Fabio Weintraub, poesia em queda livre | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
63818 visitas/dia
2,2 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Diálogos na Web FAAP: Na pauta, festivais de cinema e crítica cinematográfica
>>> Pauta: E-books de Suspense Grátis na Pandemia!
>>> Hugo França integra a mostra norte-americana “At The Noyes House”
>>> Sesc 24 de Maio apresenta programação de mágica para toda família
>>> Videoaulas On Demand abordam as relações do Homem com a natureza e a imagem
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Meu malvado favorito
>>> A pintura do caos, de Kate Manhães
>>> Nem morta!
>>> O pai tá on: um ano de paternidade
>>> Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - I
>>> Contentamento descontente: Niketche e poligamia
>>> Cinemateca, Cinemateca Brasileira nossa
>>> A desgraça de ser escritor
>>> Um nu “escandaloso” de Eduardo Sívori
>>> Um grande romance para leitores de... poesia
Colunistas
Últimos Posts
>>> A última performance gravada de Jimmi Hendrix
>>> Sebo de Livros do Seu Odilon
>>> Sucharita Kodali no Fórum 2020
>>> Leitura e livros em pauta
>>> Soul Bossa Nova
>>> Andreessen Horowitz e o futuro dos Marketplaces
>>> Clair de lune, de Debussy, por Lang Lang
>>> Reid Hoffman sobre Marketplaces
>>> Frederico Trajano sobre a retomada
>>> Stock Pickers ao vivo na Expert 2020
Últimos Posts
>>> Três tempos
>>> Matéria subtil
>>> Poder & Tensão
>>> Deu branco
>>> Entre o corpo e a alma
>>> Amuleto
>>> Caracóis me mordam
>>> Nome borrado
>>> De Corpo e alma
>>> Lamentável lamento
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O Gabinete do Dr. Caligari
>>> Ser intelectual dói
>>> Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge
>>> É Julio mesmo, sem acento
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> Caí na besteira de ler Nietzsche
>>> A pintura do caos, de Kate Manhães
>>> Santa Xuxa contra a hipocrisia atual
>>> Há vida inteligente fora da internet?
>>> Um grande romance para leitores de... poesia
Mais Recentes
>>> Um bebê em casa - um guia prático com informações, dicas e curiosidades, da gravidez ao primeiro aninho. de Chis Flores pela Panda Books (2011)
>>> O Pensamento Político De Érico Veríssimo de Daniel Fresnot pela Graal (1977)
>>> Sobre a Literatura de Marcel Proust pela Pontes (1989)
>>> Poemas Sacros de Menotti Del Picchia pela Martins (1992)
>>> O Grotesco Na Criação De Machado De Assis de Maria Eurides Pitombeira de Freitas pela Presença (1981)
>>> Machado De Assis Para Principiantes de Org. Marcos Bagno pela Ática (1998)
>>> A Barca Dos Amantes de Antônio Barreto pela (1989)
>>> O Tao da Respiração Natural de Dennis Lewis pela Pensamento (1997)
>>> O Aprendiz Da Madrugada de Luiz Carlos Lisboa pela Gente (1994)
>>> Vencendo nos Vales da Vida de Ray Conceição pela Holy Bible (1995)
>>> Eça, Discípulo De Machado de Alberto Machado Da Rosa pela Editora Fundo De Cultura (1963)
>>> Perdão A Cura para Todos os Males de Gerald G. Jampolsky pela Cultrix (2006)
>>> Em Quincas Borba De Machado De Assis de Ivan C. Monteiro E Outro pela Livraria Acadêmica (1966)
>>> A Liberação Da Mente Através Do Tantra Yoga de Ananda Marga pela Ananda Marga Publicaçãoes (2002)
>>> O Oráculo Interior de Dick Sutphen pela Nova Era (1994)
>>> Manual Do Terapeuta Profissional De Segundo Grau de David G. Jarrell pela Pensamento (1995)
>>> O Discurso Da Libertação na Sinagoga De Nazaré de org. Leonardo Boff entre outros pela Vozes (1974)
>>> O Pensar Sacramental REB 35 de org. Leonardo Boff entre outros pela Vozes (1975)
>>> Meditações Diárias Para Casais de Dennis e Barbara Rainey pela United Press (1998)
>>> Machado De Assis de org. por Luís Martins pela Iris
>>> Massagem Para Energizar Os Chakras de Marianne Uhl pela Nova Era (2001)
>>> O Mundo Social Do Quincas Borba de Flávio Loureiro Chaves pela Movimento (1974)
>>> Pensamento Diário de Elsa kouber (entre outros) pela Rádio Transmundial (2019)
>>> O Que É Esta Religião? de Ibps do Brasil (org) pela Ibps do Brasil
>>> Meditando a Vida de Padma Samten pela Peirópolis (2001)
>>> O Poder Da Paciência de M. J. Rayan pela Sextante (2006)
>>> Liberdade? Nem Pensar! de Aquino e Bello pela Record (2001)
>>> Desafio Educacional Japonês de Merry Whitte pela Brasiliense (1988)
>>> As Flores Do Mal Nos Jardins De Itabira de Gilda Salem Szklo pela Agir (1995)
>>> A Era Do Inconcebível de Joshua Cooper Ramo pela Companhia Das Lestras (2010)
>>> A Voz e a Série de Flora Süssekind pela Sette Letras (1998)
>>> Cure Seu Corpo de Louise L. Hay pela Best Seller (2004)
>>> História Viva De Um Ideal de Hélio Brandão pela Do autor (1996)
>>> Cure Seu Corpo de Louise L. Hay pela Dag Gráfica
>>> Índice Analítico Do Vocabulário De Os Lusíadas J-Z de Org. por A. G. Cunha pela Instituto Nacional Do Livro (1966)
>>> Sempre Zen Aprender Ensinar E Ser de Monja Coen pela Publifolha (2006)
>>> I Ching O Livro das Mutações de Não Informado pela Hemus (1984)
>>> Via Zen Reflexões Sobre O Instante e O Caminho de Monja Coen pela Publifolha (2004)
>>> Praticando o Poder Do Agora de Eckhart Tolle pela Sextante (2005)
>>> La Théologie De La Foi Chez Bultmann de J. Florkowski pela Du Cerf (1971)
>>> Quatre Vingt Neuf de Georges Lefebvre pela Sociales (1964)
>>> Haikai de Paulo Franchetti (e outros) pela Unicamp (1991)
>>> As Razões Da Inconfidência de Antônio Torres pela Itatiaia (1956)
>>> Estratégias e Máscaras de um Fingidor, Crônicas de Machado De Assis de Dilson F. Cruz Jr pela Nankin editorial (2002)
>>> Anjo Caído de Daniel Silva pela Arqueiro (2013)
>>> A Paz Interior de Joseph Murphy pela Nova Era (2000)
>>> A Pedra e o Rio ( uma interpretação da poesia de João Cabral de Melo Neto) de Lauro Escorel pela Livraria Duas Cidades LTDA. (1973)
>>> Como Utilizar O Seu Poder De Cura de Joseph Murphy pela Nova Era (1997)
>>> Os sete Crimes De Édipo de Pedro Américo Corrêa Netto pela Agir (1987)
>>> Transportes Pelo Olhar de Machado de Assis de Ana Luiza Andrade pela Grifos (1999)
COLUNAS

