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Terça-feira, 8/1/2008
Preconceitos
Diogo Salles

+ de 10300 Acessos
+ 26 Comentário(s)

Você é preconceituoso? "Eu não! Imagine!". Ninguém gosta de admitir seus próprios preconceitos, até porque, isso é considerado uma coisa deselegante, ou, em muitos casos, crime. Pois digo com orgulho: não tenho preconceito contra os que mais sofrem desse mal. Não tenho preconceito contra negros, pardos, mamelucos, cafuzos, índios ou albinos. Não tenho preconceito contra nordestinos, cariocas, gaúchos, argentinos, asiáticos, venezuelanos ou americanos. Também não tenho nada contra homossexuais, GLS ou transexuais. Nada contra judeus, evangélicos, católicos, ateus, ou o que for. Nada. Não me considero superior ou inferior em relação a ninguém. Respeito a todos da mesma forma, sem julgar as pessoas. Poderia circular com a mesma desenvoltura tanto em eventos formais e pomposos da cidade grande quanto numa comunidade primitiva escondida no interior do Brasil inóspito. Sei falar a linguagem de cada um, mesmo havendo um abismo entre os dois mundos. Sei respeitar a individualidade, as crenças e as opiniões das pessoas, mesmo que sejam diferentes das minhas.

Posso dizer que quase atingi a plenitude nesse aspecto. Quase cheguei lá. Não, eu não consegui. Eu teria conseguido, não fosse esse desprezo mórbido que sinto pelos políticos. Sim, eu sou preconceituoso. Não tenho como esconder isso de ninguém. Mas seria este preconceito algo parecido com a aversão do Galvão Bueno em relação aos argentinos? Ou talvez uma ojeriza parecida à que existe entre corinthianos, palmeirenses e são-paulinos? Uma intolerância semelhante à que vemos entre judeus e palestinos? Nem tanto. Mas vale examinar este sentimento um pouco mais de perto.

Políticos sempre me despertaram os instintos mais primitivos. Sinto no ar um cheiro nauseabundo só ao ouvir seus nomes. Toda essa repulsa não me chegou por obra do acaso. Desde criança eu vejo meu pai xingando políticos arrebatadamente. Cresci no meio desse ambiente de indignação. Influenciou-me. O DNA de sua contestação foi transmitido a mim, adicionado a mais dois ingredientes explosivos: a aptidão para desenhar (que herdei da minha mãe) e um ceticismo, que não sei ao certo de onde veio (provavelmente dos tempos de faculdade).

Todos esses elementos se encontraram algum dia, em algum lugar, quando decidi ser cartunista. Ou, especificando melhor, caricaturista e chargista. Retratar essa gentalha de forma grotesca, humilhá-los, açoitá-los pelo traço é redentor pra mim. Mas, como em tudo na vida, isso também tem seu preço. E é alto. Para poder desempenhar meu trabalho, preciso entrar nesse mundo de horror e sordidez em que eles vivem. Preciso ler sobre eles, estudá-los, conhecer suas opiniões, posições políticas e pontos fracos. É como enfiar a cara num esgoto. Nesse terreno de trevas, minhas únicas armas são o lápis e o sarcasmo. E isso não é nada agradável, mas o resultado final de uma charge compensa tudo. Melhor ainda quando vejo as pessoas se identificando, comentando, admirando e, até mesmo, criticando meu trabalho. Mostra que cumpri meu papel. Mostra que esta pequena missão chegou ao fim e que é hora de pensar na próxima charge.

Não consigo me referir aos políticos sem ser generalista, sem falar como se todos eles fossem idênticos. Sim, realmente políticos são como fraldas, que, de tempos em tempos, precisam ser trocadas, sempre pelo mesmo motivo. Dirá alguém que essa generalização é um mero reducionismo. Engano. Ao generalizar, não enfoco minhas críticas no campo ideológico ou em planos de governo, mas, sim, na nossa máquina da corrupção, que, você há de convir comigo, é apartidária. É claro que eu sei que nem todos os políticos são ladrões. Só 99% deles o são. O outro 1% eu prefiro não comentar. Não quero citar nomes de (possíveis) políticos honestos. Vai que amanhã o sujeito é pego no aeroporto com dólares na cueca ou em um motel vagabundo sodomizando uma menor de idade. Sei lá... Melhor não arriscar.

