Livro fora e dentro do papel | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
73958 visitas/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Minute Media anuncia lançamento da plataforma The Players’ Tribune no Brasil
>>> Leonardo Brant ministra curso gratuito de documentários
>>> ESG como parâmetro do investimento responsável será debatido em evento da Amec em parceria com a CFA
>>> Jornalista e escritor Pedro Doria participa do Dilemas Éticos da CIP
>>> Em espetáculo de Fernando Lyra Jr. cadeira de rodas não é limite para a imaginação na hora do recrei
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Silêncio e grito
>>> Você é rico?
>>> Lisboa obscura
>>> Cem encontros ilustrados de Dirce Waltrick
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> A situação atual da poesia e seu possível futuro
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
Colunistas
Últimos Posts
>>> Hemingway by Ken Burns
>>> Cultura ou culturas brasileiras?
>>> DevOps e o método ágil, por Pedro Doria
>>> Spectreman
>>> Contardo Calligaris e Pedro Herz
>>> Keith Haring em São Paulo
>>> Kevin Rose by Jason Calacanis
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
Últimos Posts
>>> Acentuado
>>> Mãe, na luz dos olhos teus
>>> PoloAC retoma temporada de Os Doidivanas
>>> Em um tempo, sem tempo
>>> Eu, tu e eles
>>> Mãos que colhem
>>> Cia. ODU conclui apresentações de Geração#
>>> Geração#: reapresentação será neste sábado, 24
>>> Geração# terá estreia no feriado de 21 de abril
>>> Patrulheiros Campinas recebem a Geração#
Blogueiros
Mais Recentes
>>> MPB: raízes e antenas conectadas
>>> Bernstein: 5ª de Shostakovich
>>> Mini-cartografia do prazer gastronômico paulistano
>>> Eu, Marília
>>> A tirania do isolamento
>>> 2009: intolerância e arte
>>> A Marafa Carioca, de Marques Rebelo
>>> Maiores audiências da internet
>>> Amando quem não existe
>>> 18 de Outubro #digestivo10anos
Mais Recentes
>>> Desejo, Logo Realizo: a Saude Plena Depende de Nos de Roberto Zeballos pela Fundacao Peirópolis (2010)
>>> Dos and Taboos of Using English Around the World de Roger E. Axtell pela John Wiley & Sons (1995)
>>> O Vinhedo de Barbara Delinsky pela Bertrand Brasil (2006)
>>> Feliz 1958 o Ano Que Não Devia Terminar de Joaquim Ferreira dos Santos pela Record (2008)
>>> Contos de Érico Veríssimo pela Globo (1987)
>>> Cantos: Oficinas de Oração e Vida de Vários Autores pela Folha Artes Graficas (2007)
>>> Machado de Assis (crônicas) - Col. Nossos Clássicos de Machado de Assis pela Agir (1963)
>>> Série Prisma - Carros Famosos de David Burguess Wise pela Melhoramentos (1970)
>>> Pollyana - Biblioteca das Moças Vol. 89 de Eleanor H. Porter pela Companhia Nacional (1958)
>>> Machado de Assis (poesia) - Col. Nossos Clássicos de Machado de Assis pela Agir (1964)
>>> Junqueira Freire (poesia) - Col. Nossos Clássicos de Junqueira Freire pela Agir (1962)
>>> Pensamentos de um Filósofo Primitivista - Número 1 de Cicero Buark pela Independente (1980)
>>> Berlitz: Portuguese English - Inglês Português de Berlitz pela Berlitz (1982)
>>> Pequeno Dicionário de Sociologia de Clovis Pansani pela Copola (1998)
>>> Pensamento e a Vida - Ditado pelo Espírito Emmanuel de Francisco Cândido Xavier pela Feb (1998)
>>> Série Prisma - Previsão do Tempo e Clima de A. G. Forsdyke pela Melhoramentos (1975)
>>> Mitos e Lendas da Roma Antiga - Coleção Prisma de Vários Autores pela Melhoramentos (1976)
>>> Meditação: A Arte do Êxtase de Bhagwan Shree Rajneesh pela Cultrix (1976)
>>> Bola de Sebo e Outras Narrativas de Guy de Maupassant pela Expressão Popular (2013)
>>> Dieta Mediterrânea de Dr. Fernando Lucchese e Outro pela L&PM (2005)
>>> Psicologia e Literatura de Dante Moreira Leite pela Editora Nacional (1967)
>>> Antonio Gramsci Uma Vida de Laurana Lajolo pela Brasiliense (1982)
>>> Contradições do Homem Brasileiro de Jornard Muniz de Brito pela Tempo Brasileiro (1964)
>>> Princípios de Ginecologia de Sir Norman Jeffcoate pela Manole (1979)
>>> Semiologia Médica Vol. 1 de Vieira Romeiro pela Científica (1948)
COLUNAS >>> Especial Publicar em papel ou não?

