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Quinta-feira, 27/12/2012
Homens-máquina em autoconstrução
Carla Ceres

+ de 2600 Acessos

As leis, por sua própria natureza, demoram a reconhecer a existência de fatos, instituições e até de seres com os quais nos deparamos no dia a dia. Ciborgues, por exemplo, existem aos milhares, mas apenas em 2004 um deles, o irlandês Neil Harbisson, obteve o reconhecimento de sua condição biônica e a permissão de aparecer em sua foto de passaporte usando a câmera que lhe possibilita enxergar cores. Neil nasceu com acromatopsia, uma espécie de daltonismo total, que só lhe permite ver o mundo em preto e branco. Aos 21 anos, começou a empregar um tipo de olho eletrônico preso adiante de sua testa. As cores captadas pelo sensor chegam a um chip que as transforma em sons. Cada nota corresponde a uma cor específica.

Músico e artista plástico, Neil Harbisson criou a Fundação Cyborg, cujo intuito é estimular e auxiliar pessoas a se tornarem ciborgues, quer como forma de reparar alguma deficiência, quer como maneira de ampliar suas capacidades naturais. Atualmente, além de "ouvir" todas as cores que o olho humano é capaz de perceber, Neil também "ouve" infravermelho e ultravioleta.

Como a palavra já diz, ciborgues são organismos com partes cibernéticas integradas a seus corpos. Portadores de marca-passos cardíacos e o RoboCop, por exemplo, entram para a categoria dos ciborgues. Já os robôs comuns, compostos de partes mecânicas e eletrônicas, ficam de fora, bem como os geeks que vivem conectados à internet através de aparelhos da moda. Pouco importa se você mal respira sem seu celular, ele precisaria literalmente fazer parte de seu corpo para você abandonar o status de mero ser humano.

Enquanto a medicina utiliza implantes cibernéticos a fim de reparar ou aperfeiçoar pessoas comuns, os militares tratam de criar animais ciborgues para espionagem e exoesqueletos para os soldados. Por sua vez, alguns cientistas fazem experiências em seus próprios corpos, testando, em primeira mão, nossos futuros superpoderes. Sem dúvida, os comitês de ética terão muito trabalho para decidir até onde seus pesquisadores-cobaias devem poder avançar. Dispositivos subcutâneos, de fácil remoção, para detectar campos eletromagnéticos, tudo bem? E que tal substituir só um dedinho biológico por uma versão que dispare choques de baixa letalidade? Vale lembrar que empresas independentes costumam pagar melhor e ter menos restrições éticas do que universidades.

Sempre alguns passos adiante das pesquisas, a ficção científica vem cumprindo seu papel de antecipar debates. Vários autores se perguntam qual será o futuro dos seres humanos. Borgs e Cylons à parte, uma boa obra sobre o assunto é Homem-Máquina, livro do australiano Max Barry, que aborda a questão em seu ponto de partida. Trata-se de uma sátira inteligente, chocante e cheia de humor negro, escrita sob medida para fãs de ficção científica e nerds em geral. O protagonista, Charles Neumann, um engenheiro brilhante, socialmente desajustado, cujo sonho de infância era ser um trem, cativa os leitores por suas fraquezas humanas à medida que se transforma em máquina.

Charles chefia um dos laboratórios da empresa armamentista Futuro Melhor. Por distração, perde parte de uma perna em um acidente. A má qualidade das próteses disponíveis leva-o a criar um modelo robótico bem mais aprimorado e a premeditar a perda da outra perna. Com carta branca da empresa interessada em transformá-lo em arma, ele prossegue com os experimentos para substituir outras partes de seu corpo.

Não há tórridas cenas de sexo nem exércitos biônicos combatendo nas páginas do livro, mas ação e um certo romance não faltam. A Mandalay Pictures percebeu o potencial da história e adquiriu os direitos de adaptação cinematográfica. Resta-nos torcer para que isto de fato resulte em um filme, o que nem sempre acontece.

Max Barry escreveu Homem-Máquina publicando partes da história a cada dia, em seu site e levando em conta as sugestões dos leitores para lhe dar prosseguimento. Um estudante de neurociência ajudou-o a compreender melhor as dores que ocorrem em membros fantasmas, outro leitor constantemente perguntava sobre o paradeiro da namorada do protagonista. Foram 37 semanas de escrita e colaboração para depois reelaborar todo o conteúdo e transformá-lo em um livro propriamente dito, sem as características que uma narrativa seriada na internet precisa ter para garantir o retorno dos leitores. Max retirou o excesso de ganchos, praticamente um a cada página, e a ação desenfreada com pouca reflexão. O humor e o amor à tecnologia tornam esse livro estranho um ótimo presente para qualquer geek que se preze.

Nota do Editor
Carla Ceres mantém o blog Algo além dos Livros. http://carlaceres.blogspot.com/


Carla Ceres
Piracicaba, 27/12/2012


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01. Propostas para o nosso milênio (II) de Marcelo Spalding


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