Google e o obscurantismo | Paulo Polzonoff Jr | Digestivo Cultural

busca | avançada
42881 visitas/dia
1,2 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS >>> Especial Google

Segunda-feira, 20/3/2006
Google e o obscurantismo
Paulo Polzonoff Jr

+ de 2600 Acessos

Digo, com pessimismo e alguma rabugice, que vivemos tempos obscuros. Uma segunda Idade das Trevas, se é que não houve outras antes da Era Comum. Quando digo isso, as pessoas me olham com espanto, como se eu fosse um daqueles profetas malucos que pregam o fim do mundo. É quase isso. Tanto o meu pessimismo quanto o espanto das pessoas têm origem num ponto em comum: a idéia de que vivemos uma Era da Informação.

E nada exemplifica melhor o presente e meu prognóstico sinistro quanto o Google - a ferramenta de busca mais usada do mundo. Antes de mais nada, vale dizer que nada tenho contra a empresa. E não entro, por ora, no mérito de ações da companhia em países que exercem algum tipo de controle político sobre a internet, como a China. Tampouco dou, neste texto, vazão a teorias conspiratórias que correm por aí, segundo as quais os donos do Google, Larry Page e Sergey Brin, estariam chantageando os maiores governos do mundo com a ameaça de excluir de seus índices boa parte das informações do planeta. Reconheço que vejo na idéia um argumento para um filme de James Bond, mas é só.

Para mim, a idéia de um tempo obscurantista é tão difícil de ser assimilada simplesmente porque, bem, porque o estamos vivendo, é claro. Imagino que o homem medieval, por mais instruído que fosse, tampouco se sentisse à vontade ao ser chamado de "representante da Idade das Trevas". É muito possível, inclusive, que ficasse com raiva e batesse em sua cabeça com uma coxa de galinha ou lhe rogasse uma praga. O fato é que nutrimos um especial interesse pela época em que vivemos, e é comum que queiramos que ela seja lembrada como a melhor.

Por isso é que há tantas pessoas louvando a tal Era da Informação, da qual o Google é parte essencial. Volta e meia leio um texto, geralmente escrito por pessoa mais velha (não é muito difícil ser mais velho do que eu, mas...), dizendo que nunca o mundo viu tanto acesso a tantas fontes diversas sobre tantos assuntos. Os exemplos que se dá, nestes casos, sempre são muito bobos, ainda que - tenho de reconhecer - verdadeiros: hoje, uma edição de domingo do New York Times contém tanta informação quanto uma pessoa era capaz de obter durante toda a vida, no século XIX. Isso impressiona, eu sei.

Mas, se eu fosse você, tirava agora este sorriso do rosto. Porque este tipo de visão entusiasmada de um mundo em decadência não resiste à individualização do fenômeno. Por mais que haja informação sobre informação hoje em dia, disponível facilmente por meio de um clique, este volume todo de dados não serve de nada se, do outro lado do computador, usando o Google, não houver uma pessoa com cérebro. E é aí (aqui) que a porca torce o rabo.

Porque é visível a incapacidade das pessoas, sobretudo as mais jovens, neste quesito. Processar informações, convenhamos, nunca foi o forte do ser humano. Selecionar o que é verdade e o que é mentira, reconhecer o que é fonte segura ou não, saber o que é supérfluo e essencial, bem, nada disso o Google faz. Pelo contrário, a maior parte das informações encontradas na internet já vem mastigadinha. Aí é que mora o perigo, porque já há toda uma geração criada nas entranhas dos mecanismos de busca. E esta geração é, para ser bonzinho, limítrofe. Não precisa ser nenhum gênio para prever que uma geração criada à base de informações mastigadas crescerá viciada neste tipo de coisa. Profundidade é uma palavra que não existe para o internauta comum. E uma geração assim só será capaz de criar uma geração semelhante, se não pior.

Daí porque acho que já vivemos tempos obscuros, mas vai piorar ainda mais. Sintomáticas deste fenômeno de emburrecimento em larga escala são justamente as buscas por meio do Google. Qualquer pessoa que tenha um site pessoal ou um blog com contador pode rastrear as buscas. E não é raro se deparar com gente que pergunta ao Google, como se ele fosse um oráculo, a resposta para determinado assunto: "Onde+encontro+crítica+livro+Dom+Casmurro?", escreve uma pessoa. Não é piada. Perceba que a pessoa domina a sintaxe do Google. Sabe que o sinal de adição restringe a busca. Mesmo assim, por algum motivo esdrúxulo, crê que, do outro lado do campo de formulário, exista alguém, talvez um daqueles deuses indianos com oito braços, empregado para responder cada pergunta individualmente. E este é só um exemplo, não o menos escabroso. Há quem inicie uma procura com um protocolar "Sr. Google".

A maior parte dos usuários, porém, não comete este tipo de erro grosseiro. A nova geração sabe ir direto ao ponto. Sabe usar os sinais de restrição ou ampliação das pesquisas. Isso, contudo, não soluciona um problema: ela não sabe hierarquizar a informação. E, como está acostumada com as facilidades da internet, presume que toda a informação esteja certa. É fácil prever aonde este tipo de atitude passiva vai nos levar. Seremos, se é que já não somos, rasos, insuportavelmente superficiais. Apesar de toda a informação de que dispomos e disporemos, é provável que continuemos tão tacanhos quanto antes. Simplesmente porque o Google nos fornece o dado, mas não nos ensina a raciocinar. E, pior: ninguém parece querer aprender.