Terça-feira, 9/8/2011
Fabio Weintraub, poesia em queda livre
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 4100 Acessos

O poeta Fabio Weintraub resolveu descer aos infernos. Seu livro Baque, editado pela Editora 34 letras em 2007, mergulha o leitor num conjunto de poemas que, no mínimo, desfiguram ou tratam da desfiguração da vida humana. Antes dele, Baudelaire já exigia dos poetas que deixassem sua auréola de criadores do sublime na lama. Não é sem sentido, portanto, a existência de um poema como "Carniça" do mestre francês. Rimbaud e Verlaine também ousaram criar juntos um soneto em louvor à baixeza, decifrando as entranhas físicas do olho do cu de cada um.

Weintraub, embora não partilhe do gosto romântico pelo dejeto, não faz outra coisa que transplantar para dentro de seus poemas a queda, esse baque que a vida sofre em várias situações, irreversíveis, muitas delas, e que revelam estragos nauseantes. Da descrição de um quisto maligno a impregnar um rosto carcomido pela destruição pútrida, que faz "moscas brotar do ar", ao golpe desfigurador que atinge um velho: "dois ou três golpes/ no cofre do crânio (...) Seu pensamento agora vaza/ entram barulhos,/ a brisa/ e toda sorte de insetos", sua poesia está tão dura quanto o peso de uma vida que se destrói em queda livre.

A poesia de Weintraub não se furta da dureza necessária ao entendimento do mundo "aqui perto". Porque a vida está dura, como no baque que a vida impõe a cada queda, sua poesia também despenca dura. Ela abraça o inusitado, sem reticências, e parece fria, cortante, como o bisturi a tentar expurgar doenças ou agulhas a remendar rostos atingidos "por canivetes ou tiro", nessa vida que "num átimo" vai deixar marcas indesejáveis: "meu rosto será desfigurado (...) talvez fique cego".

O mundo ao redor do poeta não cheira bem, e se é de pólvora e sangue que nossas narinas se alimentam, a poesia deverá transplantar para dentro de si os miasmas que vazam de gangrenas físicas e desfigurações sociais.

Mas Baque não é um livro de poesia social, não faz uso de um discurso raso de denúncia da "realidade". Ele não deixa, no entanto, de guardar no seu próprio vocabulário o desconforto quase tétrico dos baques, mas sem "nenhuma concessão sentimental" ao leitor, como disse Maria Rita Kehl na orelha do livro. Sem apelos chorosos humanistas, o poeta aproxima sua lente num terrível zoom sobre feridas, da alma e do corpo, numa sucessão de desamparos atordoantes colocados à nossa vista.