O político, independente do partido ou ideologia, tem sempre a mesma falha no caráter. Sua gula pelo dinheiro público, por cargos comissionados e pelas benesses do poder beira a obscenidade. Nutrem o mesmo desprezo tanto pela população quanto pela democracia como um todo.

Nem seu próprio eleitor escapa desse desdém. Chega a assustar. Tudo se resume à caça ao voto. Nada mais. Depois de eleito, o candidato joga seu eleitor no lixo como se fosse um módis usado. Não é por acaso que o político é sempre acusado de "ficar bonzinho" somente às vésperas de uma eleição. Usando a máquina pública em benefício próprio, fazendo caixa-dois para a campanha, lançando obras eleitoreiras e pacotões de bondade, beijando criancinhas carentes, ele é carregado nos braços do "povo". É o búfalo pastando em seu curral eleitoral. Vale qualquer negócio pra chegar ao poder.

Só mesmo um político pra conseguir ignorar as promessas de campanha com tanto descaro e hipocrisia. Seu descaso frente às calamidades é brutal. A ordem é sempre culpar as gestões anteriores. Nunca assumir a responsabilidade por nada. É um verdadeiro gênio da retórica nas campanhas e um verdadeiro imbecil na hora de por algum plano de governo em prática. Aliás, me enganei. Corrigindo: nunca há um plano de governo, mas sempre há um plano de poder, que esconde um desejo autoritário. Sim, todo político carrega um ditador enrustido por trás de suas arrobas.

Seu talento é nato para "levar vantagem em tudo". Sabe que será sempre amparado pela impunidade. É o político - mais do que qualquer outro bandido - quem legitima o crime no Brasil. É ele quem mostra ao brasileiro o quanto a malandragem e a corrupção valem a pena.

Mas o político também sabe demonstrar solidariedade. Através do corporativismo. Quando um de seus cupinchas é acossado por denúncias de corrupção, os outros políticos da quadrilha rapidamente se solidarizam com seu companheiro de crimes contra a pátria. As desculpas são sempre as mesmas: intriga da oposição, imprensa marrom, elite golpista... você escolhe. Mas para que a festa da pizza seja completa, é preciso celebrá-la. Entram em cena as CPI's e o Conselho de "ética". São nestes assombrosos freak-shows que os falsos pudibundos brindam seus indultos em meio à apoteose e retornam à vida pública como vestais da ética.

Todos nós conhecemos a premissa de que "todos são inocentes até que se prove o contrário". Para os políticos devemos aplicar o conceito inverso: todos são culpados até que se provem inocentes. Eu faço isso. No meu tribunal superior de humor gráfico, todos eles são condenados pela charge e pela caricatura. Sanciono essas condenações através do traço, como uma canetada autoritária. Não existem habeas corpus, recursos ou apelações. Ninguém tem direito à fiança, relaxamento de prisão ou prisões domiciliares. Os crimes nunca prescrevem. Todos cumprem pena máxima no cubículo impiedoso da minha folha A4. Talvez eu deva oferecer meus mecanismos de punição ao nosso Poder Judiciário, que não apenas se mostra incapaz de punições mais severas, como também é conivente com o Executivo e com o Legislativo, entrelaçados pelo cordão umbilical da corrupção.

O que me deixa exposto a um outro preconceito: contra os advogados e juízes. A diferença aqui é que sei que muitos não são canalhas. São basicamente alguns grotões do Poder Judiciário e outros tantos advogados criminalistas que mancham toda a classe como um câncer maligno. Não sou especialista no assunto, mas me permitam perguntar: não seria parte da mesma escória um advogado que aceita defender um político que desviou milhões dos cofres públicos? Será que seus honorários não são pagos (e muito bem, diga-se) com o próprio dinheiro que o político roubou? É como se eles compartilhassem o crime juntos, não? É como dois amantes compartilhando um adultério, fornicando debaixo dos lençóis da impunidade.

