Influências da década de 1980 | Guilherme Carvalhal | Digestivo Cultural

busca | avançada
36804 visitas/dia
957 mil/mês
Mais Recentes
>>> Drago, o novo álbum de Marcos Sacramento
>>> 'Festivalzinho', para pais e filhos, acontece neste domingo no CCBB/RJ
>>> O escritor Klaus K.S. faz tarde de autógrafos irreverente para sua obra Crônicas da Insônia
>>> Ensaios fora de circulação de Jacques Rancière ganham edição em português
>>> Terça Aberta no Kasulo reúne trabalhos com temática LGBTQ
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O tigre de papel que ruge
>>> Alice in Chains, Rainier Fog (2018)
>>> Cidades do Algarve
>>> Gosta de escrever? Como não leu este livro ainda?
>>> Assum Preto, Me Responde?
>>> Os olhos de Ingrid Bergman
>>> Não quero ser Capitu
>>> Desdizer: a poética de Antonio Carlos Secchin
>>> Pra que mentir? Vadico, Noel e o samba
>>> De quantos modos um menino queima?
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> Casa de couro I
>>> Millôr no IMS Paulista
>>> A dignidade da culpa, em Graciliano Ramos
>>> O conservadorismo e a refrega de símbolos
>>> Ingmar Bergman, cada um tem o seu
>>> Em defesa do preconceito, de Theodore Dalrymple
>>> BRASIL, UM CORPO SEM ALMA E ACÉFALO
>>> Meus encontros com Luiz Melodia
>>> Evasivas admiráveis, de Theodore Dalrymple
>>> O testemunho nos caminhos de Israel
Blogueiros
Mais Recentes
>>> No meio do caminho: 80 anos
>>> Piratas do Tietê no teatro
>>> Xilogravura na Graphias
>>> Caderno de caligrafia
>>> Ligações e contas perigosas
>>> Your mother should know
>>> 10 palavrões 1 livro didático e ninguém no governo
>>> Man in the Arena testa o iPad
>>> Vá em paz, vó
>>> Ascensorista para o arranha-céu da literatura
Mais Recentes
>>> O Xangô de Baker Street de Jô Soares pela Companhia das Letras (1995)
>>> O errante de Kahlil Gibran pela Claridade (2003)
>>> Histórias extraordinárias de Fernando Bonassi pela Conrad (2005)
>>> Histórias curtas de Rubem Fonseca pela Nova Fronteira (2015)
>>> Histórias de amor de Rubem Fonseca pela Nova Fronteira (2012)
>>> Contos como eu conto de Jurema Waack pela Ônix (2008)
>>> Lucky Luke, volume 4: 1956-1957 de Morris & Goscinny pela Zarabatana Books (2014)
>>> O jogo das contas de vidro de Hermann Hesse pela Record (2003)
>>> Las mejores fábulas de Esopo, La Fontaine et al. pela Biblioteca Popular (1994)
>>> Paixões de Rosa Montero pela Ediouro (2005)
>>> Por um teatro do povo e da terra de Luiz Maurício Britto Carvalheira pela Fundarpe (1986)
>>> História da música no Brasil de Vasco Mariz pela Civilização Brasileira (1994)
>>> As aventuras sexuais de Luís Ensinada de Vinicius Vianna pela Record (2000)
>>> Uivo - Kaddish e outros poemas de Allen Ginsberg pela L&PM (1999)
>>> História concisa do teatro brasileiro de Décio de Almeida Prado pela Edusp (1999)
>>> História da música no Brasil de Vasco Mariz pela Nova Fronteira (2000)
>>> Burguesia e cinema: o caso Vera Cruz de Maria Rita Galvão pela Civilização Brasileira (1981)
>>> Amor Vale a Pena - Reflexões, Contos e Poemas de Fábio Salgueiro pela Bb (2016)
>>> Histórias de Atréfora de Ismael Artur/Layane Ventura pela Chiado (2014)
>>> O Mestre da Vida - Análise da Inteligência de Cristo de Augusto Cury pela Academia de Inteligencia (2002)
>>> Rua da alegria de Frances Parkinson Keyes pela Itatiaia (1969)
>>> A Fonte da Juventude - Os Segredos Seculares dos Monges Tibetanos para o Rejuvenescimento Perene de Peter Kelder pela Best Seller (1998)
>>> Da cova para o trono - a graça de Deus na vida de Jose de Jamê nobre pela Naos (2003)
>>> Travesía Español 1 de Amendola, Roberta pela Moderna (2017)
>>> O Ser Emocional de Valéria de Castro pela Ediouro (1998)
>>> Psicologia Geral e Infantil de Fernanda Barcellos pela Ediouro (1982)
>>> Ancestrais, Vida Intrauterina e Libertação do Homem de Maria Luiza Zanchetta pela Berthier (1982)
>>> Os Relaxamentos de Suzanne Masson pela Manole (1986)
>>> Elementos de Psicologia de Iva Waisberg Bonow pela Melhoramentos (1972)
>>> Feito Homem de Norah Vincent pela Planeta do Brasil (2006)
>>> Hospital Santa Catarina 1906 - 2006 de Textos e fotos; Claudio Pastro pela Grafa (2006)
>>> O Segredo das Crianças Felizes de Steve Biddulph pela Fundamento Educacional (2003)
>>> Criando Meninos de Steve Biddulph pela Fundamento Educacional (2002)
>>> Isto Não É Amor de Patrick J. Carnes pela Best Seller/ Círculo do Livro (1991)
>>> Vidas em Arco-Íris de Edith Modesto pela Record (2006)
>>> Guia de Orientação Sexual de Marta Suplicy et alii pela Casa do Psicólogo (1994)
>>> Sexualidade: A Difícil Arte do Encontro de Lidia Rosenberg Aratangy pela Ática (1996)
>>> Psicomotricidade: Da Educação Infantil à Gerontologia de Carlos Alberto Mattos Ferreira pela Lovise (2000)
>>> João do Rio - O dandi e a especulação de Raul Antelo pela Taurus (1989)
>>> O Português do Brasil - perspectivas da pesquisa atual de Wolf Dietrich e Volker Noll (orgs.) pela Vevuert /Iberoamericana (2004)
>>> Moderna Dramaturgia Brasileira de Sábato Magaldi pela Perspectiva (1998)
>>> Desafio aos Deuses de Peter L.Bernstein pela Campus/Elsevier (1997)
>>> Maus samaritanos- O mito do livre comércio e a história secreta do capitalismo de Chang,Ha-Joon pela Campus/Elsevier (2008)
>>> Os piores textos de washington olivetto de Editora planeta pela Planeta
>>> Tendencias contemporaneas de gestao de Jose meireles de sousa pela Pc editorial
>>> Transtornos bipolares,avances clinicos e terapeuticos. de E.vieta pela Novartis
>>> Estudos de politecnia e saude--4. de Mauricio monken pela Fio cruz
>>> Manual de gestao e programaçao financeira de pagamentos. de Carlos donato reis e jose vittorano neto. pela Edicta
>>> A cura e a saude pela natureza de Ernst schneider pela Casa
>>> Lexplication dans les sciences de la vie de Michel daune pela Centre national de la reicherche scientifique
COLUNAS

