Glauco: culpado ou inocente? | Gian Danton | Digestivo Cultural

busca | avançada
83662 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Sesc 24 de Maio apresenta o último episódio do Música Fora da Curva
>>> Historiador Russell-Wood mergulha no mundo Atlântico português da Idade Moderna
>>> Livro ensina a lidar com os obstáculos do Transtorno do Déficit de Atenção
>>> 24 e 25/04: últimas apresentações do projeto 48h_48min acontecem neste fim de semana
>>> João Trevisan: Corpo e Alma || Museu de Arte Sacra
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Cem encontros ilustrados de Dirce Waltrick
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> A situação atual da poesia e seu possível futuro
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
Colunistas
Últimos Posts
>>> Hemingway by Ken Burns
>>> Cultura ou culturas brasileiras?
>>> DevOps e o método ágil, por Pedro Doria
>>> Spectreman
>>> Contardo Calligaris e Pedro Herz
>>> Keith Haring em São Paulo
>>> Kevin Rose by Jason Calacanis
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
Últimos Posts
>>> Geração# terá estreia no feriado de 21 de abril
>>> Patrulheiros Campinas recebem a Geração#
>>> Curtíssimas: mostra virtual estreia sexta, 16.
>>> Estreia: Geração# terá sessões virtuais gratuitas
>>> Gota d'agua
>>> Forças idênticas para sentidos opostos
>>> Entristecer
>>> Na pele: relação Brasil e Portugal é tema de obra
>>> Single de Natasha Sahar retrata vida de jovem gay
>>> A melancolia dos dias (uma vida sem cinema)
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Machado e a AR-15
>>> Notas confessionais de um angustiado (V)
>>> Festival de interatividades
>>> O melhor de Steve Jobs
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
>>> Leituras, leitores e livros – Parte I
>>> Abertura de Guillaume Tell
>>> Sabemos pensar o diferente?
>>> Vianinha corpo-a-corpo
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
Mais Recentes
>>> A Mágica de Pensar Grande de David J. Schwartz pela Record (1995)
>>> Abolição: Um Suave Jogo Político? de Leonardo Trevisan pela Moderna (1991)
>>> A Revolução Industrial de Roberto Antonio pela Moderna (2002)
>>> Globalização Estado Nacional e Espaço Mundial de Demétrio Magnoli pela Moderna (1998)
>>> A Marca de Uma Lágrima de Pedro Bandeira pela Moderna (1992)
>>> Evolução Das Espécies de Samuel Murgel Branco pela Moderna (2003)
>>> Plastico Bem Superfluo Ou Mal de Eduardo Leite do Canto pela Moderna (1995)
>>> História da Literatura Brasileira -2ª ed. revista e ampliada de Luciana Stegagno Picchio pela Nova Aguilar- Lacerda- ABL (2004)
>>> O Meio Ambiente em Debate de Samuel Murgel Branco pela Moderna (1998)
>>> Sentidos Da Vida Uma Pausa P Pensar de Flavio Gikovate pela Moderna (1998)
>>> A Industrialização Brasileira - de Sonia Medonças pela Moderna (2000)
>>> Multinacionais Desenvolvimento Ou Exploração? de Paulo Martinez pela Moderna (1987)
>>> Um Amor Alem Do Tempo de Leila R. Iannone pela Moderna (1990)
>>> O Novo Mapa do Mundo de Demétrio Magnoli pela Moderna (1999)
>>> Olhinhos de gato de Cecília Meireles pela Modernao (1983)
>>> As Maiores Historias do Superman de Jerry Siegel e Joe Shuster. Capa: Alex Ross pela Panini Comics (2008)
>>> DC Especial vol.3 - Lanterna Verde de Ben Raab, Charlie Adlard, Tatjana Wood pela Panini Comics (2004)
>>> Superman versus Exterminador do Futuro de Alan Grant (roteiro), Steve Pugh (desenhos, arte-final e capa), Mike Perkins (arte-final) e David Stewart (cores) pela Abril (2000)
>>> X-Men - Filhos do Átomo de Joe Casey, Steve Rude, Esad Ribic pela Abril (2001)
>>> Anjos e Demônios: a primeira aventura de Robert Langdon de Dan Brown pela Sextante (2004)
>>> Ponto de Impacto de Dan Brown pela Sextante (2005)
>>> Fortaleza Digital de Dan Brown pela Sextante (2005)
>>> Simbad - Uma Historia Das Mil E Uma Noites de Ludmila Zeman pela Projeto (2010)
>>> Geografia Geral e do Brasil. Espaço Geográfico e Globalização de João Carlos Moreira; Eustáquio de Sene pela Scipione (2021)
>>> Você Com Você de Marcos Leão - Calunga pela Casa dos Espíritos (2011)
COLUNAS