Advogados podem argumentar que essa é a "lei", que todos têm "pleno direito a defesa", seja lá o que isso signifique. Mas difícil mesmo é justificar ladrões e assassinos confessos que, por força da "lei", se encontram longe da cadeia. Podemos chamar de "lei" essa coisa estranha que só consegue punir aqueles que não têm dinheiro para pagar por um "bom" advogado? No fim, ele só será realmente "bom" para manter o modus operandi do nosso secular e irremediável atraso. Posso ser leigo no assunto, mas meu bom senso me diz que algo aí está errado. Muito errado.

Fechando a questão do preconceito, deixo aqui uma mensagem aos verdadeiros preconceituosos de plantão. Mais do que isso. Trago a sugestão que pode mudar suas vidas: ao invés de perseguir negros, homossexuais, nordestinos e outras minorias, que tal usar esses preconceitos contra os políticos? Vocês seriam muito mais úteis ao Brasil dessa forma, isso eu posso garantir. Querem fazer algo importante por seu país? Eis a grande chance.


Diogo Salles
São Paulo, 8/1/2008


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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/11/2007
15h30min
Acabo de ver Entreatos, do João Moreira Salles, e seu artigo salvou o dia, Diogo. Continue impiedoso nas sentenças! abraço!
[Leia outros Comentários de Verônica Mambrini]
9/12/2007
12h03min
Achei esse um dos seus melhores textos, Diogo, você direcionou toda a sua indignação de modo certo, em minha opinião. As pessoas disfarçam seus preconceitos, porque é feio assumi-los, às vezes chega a ser crime; outras usam o preconceito alheio para obter vantagens, isso é tão feio quanto o próprio preconceito, que inúmeras vezes maltrata, impede muita gente de entrar em contato e conhecer coisas, pessoas, baseadas apenas na opinião de alguém que não gostou, que criticou, que rotulou a partir de um único ângulo em que olhou, sem ter visto o todo, mas não gostar não é o mesmo que ter preconceito, pois conhecer não significa ter que gostar, ninguém é obrigado a gostar do que quer que seja, mesmo que bem avaliado por outros, e isso deve ser respeitado, tanto quanto o preconceito deve ser combatido. Abraço!
[Leia outros Comentários de Cristina Sampaio]
8/1/2008
15h47min
Não, não... Infelizmente não achei isso tudo, o texto... Não consegui terminar de ler. Esse blábláblá de "todo político é safado" é desconhecer realmente sobre política.
[Leia outros Comentários de Raphael...]
8/1/2008
23h37min
Adorei teu texto Diogo, bem articulado. Realmente concordo contigo. Porém as pessoas têm preconceito também daquilo que elas não conhecem, apesar de termos "ladrões à solta em Brasília", há um abismo muito grande entre povo brasileiro e a política brasileira; entendo que, para ambos, há falta de base (ou vergonha, melhor dizendo): do lado dos políticos, ninguém responsável para assumir os problemas nacionais e procurar revolvê-los; e, do outro, uma massa brasileira pouco crítica, não reflete sobre os assuntos nacionais e só querem ver pessoas se pegando no Big Brother... Agora lhe pergunto: o que falta para mudar tudo isto? Abraços.
[Leia outros Comentários de Samuel Delgado]
9/1/2008
10h04min
Vamos por partes. Verônica e Cris, obrigado pelos comentários. Acho que vocês captaram bem meu ponto de vista. Raphael, você provavelmente não leu este trecho do texto: "Não enfoco minhas críticas no campo ideológico ou em planos de governo, mas, sim, na nossa máquina da corrupção, que, convenhamos, é apartidária". Eu leio todos os dias sobre politica há algum tempo. Me aprofundei nisso, pois faz parte do meu trabalho. Claro que busco distância e isenção nas análises pois não quero contaminar meu trabalho, mas seria no mínimo ingênuo não reconhecer que os politicos se equivalem no quesito ética. Ou falta de ética, melhor dizendo. Samuel, falta começar a inverter o processo. Na minha visão a única maneira de começar é: 1) acabar com a impunidade. 2) fazer com que o brasileiro se preocupe menos com o Big Brother e seja mais cético e vigilante. Falando assim até parece simples, mas serão algumas décadas até conseguir mudar essa realidade.