Quinta-feira, 30/7/2015
Influências da década de 1980
Guilherme Carvalhal

+ de 3300 Acessos

A década de 1980 é um divisor histórico contemporâneo. Essa época é marcada como a transição da Guerra Fria para uma nova ordem mundial, com os primeiros ensaios para uma economia neoliberal mais abrangente (vide o Consenso de Washington) e o término entre as tensões do mundo bilateral.

Um dos principais pontos sobre a compreensão desse período está na exacerbação midiática que veio se construindo (e se desconstruiu e reinventou após o boom da internet e da informatização). Desde a década de 1950 começou a se formar uma cultura de massa mais consolidada, quando surgiu a TV e a música passou a se tornar mais e mais globalizada. Kennedy foi eleito presidente com apoio da força da TV e nomes como Elvis Presley e Beatles extrapolaram as barreiras culturais ainda existentes e começaram a dar início a um processo verdadeiro de aglutinação cultural.

A própria cultura de massa já permitiu criar uma definição histórica e social desse período, como na moda, no cinema e em demais mídias. Porém, a década de 1980 contou com uma expansão nas relações de interação entre pessoas e mídia que levaram esse aspecto a um patamar um pouco mais elevado. E, obviamente, quando se fala em cultura de massa se fala majoritariamente de cultura dos Estados Unidos.

Entre as inovações tecnológicas que surgiram podemos destacar o videocassete, o computador pessoal e o vídeo game. Em uma questão estética, temos a elevação do videoclipe a um nível mais artístico e teatralizado e a cultura urbana, ou cultura de rua, entrando para os padrões de cultura de massa e até de uma cultura mais elitizada (caso de Basquiat).