Segunda-feira, 29/3/2010
Glauco: culpado ou inocente?
Gian Danton

+ de 11000 Acessos
+ 7 Comentário(s)

Até a década de 1980, nos casos em que maridos matavam suas esposas, os julgamentos acabavam sendo focados nas vítimas. Os advogados de defesa pretendiam mostrar que a vítima não prestava e, portanto, merecia ser morta. É o princípio da "legítima defesa da honra". A lógica era: quem merecia morrer já morreu, então vamos soltar esse pobre homem, que matou porque era o seu dever.

Uma aberração jurídica, esse argumento tem sido ressuscitado pelo advogado de defesa de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, assassino confesso do cartunista Glauco. A linha da defesa é que Cadu era um garoto feliz e carinhoso, que nunca revelou sinais de violência antes de começar a frequentar a igreja Céu de Maria, dirigida por Glauco. Depois desse episódio, ele teria se transformado em um monstro, um louco, que rezava para as plantas e não dizia coisa com coisa. O máximo que o pai do assassino, certamente orientado pelo advogado, admite sobre o filho é que, antes de Cadu ter contato com o chá do Santo Daime, ele era indeciso sobre a profissão que iria seguir. Fora isso, era um santo. O fato dele ser usuário de drogas, ter passagem pela polícia por tráfico, ter abandonado três cursos universitários e não ter qualquer ocupação não impede a defesa de pintá-lo como santo que virou demônio depois de entrar para a igreja dirigida por Glauco. Essa versão da história foi comprada pela TV Record e pela Veja.

A matéria da Record fez questão de começar a matéria sobre o assunto mostrando fotos de Cadu na infância, feliz e carinhoso com a família. Após a entrada na igreja Céu de Maria, as fotos escolhidas foram aquelas que distorciam seu rosto ou a imagem dele preso, como um animal sem raciocínio. De tempos em tempos, em momentos adequados, fotos do garoto feliz e carinhoso eram intercaladas pelas imagens de Cadu preso. Uma narração em off, dizendo que o rapaz mudou depois que entrou na igreja Céu de Maria, ilustrada pelas duas imagens contrastantes passam a informação melhor do que outra coisa. É como aqueles comerciais do antes e depois, sendo que nesse caso o sentido é oposto: se você for um santo, irá se tornar um louco assassino se entrar para o Daime.

A intenção é óbvia. Não é segredo que a Record pertence à Igreja Universal, a quem muito interessa criticar e, se possível, destruir uma igreja rival. Na lógica capitalista da Universal, toda outra igreja é uma concorrente e deve ser tratada como tal.

A revista Veja, que sempre se posicionou contra a liberação do chá aiuasca, tem comprado a versão do advogado com recibo e tudo. "Permitir que portadores de psicoses como a esquizofrenia bebam o chá da seita Santo Daime equivale a jogar gasolina sobre uma casa em chamas. Tudo indica que foi exatamente o que os seguidores da seita fizeram durante os três anos em que Cadu frequentou o local", diz a matéria publicada no dia 21 de março.

Glauco, como dirigente da igreja Céu de Maria, seria culpado pela situação: "Glauco foi, sim, solicitado a não mais ministrar o alucinógeno a Cadu ainda em 2007. Por descuido ou desconhecimento acerca do estado de saúde do rapaz, ele não atendeu ao pedido". Tanto a Record quanto a Veja dão a entender, embora não declaradamente, que Cadu teria cometido os crimes sob efeito do chá do Daime.

Resumo da ópera: quem deveria morrer, já morreu, agora vamos tratar o Cadu, única vítima dessa história.

Essa versão, no entanto, tem diversas falhas.

Para começar, a última vez que Cadu bebeu o chá foi no ano novo, quase três meses antes dos assassinatos. Não existe substância que permaneça no organismo por tanto tempo.

A outra linha de raciocínio é de que o chá teria despertado em Cadu uma esquizofrenia latente que o teria levado a fazer tudo o que fez. Para começar, ignoram totalmente o fato dele já usar drogas antes de entrar para a igreja Céu de Maria. Por que as drogas não despertaram a esquizofrenia?

