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Sexta-feira, 26/10/2018
A barata na cozinha
Luís Fernando Amâncio

+ de 9000 Acessos

A repugnância às baratas é a maior religião do mundo. Nunca conheci alguém que se sinta confortável na presença deste inseto. Pois pense em entrar na sua cozinha e encontrar ali, na sua frente, o anticristo. Com suas antenas enormes, aquele marrom avermelhado inconfundível, suas cascas e as patas que parecem ter espinhos. Uma barata passeando livremente pela sua cozinha.



Apesar de todo detergente que você usa para limpar a pia, do chão esfregado com água sanitária, do desengordurante nos azulejos. Pouco importa para a barata. Por onde ela entrou? Você começa a inspecionar ralos, paredes, janelas. Olha debaixo dos armários, da geladeira.

Então, o horror: você imagina os lugares em que a barata passou. As louças no escorredor, as panelas no armário, seu copo verde de tomar água, a caneca do seu time, o pano de prato… Tudo parece contaminado, infecto.

Amigos, existe uma barata na nossa cozinha. Os primeiros vestígios de sua presença vieram quando um deputado, em rede nacional, fez comentários ofensivos à dignidade dos homossexuais. Com a tranquilidade de quem disserta sobre meteorologia. O político continuou, ofendeu mulheres e afrodescendentes. Mas, enquanto muitos ficaram chocados, outros ficaram quietos. E, se não bastasse, houve quem achou graça.

Não era uma barata perigosa, pensamos. Mas ela crescia enquanto ficava comum chamar mulheres que lutam pela igualdade de condições entre os gêneros de “feminazis”, “mal amadas” ou “feias”. Quando homens que mal dão conta de acertar o vaso sanitário com seu jato de urina decidiram que precisam andar armados para subjugar a criminalidade. Eles, que se autoproclamam proclamam “homens de bem” e se amarram em gracejar para qualquer “novinha”.

Já não era mais uma baratinha quando a formação, as pesquisas e o conhecimento de seu professor de história passaram a valer menos do que os achismos de qualquer youtuber com quase 40 anos que mora com os pais. Se está na internet só pode ser verdade. As universidades públicas, grandes centros de produção do saber, passaram a ser atacadas, rotuladas de comunistas. Qualquer um que discorde do texto no Zapzap é comunista.

Assustei com o tamanho da barata no momento em que a Ditadura Militar começou a ser considerada a “era de ouro” para os tais cidadãos de bem. Apesar da restrição às liberdades, da perseguição ideológica, das tortudas, da década perdida, do gasto público em estradas paquidérmicas que levavam a lugar algum. Mas, dizem, havia segurança e só torturavam bandidos. Amarraram um pobre no poste, por ter cometido um delito qualquer. Para ser exemplo. Tatuaram a testa de outro. “Ladrão e vacilão”. Muitos comemoraram. Ameaçaram mulheres, cortaram o símbolo de uma suástica em uma delas. Mataram um capoeirista, uma travesti. Mas o top é fazer sinal de arma com as mãos.

Quando eu percebi, a barata não mais se importava em andar pela nossa cozinha à luz do dia. E as pessoas se preocupavam mais com o valor bruto de seus contracheques do que com a relevância dos programas sociais para quem sobrevive na miséria. Afinal, eram todos vagabundos que não trabalhavam. Os ventos da pós-verdade fizeram muito bem para a barata. Ela cresce e engorda descontroladamente na medida em que qualquer coisa dita com convicção vale mais do que mil provas. Pra quê provas se toda desgraça pode ser culpa do PT?

Amigos, o mais complicado sobre essa barata em nossa cozinha é que ela não esteve só em nossos talheres, ouça ou panelas. As patinhas da barata passaram, sim, pelos nossos amigos de infância, familiares, colegas de trabalho… Daquele primo sem noção ao tio simpático de poucas palavras, da senhora de quem não sabemos o nome mas nos dá bom dia diariamente ao seu chefe. Ela pisou em tantos deles que não há produto de limpeza que vá reverter nossa repugnância.

E, de frente para o monstruoso inseto, nos resta constatar, melancolicamente, que tudo está impregnado pela barata. A cozinha toda cheira à barata. O estranho ali é você. A sua cozinha agora é a cozinha da barata.


Luís Fernando Amâncio
Belo Horizonte, 26/10/2018


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