Essas alterações de nível tecnológico e estético interagiram com questões políticas, econômicas e sociais. O processo de abertura política da União Soviética, a Revolução Islâmica, o novo mapa da geopolítica se desenhando ao se apontar o fim da Guerra Fria, a contraposição aos movimentos de afirmação das duas décadas anteriores (configurada na figura do yuppie a substituir o hippie), o fim das utopias e o predomínio do capitalismo e do consumismo são algumas das características desse período.

Um ponto interessante de se notar é a violência. A década de 1970 começou a registrar índices mais assustadores de violência e essa se tornou uma das características principais da pauta atual de políticas públicas (casos das FARCs, do tráfico no Brasil e a política de Tolerância Zero implantada por Rudolph Giuliani em Nova York). Seu impacto no dia a dia esteve presente nas mais variadas mídias.

A indústria de cinema e de TV tornou esse um de seus principais filões do período. Seriados de policiais pegando bandidos ganharam mais popularidade, com uma diferença, que é a perda da inocência. A figura do assaltante de banco ou do contrabandista cedeu espaço para um novo vilão, o traficante de drogas. O crime se tornou organizado, os bandidos tiveram acesso a armas mais pesadas e a figura do bom moço com valores nobres deu lugar a heróis cheios de falhas e dúvidas, que muitas vezes atropelam a bondade em prol de eliminar o mal. São alguns casos a série Desejo de Matar, Robocop, As Cores da Violência, entre muitos outros.

Um clássico dessa época foi The Warriors - Os Selvagens da Noite. A premissa desse filme é uma gangue na cidade de Nova York sendo perseguida ao longo de uma noite, mostrando um aspecto do mundo pós-moderno, que é a identificação juvenil por determinados grupos sociais, com comportamento, gostos e vestimentas similares (vide nos tempos adiantes o hip hop, o surfista, o hipster e as identidade própria de cada estilo). Nesse filme, existe uma figura clássica em narrativas, que é a do excluído enquanto herói, a figura deslocada e perseguida, mas ainda assim com força e alguma nobreza, uma reminiscência de Jean Valjean.

No videoclipe, Michal Jackson levou essa configuração da violência a peças como Bad e Beat It. Mais uma vez, a figura do criminoso com uma vestimenta heroica em meio aos conflitos por território e identidades marcadas por cada grupo. O videogame, mídia que dava seus passos iniciais e se afirmava majoritariamente entre os jovens, sempre teve a violência como um de seus pilares. Alguns jogos de destaque foram Double Dragon, Vigilante e também Streets of Rage de maneira tardia (esse último é de 1990, mas toda sua roupagem é anos 80). Nesses três casos há uma mesma premissa, lutadores marciais em combate com gangues de rua que tomam conta da cidade, uma associação com a influência de Bruce Lee, no qual o herói usa apenas das próprias mãos para derrotar o vilão. E nessas obras se vê o visual urbano decadente, o beco, o ferro-velho, as calçadas com suas fachadas de lojas pichadas e tomadas pelos criminosos.

Nos quadrinhos, a exacerbação da violência foi um fator notável. Histórias como Demolidor e Watchmen começaram a mostrar o crime com maior crueza. O ambiente escuro, a figura do assassino em série, do traficante, tornaram-se chavões em suas narrativas. Sai aquele mero embate entre bem e mal e criam-se relações mais complexas de poder.

Em todos esses casos citados, a mídia retrata a relação entre espaços públicos tomados por bandidos organizados, guiados por uma figura de liderança a ser derrotada ao final. A falência do poder público em combater a violência também costuma abrir espaço a outra figura, a do justiceiro, a da pessoa que precisa recorrer aos próprios recursos para lidar com o crime, seja em um senso de heroísmo individual, seja para se livrar de uma ameaça contra si mesmo.

Em questões políticas, a cultura midiática da época foi um palco para o que estava em voga. Isso não é nenhuma novidade, pois em todos os tempos essa correlação existiu. Um dos pontos notórios foi a exacerbação do poderio militar dos Estados Unidos no cinema, em contrapartida com a geração anterior.

Durante os tempos da Guerra do Vietnã, boa parte da cultura de massa se posicionou de maneira contrária à ação militar e o escândalo de Watergate chegou a render o filme Todos os Homens do Presidente. Já na década de 1980, houve uma produção cinematográfica menos crítica e voltada mais ao entretenimento, tendo como enredo um militarismo favorável à política externa dos Estados Unidos.