Quinta-feira, 7/6/2007
Livro fora e dentro do papel
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 4600 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Quem é que ao comprar um livro nunca o levou ao nariz para sentir seu cheiro ou o levou diretamente ao peito como se estivesse abraçando a mulher amada? Essas são atitudes típicas daqueles apaixonados por livros. Apaixonados não só pelo seu conteúdo, mas por sua forma, peso e cheiro. Quantos livros não compramos apenas por causa de sua textura, sua diagramação, sua capa, sua forma? Assim como temos interpretações musicais variadas, sobre a batuta de diversos maestros e de orquestras diferentes, pensamos existir na diversidade das edições dos livros algo de novo, sutil, que se acrescenta ao conteúdo da obra que compramos.

Eu mesmo, por exemplo, já tinha duas edições de O vermelho e o negro, de Stendhal, e quando me deparei com a edição publicada pela Cosac & Naify não resisti ao encanto e a comprei. O que me atraiu para além do próprio texto? Não foi com certeza o tradutor. Nem pensei tanto nisso. Mas foi a própria textura do livro, a beleza de sua capa, sua edição - no sentido material do objeto. O mesmo sempre acontece com as novas edições de Em Busca do tempo perdido, de Marcel Proust. Para além do interesse por uma nova tradução (o que já se justifica por si), existe o desejo fetichista de possuir aquela nova edição quase como se ela fosse uma nova obra, como uma partitura executada por um novo maestro. Nesses casos, o livro tornou-se um fetiche. Ao menos para seus amantes.

Mas nem só de amantes vive o livro. Existem necessidades ligadas ao acesso à leitura que são de outras variadas ordens. Há livros que devemos ler por obrigação, sobre assuntos que com certeza nos decepcionarão, e dos quais não queremos reter dentro de casa, atulhando de coisas indesejáveis as nossas estantes queridas.

Há outros livros que estão fora do comércio, são preciosidades históricas que só podem ser visitadas em centros de pesquisa ou bibliotecas nacionais fabulosas, como a de Paris, por exemplo. São livros que desejamos ter, mas, tal como uma Mona Lisa, só existem fisicamente naquele lugar sagrado a eles reservado. Dali não podem ser retirados em hipótese alguma, talvez, sim, consultados, mas com um cuidado tal que nos faz pensar nas relíquias religiosas.

Essas duas hipóteses já justificariam por si a existência de livros virtuais. Ter a possibilidade de poder ler um livro raro, de difícil acesso, num tempo hábil, sem precisar deslocar-se de avião a uma região distante, com um custo alto para a pesquisa a este material, é um sonho que se tornou realidade. Ou também livrar-se, com apenas um clique no DELETE, de um livro que foi lido em circunstâncias não tão agradáveis, com um conteúdo intolerável, livrando-nos de um peso morto.

Mas há outras possibilidades ligadas à publicação virtual que são absolutamente louváveis e necessárias à facilitação da circulação de informações e conhecimentos. Não é isso, no fim das contas, o que se quer? Não é isso o que sonhavam nossos antepassados pensadores iluministas? Não é com isso que sonham os autores ao desejarem ter suas obras disponíveis para toda a aldeia global?

