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Terça-feira, 11/4/2006
Outra palavra, da cidade Coração
Vitor Nuzzi

+ de 4600 Acessos

João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908, na pequena Cordisburgo (cordis, coração; burgo, cidade), município mineiro fundado em 1938, maior produtor de abóboras do Estado, com aproximadamente 8.600 habitantes (população estimada em julho de 2005, segundo o IBGE) - e que de 10 a 15 de julho próximos sediará a 18ª Semana Roseana, aberta com missa sertaneja na Igreja Matriz. Nove dias antes do nascimento do pequeno João, primeiro de seis filhos, o navio Kasato Maru atracou no porto de Santos, em São Paulo, trazendo os primeiros 781 imigrantes japoneses. Nos dez anos seguintes, 95% das pessoas que chegaram a São Paulo eram estrangeiras. Nos dez anos posteriores, quando as migrações internas aumentaram, esse número cairia para 75%.

O que tem uma coisa a ver com outra?

A trajetória do contista extraordinário que foi Guimarães Rosa coincide com o período de urbanização do Brasil, mais acelerado em comparação com países desenvolvidos. E ele foi o escritor do país rural, do homem do sertão. Mais que isso, foi cronista da alma. Riobaldo pode ser rústico, mas é bom observador. "Esta vida é de cabeça-para-baixo, ninguém pode medir suas perdas e colheitas", constata. Assim, a busca é menos geográfica do que espiritual.

Em 1925, quando Guimarães Rosa entrou na Faculdade de Medicina de Minas Gerais, a população urbana não chegava a 30%. Só ultrapassaria essa marca no Censo de 1940 - em 1946, em sua efetiva estréia literária, o escritor lançaria Sagarana -, quando apenas Rio de Janeiro e São Paulo tinham mais de um milhão de habitantes. Três anos antes, diante da crescente industrialização e organização sindical, Getúlio Vargas criara a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No Censo de 1960, a população das cidades já chegava a 45%. Em 1962, viriam as Primeiras Estórias. E ele já estava morto quando, no Censo de 1970, a população urbana, com 56%, ultrapassou pela primeira vez a rural. Em 2000, novamente segundo o IBGE, esse índice já passava de 81%.

- A gente, vamos´embora, morar em cidade grande...

Ele conheceu campo e cidade. Falava mais de dez idiomas, mas, não satisfeito, criou linguagem própria - a partir, principalmente, das histórias que tanto gostava de ouvir. Agente itinerante, auxiliar apurador, médico (foi o orador da turma, em 1930), inspetor voluntário da Força Pública, funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, capitão-médico, cônsul, chefe de gabinete, secretário e conselheiro de embaixada, chefe de divisão, embaixador. Sua vida profissional foi extensa e diversificada. E o gosto pelo conhecimento era acentuado. "Ele era um diplomata curioso, porque não queria viajar, e sim ficar no Brasil o tempo todo", contou, em entrevista ao jornal O Globo (em 11 de março deste ano), o escritor Alberto da Costa e Silva, membro da ABL e colega de trabalho de Guimarães Rosa no Itamaraty.

Mas, o que o homem é, depois de tudo, é a soma das vezes em que pôde dominar, em si mesmo, a natureza. Sobre o incompleto feitio que a existência lhe impôs, a forma que ele tentou dar ao próprio e dorido rascunho. Em 1961, ele recebeu da Academia Brasileira de Letras o prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra. Uma pequena coincidência une os dois escritores: Guimarães Rosa nasceu no ano da morte de Machado - o primeiro estava para completar três meses de vida quando o segundo morreu, em setembro de 1908.

Ninguém é doido. Ou, então, todos.

Criada por Machado, a Academia fez Guimarães Rosa confrontar, de certa forma, o erudito e o popular. Por causa de uma previsão feita não se sabe exatamente por quem, que falava em morte após uma festa em sua homenagem, o escritor adiou durante anos a sua posse - eleito em 1963, só foi empossado em 1967. E morreu três dias depois, em 19 de novembro. "(Ele) Acreditava no imponderável, nas coisas divinas, nas profecias", relatou, também a O Globo, o irmão José Luís. Segundo ele, a expressão mágica para Guimarães Rosa era ave palavra!. "Sempre achei que acima do roteiro de suas histórias estava a palavra."

Sou o que não foi, o que vai ficar calado.

Guimarães Rosa talvez seja aquele raro tipo de escritor mais falado pelo que possivelmente quis dizer do que pelo escreveu. Mas se o estilo e a linguagem são únicos, a temática é universal: a angústia humana, os tormentos da alma, os amores perdidos, a eterna busca de respostas para as incertezas da existência.

"- Pai, a vida é feita só de traiçoeiros altos-e-baixos? Não haverá, para a gente, algum tempo de felicidade, de verdadeira segurança?" E ele, com muito no caso, no devagar da resposta, suave a voz: - "Faz de conta, minha filha... Faz de conta..." Entreentendidos, mais não esperaram.

Paira ainda no universo de sua literatura a ilusão de que existe na Terra uma disputa entre o Bem e o Mal, "o demônio na rua, no meio do redemunho"... Esse conflito está, na verdade, dentro de cada um. Mais que mudar de terra, como no Brasil do século 20, trata-se de mudar de vida. Sem que cessem as interrogações.

O diabo não há. (...) Existe é homem humano. Travessia.


Vitor Nuzzi
Rio de Janeiro, 11/4/2006


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