[Leia outros Comentários de Diogo Salles]
13/1/2008
22h46min
Diogo, parabéns, cada dia você escreve melhor. Com relação ao conteúdo, eu acho que assim como dizia Nelson Rodrigues "A unanimidade é burra", o generalismo também é burro. Veja um momento do seu texto que você diz que prefere não citar um político que você acredite ser honesto, porque amanhã ele pode aparecer com dólares na cueca. Isso para mim é a maior prova da falta de coragem de tomar uma posição política. A crítica pela crítica, sem assumir posição política é muito fácil, mas infelizmente não leva a lugar nenhum. Em tudo na vida temos que ter exemplo ou objetivos, onde miramos e tantamos superá-los. Ter medo de dizer que tem gente boa (e citá-los) não agrega. O generalismo de dizer que é tudo ruim e todos são corruptos é sem dúvida uma posição fácil, afinal você nunca vai estar errado, porque no seu pensamento, no futuro qualquer político pode se mostrar o corrupto.
[Leia outros Comentários de Renato]
13/1/2008
22h49min
Só para completar: mais importante do que ter preconceito com políticos e observá-los de perto é ver quem presta e quem não presta. Os que prestam merecem elogios em sua coluna e os que não prestam merecem as pedras de sua coluna e a falta de votos da população. Agora, se não tem absolutamente ninguém que presta, então ao invés de ficar só criticando vai lá e dá o exemplo!
[Leia outros Comentários de Renato]
14/1/2008
03h19min
Discordo do Renato em tudo, menos em uma coisa: o Diogo cada dia escreve melhor. No resto, estou do lado do Diogo. Se for do jeito que você fala, Renato, o Diogo tem que virar político honesto e você tem que virar o crítico perfeito (na sua concepção de crítico, claro). Penso que qualquer um de nós pode, sim, criticar, sem necessariamente ter que arregaçar as mangas e "dar exemplo". Dar exemplo a políticos? Eles é que deveriam dar o exemplo. Nós, que assistimos a toda essa bandalheira, corrupção e vergonha que é aquela coisa nojenta que eles chamam de "trabalho", devemos mesmo ser preconceituosos em relação a eles. Aliás, devemos ter é nojo, e criticar, sempre. Do jeito que a coisa está, temos críticas e "xingos" por bem uns 20 anos.
[Leia outros Comentários de Rafael Rodrigues]
14/1/2008
04h19min
Muitos comportamentos, alguns até socialmente tolerados, já foram vítimas de preconceitos, mas isto contra os políticos acho sinceramente uma injustiça. Vejamos, eles têm caráter representativo, logo representam alguns, foram eleitos em eleições nas quais qualquer um pode se eleger e todos devem obrigatoriamente votar. Sim, eles estão escolhidos por uma maioria, talvez de forma questionável em eleições nem sempre lícitas, mas foram eleitos. Eleitos por nós. Médicos, juízes e até músicos em suas entidades de classe jogam o jogo do corporativismo para se desviar das sanções pela quebra do decoro, isto é imoral mas não é privilégio nenhum, foi inventado pela nobreza em defesa dos seus direitos. Então que faço com minha ingenuidade, quando numa sociedade fundada pela exploração das suas camadas mais pobres, dentro de um modelo cumulativo, especulativo que não permite nenhum ciclo consistente para desenvolver o país. O meu preconceito é com ingenuos e simplistas, incluindo o Renato também.
[Leia outros Comentários de Carlos E. F. Oliveir]
14/1/2008
11h43min
Caro Renato, já discutimos muito sobre isso e é óbvio que temos posições contrárias a respeito. O problema é que a política da maneira que é feita hoje virou um grande balcão de negócios. É tudo na base da barganha, da compra e venda, do fisiologismo e do tráfico de influência. Aí você diz que política é assim mesmo. Eu tenho o direito, ou melhor, como cartunista, tenho o dever, de ir contra essa maneira de fazer política. E nela, você bem sabe, todos os políticos e partidos que conhecemos estão inseridos. Tomemos o exemplo recente do Renan Calheiros. De repente a CPMF virou uma moeda de troca para a sua cassação. Política é assim mesmo, concordo com você. Cada um pensando no seus próprios interesses, nunca no interesse maior, que é o do Brasil. Há muito tempo a idéia de que a política pressupõe trabalhar pelo país foi subvertida e virou o ícone máximo do alpinismo social. Rafael, há algum tempo deixei de ter nojo e indignação da política. Hoje sinto apenas desprezo.