Isso evidentemente tem conseqüências drásticas para o mercado editorial. E pelo que parece, a Internet surgiu e age com um furacão, tão rápida em suas mudanças que não conseguimos controlar perfeitamente seus passos e seu poder arrasador. Ficamos tentando negociar (controlar, melhor dizendo) sua atitude quase anarquista, libertária, que faz os senhores do dinheiro perderem o prumo: músicas, vídeos, livros e fotografias, um amplo material, enfim, sendo usado e transportado e distribuído virtualmente sem o devido pagamento dos direitos autorais (conceito, este, massacrado pela Internet, mas que alguns ainda querem tentar colocar de pé, como se fosse ainda possível juntar ossos esmigalhados).

Mas o que parece ser um problema para os editores - esses senhores que embolsam a maior parte do dinheiro que se ganha com a publicação de um livro (pobre dos autores!) -, para os futuros escritores é uma dádiva, pois não necessitarão passar pelo crivo das modas editoriais (sim, existem modas nesse setor também) e outros problemas para terem seu trabalho publicado e lido por quem se interessar.

Evidente que, ao contrário do que parece, não existem muitos escritores de nível razoável. Geniais, então, nem se fala. Mas todos querem publicar. E isso tudo deve passar por um crivo crítico. Partindo do pressuposto de que não existe um excesso de gente querendo escrever sem nada ganhar, isso nos leva a crer que somente quem quer se envolver nessa loucura apaixonante que é escrever e publicar vai realmente se expor na Internet. Os pares vão se encontrar, acabando por se organizarem, e essa identificação vai criar uma ordem de qualidade, de seleção e, conseqüentemente, de divulgação do que realmente tem valor.

Mesmo que aparentemente isso soe como se estivéssemos frente a um universo caótico (a Internet causa esse pânico, à primeira vista), as coisas vão tomando um rumo que será surpreendente. A prova é que isso tem se dado diariamente. A revolução rápida proporcionada pelo mundo virtual, sem precedentes na história (faz pensar na invenção da imprensa como brincadeira de criança), sabe se organizar quase que automaticamente. E as ferramentas de busca são os meios que usamos para melhor selecionar o que queremos ter como informação e conhecimento.

Eu já publiquei dois livros em papel. Não devo ter tido nem quinhentos leitores. E muito menos sei quem são esses leitores e o que pensaram do que leram. Como colunista do Digestivo, por exemplo, tive milhares de leitores, que, inclusive, me retornaram com suas impressões sobre o que eu escrevia. Uma experiência, sem sombra de dúvida, absolutamente enriquecedora, gratificante. Possibilitada pelo mundo virtual.

Uma coisa não anula outra. Eu abri este texto falando do fetichismo relativo ao livro como objeto do desejo. Objeto material, sensorial. Mas eu tenho tido outro fetiche, livros maravilhosos, que só se pode ter acesso virtualmente, e que vou acumulando como arquivos e desfrutando dos mesmos na pequena tela deste computador. São, por exemplo, jóias da idade-média, com suas lindas iluminuras que posso admirar na pequena telinha do computador.

Não há com o que se preocupar: em cultura, somos preservacionistas. Livros impressos serão sempre objetos de prazer e uso de muitas pessoas, enquanto outras pessoas se acostumarão ao mundo virtual. Afinal, não é isso que acontece com os discos de vinil? Mais fetichizados agora do que nunca. De uma coisa estamos certos: a relação entre leitores, produtores e divulgadores de conhecimento está mudando radicalmente. Estamos ainda meio pasmos, incertos do que vemos, mas com certeza, o projeto iluminista tem encontrado sua verdadeira razão de ser somente agora, numa rede planetária de produção e troca de informação e conhecimento. Menos papel, mas muito mais conhecimento e informação. É pouco ou, caro leitor, você quer mais?