Mas, mesmo que admitamos que Cadu se tornou louco após tomar o chá, a versão parece estranha.

Eu tenho um amigo esquizofrênico. Começou a frequentar a minha casa ainda muito jovem, pois queria ser roteirista de quadrinhos. Pressionado pela família, estudou desesperadamente para o vestibular, passou em primeiro lugar, mas acabou desenvolvendo uma esquizofrenia, já latente, que despertou por causa do stress. Desde então eu o tenho acompanhado, de tempos em tempos. Graças ao tratamento, ele não evoluiu para a fase mais severa da doença. Minha experiência com esse garoto me diz o seguinte: ele até seria capaz de matar, no meio de uma crise, mas não seria capaz de planejar um assassinato e depois planejar uma fuga. A pessoa com esquizofrenia vive numa tal situação de alheamento que mal consegue sair de casa. Não consegue pegar ônibus. Não consegue muitas vezes nem lembrar onde mora. Certa vez encontrei-o na rua, em crise, e tive que levá-lo em casa, pois ele não conseguia voltar sozinho.

O raciocínio de Cadu não é de esquizofrênico. Ele passou meses vendendo maconha para comprar a arma com a qual mataria Glauco. Escolheu a melhor arma, comprou bastante munição... planejou passo a passo os assassinatos. Após o crime, fugiu e passou horas planejando como fugiria. Sua ideia era roubar um carro, fugir para o Paraguai, ficar lá até a poeira baixar e depois voltar para matar a viúva de Glauco. Seguiu o plano à risca e só não conseguiu chegar ao Paraguai porque foi parado por uma patrulha, que percebeu que o carro era roubado. Preso, se nega a dizer quem lhe vendeu a arma. O delegado que o prendeu diz que ele parece mais um criminoso normal do que um esquizofrênico. O delegado que investiga o caso em Sâo Paulo diz que "Ele estava consciente. [...] Ele foi muito frio".

Tal frieza de raciocínio não é de quem sofre de esquizofrenia, mas lembra muito o comportamento de um psicopata, que sabe o que está fazendo e planeja passo a passo seus atos. Não é a primeira vez que um psicopata tenta se passar por doido para fugir da pena e continuar matando. Kenneth Bianchi, o estrangulador de Los Angeles, tentou convencer a opinião pública de que tinha dupla personalidade antes de ser desmascarado por uma psicóloga (um filme interessante sobre o assunto é O estrangulador de Los Angeles, de Chris Fischer).

A cobertura da maior parte da mídia, em especial da Veja, revela um raciocínio preconceituoso: o Daime é visto com maus olhos por ser uma religião de índios e seringueiros, de "gentalha". No caso da Veja, há o agravante da revista seguir a cartilha norte-americana, segundo a qual todas as substâncias devem ser proibidas, menos as que dão lucro para as grandes empresas do Tio Sam (como o cigarro).

No final, o preconceito e a visão deturpada devem prevalecer. Cadu será visto como um inocente santo transformado em demônio por Glauco e sua igreja. Provavelmente será inocentado e estará livre para matar a viúva do desenhista, como já disse planejar. Que Deus nos proteja.


Gian Danton
Goiânia, 29/3/2010


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Arte que não parece arte de Gian Danton
02. Eu, personagens de mim de Carina Destempero
03. Lições literárias de Gian Danton
04. Um outro mundo de Daniel Bushatsky
05. Memória externalizada de Wellington Machado


Mais Gian Danton
Mais Acessadas de Gian Danton em 2010
01. Os dilemas da globalização - 8/11/2010
02. Glauco: culpado ou inocente? - 29/3/2010
03. 2009: intolerância e arte - 4/1/2010
04. Maria Erótica e o clamor do sexo - 25/10/2010
05. As fronteiras da ficção científica - 3/5/2010


