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Segunda-feira, 15/10/2007
Palavras impressas
Pilar Fazito

+ de 2900 Acessos



Tema atual e presente em toda roda de escritores, a necessidade de se publicar em papel em plena era digital é algo que ainda está longe de se esgotar. Tivemos aqui mesmo, no Digestivo Cultural, um especial que tratava do assunto e que gerou um debate acalorado. Tão acalorado que saiu por aí, batendo portas e embarafustando pela rede, em blogs e outros sites.

Na época, um sentimento me impelia a defender a publicação em papel. Mas era apenas uma intuição e discussões cartesianas não dão valor a isso. Nenhum argumento racional melhor do que o fato de o papel poupar a vista do leitor me passava pela cabeça e, por isso, eu fiquei espreitando aquela confusão toda, sem participar ativamente. Fiquei quieta no meu canto, só pensando na minha miopia e no meu astigmatismo, que dispararam desde que inventei de passar o dia trabalhando em frente à tela do computador. Mas, no fundo, eu sabia que existia alguma outra razão, própria ao ramo da literatura e não da saúde.

Encontrei essa razão há duas semanas, após ler Furor na Íris, de Marcus Nascimento. O escritor é mineiro e dá suas cambalhotas também como videoartista e roteirista. Furor na Íris é seu segundo livro e foi lançado este mês, em Belo Horizonte. Eu já havia lido seu primeiro livro, A palavra no espelho, igualmente publicado com auxílio de lei de incentivo, mas esperei o segundo para confirmar minha impressão inicial. E confirmei.

Marcus Nascimento leva para a literatura procedimentos próprios ao cinema, como o cuidado de uma pesquisa de campo completa e a consultoria de profissionais de diversas áreas. O resultado é um domínio vocabular impressionante, que transita entre medicina, botânica, decoração, direito e inúmeros campos do conhecimento com uma ironia fina e lúdica.

Além da semântica apurada, com excelentes jogos de palavras, a literatura de Marcus traz a inserção de fragmentos de outros gêneros textuais que dialogam com a narrativa principal.

Isso ocorre o tempo todo, como no caso do excelente conto de realismo fantástico "O doador de órgãos", não por acaso dividido em partes. Nele, o personagem principal é convencido a vender órgãos e partes do corpo, acreditando que os ganhos financeiros seriam capazes de lhe garantir uma vida mais confortável.

Box de informações, como os excertos da Constituição Federal e procedimentos médicos de doação de órgãos, entram em choque com a ironia do texto, tornando ainda mais tragicômica a situação do homem que perde córneas, rim, perna, braço etc. até resumir-se a uma cabeça que rola e vê tudo, literalmente, de cabeça para baixo.

Anúncios classificados, mapas astrais e menus de restaurante são outros exemplos de gêneros presentes na escrita desse autor. Somados ao esmero gráfico e visual, a literatura de Marcus Nascimento remete-nos, invariavelmente, à comparação com os Decálogos, do escritor Tião Nunes. Ambos são bons observadores das cenas cotidianas, mas o tom irônico de cada um é diferente: Tião Nunes é agressivo, ácido e sarcástico, enquanto Marcus Nascimento brinca com um aparente, eu disse aparente, alheamento.

A maior semelhança, entretanto, é que em ambos, a disposição gráfica, a fonte dos caracteres, as imagens e todo o conjunto visual não são apenas adornos para o texto, mas fazem parte do seu significado, ou seja, também o constituem.

A primeira vez que vi a importância desse recurso foi no conto "Palavras de amor" - um dos melhores já escritos em língua portuguesa -, de Nelson Coelho, presente em O inventor de Deus. Datado de 1972, o livro é bem raro e só é possível encontrar em sebos literários. Portanto, quem o encontrar, agarre-o.

O conto de Nelson Coelho retrata a realidade fantástica de um jovem apaixonado que morre de amor por não conseguir falar com a mulher amada. As palavras reprimidas vão se multiplicando nos bolsos e em casa, numa progressão geométrica, cada vez maiores e mais pesadas, até soterrá-lo.

Já vi o "Palavras de amor" na internet, numa formatação sem-graça, acadêmico-informativa, como a deste texto que escrevo. Não funciona. O conto perde o encanto e vira um amontoado de metáforas que qualquer um faz. Já a edição original traz um projeto gráfico rude, mas fascinante, com recortes e colagens de palavras e letras que não só ilustram a idéia do conto, mas interagem com ela. No início, trechos inteiros invadem as páginas; já no final, basta um "P" enorme para o leitor sentir o peso das palavras de amor.

O conto de Nelson Coelho, os Decálogos de Tião Nunes e os dois livros de Marcus Nascimento são daquele tipo de texto que nasce no papel e só sobrevive com a força que adquire nele.

É claro que os projetos gráficos poderiam parar nas telas de computador através de um PDF ou qualquer outro artifício de diagramação e formatação. Isso manteria a bricolagem presente nos livros desses autores, assim como a ótima frase invertida na página em "O doador de órgãos", quando a cabeça rola pelo chão.

Ainda assim, não é a mesma coisa. Há livros que são pensados horizontalmente e da esquerda para a direita. Nesses casos, o ato de virar uma página pode fazer parte da proposta narrativa tanto quanto a textura da página e o tato do leitor. Talvez venha daí a idéia de comunhão com o objeto livro, essa confidência e intimidade que leitores tecem em relação a determinados autores/narradores/personagens.

Chego à conclusão de que a necessidade de se publicar em papel é a mesma de se publicar na internet, ou a mesma de gravar um CD, fazer um curta-metragem, apresentar uma peça de teatro etc. É questão de suporte. E a necessidade se justifica quando ele deixa de ser apenas um suporte, integra um formato e passa a fazer parte do significado da obra.

Acredito que nem todo texto tem necessidade de ser publicado em papel. Mas há aqueles que não funcionariam em outro veículo. É para estes que devemos deixar reservado o lugar nas estantes.


Pilar Fazito
Belo Horizonte, 15/10/2007


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