[Leia outros Comentários de Diogo Salles]
14/1/2008
15h43min
Seguindo na mesmice dos comentários anteriores, quero parabenizá-lo, Diogo, pela qualidade do seu texto que se une ao seu desenho. Sobre seu comentário com relação à classe jurídica, você bem disse que é restrito a alguns "grotões do Poder Judiciário e outros tantos advogados criminalistas que mancham toda a classe". Entendo que o preconceito deveria ser concentrado no que tange ao pagamento dos honorários com dinheiro sujo. Como dito, todos têm direito a defesa e assim é que se vive em uma sociedade civilizada. Sendo assim, a presença de um advogado criminalista defendendo um "potencial criminoso" ("potencial" porque antes que se prove o contrário todos são inocentes) é justa e necessária durante todo o rito processual. Esta é uma profissão como outras tantas inserida em uma sociedade civilizada como tantas outras no mundo, exceto alguns regimes autoritários.
[Leia outros Comentários de Saulo Ferraz]
14/1/2008
15h47min
Entrando na seara política, os problemas deste País, na minha singela opinião, se resumem a dois principais pontos: falta de educação e excesso de impunidade. Assim como Maquiavel e Hobbes, considero o homem fundamentalmente mau. E através da politíca, que é a representação da sociedade através de alguns indivíduos, dadas as "oportunidades" que se apresentam, estes estão mais propensos a exercer a maldade. E assim no mundo inteiro. Qual a diferença, então? Em outros países, além da fiscalização e das críticas, existe uma sociedade e instrumentos que punem aqueles que fogem ao bom comportamento social. Isto comeca com uma conscientização de toda a população e que só acontece quando você tem um povo mais educado, coisa que nos falta em muito. Para que isto aconteca, é necessária uma mobilização de todos os entes sociais nesta direção, mas de muita vontade política tambem. Aí que me encontro ao Renato. Criticar e fiscalizar é muito importante, mas o que vem depois?
[Leia outros Comentários de Saulo Ferraz]
14/1/2008
15h49min
Alguém precisa dar o bom exemplo, e este deve ser propagado. Se um político exerceu bem sua função (simplista e ingênuo é aquele que acredita que todos, 100% são desprezíveis e incapazes), este deve ser exaltado. Mesmo correndo o risco de ter que criticá-lo no futuro próximo. A boa conduta e o bom trabalho tem que ser o exemplo, e para que isto aconteca precisamos exaltá-lo. Sempre fui muito reticente com as facções políticas que na oposição apenas criticam e não propõem alternativas, independente de partidos e crenças. Fiscalizar e criticar deve ser um exercicio diário de todos nós, mas devemos, também, "arregaçar as mangas", propondo alternativas e cobrando punição ao mal e exaltando o bom. Temos que deixar de ser uma pátria de bundões que só fazem criticar e crer que está tudo perdido. Temos que arregaçar as mangas!
[Leia outros Comentários de Saulo Ferraz]
14/1/2008
23h05min
Caro Diogo, muito bom o seu texto. Como chargista, é mesmo fundamental manter um olhar crítico e uma certa desesperança em relação à classe política. Assumir um preconceito e destilar sua ira contra tal classe também me parece atitude saudável. Fico, porém, com uma dúvida. E não vai aí nenhuma ironia. Tal preconceito é válido também para os políticos do tal primeiro mundo? Se sim, qual a melhor forma de organizar uma socidade? Seria a não-organização, a anarquia romântica na qual muitos acreditaram no início do século passado? Abraços
[Leia outros Comentários de Luiz Augusto Lima]
15/1/2008
03h16min