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
23/3/2010
11h50min
Texto lúcido. É muito fácil criar teorias ridículas para satisfazer os próprios interesses. Também tenho um tio esquizofrênico que sem remédios ficaria agressivo, mas não fica porque a família cuida dele. Chega a parecer piada dizer que o cara está em surto até agora, como disse o pai do criminoso que não quer aceitar a índole do filho. Alguém em surto age e pronto. Depois fica chorando de arrependimento ou não se lembra do que fez. Nunca ouvi falar de surtos esquizofrênicos tão complexos, com tanto planejamento... / Obs: só não acho que a Record encare o Santo Daime como rival, pois é uma comunidade pequena e o público é outro. Acho mais que esta é uma oportunidade para focar escândalos de outro quintal, não importa qual.
[Leia outros Comentários de Débora Carvalho]
30/3/2010
11h22min
Que o Glauco descanse em paz. Se tem alguém inocente nessa história, é ele. A Veja é uma bosta, só vi a capa na banca e já lamentei a reportagem, pois sabia que abordariam demonizando o chá e a religião.
[Leia outros Comentários de Thiago Peixoto]
31/3/2010
00h33min
Estou com a Débora, realmente um texto de lucidez implacável. Aliás, a comparação inicial com aquela aberração de vitimizar a crueldade e a covardia dos "defensores da honra"... já é bastante esclarecedora. Mas tudo bem, um advogado defensor agir assim seria até justificável, é da função dele. Mas quando profissionais do jornalismo, ainda mais de empresas do porte da Record e da Veja, se arrogam a cumprir esse papel... isso é absolutamente injustificável. Já passou da hora dessa prática recorrente de manipulação dos argumentos, que leva invariavelmente à distorção dos fatos (leia-se: má-fé travestida de jornalismo), receber uma vigorosa condenação pública. Texto supimpa, Gian. P.S.: Mas não se engane, Débora, a Universal nasceu e cresceu assim, arregimentando fiéis através desse seu "pecado original", cruel e covarde, de demonizar a fé das outras comunidades religiosas. Aliás, nem mesmo a imensa e adversária igreja católica escapou disso, não?
[Leia outros Comentários de Cícero Soares]
5/4/2010
10h19min
Acho que nessa história esqueceram da família, a maior culpada pelo crime cometido por Cadu. O descaso e a mania de passar a mão na cabeça e dar uma boa mesada é o que prevalece, como no caso do rapaz que foi agredido com um taco de baseball na Livraria Cultura, a família sabia que o agressor era perigoso e não fez nada. É sempre assim que acontece. E a vida segue.
[Leia outros Comentários de Marly Santos]
11/4/2010
04h02min
Deliciosa leitura. E sim, podemos culpar muitas coisas: os pais superprotetores, a sociedade preconceituosa, a mídia de má-fé, as religiões rivais... o culpado é ele, gente, e a vítima foi Glauco. Fato é: o que fazer para evitar que isso aconteça, de novo? Acho que a gente gosta de punhetar essas discussões pra esconder que ainda não temos resposta pra essa questão.
[Leia outros Comentários de juls bartorilla]
19/4/2010
12h02min
Abordagem correta, com uma única imprecisão: há drogas que permanecem por longo tempo no corpo, como o LSD. Quanto ao preconceito referente ao chá do Santo Daime, é provável exista, e não duvido de que haja uma nefasta influência do Tio Sam, já que a maconha, no começo do século XX, era de uso livre nos EUA, mas utilizada principalmente por negros. Quando resolveram proibir, o móvel principal foi o preconceito, e a campanha foi recheada de mentiras. Nada posso afirmar acerca do assassino, porém milhares de pessoas fazem uso do chá do Santo Daime, e esta foi a primeira relação do mesmo com um crime. Com efeito, não convence.
[Leia outros Comentários de Gil Cleber]
20/4/2010
10h49min
A família pode, se quiser justiça, adotar o lema de Poe - desde o antigo Reino da Escócia - (O barril de Amontillado): "Nemo me impune lacessit".
[Leia outros Comentários de Joseph Shafan]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Book One of the Fifty Shades Trilogy
E L James
Vintage Books
(2012)



Mistério na Abadia
Ellis Peters
Record
(1996)



São Paulo Em Vinte Artistas
Alberto Hiar Junior
Imprensa Oficial
(2010)



Administração de Recursos Humanos Fundamentos Basicos
Idalberto Chiavenato
Manole
(2016)



1999
Nova Cultural
Nova Cultural
(1999)



Dicionário de Inglês Corporativo
Adriana Grade Fiori Souza
Disal
(2006)



Feng Shui - Energia e Prosperidade no Trabalho
Roberto Bo Goldkorn
Campus
(1999)



Mulher o Negro do Mundo
Malcolm Montgomery
Gente
(1997)



Minecraft Galaxy Wars 1
Minecraft
Tambor
(2016)



Instrumentos de Deus: um Livro Que Toca
Moraes Moreira e Parceria; Romero Cavalcanti (ilus
José Olympio
(1986)





busca | avançada
83662 visitas/dia
2,6 milhões/mês