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Sexta-feira, 10/5/2013
Na minha internet foi assim, e na sua?
Marta Barcellos

+ de 2900 Acessos

Dizem que a internet induz cada um a procurar a sua turma, e acabar se bitolando nela. Por exemplo: no Facebook, você pode bloquear as publicações de pessoas que o incomodam, por ter uma ideologia ou um senso de humor diferente do seu, ou apenas porque postam bebês e você prefere bichinhos. Dessa forma, o Facebook fica com a sua "cara" e o mundo lá fora passa a refletir seus gostos e opiniões - como, aliás, já é a pesquisa no Google sem que ninguém se dê conta disso.

Na prática, o ato de bloquear ou fugir de pessoas e publicações indesejáveis é bastante compreensível, nem que seja por uma questão de administração de tempo e paciência. Outro dia uma amiga jornalista, que se orgulhava de seu espírito democrático, confessava, em tom de desabafo, ter deletado de suas relações virtuais um simpatizante de Bolsonaro e Feliciano. Tem limite pra tudo, né? Os amigos dela, os de verdade, observaram que ela foi paciente até demais. Afinal, quanta atenção deve merecer um discurso absolutamente inconciliável com o seu, como o de alguém que acredita que o homem não foi à lua ou que o holocausto foi uma invenção?

Mas nada disso é exclusivo da era digital. Segundo uma pesquisa feita pela Universidade de Ohio em 2009, as pessoas passavam até 36% mais tempo lendo um texto que reforçava suas opiniões, em oposição a textos que defendiam visões contrárias. Como também costumamos conversar mais e respeitar mais aqueles com quem concordamos, acabamos ignorando as informações que não confirmam nossas ideias. Resultado: se não houver algum tipo de "pressão externa", ficamos cada vez mais convencidos de que estamos certos, por causa das confirmações que buscamos em espaços privados ou associados a nós.

Só que ainda existe um espaço público - além desse que mistura o público e o privado das redes sociais. E nele hoje domina algo que costuma ser simplificado como o "politicamente correto". Como acredito que as minorias ainda precisam de proteção, e que a revisão de injustiças históricas deve estar na agenda da sociedade, não me incomodo com os eventuais exageros do "politicamente correto". Prefiro do que os preconceitos que corriam soltos antes.

Mas sei que nesse espaço misto das redes sociais, entre o público e o privado, tem muita gente que reclama dele, do politicamente correto. Sei disso apesar de, provavelmente, já ter lapidado a "minha internet" com uma cara mais progressista e de esquerda. Talvez saiba porque, configurações à parte, tento me manter aberta e democrática, como minha amiga que aturou o fascista em suas relações virtuais.

Essa reflexão toda é para contar como, apesar de buscar me manter abertamente informada, me espantei com as repercussões da chamada PEC das empregadas domésticas. Manchete já no jornal, estava eu distraída na academia quando fui abordada por uma simpática senhora que tenta ser minha amiga: "Você viu? Que coisa absurda... E agora, como você vai fazer com a sua empregada?"

Demorei pra entender. Naquele momento, eu ainda não sabia da reação das patroas indignadas que se espalhava por ambientes como aqueles, frequentados particularmente por patroas. Pensando bem, não frequento muitos ambientes agregadores de patroas, e talvez a tal indignação massiva tivesse me passado batida, se não fossem as redes sociais.

Antes que as pessoas pudessem elaborar melhor suas posições e se ater talvez aos problemas de regulamentação, antes que os colunistas de plantão fizessem suas colunas inserindo a discussão da lei em um contexto histórico e social, antes que os politicamente incorretos percebessem que não era momento de reclamar da chatice do politicamente correto, antes disso tudo, espocaram em minha tela reações. Assim, espontâneas. Fiquei atordoada, paralisada. Quer dizer, tive vontade de debater, levar a discussão para o saudável campo das ideias. Mas, por outro lado, me parecia um daqueles casos de discursos inconciliáveis, como se eu precisasse argumentar que "sim, o holocausto aconteceu, com certeza". Como se ainda existissem esquerda e direita, sim!, luta de classes, sim!, e todas as outras velhas dicotomias que meus olhos vinham tentando ignorar, talvez para justificar o interesse por temas mais complexos e novos.

Mas, passado o susto, me dei conta da oportunidade. Da riqueza de termos hoje acesso a reações tão espontâneas, como se a sociedade estivesse no divã, como se pelo menos parte dela - a elite que se autodenomina classe média - pudesse ser compreendida na polifonia das falas da internet, revelando seus temores mais profundos, seus ressentimentos, seus desejos mais inconfessáveis. Quem se choca? Quem se identifica? Quem se dispõe a estudar essa polifonia e investigar o que está acontecendo hoje no Brasil? Pois que se ouçam as vozes, e que se leiam as entrelinhas...

- As empregadas de hoje têm a maior boa vida e ganham mais do que quem tem universidade, um absurdo.

- Essa lei é pura demagogia do governo. Se não fosse a classe média, o que as empregadas fariam? Uma mão lava a outra e assim caminha a humanidade.

- E os nossos direitos? Será que precisamos de um sindicato das patroas?

- Sei muito bem quanto devo pagar, quais são as minhas obrigações, e tudo isso me é atirado na fuça como se, ao dar emprego, eu estivesse explorando alguém.

- E quando elas quebrarem as nossas coisas, arrancarem coisas da parede, mancharem nossa roupa? Dá justa causa ou fica por isso mesmo?

- Tem dó dizer que a PEC é a nova Lei Áurea. Nem todo empregador doméstico é carrasco!

- Quem não teve faxineira que não faxina, cozinheira que não cozinha, passadeira que não passa, eletrodomésticos quebrados, prejuízos de toda a sorte, perdas absurdas?



Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 10/5/2013


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