Nos penhascos de mármore, de Ernst Jünger | Ricardo de Mattos | Digestivo Cultural

busca | avançada
71132 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Segunda-feira, 10/8/2009
Nos penhascos de mármore, de Ernst Jünger
Ricardo de Mattos

+ de 6700 Acessos
+ 1 Comentário(s)

"Todos conheceis a profunda melancolia que nos cerca, ao recordarmos tempos felizes." (Ernst Jünger)

O escritor alemão Ernst Jünger viveu 102 anos: de 1895 a 1998. Assistiu a tudo no curto século de Hobsbawm: duas guerras mundiais, a Guerra Fria, os conflitos menores, a sucessão dos papas, movimentos libertários e artísticos, ascensão e queda do comunismo, construção e demolição do muro de Berlin, a chegada do homem à Lua, a evolução do telégrafo à internet. O Prêmio Nobel começou a ser entregue seis anos após seu nascimento. Fugiu de casa aos dezoito anos para integrar a Legião Estrangeira, no norte da África. Lutou na Primeira Guerra Mundial, onde foi ferido diversas vezes. Após frequentar as universidades de Leipzig e de Nápoles, gradua-se biólogo especializado em entomologia, isto é, estudioso dos insetos. Sua formação acadêmica inclui-o no seleto grupo de escritores entomólogos: Goethe, Maeterlinck e Nabokov. Escreveu obra numerosa abrangendo romances, política, biologia, cartas e diários. Destacam-se os romances Tempestade de Aço, de 1920, e Nos penhascos de mármore (CosacNaify, 2008, 200 págs.), de 1940, ora reeditada no Brasil.

Retornando da Guerra de 1914-1918, Jünger indignou-se com a submissão da Alemanha imposta pelo Tratado de Versalhes. Engaja-se em defesa do nacionalismo defendendo, em síntese, a guerra como único "impulso de transformação histórica"; a queda da democracia; e estabelecimento de uma ditadura liderada por um führer. Entretanto, quando o Partido Nacional-Socialista chegou ao poder pela urna, revoltou-se. Pelo que se entende, defendia uma ditadura esclarecida, que honrasse o nível cultural então alcançado, o que não foi bem o caso de Adolf Hitler. Com as devidas mudanças, pode ter sido o último platônico. Apesar dos contatos teóricos iniciais, nunca aderiu ao nazismo como seria de se esperar do seu ímpeto juvenil. Recusou qualquer vinculação ao regime, mesmo que oferecida de conjunto a um cargo financeiramente atraente. Muitos de seus posicionamentos foram alterados pelo contato com a realidade. Rascunhando textos de cunho antissemita, rejeitou-os ao apaixonar-se e casar-se com uma judia. Também não idealizou impunemente a guerra. Como cidadão alemão e ex-soldado, foi convocado a lutar pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Não deve ter sido o melhor momento de sua vida lutar a favor do que criticava.

Nos penhascos de mármore, escrito entre fevereiro e julho de 1939, e publicado no começo de 1940, costuma ser apresentado como roman à clef. Duas podem ser as acepções da expressão. A primeira refere-se à obra que, sozinha, permite entender a totalidade do trabalho de um escritor. Seria aquela que encerra suas principais indagações, seu posicionamento moral, literário, filosófico, político etc. A segunda é aplicável a obras que possibilitam o aguçamento da visão quando dirigida a um evento ou fase da História. Este é o sentido próprio ao romance ora comentado. Jünger apreendeu a essência dos fatos, filtrando e destilando tudo que testemunhou, tudo que vivenciou. Escreveu assim excelente narrativa. O resultado não é uma beberagem que queima a garganta, mas um licor que acalenta o espírito.

A trama desenrola-se em Marina Grande, país imaginário que resume toda a Europa. Seria o local onde cada povo do passado e do presente, bem como de cada um dos pontos cardeais, deu a sua contribuição para o aprimoramento cultural e civilizatório. No curso da história, descobre-se que não só o cenário, porém animais, plantas, personagens históricos e raças caninas são fictícios ou deslocados de seu habitat original em prol da ficção. Haveria numa aldeia o Eremitério, onde o narrador-personagem teria se retirado para dedicar-se a estudos botânicos em companhia de Irmão Otho. Apesar de claramente inspirado no seu irmão, no livro não é irmão de sangue, mas um antigo companheiro de batalha retirado à vida monástica. Difícil o texto consultado que não tenha feito a confusão. O que Jünger quer passar ao leitor é a ideia de região amena, onde a cultura adquire corpo e sofisticação, afastada do burburinho citadino, mas não tanto que coíba celebrações regulares. A paz seria tão grande a ponto de uma criança poder brincar tranquila entre cobras e lagartos. Daí o assombro com livre curso da barbárie num seio que deveria rejeitá-la de início. "O império deles não passa de uma grande terrina onde se vai cozendo a guerra", como teria observado Saint-Exupéry.

Segue-se a inversão paulatina deste estado contemplativo. A caterva vitoriosa em importante batalha anterior atua cada vez mais atrevidamente na vida social, política e institucional de Marina Grande. Forma partido encarregado de disseminar o horror e a destruição, encontrando aquela receptividade que causou estranheza ao narrador. Segundo ele, seriam pessoas que, incapazes de conceber ou de compreender o Belo, tomam por missão destruí-lo. "O mal prevalece porque os bons são tímidos". A Malícia nunca é brusca. Ela não rouba, apropria-se. Para isso, sua aproximação é cautelosa, cordial. Abraça para estudar punhalada futura. Quando não há mais o que disfarçar e a ruína consuma-se, Jünger cria uma batalha impressionante, na qual até os cães são envolvidos ativamente na fúria, remetendo-nos aos tempos romanos. Outra não é a origem dos mastins napolitanos.

