2009: intolerância e arte | Gian Danton | Digestivo Cultural

busca | avançada
60317 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Alfredenses são receptivos, afirma turista
>>> Por um trânsito mais humano, artistas pintam os muros de escolas públicas em Embu das Artes
>>> PAULUS Editora lança a obra clássica 'A Revolução dos Bichos', de George Orwell
>>> Tik lança EP autoral que transita entre rock, jazz e indie
>>> CASA MUSEU EVA KLABIN RELEMBRA A SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922 EM FESTIVAL NO MÊS DE MAIO
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Lá onde brotam grandes autores da literatura
>>> Ser e fenecer: poesia de Maurício Arruda Mendonça
>>> A compra do Twitter por Elon Musk
>>> Epitáfio do que não partiu
>>> Efeitos periféricos da tempestade de areia do Sara
>>> Mamãe falhei
>>> Sobre a literatura de Evando Nascimento
>>> Velha amiga, ainda tão menina em minha cabeça...
>>> G.A.L.A. no coquetel molotov de Gerald Thomas
>>> O último estudante-soldado na rota Lisboa-Cabul
Colunistas
Últimos Posts
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
>>> Rush (1984)
>>> Luiz Maurício da Silva, autor de Mercado de Opções
>>> Trader, investidor ou buy and hold?
>>> Slayer no Monsters of Rock (1998)
>>> Por que investir no Twitter (TWTR34)
>>> Como declarar ações no IR
Últimos Posts
>>> Auto estima
>>> Jazz: 10 músicas para começar
>>> THE END
>>> Somos todos venturosos
>>> Por que eu?
>>> Dizer, não é ser
>>> A Caixa de Brinquedos
>>> Nosferatu 100 anos e o infamiliar em nós*
>>> Sexta-feira santa de Jesus Cristo.
>>> Fé e dúvida
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Poesia e papo furado
>>> Saints and Sinners
>>> Memorial de Berlim
>>> Caçar em campo alheio ou como escrever crônicas
>>> Uma história do Mosaic
>>> Uma relação orgânica com a rede
>>> BBB e Narciso
>>> As alucinações do milênio: 30 e poucos anos e...
>>> Apesar de vocês
>>> Bloom sobre Shakespeare
Mais Recentes
>>> Moderna Plus Biologia 2 Parte I de Amabis Martho pela Moderna (2009)
>>> Bio - Volume único + Testes de Vestibulares e Enem de Sonia Lopes pela Saraiva (2013)
>>> A Conquista da Matemática - 7º Ano - Sebo Tradição de Giovanni; Giovanni Jr.; Castrucci pela Ftd (2012)
>>> Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei de Paulo Coelho pela Rocco (1994)
>>> Estratégia de Empresas de David Menezes Lobato pela Fgv (2009)
>>> Dead Lagoon de Michael Dibdin pela Faber and Faber (1994)
>>> Tristão e Isolda de Cecília Casas pela Ediouro (2003)
>>> Toda Sua de Sylvia Day pela Best Seller (2012)
>>> O Exame Final de Julio Cartázar pela Civilização Brasileira (1996)
>>> Suicídio Político / Eleanor & Abel / Vínculos de Sangue / Jornada... de Michael Palmer e Outros pela Readers Digest (2015)
>>> A Educação Física e Recreação para o Pré - Escolar de Nilce V Machado pela Do Autor (1985)
>>> Abz do Rock Brasileiro de Marcelo Dolabela pela Estrela do Sul (1987)
>>> Duzinha 3 Edição de Clotilde Chaparro Rocha pela Coleção Itiquira (2010)
>>> Às Portas da Noite de Dalva Agne Lynch pela Blocos (2003)
>>> Às Portas da Noite de Dalva Agne Lynch pela Blocos (2003)
>>> O Poder da Amizade de Tom Rath pela Sextante (2007)
>>> The Glam Decor de Formaplas pela Dnp (2010)
>>> Sentimeento do Mundo de Carlos Drummond de Andrade pela Record (1996)
>>> Visão do Paraíso de Sergio Buarque de Holanda pela Publifolha
>>> The Razors Edge de W. Somerset Maugham pela Penguin Books (1963)
>>> O Corpo Tem Suas Razões de Thérèse Bertherat Carol Bernstein pela Martins Fontes (2001)
>>> O que é Racismo de Joel Rufino dos Santos pela Brasiliense (1980)
>>> Garotas da rua Beacon - Cidade Fantasma de Annie Bryant pela Fundamento (2011)
>>> World Class Combo Split 2A with CD-ROM de Nancy Douglas, James R. Morgan pela National Geographic (2012)
>>> Sol da Liberdade de íris Paula Rocha pela Boa Nova (2000)
COLUNAS >>> Especial Melhores de 2009

