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Segunda-feira, 21/6/2010
Esquadrão Classe A
Gian Danton

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Hollywood vive de velhas ideias. Depois de fazer remakes de séries da década de 1960, como Missão Impossível e Perdidos no Espaço, parece que os produtores estão começando a se interessar até por temas mais recentes. O recente lançamento de O Esquadrão Classe A é exemplo disso.

O Esquadrão foi um dos seriados de maior sucesso em meados da década de 1980. No Brasil, passava no SBT e era um programa obrigatório para a garotada.

Em muitos sentidos, o Esquadrão era uma releitura dos Sete Samurais, filme clássico de Akira Kurossawa, no qual um grupo de samurais desempregados ajuda uma vila de agricultores atormentada por bandidos. Esse tema de heróis lidando com seus próprios problemas, mas encontrando tempo para ajudar pessoas necessitadas será a base de todos os episódios do seriado. Em todos eles, o grupo de soldados da fortuna é contratado por alguém com dificuldade com malfeitores.

Além da referência básica aos Sete Samurais, o Esquadrão trazia um contexto histórico. Veteranos da guerra do Vietnã, eles são condenados por um crime que não cometeram, conseguem fugir, mas têm sempre os militares em seus calcanhares.

O texto de abertura resumia bem o clima das histórias: "Em 1972 uma unidade especial das forças armadas foi condenada no tribunal militar por um crime que não cometeu. Esses soldados logo conseguiram escapar da prisão de segurança máxima, se estabelecendo clandestinamente em Los angeles. Hoje, procurados pelo governo, eles sobrevivem como soldados da fortuna. Se você tem um problema, se ninguém pode ajudá-lo e se você puder achá-los, talvez você possa contratar o ESQUADRÃO CLASSE A".

A estrutura narrativa era quase sempre a mesma: fugindo dos militares, os heróis chegam em um local e se deparam com pessoas sendo oprimidas, seja por patrões cruéis, bandidos ou políticos. Comovidos, resolvem ajudar, mesmo sabendo que essa ajuda poderá fazer com que sejam finalmente pegos, o que quase acontecia, em todos os episódios.

A equipe era liderada pelo Coronel John Hannibal Smith (George Peppard), um líder nato, fanático por charutos. Bom ator, Hannibal costumava protagonizar o início dos únicos episódios em que a estrutura era um pouco diferente: nestes, alguém tentava contatar o grupo de soldados da fortuna, mas se deparava com alguém inconveniente, como um vendedor de cachorros quentes muito chato. Era o coronel. A maquiagem fazia com que mesmo os telespectadores mais assíduos fossem enganados, de modo que uma das diversões do seriado era tentar descobrir quem era Hannibal disfarçado. O nome do personagem é uma referência ao general cartaginês que quase destruiu o exército romano. Assim como o seu homônimo histórico, o líder da equipe é um grande estrategista e seus planos mirabolantes eram uma das atrações da série.

Para concretizar seus planos, Hannibal conta com uma equipe bastante heterodoxa.

O Capitão H.M. Murdock é um especialista em pilotar qualquer tipo de aeronave, mas gastava a maior parte do tempo fazendo macacadas, conversando com a própria mão ou algo do gênero. Careteiro, Dwight Schultz, que interpretava o personagem, era um espécie de Jim Carrey da época e dava o toque humorístico ao seriado.

O tenente Templeton Cara-de-Pau , interpretado por Dirk Benedict, era o galã da série e o responsável por conseguir tudo necessário para colocar em ação os planos do Coronel. Com seu charme, ele conseguia tudo, mesmo que para isso precisasse trocar seus sapatos novos por uma bota de trabalhador.

Completando o grupo, havia o carismático Sargento Bosco Barracus ou B.A. (abreviação de Bad Attitude ou temperamento ruim), interpretado por Mr.T., um grosso de cabelos moicanos, mas que adorava leite, crianças e morria de medo de voar. Como em muitas missões era necessário embarcar num avião, ou num helicóptero, uma das atrações era tentar adivinhar que estratégia seria usada pelos outros para dopá-lo. Além disso, as brigas de B.A. com o Murdock criavam uma das grandes tensões do seriado, geralmente com resultados humorísticos. O personagem também era um gênio em mecânica e era essencial para colocar em prática os planos.

Como a televisão da época não podia mostrar nada mais violento que algumas explosões e pessoas saltando, os roteiristas tinham que inventar geringonças engraçadas, como uma máquina que atirava repolhos.

Mesmo com uma estrutura rígida e personagens estereotipados, o Esquadrão Classe A conseguia surpreender e dar uma grande lição: é necessário ajudar os outros, deixando nossos interesses em segundo plano.

É justamente esse o ponto fraco do filme dirigido por Joe Carnahan : a história é focada apenas na tentativa dos heróis em provar sua inocência. O filme esclarece alguns pontos que no seriado eram obscuros, como do que eles estavam sendo acusados ou porque BA tem medo de avião. Além disso, existem várias referências que vão agradar aos fãs, como o furgão preto, dirigido por B.A., que aparece logo nas primeiras cenas. Os personagens não são descaracterizados e, para quem assistiu ao seriado nos anos 1980, parece que eles estão renascendo na tela. Até mesmo Quinton Jackson consegue substituir o canastrão, mas simpático Mr. T. E Liam Neeson está perfeito como o Coronel Hannibal.

As cenas de ação são tão loucas quanto no seriado, embora haja menos foco na estratégia. Além disso, nem sempre os planos são tão geniais. Num roteiro de cinema, que permite muito mais elaboração do que a correria de um seriado, esperava-se planos realmente surpreendentes. Mas tudo isso é compensado pelas boas interpretações e boa direção.

O que estranha mesmo a falta do altruísmo do seriado. Com heróis mais preocupados em salvar suas próprias peles, parece que está faltando alguma coisa. Algo que ficou lá atrás, no ingênuo seriado de TV ou no filme clássico de Kurossawa.


Gian Danton
Goiânia, 21/6/2010


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