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Sexta-feira, 7/2/2014
Philomena
Marta Barcellos
+ de 3700 Acessos

A safra de indicados ao Oscar está pródiga em filmes "baseados em fatos reais": Trapaça, Capitão Philips, Clube de compras Dallas, Philomena, 12 anos de escravidão e O lobo de Wall Street. A tendência não chega a ser novidade, e basta lembrar que o grande vencedor de 2013 foi Argo (sobre o resgate de seis diplomatas americanos no Irã, em 1980), sem falar nos lamentos de que dois sólidos representantes do "gênero" - O mordomo da Casa Branca e Walt nos bastidores de Mary Poppins - não tenham sido lembrados pela Academia este ano.

O apelo da "verdade" parece gerar um interesse extra, capaz de alavancar divulgação e bilheteria - nada mais natural nestes tempos em que nos entupimos de "vida real" no Facebook, em reality shows e outros entretenimentos. É curioso notar que, quanto mais inverossímil a história, mais rende o espanto em torno do "sim, aconteceu!", com direito a uma boa exploração sobre o caso ou biografia na qual o filme supostamente se fundou.

A discussão mais emblemática - e ingênua - do tipo tem acontecido em torno de O lobo de Wall Street, já em cartaz no Brasil: será que Scorsese não exagerou? - é o burburinho que ouvimos na saída do cinema. Dá para imaginar o cineasta rindo da pergunta, já que as três horas de seu filme são do mais puro e assumido exagero - uma "estética do excesso" fartamente justificada pela trama.

É como se o público, uma vez que responde prontamente a este apelo do "real", precisasse depois fazer um esforço para relevar a óbvia desconfiança que paira em torno desta produção hollywoodiana: a de ser apenas "ligeiramente inspirada em fatos mais ou menos reais".

Faz bem, o público. Hollywood sabe, como nenhuma outra indústria cinematográfica, não deixar a sua qualidade dramática se comprometer pelas amarras dos fatos (se é fato, por que a redundância do "real"?). No fim, faz sempre ficção, e das boas. Quem quiser diferente que faça documentário - e amargue as bilheterias.

Essa reflexão, com o mérito de funcionar como autoironia, perpassa um dos filmes indicados este ano que certamente não vai ganhar o Oscar: uma pequena pérola chamada Philomena, com estreia marcada para 14 de fevereiro. Sim, o filme se beneficia do "marketing do real", e com uma sinopse suficiente para arrancar lágrimas: trancafiada em um convento, jovem irlandesa é submetida a trabalho escravo para pagar o pecado de ter engravidado e vê seu bebê ser adotado por uma família rica. Apenas cinqüenta anos depois, interpretada por Judi Dench, ela tem coragem de revelar sua história e procurar pelo filho que lhe foi arrancado.

Só que, diante da história lacrimosa, o diretor Stephen Frears preferiu evitar os truques usuais para empanturrar a plateia de emoções, oferecendo-lhe em lugar um biscoito fino que não lhe subestima o paladar. Além de contar, para isso, com dois ingredientes típicos britânicos - humor e comedimento -, ele se vale especialmente do personagem-jornalista Martin Sixsmith (a quem cabe investigar e divulgar a "inverossímil história real") para criar o seu contraponto surpreendente.

É Martin (Steve Coogan) quem cumpre a função, desde o início, de ridicularizar a curiosidade geral por histórias de "interesse humano". Obcecado por objetividade e por "fatos brutos" que não interessam a ninguém, o ex-correspondente da BBC preferia escrever sobre política russa, mas, contrariado, se submete à missão de ajudar Philomena em sua busca e transformar sua história na ficção barata que imagina ser inevitável naquele "gênero" menor. Seu cinismo só é reforçado pelas cobranças da editora sensacionalista e pela credulidade da senhora com quem precisa conviver, aparentemente perdida entre o próprio drama real e as histórias ficcionais açucaradas com as quais preenche a sua vida.

Em uma cena aparentemente solta no filme, o diretor parece testar a paciência do expectador para a tal ficção barata: durante o trajeto percorrido pelo carrinho de aeroporto, Philomena consegue, num só fôlego de animação, detalhar toda a trama do romance que acabara de ler. Com nova ironia, Martin declina da oferta de empréstimo do livro: agradece, mas já tem a sensação de tê-lo lido.

A própria personagem principal, depois de conhecer o destino do filho, questiona o que vale mais a pena: cavoucar uma história real que nunca se revelará completamente nem fará sentido, ao contrário da ficção, ou voltar para a rotina de crenças, culpas e pequenas alegrias, à qual se habituou?

O coração de Martin, claro, vai amolecendo, e os dois personagens aprendem um com o contraponto do outro. Com o suposto clímax revelado cedo demais na trama, numa cena banal de café da manhã, o expectador se flagra inquieto, e quase se envergonha por ter ansiado pelos tais truques da ficção barata. Um sentimento de justiça, no entanto, é irrefreável: OK, Philomena pode até recusar o papel de mocinha (sente-se uma "pecadora", diferente das heroínas de seus livros). Mas há de haver um vilão nesta história! E as freiras más? - tenta achar uma saída a editora sensacionalista.

Stephen Frears vai achar a saída e surpreender com outro clímax. Como o expectador merece. Como a boa ficção merece.

E não me venham perguntar sobre a história real, porque eu não quis saber...



Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 7/2/2014

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