Segunda-feira, 4/1/2010
2009: intolerância e arte
Gian Danton

+ de 9400 Acessos
+ 3 Comentário(s)

2009 foi um ano de retrocessos e censuras e intolerâncias, mas também foi um bom ano, com bons filmes, bons quadrinhos e bons livros. No final, a arte parece ter vencido as hordas da irracionalidade.

Uma das primeiras boas novidade de 2009 foi Up, a nova animação da Pixar. Atualmente, o nível das animações melhorou muito. A maioria dos estúdios faz filmes bons. Mas só a Pixar faz obras-primas: Toy Story, Wall-E e, agora, Up.

Up, como Wall-E, é uma aula de como escrever um bom roteiro. O primeiro ato (que tem como objetivo mostrar quem são os personagens e o ambiente em que eles vivem, e que costuma ser chato) acaba sendo um dos melhores momentos do filme. A fórmula é a mesma de Wall-E: apelar para o lirismo. Assim, conhecemos um garoto apaixonado por aventuras, que conhece uma menina que compartilha da mesma paixão. E, numa bela sequência sem falas, vemos os dois crescendo, casando, envelhecendo, e sempre adiando os planos de sair em uma aventura. As cenas da gravata acabam sendo ótimas metáforas tanto da vida do casal quanto da evolução do tempo.

Já velho, viúvo, nosso protagonista acaba embarcando nessa aventura ao fazer sua casa voar com balões coloridos.

Não é necessário esperar a trama começar, no final do primeiro ato, para perceber que estamos diante de uma obra acima da maioria das animações produzidas por Hollywood. O restante não decepciona: o filme tem lirismo, emoção e muita ação. Todos os personagens são muito bem construídos; o velhinho, com voz de Chico Anysio na versão dublada em português, certamente é uma atração à parte.

Também no cinema, tivemos o polêmico Watchmen. Não houve meio-termo: alguns odiaram, outros amaram.

Watchmen é a história em quadrinhos mais reverenciada de todos os tempos. Escrita por Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons, ela revolucionou o modo como eram vistos os heróis, introduzindo o realismo no gênero. Existiram várias tentativas de transformar a série em um filme, algumas das quais pretendiam reformular completamente a história, atualizando o contexto da guerra fria para os dias atuais, em que o inimigo é o terrorismo. Quem acabou conseguindo a façanha foi Zack Snyder, diretor de 300. Fã da série, ele fez uma versão tão fiel que parece decalcada dos gibis.

Incrivelmente, algumas pessoas reclamaram das mudanças, como se fosse possível adaptar uma história em quadrinhos tão grande e complexa sem que algo se perdesse. As críticas mais sensatas vieram daqueles que acusaram o diretor de ter usado a história em quadrinhos como storyboard para o filme.

De fato, alguns dos poucos momentos em que ele ousou inovar, como a sequência inicial, mostrando as mudanças no mundo a partir do surgimento dos heróis, ao som de Bob Dylan, se tornaram os melhores momentos da película. O final também, muito criticado pelos puristas, é, na verdade, mais crível que o final dos quadrinhos, inclusive do ponto de vista científico.

Independente de outras questões,foi uma experiência interessante ver personagens de quadrinhos se movimentando na tela.

Ainda na tela grande, uma boa surpresa foi o novo Jornada nas Estrelas, de JJ Abrams. É empolgante, respeita a série original, dá uma explicação convincente para um recomeço. Só faltou um pouquinho de filosofia, afinal a série original tinha muita filosofia e até filmes de sucesso conseguem ser filosóficos, como Matrix. Mesmo assim, é um belo filme, que não fez feio nos cinemas e acabou salvando uma franquia já quase morta.

