam saber que isto geraria problemas na manutenção e também transtorno para o público, por outro lado eles sabem que numeros grandes atraem patrocinadores grandes... Agora acho importante lembrar que a Bienal trata de arte contemporanea e as obras de arte estão sempre se relacionando com elementos externos... Colocar uma barreira entre a obra e o resto do mundo seria regredir em séculos. As estátuas voltariam para os pedestais e os quadros não estariam completos sem suas molduras. Nada contra este tipo de arte mais "clássica", mas tudo tem o seu tempo. Quanto a dolorosa definição de arte, a qual a Adriana atribui a Antonio F. Costella, proponho uma alteração: "o que caracteriza a PUBLICIDADE é a estética, o conjunto de aspectos que faz O PRODUTO ser agradável, que emocione as pessoas, que possa ser considerada bela além da subjetividade desse conceito, que exista não por utilidade, mas para VENDER". Por favor, a definição de arte varia, sim! Não podemos olhar pra uma obra de arte feita hoje como olhamos para uma obra feita há alguns séculos.
[Leia outros Comentários de Lígia]
14/11/2004
13h23min
Adriana, concordando com vc e alterando um poquinho só, eu diria então... a arte é o conjunto de aspectos que faz uma manifestação (musical, literaria, plástica, etc) ser agradável a ponto de provocar emoção nas pessoas, que traga consigo uma mensagem e que vá além da subjetividade do artísta, que exista não por utilidade, mas para fruição, resgistro e prazer. Não sei... mas a arte conteporânea parece estar cada vez mais "estranha".
[Leia outros Comentários de Carolinne]
19/11/2004
10h31min
Adriana, não concordo muito com a definição de Arte que você propôs. Não acho que ela sirva apenas como fruição e prazer. Na minha opinião, a Arte nos abre perspectivas e nos leva a repensar conceitos, pois ela nos faz ver o que de alguma maneira permanecia oculto ao nosso olhar.
[Leia outros Comentários de marilia]
19/11/2004
14h39min
Cara Marilia, em primeiro lugar, obrigada por enriquecer o debate. Em segundo lugar, se você observar bem, não falo, em nenhum momento, que a arte serve APENAS para fruição e prazer. Não penso isso. Penso que, além de um conceito que nos faça repensar e abrir novas perspectivas, como você menciona, ela também deve ter algum parâmetro estético, algo que a diferencie de um objeto qualquer. Senão, posso largar uma bola de futebol no meio da Bienal, desenvolver um conceito e chamar aquilo de arte. O meu texto cita ainda uma outra definição (ignorada por você e por outras pessoas que também discordaram da primeira definição exposta), e que poderia, então, incluir as manifestações da Bienal. Na verdade, cito as duas definições para lançar uma discussão. O texto, portanto, deve ser percebido no seu todo. Ao fazer sua crítica, você faz um recorte do meu texto. Nesse caso, ele já não é o que eu escrevi, e sim o que você preferiu entender.
[Leia outros Comentários de Adriana]
21/12/2004
00h48min
Cara Adriana. Arte é o caminho. Procure se libertar do gosto. Arte não precisa agradar.
[Leia outros Comentários de zamuner]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Macroeconomia
N. Gregory Mankiw
LTc
(1997)



Fale Tudo em Francês / Com Cd
Nancy Alves
Disal
(2010)



Quando Chegam as Respostas
Sônia Tozzi
Lúmen editorial
(2009)



Guía de la meditación
Lorraine Turner
Parragon
(2002)



Bom de briga
Paul Pope
Quadrinhos na cia
(2014)



Mortal Engines Livro 1
Plhilip Reeve
Novo Seculo
(2011)



Vida de artista
Flávio Moreira da Costa
Sulina
(1990)



Ofícios do Tempo
Donizete Galvão
Positivo
(2014)



Diálogos Com a Calçada
Flávio Prada
Terra Molhada
(2012)



Eu, você e as estrelas
Álvaro Basile Portughesi
EBm
(2011)





busca | avançada
63898 visitas/dia
2,0 milhão/mês