Rafael, pelo seu comentário, provavelmente você não entendeu o que eu escrevi. Não falei que o Diogo precisa levantar e dar o exemplo, e sim que criticar é fácil, e generalizar que todos os políticos são ruins é mais fácil ainda, porque assim não se corre o risco de errar na análise. Apesar de eu falar para o Diogo ir lá e mostrar (somente para provocá-lo), o meu ponto central no texto é exatamente o que o Saulo colocou no 3º comentário dele. Se existir políticos bons, devemos mencioná-los, ainda que corramos o risco de no futuro eles nos decepcionarem. Não estou fazendo nenhum generalismo, aliás, pelo contrário, afinal foi isso que critiquei no texto do Diogo. O que coloquei é que não devemos ter preconceito dos políticos, e sim exaltar os bons e criticar os ruins, sem o generalismo que todos são ruins... Mas fico feliz que você citou meu comentário. Abracos.
[Leia outros Comentários de Renato]
15/1/2008
15h19min
Caro Carlos, se ficarmos inventando subterfúgios para tudo o que acontece aqui, nada mudará. Se você está satisfeito, está no seu direito. Mas eu também tenho o direito (ou dever) de não concordar com isso. Difícil é saber quem é mais ingênuo: eu, o Renato ou você. Saulo, existe uma grande diferença entre "potencial criminoso" e criminoso confesso e você deve saber bem que os criminosos confessos estão todos livres. Sobre alternativas, proponho apenas que sejamos menos fanáticos em relação à política. O brasileiro vê a política como uma torcida de futebol. O "clássico" PSDB x PT é muito diferente do Fla-Flu. Luiz, sua pergunta é muito boa. Não, não acho que os políticos do "1º mundo" sejam melhores do que os nossos. As mentiras e a hipocrisia são as mesmas. A grande diferença é que, em alguns países, as pessoas podem até votar no sujeito, mas sem a mesma esperança e idolatria daqui. Somos muitos permissivos e acreditamos muito em salvadores da pátria e milagres eleitorais (ou eleitoreiros).
[Leia outros Comentários de Diogo Salles]
17/1/2008
06h52min
Diogo, são apenas constatações acerca do nosso processo de formação, tal como legal tem apenas uma pretensão de justo e sem afirmação moral. Subterfúgios são as ficções que a sociedade de massa necessita para mascarar suas ilhas de privilégios. Então temos uma meritocracia messiânica com a sua ideologia sectaria e afirmativa para a construção da sua infra-estrutura de promoção social, que se diz justa tal um bilhete de loteria, premiado ou não. Aceito que se acredite nos dogmas do que hoje o senso comum entende como democracia, porém não vejo como apartá-lo de uma certa ingenuidade. O nicho intelectual é somente mais uma das janelas pela qual se apura a realidade, o equilíbrio que parece tão natural e frágil quando citado (falo aí da justiça, de quem faz as leis e como elas são feitas neste país), cai por terra quando despido de todo rito que nosso circo democrático revela: "farinha pouca, meu pirão primeiro". Um tema cheio de moralidade, um teor anacrônico que beira o surreal.
[Leia outros Comentários de Carlos E. F. Oliveir]
18/1/2008
14h06min
Diogo, seu comentário sobre fanatismo é bem apropriado. Acho que falta ao brasileiro pensar em política como um instrumento para aperfeiçoar nossa sociedade, e não apenas como um campeonato de futebol, cega paixão partidária! Abraços e bom fim de semana a todos.
[Leia outros Comentários de Saulo Ferraz]
22/1/2008
11h27min
Concordo em parte com alguns comentários. Acho que não podemos colocar os políticos todos em um mesmo saco. Não posso e nem quero acreditar que todos sejam corruptos, corporativistas, fisiologistas e não pensem no bem maior que é o povo do nosso país. Pode parecer ingenuidade, mas tenho que acreditar nisso. Em um saco de batatas, grande parte pode estar podre, mas se procurarmos bem, encontraremos algumas aproveitáveis. Minha tendência é geralmente ser pessimista e descrente, mas resolvi dar uma chance a mim, mesmo que no fundo tenha quase certeza de que esteja enganada. Gostei de seu texto e, principalmente de sua charge. Abraço. Adriana
[Leia outros Comentários de Adriana Godoy ]
22/1/2008
12h01min