O filme conseguiu até o que parecia impossível: colocar outros autores para fazerem os papéis de Spock e Kirk e ainda assim agradar os fãs.

Bastardos Inglórios foi, sem dúvida, um dos filmes do ano. Tarantino parece ter chegado à maturidade narrativa num filme que junta o que tem de melhor em toda a sua cinematografia e ainda acrescenta um fundo histórico interessante.

A sequência mais memorável do filme é a primeira, em que uma calma conversa de um fazendeiro francês com um oficial nazista termina em um banho de sangue. Nessa cena, duas coisas se destacam: a ótima direção de Tarantino (quando a câmera começa a se movimentar em círculo ao redor dos dois homens, sabemos que algo vai acontecer) e o talento do ator Christoph Waltz, que faz o Coronel da SS Hans Landa. O charme desse personagem é um dos atrativos do filme. Onde Hans Landa aparece, ele rouba a cena.

Na área de quadrinhos, tivemos alguns ótimos lançamentos nacionais, como 7 vidas (Conrad), de André Diniz e Antonio Eder, e Flores manchadas de sangue (Devir), do mestre Cláudio Seto, que morreu em 2008. Em 1968, Seto começou a publicar a revista O Samurai. Pela semelhança de temas, muitos hoje acham que se tratava de uma imitação do Lobo Solitário, de Kazuo Koike e Goseki Kojima, mas a maioria dos historiadores concorda que o trabalho de Seto é dois anos mais velho. Mesmo que não fosse pelo pioneirismo, Flores manchadas de sangue, álbum que reúne as melhores histórias do personagem, já valeria pela qualidade das histórias, belos e muitas vezes apavorantes estudos sobre a natureza humana.

Mas nenhum ano é feito apenas de coisas boas. Se este ano não teve tsunamis, teve muita polêmica provocada por aqueles que acham que quadrinhos são feitos para crianças e não podem falar de assuntos mais sérios.

A polêmica começou com a escolha do álbum 10 na área, um na banheira e ninguém no gol, para ser distribuído para bibliotecas de escolas públicas de ensino fundamental de São Paulo. O álbum não é destinado ao público infantil e a escolha foi infeliz, mas o governador José Serra preferiu jogar a culpa nos quadrinhos, dizendo que o álbum era de "mau-gosto".

Motivados pela polêmica ou por questões políticas, começaram a pipocar supostas denúncias sobre quadrinhos impróprios que teriam sido comprados pelo MEC para escolas públicas de ensino médio (obras, portanto, voltadas para adolescentes, não para crianças). O principal alvo foi o quadrinista Will Eisner, cuja obra toda foi retirada das bibliotecas por causa de uma única sequência, em que uma garota levanta a saia para enganar um vigia.

Posteriormente, o álbum O sonhador foi banido das escolas por causa de uma cena em que uma mulher aparece semi-nua. Eisner é um dos mais importantes artistas do século XX e sua obra é séria e profundamente humana. Mas os críticos só conseguiam ver a mulher com as costas de fora. Seria mais ou menos como banir a Bíblia das escolas por causa da sequência de Sodoma...

O mais surpreendente é que essa polêmica toda aconteceu justamente nas escolas, local de onde se esperava um pouco mais de inteligência ao julgar uma obra.

Claro que a polêmica não poderia deixar de respingar nos quadrinhos de banca e até Maurício de Sousa teve que vir a público se explicar. Primeiro por causa de uma tira do Chico Bento que foi adulterada (um palavrão foi colocado onde não existia) e colocada em um livro didático na Bahia.

Posteriormente, outra polêmica, agora por causa de um personagem supostamente gay, que apareceu numa revista da Tina (voltada para o púbico adolescente). A sequência era muito sutil, mas causou a ira dos moralistas, esquecidos de que Maurício prima pela diversidade em suas revistas, com personagens negros, cegos, cadeirantes. "Uma posição vai se manter em todas as nossas produções: o respeito pelo ser humano, pela pessoa, e a elegância no trato de qualquer tema", declarou o quadrinista, numa comunidade oficial.