Quando a vida está por um fio, a poesia não pode e nem deve estar por menos. Weintraub assume que quer entrar na sombra. Onde qualquer olho rejeitaria olhar, ele olha. Da exaustão ao abatimento fatal, só os poetas mergulham sem medo nessas zonas de breu. Não como sociólogo ou psicanalista, pois a poesia não quer interpretar. O poeta vislumbra como imagem o que, ali mesmo, no cheiro da carne que se decompõe, deve ser o lugar da possibilidade da matéria sobre a qual sua arte se compõe.

Podemos pressentir na própria ordem dos poemas um andamento que vai do mal ao pior. Da violenta "paixão do alicate/ pelos mamilos da gorda", passando pela "dor aguda" que "piora com o calor/ a luz e os movimentos", atingindo uma atmosfera desoladora onde "tudo acabará/ num mero ricto grotesco-/ remendo horrendo/ para fundilhos".

As duas epígrafes do livro, uma de Beckett e a outra um provérbio grego, dão a pista para o andamento, como no segundo caso, que diz que "a pior parte é a maior".

Atravessar os poemas numa leitura direta e sem descanso nos deixa atônitos, pois nossos sentidos se atordoam numa viagem vocabular extremada e em sua conclusão fatal e básica: a vida está imprestável no tanto que a corrompe. O poema que dá título ao livro "Baque" resume em si mesmo o sentido de todo o livro: estes poemas são "um buquê de seqüelas/ em fratura imposta". Um poema que exemplifica a dureza das imagens desse livro é "Um balanço" que deixo ao leitor como antegozo (é justa essa palavra aqui?) para o resto do livro:

UM BALANÇO

do qual só restasse a trave
sem assentos
suspensos por corrente
sem crianças oscilando
de pernas abertas
em meio a risos e gritos
nem adultos
atrás empurrando
para frente
para o alto
cada vez mais
longe
mais forte
até o
crânio aberto entre cascalhos e bem-te-vis

Maria Rita Kehl chama atenção para o fato de que neste livro Weintraub abandona as paisagens interiores, comuns em outras de suas obras, para se encontrar com o outro, exterior ao poeta, mas partícipe do seu mundo, buscando, assim, "outra intimidade, inesperada, com o que restou de espírito aos homens e mulheres desprotegidos, expostos às vicissitudes das ruas, das doenças, da loucura".

Ao abandonar um certo subjetivismo, Weintraub abraça as formas do mundo como matéria e dor. Ao espectador a dor é palpável, pois esta poesia crava em nós o verbo como "cicatriz que se alastra". Se a vida só faz o pior, a poesia de Weintraub "não faz por menos". Vida in extremis, poesia in extremis.

Para ir além






Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 9/8/2011


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Boccacio sobre a peste de Julio Daio Borges
02. Estudo de uma tensão de Celso A. Uequed Pitol


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2011
01. Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I) - 20/12/2011
02. A arapuca da poesia de Ana Marques - 22/11/2011
03. Wagner, Tristão e Isolda, Nietzsche - 13/9/2011
04. Vantagens da vida de solteiro - 23/8/2011
05. Discos de Jazz essenciais - 28/6/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




PROVÉRBIOS NA LINGUAGEM DE HOJE
SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL
SOCIEDADE BÍBLICA
(2000)
R$ 5,00



DO ALTO DA MONTANHA
MORRIS WEST
RECORD
(1996)
R$ 7,00



O PODER DE ORAR PELOS FILHOS ADULTOS -
STORMIE OMARTIAN
MUNDO CRISTÃO
(2013)
R$ 8,00



A MULHER IMAGINÁRIA
JORGE EDWARDS
ROCCO
(1988)
R$ 25,00



SUPORTE VENTILATÓRIO - APLICAÇÃO PRÁTICA
JOÃO CLÁUDIO EMMERICH
REVINTER (RJ)
(2000)
R$ 27,00



BIBLIOTECA DE HISTORIA - CAXIAS
TRES
TRES
(1973)
R$ 5,00



QUEM AMA SE COMPROMETE
PE. CARLOS AFONSO SCHMITT
PAULINAS
(1980)
R$ 8,00



ALBUM DE FIGURINHAS TRÓPICO SÉRIE ANIMAIS COLEÇÃO COLORIDA 8323
TROPICO
MARTINS
(1952)
R$ 91,00



BRASIL: UMA HISTÓRIA POPULAR
RUBIM SANTOS LEAO DE AQUINO
RECORD
(2003)
R$ 9,00



HISTÓRIAS DE GENTE MAIS DOCE - DIABÉTICOS
LEÃO ZAGURY, JUÇARA VALVERDE
AC FARMACÊUTICA
(2011)
R$ 43,00





busca | avançada
63818 visitas/dia
2,2 milhões/mês