Por mim, colocava tudo no mesmo saco. Mas só se for o saco do Capitão Nascimento hehehe Brincadeira, Adriana.
[Leia outros Comentários de Rafael Rodrigues]
22/1/2008
12h26min
Overdose de comentários. Háhá. A minha tendência também é essa, mas estou me policiando para que o Capitão Nascimento não baixe em mim. Abraço.
[Leia outros Comentários de Adriana Godoy ]
31/1/2008
10h57min
Diogo, gostei do seu texto. A política decerto tem uma tendência muito maior a corromper e ser corrompida, mas o que vemos nesse meio é uma amostra (mesmo que viciada) do que diariamente vemos. Tenho certeza absoluta que você deve ter exemplos das coisas erradas que existem no meio editorial, do empresário que paga o salário errado, da empregada que mente para poder faltar e depois traz um atestado falso, do dinheiro para o guarda não nos multar e da música que baixamos pela Internet sem pagar nada. Meu maior preconceito é contra as pessoas CARENTES DE PRINCÍPIOS (e aí não importa se é preto, branco, gay, dono de empresa ou faxineiro). Esse vídeo do Heródoto Barbeiro ilustra bem o que quero dizer. Abraços
[Leia outros Comentários de Luiz]
2/9/2008
00h49min
Engraçado que o mote usado por comunidades e ONGs raciais, "onde você guarda seu preconceito?", já é um preconceito, porque parte do princípio de que sou preconceituoso. É uma acusação leviana de um crime hediondo. Mas essa é outra história... O preconceito é diferente da defesa de sua cultura e de sua opinião civilizada contra práticas e posturas (aí incluindo a opção sexual e a escolha religiosa). Entretanto, em tempos politicamente corretos, em que o petismo e o neo-socialismo estabeleceram que somos todos preconceitusos, talvez com o objetivo de transformar esse país numa guerra civil sem fim, vejo que fostes contaminado com a necessidade de mostrar que não é preconceituoso... Eu não sou preconceituoso, o que não significa que tenha que adorar hip hop ou achar paradas gay espetáculos de bom gosto. Não sou porque não transformo os meus gostos em "causa social" como andam fazendo as ONGs dos "direitos humanos". Cada um na sua...
[Leia outros Comentários de bebeto_maya]
13/2/2010
09h33min
Gostaria de ter sido o autor do texto. É a voz de todos que estão enjoados com a clase política. Não sabemos mais em quem acreditar e, claro, em quem votar. Por ironia, alguns anos passados, o Sérgio Cabral, pai, numa entrevista, disse: O povo está muito bem representado, na câmara tem de tudo, bandidos, homossexuais, brancos, negros, tem de tudo, portanto o povo está lá. Agora, qual é a saída? Votar em quem? E se algum honesto conseguisse entrar nesse saco, o que faria? Teria seus projetos aprovados? Duvido. Em relação ao preconceito, isso existe em todos os lugares, é triste, mas tem. Parabéns, pena que não fui eu que escrevi.
[Leia outros Comentários de Candido Rubim Rios]
28/2/2010
21h56min
Eu não deveria escrever nada porque o texto é perfeito, me causa asco só em ouvir os nomes dessa corja. Entretanto, envio e-mail e posto em blogs de alguns políticos perguntando o que quero saber, e sabe qual é a resposta? Nenhuma, nunca me responderam. Mas agora chegou a minha vez, eles mandarão mensagem para mim e eu vou mandar todos para aquele lugar, mas lá eu vou escrever mesmo o nome do lugar. Parabéns pela lucidez do texto.
[Leia outros Comentários de Candido Rubim Rios]
1/3/2010
14h41min
"Quando Deus fez o mundo, dividiu os continentes e decidiu colocar problemas para as pessoas se lembrarem d'Ele. Então, em alguns lugares colocou vulcões. Noutros, furacões. Noutros, terremotos. Noutros, seca. Noutros, neve. Satanás, vendo que o Brasil era perfeito, logo questionou: - Deus, e o Brasil? Não tem neve, vulcão ou terremoto. A terra é fértil, tem ouro e muitas riquezas naturais. Esse país vai ser um pedaço do Céu na Terra? - Não. - Respondeu Deus. - No Brasil eu vou colocar os políticos corruptos. - Ah, tá. - respondeu o Diabo, satisfeito."
[Leia outros Comentários de Débora Carvalho]
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