Quem acompanhava o que acontecia com os quadrinhos já devia adivinhar que 2009 seria lembrado pelo caso da aluna da Uniban que foi hostilizada pelos alunos por causa de um vestido curto. Mais absurdo: o reitor, em vez de punir os agressores, resolveu expulsar a agredida. Isso numa faculdade, ambiente em que deveria prevalecer o bom senso, a inteligência e a tolerância para com as diferenças.

No final, fica o desejo de que 2010 seja um ano um pouco mais tolerante.


Gian Danton
Goiânia, 4/1/2010


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Casa, poemas de Mário Alex Rosa de Jardel Dias Cavalcanti
02. O bosque inveterado dos oitis de Elisa Andrade Buzzo
03. Coisa Mais Linda de Marilia Mota Silva
04. Domingão, domingueira de Ana Elisa Ribeiro
05. Dor e Glória, de Pedro Almodóvar de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Gian Danton
Mais Acessadas de Gian Danton em 2010
01. Os dilemas da globalização - 8/11/2010
02. Glauco: culpado ou inocente? - 29/3/2010
03. 2009: intolerância e arte - 4/1/2010
04. Maria Erótica e o clamor do sexo - 25/10/2010
05. As fronteiras da ficção científica - 3/5/2010


Mais Especial Melhores de 2009
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
18/1/2010
08h47min
Interessantes os casos envolvendo os quadrinhos. Quanto ao filme "UP", não concordo. Perda de tempo, desnecessário. Um viúvo vem de balão para a América do sul, pousa em Salto Angel, na Venezuela, e desperdiça nosso tempo correndo atrás de um pássaro imaginário. Onde estão os nativos da Venezuela? Seus costumes, sua cultura, o intercâmbio? Seria muito bom ver um senhor moralista e conservador, como o criado pelo desenho, ser confrontado em suas crenças por um povo guerreiro, e sofredor, como o latino. Realmente, perderam a oportunidade de fazer um filme que contribuísse não apenas com efeitos especiais para a humanidade. Mais um filme-pipoca irritante e alienante que Tio Sam nos empurra com seus milhões de $... Não assistam.
[Leia outros Comentários de Luciano Pita]
18/1/2010
08h50min
O ano de 2009 foi um ano difícil em relação a construção de um sonho intelectual, de uma melhoria da leitura, de lançamentos que fossem além das arquiteturas das cidades, ou seja, que extraíssem a alma das cidades como poemas, crônicas e contos, que trouxessem personagens populares, que conseguissem falar da beleza de uma flor entre a arquitetura, que elaborassem um sonho de vários grupos de poetas e escritores do Brasil, com todas as suas dificuldads e sucessos, ou seja, que expressassem as contradições do viver... A literatura tem esse poder de imitar a vida e dizer verdades, o que às vezes falta às reportagens ou notíciais... Sinceramente, faltou isto; e isto é a alma desta nossa realidade chamada literatura.
[Leia outros Comentários de Manoel Messias Perei]
14/2/2010
17h48min
Não acompanhei a repercusão da tira do Maurício de Sousa porque estou fora do Brasil há quase dez anos, mas é um caso exemplar, mesmo que muito sutil e o Maurício está de parabéns pela ousadia.
[Leia outros Comentários de wellington almeida]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Coleção Os Pensadores: Piaget
Piaget
Abril Cultural
(1983)



A Laranja Mecânica
Anthony Burgess;nelson Dantas (trad)
Ediouro
(1994)



A Quinta Onda dos Serviços no Varejo
Marcos Gouvêa de Souza
Gs & Md
(2007)



O Capital Grandes Mestres do Pensamento Volume 6
Karl Marx
Formar
(1978)



Un Pequeño Inconveniente
Eugenia Flávian
Ática
(2006)



31 Loucuras para mulheres que querem assumir de vez sua loucura por Jesus
Paty Barreto
Do Autor
(2016)



Vicent Verdú El futbol mitos, ritos y simbolos
Vários Autores
El Libro de Bolsillo



Almanaque Disney Nº149
Walt Disney
Abril
(1983)



Amor de Primavera
Anna Summer
Nova Cultural
(2005)



Manual da Constituição de 1988
José Afonso da Silva
Malheiros
(2002)





busca | avançada
60317 visitas/dia
1,8 milhão/mês