Nos penhascos de mármore foi publicado com a Guerra de 1939-1945 já iniciada. Fatos e pessoas são reconhecíveis, mas parece não ter havido um embasamento exclusivo na construção de certos personagens. A exceção evidente é o monteiro-mor, líder do extermínio inspirado em Hitler. "Monteiro" era o empregado responsável pela supervisão de área florestal destinada à caça. Lembre-se do amante de Lady Chartelley. "Monteiro-mor" era o oficial de casa real, encarregado de organizar as caçadas da realeza. Além de menos óbvio que general, almirante ou brigadeiro, monteiro-mor é um título oficial, mas não militar, o que sabe a certa ironia. Zomba de quem se julga grande comandante e sequer pertence às forças armadas, ou pretende-se águia tendo envergadura de pardal. No sétimo capítulo, vemos um dos melhores esboços do führer verdadeiro: "Como nos velhos beberrões, seus olhos se inflamavam num traço de vermelhidão, mas, ao mesmo tempo, havia neles uma inabalável expressão de astúcia e de poder ― por vezes, de soberania".

Jünger queria uma sociedade dominante pela ciência, pela tecnologia e alta cultura, mesmo que imposta pela força bélica. Os acontecimentos decorrentes do privilégio do embrutecimento extinguiram-lhas melhores expectativas. Seu propagandismo nacionalista foi profundamente revisto e sua indignação transparece no romance. Não deve errôneo afirmar que o escritor contou com ele para negar ou esclarecer os escritos anteriores, para diferenciar entre o defendido em tese e o ocorrido de fato. "Naquela época, agradava-nos a sua proximidade ― vivíamos em estado de grande excitação e sentávamos à mesa dos poderosos do mundo (...) Tão logo percebemos essa falha, tratamos de repará-la".

Nota do Autor
O mesmo colunista teve publicado recentemente um texto na Revista da ABRAME ― Associação Brasileira de Magistrados Espíritas ―, também disponível on-line.

Para ir além






Ricardo de Mattos
Taubaté, 10/8/2009


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Ourivesaria fantasista: Saramago nas alturas de Renato Alessandro dos Santos
02. Notas confessionais de um angustiado (Final) de Cassionei Niches Petry
03. Meu Sagarana de Renato Alessandro dos Santos
04. A Vida dos Obscuros de Marilia Mota Silva
05. A cidade e o que se espera dela de Luís Fernando Amâncio


Mais Ricardo de Mattos
Mais Acessadas de Ricardo de Mattos em 2009
01. O delfim, de José Cardoso Pires - 19/10/2009
02. Evolução e Adaptação da Imprensa Escrita - 23/3/2009
03. Charles Darwin (1809-2009) - 16/11/2009
04. Américas Antigas, de Nicholas Saunders - 27/4/2009
05. Sobre o Islã, de Ali Kamel - 23/2/2009


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/8/2009
16h43min
Obrigado, Ricardo de Mattos!, por resenhar esta obra-prima da literatura. Logo nas linhas iniciais do primeiro capítulo de "Nos penhascos de mármore", o referido texto nos empurra para uma leitura de perder o fôlego. Acrescento, aqui, a importância dos notáveis prefácio e posfácio contidos na bela edição da CosacNaify, redigidos, respectivamente, por Antonio Candido e Tercio Redondo (também tradutor desta magnífica obra). abs do Sílvio Medeiros. Campinas, é inverno de 2009.
[Leia outros Comentários de Sílvio Medeiros]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




SUCESSOS DA COZINHA SAUDÁVEL
ELISA BIAZZI
NATUREZA
(1997)
R$ 7,00



A HERDEIRA
HENRY JAMES
CÍRCULO DO LIVRO
(1999)
R$ 8,90



CONTABILIDADE DE CUSTOS
MARCOS FREIRE GUIMARÃES
VESTCON
(2003)
R$ 5,00



A CORAGEM DA DESESPERANÇA LACRADO NOVO
SLAVOJ ZIZEK
ZAHAR
R$ 59,90



CASA DE PENSÃO - 3ª ED. - SÉRIE BOM LIVRO
ALUÍSIO AZEVEDO
ÁTICA
(1981)
R$ 7,00



DEMOGRAFIA BRASILEIRA
PAUL HUGON
ATLAS
(1973)
R$ 11,00



TEX EDIÇÃO HISTÓRICA 89 - FANTASMAS NO DESERTO
G. L. BONELLI
MYTHOS
(2014)
R$ 14,87



O DESAFIO DAS DROGAS E O DIREITO
MENNA BARRETO
RENES
(1971)
R$ 6,00



INTRODUCCION A LA EXPLORACION CLINICA EM PEDIATRIA
PROF. A. GALDÓ
QUESADA GRANADA
(1959)
R$ 15,00



OS ECONOMISTAS - TEORIA DA ECONOMIA POLÍTICA
JEVONS
NOVA CULTURAL
(1996)
R$ 6,90





busca | avançada
71132 visitas/dia
2,6 milhões/mês