Obras como Rambo, Braddock, Comando Delta e Top Gun são alguns dos exemplos mais óbvios. Nesses casos, é nítida a participação do poderio militar dos Estados Unidos em vários continentes, como América Latina, Oriente Média e Sudeste Asiático. O choque de alteridade novamente se percebe, como a figura do civilizado portador de valores a confrontar o vilão em um país bárbaro, normalmente libertando um povo sofrido e atrasado.

Na música da época a política não se fez tão presente, pelo menos não de maneira tão escancarada, exceto por uma ou outra voz. Esse é um contraponto interessante, pela alta participação da música ao abordar esse assunto nas décadas anteriores. Os videoclipes seguem a mesma lógica: é uma era de consumo, em que o individualismo se torna um valor mais importante. Apenas um movimento vai na direção contrária, que é o funk e a cultura do hip hop (apesar de igualmente influenciado pela ótica do consumo, expressa nos cordões, tênis e demais objetos).

Os videogames fizeram bom uso das questões políticas, principalmente no que diz respeito a guerras e a intervenções militares. São os ambientes típicos da terra do inimigo, como o deserto e a floresta tropical que aparecem em muitos desses jogos, atacados por soldados a pé, helicópteros e aviões, muitas vezes identificando a nação do herói como os Estados Unidos.

Os quadrinhos sempre mantiveram seu pé na política. Homem de Ferro teve sua participação na Guerra Fria, Super-Homem e Capitão América envergam as cores dos Estados Unidos em seus uniformes. Na década de 1980 a política foi tônica nessas histórias. No X-Men se acirrou a questão da perseguição aos mutantes com direito a um futuro distópico, Justiceiro enfrentou terroristas islâmicos, intervenções militares foram temas de várias histórias.

A política teve um papel complexo nessa época. A politização se tornou menor, mas a disputa de poder continua ocorrendo. Então a indústria de entretenimento se tornou mais próxima aos muitos interesses, se valendo de uma posição menos crítica por parte do público. Portanto exacerbou-se a relação entre diversão com algum grau de politização, geralmente alienada e tendenciosa.

Outro aspecto interessante está na maior relevância que grupos minoritários obtiveram após os conturbados anos 1960 e 1970. Tendo por destaque grupos negros e femininos, essas duas figuras tiveram uma dimensão bastante diferenciada nessa década.

No cinema, a presença dos dois grupos são um tanto quanto dúbias. Douglas Kellner, em seu livro A Cultura da Mídia, retrata que nessa década o cinema andou na contramão das conquistas existentes nas duas décadas anteriores. A figura da mulher se tornou reduzida diante da masculina, sendo limitada à mocinha salva pelo herói. Um destaque destoante é a figura adolescente nos filmes de John Hughes, que mostra suas personagens imersas em tantos dilemas como a questão da aparência, os estudos e a descoberta sexual.

A figura do negro no cinema segue a mesma ótica feminina. Alguns figuras de destaque surgiram, como Richard Pryor e Eddie Murphy, mas ainda assim foi uma presença limitada. Nos filmes de dupla policial, a relevância do policial negro fica aquém do branco. Outro destaque nessa época veio com Spike Lee, que iniciou uma quebra de paradigmas significativa quando lançou Faça a Coisa Certa.

Já na música a presença de mulheres e negros foi preponderante. Ícones como Madonna, Cyndi Lauper, Public Enemy e Run-D.M.C conseguiram ter uma presença própria, influenciando no comportamento geral. O impacto da cultura negra foi significativo e sua presença se nota até hoje. Mais do que meramente uma questão musical, a era do videoclipe influenciou também no comportamento.

Nessa inicial era de videogames a presença feminina se viu em algumas séries, como no caso de Metroid. Nesse caso, há a correlação com o cinema. No filme Alien - O oitavo Passageiro, Sigourney Weaver interpreta Ripley, uma militar em uma nave especial (há quem considere esse o primeiro filme feminista, por colocar uma mulher em um papel de liderança e em posição de superioridade aos homens). A personagem da série Metroid recebe daí alguma influência. Por outro lado, boa parte do enredo de jogos eletrônicos tinham a premissa do herói correndo para salvar a mocinha do vilão. Apenas na década seguinte surgiria uma gama mais vasta de mulheres em ação.

A figura do negro é igualmente escassa, apesar de existente. Uma aparição mais constante é como inimigo em jogos em que tenha a perspectiva de luta de rua, configurado como membro da gangue. Com papel de herói, pode-se citar Adam Hunter, em Street of Rage.

Já os quadrinhos viveram um terreno bem mais fértil. Na década de 1980 começaram a surgir vários personagens negros e femininos de destaque, muitos deles quebrando esteriótipos correntes. Sua presença já existia anteriormente e nesse período se tornou ainda maior.