Mais uma vez, faço a ressalva: não é culpa da empresa. Aliás, não é culpa de ninguém. Estou a cada dia mais convencido de que, entre a inteligência e a burrice, o homem escolhe a burrice, sem dúvida nenhuma. Os porquês são muitos e não vou entrar no mérito. Mas, para perceber o que estou dizendo, basta prestar a atenção à sua volta: centenas de canais de TV a cabo, jornais, revistas, internet com todas as suas variantes, rádios de notícia, livros, livros e mais livros não tornaram o nosso mundo melhor, pelo contrário. Já se tornou anedota a história da pessoa que, diante de tantas possibilidades, escolheu continuar com sua rotina e assistir a todas as novelas disponíveis. Depois eu é que sou pessimista...

Ainda me lembro do tempo em que eu usava a Enciclopédia Delta Universal, uma espécie de prima-pobre da Barsa, em minhas pesquisas. Eu não sou nenhum Google, é claro, mas meu grande orgulho, quando criança, era saber encontrar o verbete exato no volume exato, sem consultar o índice. Orgulhos de criança... A enciclopédia me dava uma informação invariavelmente defasada, que eu tratava de complementar com meu raciocínio e informações adicionais, cuja pesquisa, às vezes, demorava bons dias. Mais importante do que isso, a enciclopédia me dava a possibilidade de pesquisar em fontes mais profundas, que não raro me levavam a ficar dias trancado no quarto, lendo uns livros de história com grandes colunas jônicas (ou seriam dóricas?) na capa.

Depois, mais tarde, quando passei a me interessar por mulheres, a Enciclopédia Delta Universal perdeu um pouco do seu valor. Ela não disponibilizava o verso exato que eu, porventura, quisesse escrever no bilhete, junto com as flores. Era necessário, então, ir à fonte primária. Quase sempre eu acabava gostando tanto do livro que me esquecia de que verso mesmo estava procurando. Ou, por outra, acabava encontrando mil e um versos, melhores e menos famosos, e tão inúteis quanto quaisquer outros no meu exercício tolo de conquista.

Mas já aqui me perco em reminiscências. Olhar para trás pode me fazer sorrir, mas não ameniza o veredicto: vivemos temos obscuros. E, daqui para frente, o caminho é uma ladeira só. O pior de tudo é que não haverá Gibbon capaz de contar nosso declínio e queda. Afinal de contas, com o Google, tudo estará registrado, mas não haverá pessoa capaz de entender o cruzamento de tantos resultados.


Paulo Polzonoff Jr
Rio de Janeiro, 20/3/2006


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Malcolm, jornalismo em quadrinhos de Luís Fernando Amâncio
02. Fragmentos de Leituras e Sentido de Ricardo de Mattos
03. São Paulo e o medo no cinema de Elisa Andrade Buzzo
04. As histórias magras de Rubem Fonseca de Cassionei Niches Petry
05. Concurso literário, caminho para a publicação de Eugenia Zerbini


Mais Paulo Polzonoff Jr
Mais Acessadas de Paulo Polzonoff Jr em 2006
01. Grande Sertão: Veredas (uma aventura) - 13/4/2006
02. As sementes de Flowerville, de Sérgio Rodrigues - 14/12/2006
03. Não existem autores novos - 8/5/2006
04. Orkut: terra de ninguém - 9/2/2006
05. Relativismos literários - 9/6/2006


Mais Especial Google
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




LIBERDADE PARA APRENDER
CARL R. BORGES
INTERLIVROS
(1978)
R$ 55,00



OS CEM MELHORES CONTOS BRASILEIROS DO SÉCULO
ITALO MORICONI; DIVERSOS AUTORES
OBJETIVA
(2001)
R$ 10,00



O NOVO PROCESSO CIVIL BRASILEIRO
ALEXANDRE FREITAS CÂMARA
ATLAS
(2016)
R$ 110,00



LUTAS SOCIAIS NA ROMA ANTIGA
LEON BLCH
EUROPA AMÉRICA
(1991)
R$ 10,00



CINEMA NO DIVÃ - GRANDES FILMES EM ANÁLISE
DANIT FALBEL PONDÉ
LEYA
(2015)
R$ 24,00



A TURMA QUE NÃO ESCREVIA DIREITO
MARC WEINGARTEN
RECORD
(2010)
R$ 20,00



SUPER INTERESSANTE Nº 2 ESTE ROBÔ QUER A MAMÃE
VÁRIOS AUTORES
ABRIL
(1995)
R$ 9,90



AL PIE DE LA LETRA GEOGRAFÍA FANTÁSTICA DEL ALFABETO ESPAÑOL ...
VARIOS
CAJA DUERO
(2001)
R$ 80,00



NUVEM DE PÓ
PRISCILA FERRAZ
MARCO ZERO
(2008)
R$ 8,90



REGULAÇÃO PÚBLICA DA ECONOMIA NO BRASIL
ROGÉRIO EMILIO DE ANDRADE
EDICAMP
(2003)
R$ 30,00





busca | avançada
42881 visitas/dia
1,2 milhão/mês