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 7/6/2007


Quem leu este, também leu esse(s):
01. O pai tá on: um ano de paternidade de Luís Fernando Amâncio
02. Nos porões da ditadura de Luís Fernando Amâncio
03. Arte sem limites de Fabio Gomes
04. Do inferno ao céu de Cassionei Niches Petry
05. Paris branca de neve de Renato Alessandro dos Santos


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti
01. Parangolé: anti-obra de Hélio Oiticica - 17/12/2002
02. Davi, de Michelangelo: o corpo como Ideia - 3/11/2009
03. Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I) - 20/12/2011
04. Felicidade: reflexões de Eduardo Giannetti - 3/2/2003
05. Vanguarda e Ditadura Militar - 14/4/2004


Mais Especial Publicar em papel ou não?
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
9/6/2007
09h33min
Gostei muito de suas considerações, muito bem articuladas. Porém, acho que diante do livro, as reações são mais carregadas de sentido. Em ensaio anterior, você analisou a poesia de Saint-John Perse, por exemplo. Minha emoção maior é lê-lo em um volume que foi de meu pai, com trechos grifados à margem. Já caí na mesma tentação que você caiu: ter mais de um exemplar da mesma obra, só por causa da beleza de uma capa nova. Livros importados têm "cheiros" diferentes dos nacionais, assim por dainte. Não quero ser injusta: a Internet já me deu muita informação. Prazer - aquele a que se refere Clarice Lispector em "Felicidade Clandestina", da menina segurar o livro e sentir-se rica como a Rainha do Sabá (ou, mais tarde, da mulher tocar com as mãos o corpo do amado) -, só mesmo os livros.
[Leia outros Comentários de eugenia zerbini]
9/6/2007
18h02min
Eugenia, obrigado pela leitura e comentário. concordo totalmente com suas palavras, embora veja uma rara possibilidade de acessar conhecimentos distantes através da internet. isso é novo na nossa história e vai mudar muita coisa. abraço, Jardel
[Leia outros Comentários de Jardel]
11/6/2007
09h57min
Jardel, seu texto está interessante. Dois aspectos poderiam também ter sido incluídos nele: a grande quantidade de lixo virtual e a perda de tempo em encontrar algo de qualidade na internet; o aspecto ecológico da diminuição da produção de papel quando os textos são virtuais. Além disso, também é um prazer passear pelas livrarias, em algumas delas parar para tomar um café e paquerar alguma leitora que aprecia livros do mesmo gênero que você. Só discordo de um ponto: ler um livro na tela de um computador é uma coisa muito chata, com apenas uma excessão que é ler livros de xadrez. Os livros virtuais de xadrez permitem que uma partida seja repassada na tela com alguns cliques do mouse, agilizando o processo de reprodução da partida sem ter que montar o tabuleiro e refazer lance por lance. Eles de fato, são mais práticos do que os livros de papel.
[Leia outros Comentários de André]
11/6/2007
18h44min
sim, perdemos tempo procurando coisas interessantes, mas também ganhamos tempo achando coisas que precisaríamos de anos para encontrar e espaços geográficos imensos para atravessar. mas seu comentário foi muito bom. obrigado. jardel
[Leia outros Comentários de jardel]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Os Adoráveis
Sarra Manning
Novo Conceito
(2013)



Brasis - Viajando Pelos Parques Nacionais
Álvaro de Olveira Dantona
Mercado de Letras
(1994)



Engineering Mathematics
Robert e Gaskell
Holt Rinehart and Winston
(1958)



Você é capaz de fazer isso ?
Ruth Rocha
FTD
(1999)



Reflexões Sobre a História das Relações Brasil Argentina; a Evolu
Revista Economia Relações Internacionais, 10
Faap
(2007)



Investir Em Imóveis
Gilberto Benevides; Wang Chi Hsin
Évora
(2013)



Além do Ano 2000: o Futuro do Marketing Direto
Jerry I. Reitman (org.)
Nobel
(1996)



Interpretacion Uniforme del Derecho Uniforme: Consideraciones Pos
Boletin Inst Derecho Comparado México, Nº 48
Un Nac Aut de Mexico
(1963)



31
Cacau Ideguchi e Maria Fernanda Nogueira
Chiado
(2016)



encontro diário com Deus - orações e mensagens
vozes
vozes
(2012)





busca | avançada
73958 visitas/dia
2,5 milhões/mês