Nesse aspecto, a questão midiática foi dúbia. Houve maior presença de negros e mulheres, em alguns aspectos atrelados a esteriótipos, em outros de maneira mais autorrepresentativa. Foi um primeiro passo para uma geração diferenciada, funcionando como meio termo. No caso do cinema a situação foi de maior retrocesso, não correspondendo a um padrão de mudanças que vinha se desenhando.

Por último, pensar também na questão de cultura urbana e moda. Talvez esses sejam aspectos que se tornam mais emblemáticos através da cultura de massa, influenciando no jeito de vestir e de se comportar. E a década de 1980 contou com alguns fatores que influenciaram muito os anos seguintes, como o hip hop, os ícones femininos, Basquiat.

O cinema dos anos 1980 possivelmente foi o que mais mostrou a diversidade cultural de seus tempos nas telonas. O adolescente revoltado, o nerd, o yuppie, o rapper, foram figuras bastante comuns (a Sessão da Tarde deixou isso muito marcado na mente dos brasileiros). E sua repercussão massiva foi bastante influente sobre a população, principalmente na juventude.

A mesma lógica se aplica aos videoclipes. Neles se estampam a nova cultura, mais moderna e urbana, até em contraponto ao desapego que o movimento hippie procurou promover. A música Girls Just Want To Have Fun mostrou bastante disso, desde a revolta juvenil e o empoderamento feminino até um hedonismo que deixava de lado a politização. Nos quadrinhos e nos jogos eletrônicos, a estética urbana se fez cada vez mais presente. Os traço retratam uma nova estética, um novo modo de se vestir e de se portar.

O impacto desse período foi muito extenso. Ele simbolizou uma reviravolta completa na geopolítica e essa relação se refletiu nas sociedades, juntamente à ascensão de grupos populares e sua inserção na grande mídia com um senso de alienação política e foco no consumo. Foi uma mudança de paradigma, do fim da utopia e do afastamento das questões públicas, ponto fundamente da construção do mundo atual. Os anos seguintes vieram como um reflexo seu: o nível de participação política não sofreu mudanças para melhor e as expressões agora contam com as redes sociais e a a grande mídia cada vez mais se influencia pelo baixo clero. A mesma dualidade se mantém, em um mundo ainda pautado pelo consumo, dessa vez mais assoberbado através das ferramentas de web 2.0.


Guilherme Carvalhal
Itaperuna, 30/7/2015


Mais Guilherme Carvalhal
Mais Acessadas de Guilherme Carvalhal em 2015
01. Influências da década de 1980 - 30/7/2015
02. Meio Sol Amarelo - 3/9/2015
03. A trilogia Qatsi - 15/10/2015
04. A grande luta das pessoas comuns - 19/11/2015
05. O cinema de Weerasethakul - 2/7/2015


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




POLTERGEIST: ALGUMAS DE SUAS OCORRÊNCIAS NO BRASIL
HERNANI GUIMARÃES ANDRADE
PENSAMENTO
(1988)
R$ 19,90



UM PASTORZINHO PEREGRINO EM BUSCA DA PAZ COM DEUS
RUYTER LUCIANO SILVA
DO AUTOR
(2012)
R$ 35,00



A ESTÁTUA E A PEDRA
OSVALDO LITZ
JUERP
(1985)
R$ 87,00



PROBLEMAS DE LINGUÍSTICA DESCRITIVA
JOAQUIM MATTOSO CAMARA JR.
VOZES
(1969)
R$ 10,00



CONHECENDO E VIVENDO AS IGREJAS DO NOVO TESTAMENTO
WALTIR PEREIRA DA SILVA
DO AUTOR
(1995)
R$ 7,00



DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS E TEORIA DE CIRCUITOS
ROBERT BOYLESTAD E LOUIS NASHELSKY
PRENTICE HALL DO BRASIL
(1994)
R$ 25,00



NAS ARQUIBANCADAS
JOHN GRISHAM
ROCCO
(2004)
R$ 12,00



POLÍGONO AMOROSO - 2ª EDIÇÃO
JAYME BRAZ
SÃO PAULO
(1960)
R$ 9,66



GAGUEIRA - DO FATO PARA O FENÔMENO
ISIS MEIRA
CORTEZ
(1986)
R$ 12,00



AS PERNAS DE ÚRSULA E OUTRAS POSSIBILIDADES
CLAUDIA TAJES
AGIR
(2006)
R$ 15,00





busca | avançada
36804 visitas/dia
957 mil/mês